Nº 05 - Fevereiro de 2004

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

                  

"QUEM SOU ?..." - Gilsa Isacy Pereira de Araújo

1º - a) Nome – Gilsa Isacy Pereira de Araújo.
Idade (o ano de nascimento é facultativo) - 48 Em 07.06.55
b) Profissão - Comerciante ( atualmente)
c) Morada - Av. da Universidade, 3264 – Condomínio Lisboa
d) - Quer falar um pouco da terra onde mora? - Fortaleza, terra do Sol! Porta de entrada do Nordeste e uma das principais capitais nordestinas, Fortaleza a cada dia torna-se uma cidade voltada para o turismo. A maioria de seus hotéis ficam na Av. Beira Mar, principal corredor de animação da cidade, onde destacam-se elegantes coqueiros e uma ampla variedade de opções de lazer, como barracas, restaurantes e feiras de artesanato. Com uma excelente infra-estrutura de hotéis, Fortaleza é hoje uma das quatro cidades que mais recebem turistas no Brasil. Tudo é pensado e voltado para o turismo. Desde a urbanização de sua orla, a localização de cada hotel, passando por atrações de lazer e cultura, como o Beach Park e o Centro Cultural Dragão do Mar. Fortaleza é assim: uma cidade onde há tranqüilidade, agito e convivem em harmonia. Uma bela capital cearense.
2º - a) Quando começou a escrever? - Comecei por usar agenda, desde menina e todos dias escrevia o que passava comigo e depois comecei a fazer bilhetes para os namorados de minhas amigas que elas me pediam, e logo depois fui criando gosto pela Poesia. Em 2002, veio aflorar dentro de mim, a poesia, que ainda não sabia que sabia escrever...risos
b) Teve a influência de alguém para começar a escrever? - não
c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) - Sim, tenho alguns. "Amo-te" em 11.02.2002 - "Minha Prece" em 31.05.2002 "Sentimento...Amor!!!" em 07.09.2002 - Todas escritas em Portugal, onde comecei a escrever.
d) Foi divulgado (como) ? - Está em Sites de Amigos, no meu Site ( Web Site da Isa 2000) que o mesmo encontra-se fora da rede, mas pretendo logo tê-lo de volta. Como Também Site de Marel Sosa em Espanhol, em Escanner Cultural (
http://marelsosa.com) "Site da Lena" e tenho outras Poesias no Site do "Grupo de Poesias e Atualidades" de Olga Kapati.
3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? - não
b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) - não
c) Projectos literários para este ano de 2003? - não
e) Como vão ser editados? - Nunca pensei no assunto.Mas quem sabe um dia?

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana? - Sou uma pessoa, super sensível, romântica, divertida e gosto de viver a vida.
Já passei por muitas coisas na vida . Casei-me e tenho dois filhos maravilhosos, um casal e uma netinha de quatro meses. Tenho minha mãe que me apóia em tudo. Minha mãe, confidente e amiga. Trabalhei durante 23 anos no Estado do Ceará (Seproce). Gosto de fazer amizades e sou amiga do meu amigo. Sou aquela pessoa que procura ajudar os amigos, apesar de eles serem virtuais ou não. Sempre tenho tempo para todos eles, um ombro amigo, para as alegrias e as tristezas. Sou uma pessoa simples. O que mais?....risos Divorciei-me do meu primeiro marido e depois de muito tempo, casei-me com um português, passei momentos maravilhosos, mas como a vida nos prega cada peça, sofri. Mas é a vida. Levantei minha auto-estima e estou a Amar novamente. Ser Feliz é o meu objetivo.
b) Como Escritor (a)? - Como escritora, aprendi a por os meus sentimentos no papel. É assim que comecei as minhas expirações para Poesia.
c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial? - Preciso está só e ter o meu computador e o Word à minha frente e assim a inspiração vem. Mas o importante é quando o sentimento que estou a sentir vem à tona.
c) Tem prémios literários? - Não
5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) - Sim Web Site da Isa 2000 desde 1999
b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação)? - Sim, já tomei conhecimento pela Vilma Matos.
c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever? - Que escrevesse com o coração, a alma e com muito Sentimento e que tenha muita sensibilidade e amor pela Poesia.
d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso)?

Minha Prece

Hoje, acordei tão bem, mas de repente
um sentimento de tristeza invadiu o meu coração,
a pensar que Deus esqueceu de mim.
Porque?

Porque pensei que Deus havia se esquecido de mim?
Tanto sofrimento no mundo,
Tanta miséria,
Mas eu aqui no meu mundo, sou feliz,
Tenho amor dos meus filhos, dos meus amigos
Como pude pensar que Deus havia me esquecido?
Porque?

Perdoe-me Senhor, por ter tido este pensamento.
Sei que estás sempre do nosso lado,
na alegria, na tristeza,
Acredito, que seja para termos consciência de que sempre
Estás ao nosso lado, sempre…

Perdoa-me, Senhor!
Perdoa-me, meu Pai!
Quero agradecer-te pela minha saúde,
Pelo Amor que existe dentro de mim,
Para com meus irmãos.
Quero que saibas que Amo-te!
E que só posso contar contigo, Senhor!

Obrigada Senhor, por eu ser feliz,
Obrigada Senhor por eu existir!
Obrigada Senhor por está sempre ao meu lado.
Tirai essa tristeza do meu coração
Arrependi-me Senhor, cuida de mim.

Gilsa Isacy

QUANDO A GENTE AMA... Vilma Matos

Sabe ser paciente

E espera,

O grande momento!

Conta as horas
Vendo o despertar

Da aurora.

Acredita que o amor aumente

Embora que, às vezes,
Tenha receios que o vento

O leve embora...

Vilma Matos


Quem Sou ? Marisa Ebrenz de Freitas

Idade:34 anos
Local onde reside:Rio de Janeiro
Ocupação Profissional:Escritora e Estudante de Psicologia
Balanço da sua actividade literária do ano de 2002:lancei o livro "Pensamentos de uma adolescente"
De 01 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2002 escreveu ... ?: - sim
Que tipo de trabalho (prosa – poesia – crónica – outros trabalhos) ... ?: -poesias
Como foram divulgados estes seus trabalhos ... ?: -
Pela RG Editores, Saraiva. Sites:
www.hotbook.com.br   ; www.falena.net/  (clicar em El rincón Del alma); www.usinadeletras.com.br; recentemente pelo meu site http://geocities.yahoo.com.br/marisa_ebrenz_de_freitas/index.htm

Durante o ano de 2002, publicou algum livro ... ?: - Lancei sim, meu livro "Pensamentos de uma adolescente"
Faça um breve sumário do tema (s) de sua obra ... ?: - Pensamentos poéticos , onde uma leitura voltada para mulheres de todas as idades. Através de pensamentos poéticos a autora relata as passagens que marcaram sua vida, da adolescência até sua maturidade.
Como foi divulgado ... ?: - Foi divulgado pelas editoras e sites acima citados
Projectos literários para o ano de 2003...?: - o site que esta no ar há quinze dias e já superou os recordes de visitação e premiação e um novo site .
Que tipo (s) de trabalho (s) ... ?: - site.
Como via divulgar seus trabalhos ... ?: - hotbook, grupos de poetas , usina de letras e outros.
Se tem livros publicados : sim, tenho um já citado acima
Nome e ano de publicação de seus livros ... ?: - "Pensamentos de uma adolescente" publicado em julho de 2002.
Onde foram lançados ... ?: - RG Editores e Livraria Saraiva. (São Paulo e Rio de Janeiro)
Outras apresentações ... ?: - site amigos da arte
Como podem ser adquirido (s) seu (s) livro (s) – se possível indique o preço (s) ... ?: - podem ser adiquidos comigo mesmo o valor é de R$ 15,00.
Colabora normalmente com o "cá estamos nós" ... ?: - ainda não os conheço
Qual o género de colaboração (poesia, contos, crónicas, na sua divulgação, etc) ... ?: - poesia
De 00 a 10 qual a nota que atribui à Divulgação "cá estamos nós" ... ?: - 10 por contato da querida Drica Del Nero.
Divulga o "Cá Estamos Nós ?... se S I M, em que condições ?... ?: - sim
Se tiver Home Page, ou, se tiver trabalhos seus em algum (s) site (s), indique qual (quais) ... ?: -
http://geocities.yahoo.com.br/marisa_ebrenz_de_freitas/index.htm   ou http://marisaebrenzdefreitas.cjb.net
 
Observações ... ?: - gostaria de fazer parte do grupo de vocês

Vazio

Agora sinto um vazio tão grande aqui dentro
Este vazio me aperta forte, machuca, fere, domina.
Este vazio é a espera de alguém, mas de alguém que não esta perto.
De alguém que está longe e ao mesmo tempo perto,
Esta pessoa, este alguém me faz feliz, me deixa calma,
Me faz sonhar...sonhar bonito...sonhar gostoso...sonhar longe...sonhar fundo.
Quando este alguém não está perto, me sinto fraca, frágil,
Sem domínio, sem direção, sem objetivo, me sinto triste, ferida, insegura.
Uma sensação péssima que parece que este alguém ao invés de chegar cada vez mais perto,
Cada vez se afasta mais e isto é pior, cada vez pior.
É esquisito e difícil de explicar
Mas às vezes gostoso de sentir.
Sentir que este alguém ama, que sente amor, muito amor por mim
Apesar de estarmos algumas vezes longe um do outro,
Sabemos que sentimos esta paixão, este carinho, esta ternura não acabará.

Marisa Ebrenz de Freita.

Katarina Madeira

          Nasceu no Barreiro, uma pequena cidade portuguesa, situada na margem sul do nosso Rio Tejo a 9 de Maio de 1968.
          Talvez pelas características do seu signo é uma pessoa lutadora e "teimosa"(afirmações da escritora) por natureza. Quando decide conseguir alguma coisa, embrenha-se de alma e coração nessa tarefa e luta por ela até ao fim. Pode até não conseguir os resultados a que se propôs por motivos alheios à sua vontade mas com a consciência do dever cumprido e isso a tranqüiliza.
          Das muitas paixões que tem tido na vida, algumas que se mantêm desde da infância, são elas:- A medicina, a literatura, a arte e as crianças.
          A medicina ficou por um curso que iniciou e nunca chegou a terminar, por circunstancias da vida, que assim o determinaram. Embora continue a ser alvo da sua pesquisa e estudo diários.
          A pintura, o desenho, o artesanato e agora as formatações a nível de arte visual no computador, são os seus hobbies, quando pode e precisa espairecer.
          A musica e a dança também fazem parte dessa artista, "-são como um bálsamo para a alma, conseguindo-me alterar o estado de espírito em toda e qualquer situação da minha existência".Esclarece.
          O Ballet faz sonhar e voar pelo mundo do imaginário, tendo preenchido horas diárias de 10 anos da sua vida e só não indo mais além, devido a ideias preconcebidas do seu pai, que acreditava não ser carreira digna para uma senhora.
          Desde muito cedo escreve, sendo incentivada desde então para o fazer. Nossa Flor Feliz, da uma pausa, sorri e relata:"-Tenho até uma história engraçada, de uma professora minha da escola primária, me vir entregar há 3 anos atrás todas as coisas que eu tinha escrito nessas alturas e que ela guardou na intenção de me devolver quando eu fosse adulta.
          Não tenho trabalhos publicados, porque apenas me entregava ao prazer da escrita, sem nunca pensar a sério nesse aspecto. Queria deleitar-me nesse prazer e deixar falar o coração, através de palavras e foi o que sempre fiz".
          Defensora de causas justas, adora ter possibilidades de Se deslocar como voluntária para um País onde crianças necessitassem da SUA ajuda.
          O ódio é palavra que não existe em seu vocabulário. Porém, detesta hipocrisia, cinismo, mentira e pessoas que "pisam" nos seus semelhantes, para atingirem objetivos.
          Descriminação, preconceito e racismo, são as coisas que mais fazem doer seu coração.
          Juntamente com a inexistência de Paz no mundo e a crescente falta de ajuda e amor pelo próximo.
          Para finalizar, existe uma frase que lhe acompanha desde criança e que faz dela o seu lema diário: "Alcança, quem não cansa!" do grande Mestre Aquilino Ribeiro.
          Um sorriso que faz questão em manter e mostrar, pois acrescenta que a alegria é parte integrante de si.
          Razão de ser conhecida pelos amigos e pessoas próximas com o pseudônimo afetuoso: "FLOR FELIZ"
          Aqui deixamos seu sorriso... um pouquinho do seu perfil e com carinho agradecemos.            Um beijo e muita Sorte sempre!
        
Por: Elizabeth Misciasci e Luciane Makkário


ARRIBAÇÃO - Sara Rafael

Cheguei! Vim por acaso.
Não vem ao caso dizer
As ilusões que trago

Por dentro cheia de frio
Do que ficou por viver
Trovas que ninguém ouviu

Livro em branco guardado
Em território nublado

Mais um caso perdido
De sonho colorido

Contando histórias - Rosy Feros

          Nunca imaginei ter a vida que tenho hoje. Ou melhor: sim, já imaginei, mas não havia imaginado que ela iria se concretizar com tanta rapidez...
          É incrível poder ter acesso ao que eu quiser, à hora que eu quiser, através desta máquina de luz que ilumina meus olhos. Meu computador conectado ao mundo cresceu, de fato, como uma extensão de mim.
          Ao lado de minha máquina, pousam a caneta, o diário, CDs de música, o copo de suco. Mordo a maçã enquanto mastigo as primeiras notícias do dia. Escrevo meu texto enquanto ouço flamenco.
          Continuo as conversas do fórum de ontem, discutindo a literatura e a poesia hoje.
          Mais que uma máquina feita de plástico, metal e engrenagens de silício, meu computador conectado ao mundo virou minha janela para a História. Observo a historiografia da humanidade sendo feita e refeita a cada segundo, palpável, ao toque de meus olhos e dedos.
          Estamos, sem dúvida alguma, criando novas formas de perceber e contar a história de nossa civilização. Se a História dos livros começou a partir dos registros e documentos, a História hoje é contada a partir dos documentos eletrônicos, e-papers. Papéis virtuais construídos por eletricidade.
          A própria matéria de que são feitos os e-papers já lhes confere um sentido histórico fugaz: a História hoje é raio de luz, nuvem que passa, líqüida e volátil. Não dá para pegar com as mãos, nem caçar com os anzóis burocráticos dos empalhadores da História tradicional.
O novo conceito de História, hoje, traduz-se de uma única forma: a História (com "h" maiúsculo) não existe senão como metáfora, como generalização abstrata para simples referência.
          A história contemporânea é composta de múltiplas histórias, todas elas de igual peso e valor. E este pensamento multifacetado, na verdade, está em micro-escala no computador multimídia. Permeia as redes telemáticas, de cabo a rabo. É reflexo de nosso pensar globalizado, que cruza arquivos como quem mistura cores.
          Mais que uma máquina, meu computador conectado é uma extensão de meus pensamentos, voz, vontades. Ele já está acostumado às minhas intempéries e rotinas, já sabe meus caminhos. Reflete minha história, a que digito dia após dia (ou noite após noite).
Minha história pessoal multimídia passa a ser coletiva a partir do momento em que é compartilhada, midiatizada. Transformada pela mídia, ela passa a ser a história de todos os que a lêem, que se identificam com ela.
          Espalhada pela rede, ela é como fruto que se divide em sementes, plantando novos vínculos e gerando outras sementes. Romã cibernética.
          Minha história pessoal on line é árvore que se enraíza e que encontra outras raízes, links de outras gentes também plugadas em solo cibernético.
          Eu escrevo, tu publicas, nós fazemos história. Nossa história cresce a olhos vistos, como pixels piscando na tela do tempo.


Vamos compartilhar nossos textos num blogue?
Caso queira fazer uma experiência, vá a este endereço
http://portalcen.blog-city.com/ e insira o email webmaster@portalcen.org (se não funcionar, use lpbacan@sercomtel.com.br ) depois use a senha portal916cen.
Clique no botão <<view admin>> Para incluir um texto, use Add new blog entry


MOMENTO CRÍTICO - Paccelli José Maracci Zähler

          Deslocando-se de ônibus do aeroporto de Cumbica em direção à Praça da República, não parava de cantarolar mentalmente a música "Sampa", de Caetano Veloso.
          Era difícil vir a São Paulo sem que a música lhe viesse à mente. Era uma compulsão.
          Sofria ao pensar em enfrentar mais uma rodada de reuniões de negócios.Viajar a serviço era uma tortura. O que podia fazer se São Paulo é o centro dos negócios do país?
          O pior de tudo, além de sair do conforto do lar, era ter que redigir o relatório da viagem para justificar os gastos da instituição em que trabalhava.Entretanto, era preciso ganhar o "pão de cada dia".
          Ah, se fosse possível dar uma escapulida até uma pizzaria no Bairro Cerqueira César ou, quem sabe, tomar um chope gelado para descontrair em um final de tarde, observando o movimento da cidade. Porém, não era assim que as coisas funcionavam.
          Negociar é uma arte que nem sempre traz resultados animadores. Quando viera a São Paulo pela última vez, ficara entusiasmado. Todavia, graças ao vira-casaca do Joaquim, as coisas se reverteram e ele teve que refazer o trabalho.
          Respirava fundo, tentando aspirar a energia mais positiva que houvesse. Suava frio ao imaginar-se preso novamente ao traje de passeio completo.
          O ambiente urbano lhe fazia bem. Duro mesmo era ter que enfurnar-se na sala de reuniões, impregnada de fumaça de cigarro, com pessoas não muito amáveis a buscar soluções, a fazer jogo de palavras, a tentar virar o jogo a seu favor. Sim, a negociação é um jogo.
          Começou a sentir uma dor no peito. Não era infarto. Era ansiedade.
          No quarto do hotel, revia mentalmente o ambiente, os contendores, os estratagemas para obter resultados positivos e obter a tão almejada promoção. Depois, era só relaxar e tirar umas férias.
          Um frio percorreu a sua coluna vertebral. "Até quando iria levar aquela vida?", perguntava-se.
          Cada vez que enfrentava uma reunião de negócios sentia palpitações, vertigens, insegurança, apesar de toda a aparência de durão. Valia a pena? Não seria mais interessante juntar as suas economias e montar o próprio negócio, já que tinha experiência com grandes corporações?
          Após a reunião final, enviou o relatório do trabalho, juntamente com uma carta de demissão, pelo correio expresso.
          Decidiu refazer a vida profissional em São Paulo.


AMOR TATUADO - Ligi@Tomarchio®

Enovelados sentimentos
tecem tramas
traumas reticentes, latentes
emergem das profundezas
do existir.

O amor encravado
trava qualquer possibilidade
do ressurgir das trevas.

Desvão com teias e pó
esquecido pelo tempo cruel
enaltece desejo de morte.

Sofrimento de amor
sem cura, só dor
tatuado na alma
imensurável, submerso no magma
centro da criação da terra mãe
a todos alimentando
na cura e renascimento.

Águas escorrem, atropelam pedras
no caminho a seguir.

Oxigênio escasso
sufoca, não há ar
vitalidade a escreve

Brasas destroem sem as chamas
abrandadas pela chuva
elixir para natureza quase morta.

Final dos tempos...

Humanidade corrompida
tal coração que ama
esquecido de ser, ver e ouvir
os desígnios dos deuses tantos,
muitos já esquecidos
enterrados na memória perdida.

Não me atrevo® - Elizabeth Misciasci

Partir daqui sem olhar pra traz
Pura ilusão...
Levou na bagagem um passado
Já bem distante.
Bobagem!
O que restou de um futuro
Incessante a questionar
É presente apenas nos teus dias
Não me atrevo a falar de dor
Nem tão pouco solidão,
As marcas se somam 'as mágoas
Estas não
merecem reflexão.
Hospedeira de alegrias me transformo
Em repudio aos teus recalques me esquivo
Tudo posso dizer...
Respiro com vontade de viver
Desfaço laços que um dia foram usados para unir
Desamarro as cordas que em outrora
Me prenderam a ti
Nada quero das quirelas
Que sem pudor me oferecestes
Estas a ti pertencem
O tempo se fez meu amigo e com este
Compartilho meus momentos.
Quero sorrir com a certeza da sorte
A me acompanhar
Das tuas convicções errôneas,
Dos teus fracassos e insanidades
Me evadi
Respiro com a certeza de Viver
Nada mais me sufoca!
Sou outra Mulher
Plena e audaz
Satisfeita por ver
Esta porta se abrir pra você sair
E agradeço... por
Partir daqui sem olhar pra traz!

Elizabeth Misciasci

E O MEU MENINO SAIU DE CASA... - Por Lílian Maial

          Acordei com aquele telefonema, uma tal Dona Miriam, falando todos os "S" que tinha direito, num sotaque tipicamente paulista.
          A princípio, talvez pela sonolência, que insistia em manter minha mente confusa, achei que fosse engano, que a ligação havia caído errado, até que ela falou em ITA.
          Dei um pulo de onde estava, tratei de acordar à força, apurar a audição e prestar atenção ao que ela tentava me dizer:
          - "A senhora é a mãe do Gabriel?"
          - "Sim, eu mesma, do que se trata?"
          - "Aqui é do Centro Tecnológico Aeroespacial, de São José dos Campos, para informar que seu filho deverá se apresentar ao ITA, no dia 23 de janeiro, para escolha do alojamento."
          - "Mas que alojamento, senhora?"
          - "O local onde ele deverá passar os próximos 5 anos, mãe."
          - "Desculpe-me, dona Miriam, mas do que a senhora está falando?"
          - "Ora, senhora, seu filho foi aprovado no ITA! A ligação é para informar que hoje estou postando um envelope com todas as informações para inscrição, documentos, normas, enfim, tudo o que ele vai precisar para regularizar a situação de aluno da ativa, conforme opção dele no vestibular."
          Aquelas palavras ecoaram por alguns instantes. Um frio na espinha percorreu ligeiro toda a medula, congelando meus sentidos. Não sabia se ria, se chorava, se gritava, se morria. Fiquei imóvel, lágrimas nos olhos, que nem boba, agradecendo à tal dona Miriam pelas palavras mais abençoadas dos últimos tempos. Sim, porque aquele menino merecia, e muito, aquela vaga.
          Ele sempre fora um garoto diferente da média: calmo, quase sem agressividade, amigo, bom desempenho escolar, nunca deu trabalho em aspecto algum. Lembro-me que havia pulado um ano ainda na pré-escola, ano esse que veio a trazer-lhe algumas amargas lembranças, pela imaturidade emocional e a diferença física para os meninos mais velhos. E, como se sabe, crianças costumam ser cruéis. Mas ele, com a nossa ajuda, ultrapassou tudo com muito amor. Desde novinho aprendera a vencer dificuldades.
          Na ocasião das opções de vestibular, ele sempre fora categórico: queria ser engenheiro, e queria ser militar, ou seja, ou IME, no Rio, ou ITA, em São José dos Campos - SP. Tanto assim que, além dessas duas instituições, apenas se inscrevera na UFRJ e na UERJ, nada mais.
          Na primeira tentativa, passou na UERJ, na UFRJ, mas não passou no ITA e chegou a passar no IME, mas não conseguiu a classificação dentro das 30 vagas para a ativa.
          Ficou triste, mas não desistiu. Quando a maioria dos garotos de sua idade teria cursado a UFRJ, que é ótima faculdade, e curtido as praias, festas, namoradas e amigos no tempo que sobraria, ele não. Começou a cursar a faculdade pela manhã, mas ia direto para o curso preparatório, turma especial IME-ITA, à tarde e à noite. Saía de casa às 7:00 e voltava às 21:30 horas, exausto, com fome e sono.
          Chegou a época das provas, aquele sofrimento, aquela ansiedade. O menino vinha de cada prova com um ar irritante de incógnita, sem querer cantar vitória, com medo da decepção. Nada dizia, a não ser um lacônico "vamos aguardar".
          Veio o resultado do IME: eram 30 vagas para a ativa, ele havia ficado em 42º lugar. No ano anterior, ele ficara em 68º, e até o 46º houve reclassificação. Veio uma enorme sombra nos seus olhinhos. Viu o gabarito e soube-se injustiçado na prova que mais sabia, a de química. Levou o gabarito e sua prova para os professores do curso que, unanimemente, o orientaram para a revisão, garantindo que ele conseguiria média para entrar, com a nova nota.
          Durante a revisão, foram categóricos em manter a nota, sem maiores justificativas. Quando saiu o resultado, de 42º ele passara a 43º. Tiro pela culatra. Assim mesmo não desanimou, lembrando-se que muitos dali passariam e optariam pelo ITA, que ele ainda teria chances no IME dos seus sonhos.
          E aí veio esse telefonema. O menino, apesar das adversidades, havia conseguido, por mérito próprio, a vaga no local mais difícil, que ele mesmo não imaginava que conseguiria. Foi a coroação do esforço, da responsabilidade, da determinação, do caráter bem formado. E eu estava radiante, com a sensação de "missão cumprida", a certeza de que havia dado a melhor criação possível.
          Mesmo sem querer, essa coisa de mãe, por mais liberal, desprendida e moderna que a gente seja, nunca se está preparada para esse corte total do velho e bom cordão umbilical.
          Tudo bem, não sou lá mãe de ficar pegando no pé, até mesmo porque eu própria tenho minhas atividades profissionais e pessoais, das quais não abro mão. Sou independente demais para ter um temperamento aprisionador de filho. No entanto, nunca havia me separado antes tanto e por tanto tempo. De certa forma, eles sempre estiveram ao alcance dos meus olhos, embora não debaixo das minhas "asas".
          Agora o moleque iria para longe, habitar um local estranho, com pessoas estranhas, sem os cuidados básicos dos familiares. Como será que ficaria por dentro? Teria carências? Teria solidão? Teria dores, doenças, conflitos? Seria perseguido por alguém, por algum monstro de setecentas cabeças? (sim, porque sete, a essa altura, não dariam conta dos fantasmas que me rondavam).
          Quando ele soube, veio correndo me abraçar, com os olhinhos mais brilhantes do mundo. Foi a recompensa pela escolha, pela vitória da vontade sobre as tentações da preguiça e da lei do menor esforço. Ele sabia que havia vencido, que podia, que era. Batalhara por aquilo, merecia saborear com calma. E seus olhos me diziam tudo isso e muito mais. Sua alma repousava sobre a minha, num descanso que só os anjos conhecem. E eu partilhei daquele momento em silêncio, emanando um calor doce, com cheiro de fralda e loção de bebê.
          Nova etapa: preparativos para a separação. Ele estava decidido, embora a reclassificação para o IME ainda não tivesse saído. Daí, já que ia mesmo, que fosse da melhor maneira. Separamos os documentos solicitados, cuidamos de roupas, apetrechos pessoais, enxovalzinho. Engraçado é que eu vibrei, como se estivesse escolhendo coisas pra mim mesma, para me mudar, para eu iniciar uma nova vida. Não sei se é egoísmo, autodefesa, ou vontade de dar o melhor.
          Na véspera da ida para São José dos Campos, recebemos um telefonema do IME, convocando-o para apresentação. Ele havia, enfim, sido chamado para ocupar a vaga na ativa. Tinha conseguido os dois, ITA e IME! Estava em suas mãos agora a escolha.
          Ele não titubeou. Declinou gentilmente do convite do professor.
          Lá no ITA, assistimos a apresentação do Reitor, de alguns professores do curso de Engenharia, e instrutores do CPOR (serviço militar). Fomos ao alojamento e tentamos transformar seu cantinho num pedacinho da nossa casa, para que não se sentisse completamente só. Arrumei seu armário, fiz sua cama, separei seus produtos de higiene, suas roupas (do mesmo jeito que ficam no seu armário na nossa casa), instalei os aparelhos básicos (ventilador, rádio-relógio), agrupei livros e pastas. Verifiquei que há previsão para telefone e computador no quarto, e a cabeça já começou a funcionar, mostrando que a distância poderia ser encurtada, de alguma maneira.
          Até que chegou a hora de vir embora. Segurei bem a emoção, pois sabia que ele ficaria triste se nos visse tristes. Foi a volta mais silenciosa de uma viagem que já tivesse feito. Os olhinhos de despedida não saíam da cabeça.
          Chegamos em casa diferentes. Faltava alguém. A casa parecia lamentar a ausência dele. As portas rangiam, as plantas estavam meio murchas, apesar de adequadamente hidratadas. A casa toda sentia saudade.
          Ao desfazer a mala, encontrando peças de roupa com seu cheirinho, o coração não resistiu e encachoeirei camisetas e bermudas.
          Foram 2 dias péssimos, sem notícias, até que ele escreveu um longo e-mail, contando sobre trotes, sobre seu exame médico, sobre o entrosamento com os amigos, e o quanto estava feliz e bem. A partir daquele e-mail o dia ficou mais claro e alegre, e as cores voltaram.
          Soube que o danado vai fazer o sacrifício para estar aqui no meu aniversário. Vai enfrentar 6 horas de ônibus na sexta à noite, ficar o sábado e voltar no Domingo depois do almoço. É meu maior e melhor presente, que já estou desembrulhando desde agora.
          Apesar da distância e da separação, sei que ele está bem e que, se a saudade apertar muito, tenho como arranjar um jeito de vê-lo e abraçá-lo. Em alguns momentos chego a sentir vergonha de sofrer por isso, pensando nas mães que dariam tudo para estar no meu lugar e poder dormir, sabendo que um dia, não importasse quando, ainda abraçariam seus filhos. A essas dedico essa crônica, com todo o meu sentimento e respeito.