Nº 06 - Fevereiro de 2004

Especial 450 anos da cidade de São Paulo

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

Parabéns São Paulo !!!


          Zoraide Martins
          Como deve ser de seu conhecimento, a maior cidade do Brasil  - São Paulo - estará completando seus 450 anos no próximo dia 25. Para oe europeus, certamente a aniversariante se enquadre numa infantil faixa etária. Entretanto, para nós deste  imaturo Novo Mundo,  é um acontecimento e tanto!
          Muitos eventos comemorativos, inclusive com concursos literários. Participei com uma modesta crônica e nem sei se logrei qualquer classificação abaixo dos premiados que viabilise incluir minha contribuição no livro comemorativo.
          O que importa é que participei e gostaria, se for de seu interesse, divulgar pelo prestigiado CEN.
          Um grande abraço,
          Zoraide Martins

PARABÉNS, MAGNÍFICA SÃO PAULO

          Os componentes do gigantismo de São Paulo tornam o escrever sobre esta cidade um truculento desafio. A escolha da abordagem fica ainda mais complicada sob a perspectiva histórica, tendo em conta a fascinante trajetória de cada um desses componentes, ao longo de quase meio milênio.  O amálgama de incontáveis culturas, costumes, credos, línguas e sotaques — que se mesclaram, se associaram, se absorveram, sem, no entanto, perderem suas características intrínsecas — compõe o perfil peculiar do cidadão cosmopolita, o paulistano, não importa se o é de nascença ou por opção. 
          A índole libertária de São Paulo tem se manifestado desde seus primórdios, sendo um marco o episódio de tentativa de aclamação de Amador Bueno como rei dos paulistas, no século XVII. A recusa do escolhido não apenas causou a exasperação de seus contemporâneos como, dois séculos depois, levaria o historiador Southley  a afirmar que, se não tivesse havido tal recusa,  provavelmente os de São Paulo em pouco tempo ter-se-iam tornado o mais formidável povo da América do Sul.  Não andou ele muito longe da verdade! Para ser formidável, o povo paulistano não precisou materializar sua independência instituindo um poder isolado; bastou-lhe o espírito empreendedor.           
          De São Paulo, as expressões estatísticas são estonteantes. Por vezes, nem dá para acreditar  que elas   se refiram a uma cidade e não a um país. Tome-se, por exemplo, o movimento de frutas, verduras e legumes: por mês, 300.000 toneladas. Que dizer de todos os gêneros alimentícios para atender a população de oito milhões de habitantes?!           
          Em seus primórdios, São Paulo não passava de uma pacata vila, quase desabitada, que só conhecia algum movimento quando os moradores das redondezas a ela afluíam para as grandes festas religiosas. A vida dos paulistanos de então se cingia ao campo, onde proliferavam pequenas roças, pomares e até diminutos canaviais para produção rudimentar de açúcar e aguardente. No início do século XVII, para receber uma grande autoridade do Reino, os vereadores de São Paulo se viram em palpos de aranha, pois não havia uma pensão sequer para hospedá-lo. Tiveram de recorrer a uma cigana, com quem, às pressas, firmaram um contrato para prestação de dito serviço. Assim surgiu o primeiro estabelecimento paulistano. A vila, lentamente, foi progredindo, a ponto de, no final dos anos seiscentos, tornar-se cabeça da Capitania.           
          Aos poucos, foram surgindo vendinhas onde, na maior anarquia, misturavam-se legumes, tecidos e vinhos. Também, no maior alarido, mascates apregoavam suas mercadorias pelas ruelas. Enquanto não foi introduzido o uso da moeda, praticava-se o escambo.            
          O Rio Tamanduatey era o caminho dos produtos colhidos nas roças das cercanias e trazidos pelos caipiras em suas canoas. Desembarcavam no porto geral (nome depois dado à ladeira  nas proximidades) e se espalhavam pelas ruas. Já as pretas com seus tabuleiros, se enfileiravam de um lado de certa rua, num arremedo de mercado conhecido por quitanda.             
          Na metade do século XVIII,  foram construídas as casinhas, com a pretensão de primeiro mercado fixo.  Não primavam pelo asseio, mas, já eram início de organização do abastecimento. No final dos oitocentos, as casinhas foram substituídas pelo Mercado São João, destinado á venda de frutas e verduras. Era, “semelhante aos da Corte” em ferro fundido importado da Bélgica.  Alguns anos depois foi removido para área sob o Viaduto Santa Ifigênia,  popularmente chamado Mercado do Buraco. 
            O advento do café, no século XIX, impulsionou o desenvolvimento econômico da província de São Paulo, com reflexo na capital onde se agravou o problema de  abastecimento. Em caráter provisório instituiu-se uma praça pomposamente chamada  Mercado do Bem Público. Anos depois, graças à retificação do Tamaduatey, uma grande área ficou liberada para a construção de um centro geral para compra e venda de gêneros alimentícios. Funcionou até o início do século XX, quando foi demolido. Substituiu-o o Mercado Novo, construído ao pé da Rua General Carneiro. Anexo a ele havia o Mercado dos Caipiras, onde vendiam peças artesanais. Em 1933, foi inaugurado o charmoso Mercado Municipal, na Rua da Cantareira. Hoje, São Paulo tem uma vasta rede especializada em alimentação. Gastronomicamente, pode-se dar a volta ao mundo num simples giro pela cidade.  
          Tradicionalmente, na comemoração de aniversários não podem faltar os comes e bebes. À notável aniversariante, que dia 25 de janeiro comemora seus 450 anos, será oferecido um simbólico banquete para  milhões de talheres, através da refeição de cada paulistano. Uma dentre tantas homenagens à magnânima cidade que acolhe todo aquele que a ela chega com esperança de vencer na vida. Mas ela é enérgica, exigindo muita garra de seus acolhidos. Altiva, não recorre a subterfúgios para esconder suas mazelas. Exibe-as como um alerta: — Problemas existem, mas asseguro que os resolverei, custe o que custar! 
São Paulo, por ser como é, você é Magnífica! Parabéns!


São Paulo, uma Jovem Gigante - Cândido Pinheiro
(Homenagem aos 450 anos da Cidade de São Paulo)

 
Em uma colina do Planalto de Piratininga
Nasce em berço de Colégio Jesuíta
Banhada por Tamanduateí e Anhangabaú
A jovem São Paulo, a capital dos paulistas
 
Ponto de partida de bravos bandeirantes
Fronteiras abertas além de Tordesilhas
Estação de chegada de brasileiros retirantes
Terra prometida de melhores dias
                               
Sonho para milhares de desafortunados
Em teu coração materno de esperança
Amados filhos no teu seio alimentas
Indiferente a origem das línguas e raças
 
São Paulo da garoa, da Paulista, da São João...
Chuva fina nas avenidas de teu coração
Do Anhembi, Ibirapuera, da Sé...
Verdes encontros em catedral de pura fé
 
És uma gigante, e minhas palavras são pequenas
Em versos não expressam a tua grandeza
És suor, determinação e perseverança
Em força de trabalho, progresso e riqueza
 
Quarta maior metrópole do mundo
Majestosa São Paulo, imponente e varonil
Recebas um abraço do Rio Grande do Sul
Teu brilhante irmão na Bandeira do Brasil
  
Cândido Pinheiro

SÃO Paulo, Meu Amor - Arlinda Lamêgo
 
O mundo cabe em meu peito,
Do lado do coração.
Em brasis que se convivem.
Na terra cosmopolita,
Há rufar de muitos tambores.
Há  histórias  de muitos passados,
E de muitas epopéias.
Minha alma pediu aldeia,
Recebi ninho, ganhei colo.
O meu berço  definiu-se
Em memórias ancestrais.
Impregnadas de cotidianos.
Tenho cicatrizes de saudades,
No patinho feio que fui.
Usei minhas cartucheiras ,
Meus rifles,
Prenhes de bala,
Minhas peixeiras e punhais.
Pra me defender.
Na selva de tanta gente.
Nas entranhas,descobri..
Ah,São Paulo, meu amor.

Helena Armond

guarda !!!
São Paulo
vista de topo
plácida imagem acinzentada
de base
infrene e bela !
seu centro cofre velho centro
guarda
memória !
aos arredores jovens arredores
memórias futuras
em
guarda !
São Paulo
DETEM
a símbologia da segurança
em tortal abertura
aos nascidos ou
acolhidos :

esperanças
com/paixão
solidaridade sem trave...
no símbolo
de guarda
ou abertura ampla !
DO SANTO PAULO:
A CHAVE

helena armond

Glosando Walter Rossi - Gislaine Canales
 SÃO PAULO 450 ANOS!


MOTE:
 
VIVA SÃO PAULO QUERIDA,
MINHA CIDADE, MEU LAR!
SE ÉS O PÃO NA MINHA VIDA,
COMO DEIXAR DE TE AMAR!
 
VIVA SÃO PAULO QUERIDA,
ó cidade da garoa,
tu és linda, sem medida,
e Deus, dos céus, te abençoa!
 
Me orgulho de ser teu filho,
MINHA CIDADE, MEU LAR
e me ufano com o brilho
que consegues propagar!
 
A todos, tu dás guarida
e abrigas com emoção;
SE ÉS O PÃO NA MINHA VIDA,
és,  do povo, a salvação!
 
Quatrocentos e cinqüenta
anos, a comemorar,
com essa glória que aumenta,
COMO DEIXAR DE TE AMAR!

          Terra da Garoa
    A: Nadir D'Onofrio


 Sou paulista!!!!
nascida na terra da garoa,
cidade que a todos acolhe.
Sem distinção de credo ou de raça....
Berço das grandes imigrações,
aqui chegaram nossos antepassados.
No coração traziam a dor da separação,
ao transpor o mar nos vapores da esperança.
 *****
Muitos sabendo que nunca mais
a sua terra natal voltariam.
E desbravando as matas tal qual
os bandeirantes faziam,
uma grande maioria nas fazendas,
trabalhando como se escravos fossem.
Trocavam seu trabalho pela rústica moradia,
e alimentação do dia a dia.
Ouvindo sempre o que o Senhorio lhes dizia,
Trabalhem, trabalhem, pos temos que fazer
o ouro negro, do outro lado do mundo chegar
     *****
Só que essa brava gente do sonho não desistiu,
muito tempo depois foi a vez dos nordestinos.
Povo sofrido e pela seca do sertão castigados,
sua terra, muitos deles também deixaram,
e na grande São Paulo se aventuraram.
Nessa luta diária na construção de
 rodovias, pontes, estradas
 sob o ferro e o concreto, muitos corpos
jazem soterrados..
*****
Gente sofredora más que não desanima,
fazendo crescer os viadutos e arranha céus, 
com o suor dos seus rostos,
 e a saudade que no seu peito dói.
Essa imensa metrópole,
ainda hoje, continua sendo construída,
pelo trabalho  e sacrifício dos,
   nossos irmãos nordestinos