Nº 08 - Fevereiro de 2004

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

"QUEM SOU ?..." - Fernando Peixoto      

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :

a) - :Fernando Peixoto - 1947
b) - :Professor/Historiador
c) - :Vila Nova de Gaia
d) - :Útero de Portugal; daqui houve nome portuscale. Com tempo poderei enviar mais elementos

2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;

a) - :Em adolescente
b) - : Muitas
c) - :Não me lembro; coisas para o Diártio de Lisboa e República
d) - :Nesses jornais

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - :
PEIXOTO, Fernando Aníbal Costa (1995) — Diogo Cassels: uma vida em duas margens. Dissertação apresentada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto para obtenção do grau de Mestre em História Moderna. Texto policopiado.PEIXOTO, Fernando
(1991) — O Bronze Antigo no Atlântico. In Revista "História", Ano XIII, nº 146, Lisboa: Projornal, p. 28-57.(1992) — A Arquitectura Teatral na Grécia, da Antiguidade ao Fim da Época Clássica. In Revista "História", Ano XIV, nº 149, Lisboa: Projornal, p. 5-23.
(1993) — Verney entre a cruz e a caldeirinha. In Revista "História", Ano XV, nº 161, Lisboa: Projornal, p. 76-83.
(1994 a) — Igrejas Evangélicas no Grande Porto. In Fórum Sociológico, nº 4. Lisboa: Instituto de Estudos e Divulgação Sociológica da Universidade Nova de Lisboa, p. 146-162.
(1994 b) — A Religião e o seu espaço no mundo actual. Delães: E.P.B.J.C.
(1995 a) — A Dívida do protestantismo aos Cassels. O "réveil" nos finais do século XIX. In Vila Nova de Gaia de há 100 Anos. Colóquio comemorativo do centenário da Igreja do Torne. Actas. Vila Nova de Gaia: Junta Paroquial de S. João Evangelista (Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica), p. 35-56.
(1995 b) — Como fazer um trabalho escolar. Delães: E.P.B.J.C.
(1996) — Projecto e Interdisciplinaridade. In Boletim da E.P.B.J.C., nº 2, Lisboa: E.P.B.J.C., Janeiro de 1996.
(1997 a) — "Concepção" e "parto" da CIRDD (Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro. In Douro - Estudos & Documentos, vol. II (4), 1997 (2º), p. 297-335.
(1997 b) — Do Douro para o mundo. In Autour du Porto, Porto-Bruxelas: ICEP- Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal, p. 85-95.
(1997 c) — «A objectividade e a subjectividade na história biográfica e religiosa» in Revista da Faculdade de Letras – História. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, II Série, Vol. XIV, p. 535-545.
(1998 a) — Do Douro para o mundo. In Porto o ouro do Douro. s/l,: ICEP- Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal, p.85-95.
(1998 b) — Vinho do Porto - um vinho para a eternidade. In Quando o Atlântico encontra a Europa. Lisboa: ICEP, p. 131-132.
(1999 a) — Vinho do Porto um vinho do mundo. Vila Nova de Gaia: Junta de Freguesia de Santa Marinha.
(1999 b) — O Triângulo corporativo e os primeiros passos do Instituto do Vinho do Porto. Separata da revista Douro - Estudos & Documentos, vol. III (6), 1998 (2º), p. 51-99.
(1999 c) — O que se sabe e o que se procura sobre o Protestantismo em Portugal. In Dinamiques religieuses en lusophonie contemporaine, «Lusotopie», 1999, Paris: Éditions Khartala, p.257-269.
(2000) [co-autor] — Os desafios do Milénio. Conferência. V.N.Gaia, Estratégias Criativas.
(2001 a) [co-autor] — 1º Encontro de Escritores de Santa Marinha. Vila Nova de Gaia: Junta de Freguesia de Santa Marinha.
(2001 b) — Diogo Cassels uma vida em duas margens. Vila Nova de Gaia: Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.
(2001c) [co-autor] — 1ªs Jornadas de História Local de Santa Marinha. Vila Nova de Gaia: Junta de Freguesia de Santa Marinha.
(2001d) [co-autor] — A Influência Britânica no Protestantismo Português. Separata dos Anales de Historia Contemporánea, nº 17 (2001). Murcia, Departamento de História Moderna, Contemporánea y de América da Universidade de Murcia, p. 123-152.
(2002 a) — A Casa do Douro como resultante do movimento associativo da vitivinicultura duriense. In Douro - Estudos & Documentos (Actas do II Simpósio Internacional de História e Civilização da Vinha e do Vinho "A vinha e o vinho na cultura da Europa", Ano 6, 2001, n.º 11., p. 197-211.
(2002 b) — Fontes e projectos para a História do Vinho do Porto. In Actas del I Simposio de la Associación Internacional de Historia y Civilización de la Vid y el Vino. II Vol., Puerto de Santa María: Associación Internacional de Historia y Civilización de la Vid y el Vino y Ayuntamiento de El Puerto de Santa María, p. 1075-1084.
(2003 a) ¾ As Instituições reguladoras do Vinho do Porto. In O Vinho do Porto. Porto: Instituto do Vinho do Porto.
(2003 b) ¾ Diogo Cassels. In NÓVOA, António, (dir.) ¾ Dicionário de Educadores Portugueses. Porto: ASA, 2003.
(2003 c) ¾ A «expressão dramática» como instrumento de aprendizagem. In Teatro em Debate(s). Lisboa: Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa e Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, p. 173-176.
(2003 d) ¾ O Mercado do Vinho do Porto nas Vésperas da II Guerra Mundial, comunicação apresentada no III «Simposio da Associação Internacional de História e Civilização da Vinha e do Vinho», no Funchal entre 5 e 8 de Outubro de 2003. Funchal: CEHA, no prelo.
NO PRELO
6.1 – Obras no prelo:
Breve História do Teatro Europeu. Lisboa: Editorial Estampa.
História do Teatro no Mundo–Enciclopédia Didacta. Lisboa: FGP Editores.
b) - :respondido antes
c) - :respondido antes
d) - :respondido antes

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - : Normal (muitas vezes anormal).
b) - :Escrevo teatro, ficção, ensaio, poesia, história (institutcional e política, minorias religiosas e teatro); encenador sempre que posso; a escrita é a minha respiração.
c) - :nâo
d) - :Sim

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - :Não, apenas em preparação, à espera de dominar a técnica
b) - :Não
c) - :Escrever, escrever sempre e... sobretudo ler muito e de tudo.
d) - :

A MORTE DE NEPTUNO (conto)

          Outubro foi sempre o mês que preferi para iniciar a minha época balnear. São menores as diferenças de temperatura entre o ar e a água e o vasto areal respira o silêncio do regresso das gentes aos cafés, aos cinemas e a outros divertimentos da cidade. Apenas uma meia-dúzia de "maduros" persistem em frequentar a praia após o desaparecimento da canícula.
          Também naquela manhã de Sábado vim instalar-me junto ao majestoso bloco de granito que tão eficazmente trava o ímpeto das ondas e do vento. Estendi a toalha, sentei-me, acendi um cigarro e iniciei a leitura do semanário.
          O mar estava mais calmo que o habitual e o sol derramava sobre as águas reflexos múltiplos, transformando-as num belíssimo espelho fracturado pela ténue ondulação. Talvez por isso, não lograva concentrar-me na leitura e os meus olhos estendiam-se o tempo todo, extasiados, ante a paisagem em contínuo movimento daquela vastidão líquida. Lá longe, muito ao longe, recortado contra a curva do horizonte, passava um petroleiro, e sobre a minha cabeça, decaindo, um avião de carreira iniciava a descida rumo ao aeroporto.
          Surpreendeu-me a agitação que, de súbito, perturbou a ondulação. Uma estranha melodia parecia emanar da brisa que começara a soprar e sobre as ondas aparecia agora uma densa camada de espuma, ali, mesmo junto à areia. Depois, impelidas por aquela ondulação súbita, milhares de algas vieram depositar-se na orla da praia, desenhando um belo rendilhado verde. Foi quando um corpo começou a emergir, lento, e, impelido pelas ondas, veio estirar-se na areia, desfalecido. Entre assustado e surpreso, aproximei-me dele: estava nu, de ventre sobre a areia. Era um corpo de homem, a pele dum cinza prateado, coberto de escamas. Dir-se-ia um guerreiro medieval, coberto por uma justa cota de malha revestindo todo o corpo. Sobre a areia, ao seu lado, repousava um tridente de prata.
          Apercebi-me que o insólito personagem respirava ainda, mas uma inesperada timidez impedia-me de tocar-lhe. É também verdade que estava fascinado pelo quadro de rara beleza que se me deparava: um corpo prateado contrastando com o amarelo da areia e o verde das algas!
Não dera ainda por mim. A uma distância prudente, pigarreei para avisar da minha presença. Lentamente o corpo virou-se e o ancião, que tinha longas barbas e compridos cabelos, como fios de prata, olhou-me, primeiro observando-me com olhos que lembravam o meu psiquiatra, depois abriu um leve sorriso a descobrir uma impecável fieira de dentes cor de pérola.
          — Olá! — disse eu — Precisa de ajuda ?
          Continuou a sorrir-me durante uns instantes. Depois, numa voz esmaecida, respondeu:
          — Não, obrigado. Quero apenas repousar um pouco, antes da grande viagem.
          O velho ergueu-se, pegou no tridente e postou-se olhando o mar. Pareceu-me ver nos seus olhos da cor das algas, uma ponta de nostalgia, mas atribuí essa sensação à surpresa que este encontro me provocava. Convidei-o para sentar-se um pouco ao meu lado, junto do rochedo, para descansar. Aceitou.
Com pena do seu corpo nu, molhado, passei-lhe a minha toalha sobre as costas. Sorriu levemente, como que a agradecer-me o gesto. Mas o ancião continuava mudo. Ofereci-lhe uma sande que amavelmente rejeitou e preferiu agarrar com o tridente umas quantas algas que saboreou gostosamente. Ofereci-lhe então uma lata de Seven Up.
          — Para que serve ?
          Expliquei-lhe que se tratava duma bebida e, para evitar dúvidas, abri-a e bebi um pouco. Foi a primeira vez que lhe vi um riso aberto, quase uma gargalhada que só a grande debilidade abafou. Mas seguiu-me o exemplo e provou.
          — É bom, é doce. — E continuou a beber, vagaroso, arrotando frequentemente.
          Não sei quanto tempo estivemos assim, calados e quietos, o velho olhando o mar e arrotando, eu observando-o. Sentia uma grande curiosidade, confesso, em perguntar-lhe quem era, o que fazia ali. Já ouvira falar em sereias, mas nunca em seres de configuração humana cobertos por escamas. Algo me dizia, porém, que estava na presença de um ser marinho, por certo um ser superior. De outra forma, como explicar a sua nudez, o conhecimento da minha língua, apesar de um sotaque algo estranho e uma voz profunda? Além disso, articulava perfeitamente os sons quase sem necessidade de mover os lábios.
          — Como vos chamais? — Perguntei.
          — Depende. Há quem me chame Posídon, nome que me deram na antiga Grécia. Outros...
          — Neptuno! — concluí, excitado e surpreso.
          — Sim, sim. Os Romanos mudaram-me o nome...
          — Sois então um deus!
          — Exacto, filho de Cronos e Reia.
          — Mas Cronos não devorou todos os seus filhos? — Este era um enigma que sempre me preocupara.
          — Nem todos. Eu, meu irmão Zeus e outros escapamos.
A minha curiosidade, já antes espicaçada, tornava-se agora irrefreável.
          — Perdoai, senhor, mas não resisto a fazer-vos algumas perguntas. Sois um deus, e não é todos os fins de semana que topamos assim de caras com um deus a sério. E sobretudo para quem, como eu, sempre admirou a mitologia...
O velho, cansado mas tolerante — como, de resto, deviam ser todos os deuses — sorriu de novo. Insisti, pois. Perguntei-lhe ainda várias coisas sobre a sua biografia mitológica, que me escuso de narrar ao leitor porque confirma quase tudo o que é conhecido dos manuais. Mas já não resisto a citar de memória as razões que o trouxeram até aqui, provando que afinal os deuses são mesmo feitos à imagem e semelhança do homem. Ou será o inverso?
          — Como sabes, meu irmão Zeus atribuiu-me o império do mar, onde reinei até há pouco como senhor absoluto. Enfim, compreende-se, dada a minha educação no Palácio de Oceano...
          — Mas, segundo Homero, algumas das vossas acções teriam sido menos, digamos assim, democráticas — observei-lhe, malicioso.
          — Referes-te a Ulisses, eu sei. Nós, os deuses, não temos da democracia a concepção dos humanos. E o mal está, ou esteve, em querermos por vezes imitar-vos. O certo é que vivemos durante milénios em harmonia e sossego, pelo menos aparente. Mas os meus descendentes, os Tritões, feitos com as Nereidas, acabaram corrompendo-se, apegaram-se ao poder, que mantinham com mão de ferro e uma pesada máquina burocrática, e o regime que existia no mar tornou-se uma máquina trituradora...
          — Regime comunista — adiantei.
          — Bem... — As reticências de Neptuno não negavam, mas também não confirmavam a minha apressada conclusão. E, apontando o mar, continuou. — Ali, cada qual comia de acordo com o que pescasse. Infelizmente, isto alterou-se e a política do privilégio instalou-se.
          — E não fizeram uma perestroika ?
          Neptuno não conhecia o neologismo e com alguma dificuldade lá lhe expliquei conceitos como perestroika, glasnost, etc..
          — Foi precisamente isso que tentei fazer, instalando uma política de desanuviamento e transparência, com semideuses da minha confiança, num elenco capaz de recuperar a pureza original da filosofia política do Olimpo ...
          Interrompeu uma vez mais o seu discurso. Via-se que falava com dificuldade e, além disso, arrotava com muita frequência, consequência por certo de não estar habituado à Seven Up.
          Temi que lhe faltassem as forças mas não ousei interrompê-lo.
          — Ai, esta poluição atmosférica dá cabo de mim — lamentou-se, mas prosseguiu — Como ia dizendo, fiz tudo para alertar os responsáveis para os perigos que ameaçavam o império marítimo. Cheguei mesmo a encetar visitas ao exterior para dialogar com dirigentes de outras potências, do céu e do Olimpo. Prometeram muito, é certo, mas nada fizeram de concreto. E um dia, encontrando-me de férias, olha, desencadearam um golpe e destronaram-me.
          — E como chegou até aqui?
          — Eolo, pai dos ventos, um velho amigo, proporcionou-me a fuga para uma morte honrosa.
          Fiquei triste. Apesar de tudo admirava Neptuno, a sua franqueza e espontaneidade.
          — Mas, senhor, não podeis morrer. Farei tudo o que...
          — Não adianta — interrompeu-me. — Sei que não sobreviverei ao mito. Se fugi, foi apenas para evitar a desonra. Estou no fim. Além disso também não sobreviveria na vossa atmosfera. Falta-me o ar e ... a liberdade.
          Puxei dum cigarro. Nos momentos de grande tristeza ou ansiedade, o cigarro constitui o meu contrapeso para o equilíbrio emocional. Neptuno aceitou um cigarro que lhe ofereci mas, mal aspirou duas baforadas, imitando-me, sofreu uma violenta crise de tosse. Apressei-me a ajudá-lo, mas a sua mão, levemente erguida, susteve o meu gesto.
          Eu não sabia o que fazer. Neptuno ergueu-se com a minha ajuda e o amparo do tridente. Continuava a tossir aflitivamente, mas a sua voz débil teve ainda forças para sussurrar:
          — Obrigado, terráqueo. Agora vou cumprir o meu destino.
          Dirigiu-se para o mar, cambaleante. Subitamente caiu de borco sobre a água. O resto do corpo ficou-lhe ainda fora, na areia. Corri para ele, apalpei-lhe o pulso, auscultei-lhe o coração. Nada, Neptuno morrera, na orla da praia. Senti que algumas lágrimas me escorriam pela face. Afinal eu era testemunha, naquele preciso instante, de que os mitos também morrem. Fiquei ainda um longo pedaço junto dele, acariciando-lhe os fios de prata dos cabelos, até que uma onda enorme se enrolou na areia para regressar depois, levando no seu bojo o corpo inerte do deus.


COM ESSA, NÃO! - Sara Rafael

Não vem com essa.
Me assalta e estremece,
me beija e me enlouquece,
me abraça e enaltece.
Depois se vai e desaparece.
Num vai e vem que me adoece.
Diz sempre que está com pressa.
Como é que eu fico nessa?
Enciumada e possessa.
Será vírus de remessa?
Quero vacina depressa!.


"QUEM SOU ?..." - Sonia Pallone   

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo - ; - b) Profissão digitadora-;- c) (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - :

a) - :Sonia Maria Pallone Bernardes
b) - : 07/12
c) - :Guarulhos-São Paulo-BR
d) - :Quer falar um pouco da terra onde mora ? Falar do Brasil é sentir apenas o coração pulsar mais forte. Eu amo demais essa terra acolhedora, amiga e abençoada por Deus

2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?:

a) - : Desde a minha idade escolar. Assim que aprendi juntar as letras, as frases já começaram a se formar.
b) - :Não. Apenas dos livros, em especial uma coleção que minha mãe me deu aos 12 anos do J.G. de Araujo Jorge. Foi ali que descobri a poesia.
c) - : Não me lembro. Sempre tive muita coisa guardada.
d) - : Nunca tive nada divulgado, a não ser em livros de amigos editados por eles mesmos. Sempre corri das coisas burocráticas demais e nunca acreditei em concursos.

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - : Não.
b) - : Não.
c) - : Gostaria de ter pelo menos o meu livro eletrônico.
d) - : Estou vendo a melhor forma pra mim.

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - : Sempre tive minha sensibilidade à flor da pele. Apaixonada pelas coisas simples da vida, desde criança sempre fui uma fina e maliciosa observadora dos fatos que me rodeavam. Aprendi a renunciar a maioria dos meus sonhos e uma trajetória de muitos amores e pouca realização, me fizeram chegar ao final do caminho, sozinha comigo mesma... Sou introspectiva e
adepta da solidão, não por imposição, mas por opção consciente e feliz.
b) - : Interlocutora ágil e desenganada do que ia pelo mundo e submundos, acentuaram-se em mim, traços melancólicos através das linhas que minhas mãos já escreviam...Não sei dizer se o muro sem arrimo que sempre me separou da realidade, contribuiu para os meus versos tristes...Não sei escrever de outra forma e se tento parece que não sou eu. É o meu estilo, inconfundível, já.
c) - : A música é a minha fonte maior de inspiração... a grande cúmplice de tudo que escrevo...
d) - : Não tenho prêmios literários.

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - : Não tenho home page. É um sonho que não se realizou também.
b) - : Na verdade, não sei muito ainda sobre o CEN. Conheci-o através da amiga poetisa Zena Maciel e me interessou ser um membro dele.
c) - : Conselho nenhum. Escrever é um ato de liberdade individual e cada um deve seguir o que dita o coração. Simplesmente isso.

Silêncio

Soni@ Pallone

"...E assim capto
o silêncio das estrelas...
O silêncio mudo da lua
onde tudo pára...
Criei o instante sem som.
No silêncio
é que mais se ouvem
os ruídos..."


O GATO - Valdez

          Custa-me desenvolver esta história, vez que os fatos são presuntivos. Apesar de haver podado os excessos, tive que apelar para a lógica que melhor os justificasse. Não sou, repito, adepto, nem prosélito, da magia. Sempre fui positivista desde criança, incansável pesquisador de causas e efeitos, com sólida formação cientifica. Mas... reconheço que a capacidade de discernimento do ser humano tem um limite, e que, para além desse limite, há uma fronteira inimaginável, que desdenha e ri do nosso esforço de compreensão. Pois...
          Não lembro bem de quando o Ferreirinha conheceu a Diola. A crônica dos amigos não chegou a registrar esse namoro; e olhem que nunca nada passou incólume pela "Boca Maldita".
          Diola chegou à Guarabira sem apresentações. Abancou-se de um bangalô na rua do Boichoco. Cercou-o de grades e aramados, e lá soltou os seus lindos gatos. Vivia enclausurada, afastada dos vizinhos, deixando o mato tomar conta do jardim, as trepadeiras lúgubres invadindo as copas das árvores, sombreando e escurecendo espaços antes banhados pelo sol. O bangalô tomou um ar de desmazelo, no que muito entristeceu os moradores da rua, antes orgulhosos daquele bangalô, que emprestava à rua um tom de requinte. Uma vez por mês, viam-na subindo as colinas das cercanias, embrenhada nos matos, colhendo raízes, plantas e flores silvestres. Incomodavam os cheiros exalados da sua cozinha, num bastasse o fedor de merda de gato que o bangalô passou a transpirar.
          Outro fato serviu para fixar uma má idéia nos moradores da rua; uma senhora desavisada recorreu à Diola num momento de aflição. A filha estava muito sofrida de dores súbitas. Diola foi até à pequena e ministrou-lhe umas benzeduras, num ritual de águas e mastruços. Acabada a sessão, a garota saltou da cama e foi se bandear com as colegas, indiferente aos incômodos que passara.
          Mais que agradecidos, os moradores do Boichoco ficaram amedrontados. Conheciam de bruxas dos tempos da carochinha, mas... nenhuma real, em carne e osso.
          Diola aparentava uns vinte e poucos anos, quase trinta. Os olhos negros, brilhantes, felinos; as pernas fortes, bem torneadas; a bunda bem feita, sem ser larga; as mamas bem proporcionadas, incrustadas num seio branco aveludado. O rosto, no entanto, era sulcado por graves estrias, fazendo-o duro e impenetrável. A cabeleira negra, farta e ondulada, caia sem cuidados até os ombros.
          Ferreirinha era um sujeito de bigodinho, vinte e dois anos, de porte magro, porém atlético; a pele de um moreno claro. Gastava no visual. Mostrava-se, sempre, num terno de diagonal branco, vincado por ferro carinhoso. Vivia só; a mãe lavando, passando e cozinhando, sustendo-lhe a vaidade e a boemia. Um rei das noitadas e das quengas felizes. Nunca bateu um prego numa barra de sabão.
          Quando a mãe morreu, ficou desarvorado, sem saber o que fazer. Não tinha nenhuma habilidade para lavar e passar, e muito menos para cozinhar. O pecúlio que a mãe lhe deixara era pouco para pagar uma rapariga forte a seu serviço, sem prejuízo da boemia. Foi quando imaginou que lhe seria mais conveniente casar com uma mulher trabalhadeira, empreendedora, capaz de se manter e suprir, também, a casa. O importante era que a rotina dele não mudasse. Foi quando lembrou daquela mulher estranha que habitava no bangalô do Boichoco.
          Logo a notícia estourou... Ferreirinha estava de casamento marcado com a bruxa! Apesar da reputação de raparigueiro, Ferreirinha era amado pelas jovens da cidade, posto que freqüentador assíduo de festas e bailes; exímio dançarino e galanteador habilidoso. O casamento fez encher a velha matriz de N. S. da Luz. Gente curiosa querendo conhecer de perto a mal-afamada e, agora, inditosa senhora Ferreirinha.
          Entramos, doravante, meus caríssimos leitores no campo das conjecturas... armando esta história conforme o que os fatos nos propõem, e não com o que a razão nos recomenda.
          Ferreirinha, como seria de se esperar, continuou com a mesma vidinha de antes; os amigos, as festas, as farras e o cabaré. Exercendo sozinho o seu bom-mocismo; Diola mantida em casa como sua empregada, e como amásia das horas incertas. Os vizinhos ouviram Diola protestar, raivosamente, contra aquela situação. Mas Ferrerinha não se tocava com a insatisfação da mulher. Fazia ouvido mouco dos reclamos e das ameaças dela. Um dia, acordou tonto, o quarto rodando, a vista embaçada. Sentia-se estranho... Devia se encontrar amarrado à cama pelos pés e pelas mãos, com cordas possantes, vez que não conseguia se mover direito. Com um lance de olho, viu que tinha os braços cobertos de pelos, macios, iguais aos de um pequeno felino. Arregalou bem os olhos e divisou, num canto do quarto, Diola entregue aos seus rituais incompreensíveis. Quis falar, mas, da sua garganta, saiu um incongruente miado, tênue, sem convicção. O miado chamou a atenção de Diola, que voltou-se para ele. Mansamente, veio ao seu encontro. Nas mãos, distinguiu bem, trazia um bisturi. Foi quando sentiu o golpe certeiro, os colhões lhe sendo extirpados...
          Os amigos deram, de imediato, pela falta de Ferreirinha. A polícia investigou pacientemente o seu desaparecimento. Diola foi, por meses, interrogada. Para a polícia, em suma, sem indícios, sem cadáver, sem corpo de delito, era impossível haver crime. O caso foi encerrado tão logo as formalidades legais foram concluídas.
          Hoje estive na rua do Boichoco. Quando passei pelo bangalô um gato charmoso, de um pardo-claro, bigodinho à vista, pareceu acompanhar-me ansioso, como que a me reconhecer. Dirigiu-me miados suplicantes, angustiados. Diola tem um novo gato, pensei. Sim, sem dúvida um novo gato, e capado. Incrivelmente, não sei como explicar, ele me lembrou do Ferreirinha.
Será???...

"QUEM SOU ?..." Antônio Cândido Machado Pinheiro

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :

a) - : Antônio Cândido Machado Pinheiro - 45 anos
b) - :Militar
c) - : Santa Maria - RS - Brasil
d) - :Santa Maria é uma cidade de médio porte, situada no coração do Rio Grande do Sul - Brasil. A cidade possui a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), considerada uma das melhores Universidades Federais do Brasil.
O clima é muito úmido no inverno, quando a temperatura vai a baixo de 0º C, e muito quente e seco no verão quando a temperatura aproxima-se dos 40º C. Santa Maria é uma cidade muito bonita e dispõe de excelente estrutura educacional em todos os níveis de ensino, inclusive em cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, por isso ser considerada no rio Grande do Sul como a "Cidade Universitária'.

2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;

a) - :Na virada de 2003 / 2004.
b) - :Sim, de minha esposa e musa inspiradora, Simone Borba Pinheiro.
c) - :O Primeiro Segundo (Homenagem à Simone Borba Pinheiro).
d) - :Sim, na Net pelos amigos.

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - :Ainda não.
b) - :Não.
c) - :Apresentar mais trabalhos poéticos.
d) - :No site Família Borba Pinheiro e nos sites de amigos.

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - :Sou extremamente responsável e obstinado em resolver tudo aquilo que depende de mim, sou bondoso, amigo sincero, protetor de minha família e muito organizado. Zelo pela justiça e pela solidariedade.
b) - :Sou extremamente perfeccionista.
c) - : Silêncio total e absoluto.
d) - :Sim.

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - :Para minha felicidade e de minha família, acabamos de ganhar de presente, das mãos da querida amiga e grande poetisa Jacira Cardoso, à quem seremos eternamente gratos, o site Família Borba Pinheiro.
b) - :Sinceramente não.
c) - : Esqueça a razão, use a linguagem do coração e escreva com emoção.
d) - : Encontro das Águas.

Encontro das Águas

Por entre as montanhas ando escondido em um vale perdido
Tranqüilo quase que num cochilo, mas sempre em frente
Vou saudoso levando minhas águas cristalinas
Às vezes corredeiras, e recordando das cachoeiras que já passei
Onde em lágrimas muitos véus de noivas eu deixei
Lembrando da minha cabeceira, palco de amores que enganei
Leito onde beijei sinuosas margens e deixei tatuagens
Cupidas marcas em ramos que jamais quebrei

Às vezes sou caudaloso e com força um tanto tenebroso
Mas nada de furioso, pois sei que algumas pedras arranquei
Sem maldades, para tanto, não tenho mais idade
Mas às vezes na cruzada, roubo a melhor flor de uma folhagem
Para misturar em minhas águas o seu aroma selvagem

Na chuva me regozijo num salpicar de gotas
Refrescante dilúvio para o calor que sinto
Por vezes meu dorso anda exposto ao sol a pino
Em muitas outras de alegria transbordo
Transformando em terra fértil a tudo o que molho
E nas planícies por onde escorro, vou regando as pastagens
Este verde que me acolhe quando deslizo por entre as matas
Onde meu murmúrio silencia ante a sinfonia dos pássaros
Que em coral de glória cantam bravo à minha passagem

Em muitos braços me abro, e em desabafo formo tentáculos
São muitas outras margens que abraço por onde passo
Em rio único volto ao meu curso e discurso ao mar a frente
Estou chegando e com alegria anuncio a minha aproximação
E num doce beijo molhado a água fica salgada
Agora sou oceano, um gigante em águas

Não ando mais escondido
por entre as montanhas em um vale perdido...
De agora em diante beijarei todas as costas
E mansamente em ondas vou rolar na areia morna das praias
Aproveitando a magia e a beleza da mãe natureza
Deste fraterno encontro das águas

Cândido Pinheiro

"A Violencia das águas" Por: Elizabeth Misciasci

          Estaciono meu carro na porta da minha casa, entro e subo até meu quarto pra tomar uma ducha, prevendo que o tempo literalmente fechado fara os céus consequentemente descarregar um manancial de águas. Antes que caia a chuva "costumeira" do verão em Sampa, me precavenho e tento evitar transtornos desligando equipamentos.
          De repente, a chuva começa a cair...
          Ouço um estouro! As luzes se apagam. -Será descarga elétrica?-Pensei.
          Corro até a minha cozinha e percebo que o barulho se assemelha a vidros quebrando, antes mesmo de raciocinar, sigo no impacto do momento e empurro a porta rápidamente, resultado do único reflexo que sou dona neste instante.
          Impotencia, medo e preces é tudo o que me resta...
          A chuva torrencial e o vento condenam a região ao sofrimento.
          Consegui com muita dificuldade abrir a porta e percebo um pedaço de Lã de vidro, manta de isolamento térmico do prédio vizinho foi arremessado ao meu quintal, porém
          não foi apenas a lã de vidro nem o aluminio das telhas que voou...
          "Os estragos"ultrapassam as telhas torcidas.
          Ouço as hélices de helicópteros muito próximas e não me contendo subo e abro as janelas, pois necessito saber o que esta acontecendo, afinal meu filho caçula não esta em casa esta no colégio e eu ainda fora da realidade que no curto espaço de tempo me fez isolada, tento compreender o que se passa.
          Percebo que não se trata apenas de um helicóptero, são vários e os identifico, é o águia da Polícia Militar e outros da Imprensa!
          De volta a energia, ouso ligar a TV e percebo que se trata literalmente de destruição e esta podendo ser percebida da minha janela.
          Não posso negar que sou dona de um coração que chora ao ver as águas que se misturam ao barro e destroem em segundos jardins, casas, móveis, veículos sendo arrastados e vidas.
          Absurdo!!! O meu carro:- Toda a parte elétrica danificada, unidade de injeção eletronica que queima, estofamentos ensopados, motor... tudo se perde?
          400 famílias desabrigadas
          Máquinas submersas...
          -Linha do metro obstruida, acidentes nas grandes vias de acesso.
          Corrego canalizado, coletas de lixos? Nada visualizo...
          Que sociedade é esta?
          A Família brasileira passou a ter menos respeito?
          Uma mulher com um bebe em cima de um veículo...
          Como pode alguém esperar uma equipe de salvamento treinado se os mesmos não conseguem chegar ao seu destino?
          -Pra que serve a taxa de lixo? -Por que me cobram taxa de Iluminação?
          Sem escolher poder aquisitivo, as águas afundam a Minha região.
          Cruzes! Me sinto numa praça de guerra!
          Posso dizer que sou previlegiada por Deus, pois mesmo com todas as dificuldades em manter um padrão de vida com dois filhos, agradeço ao Divino por me permitir seguir nesta caminhada. Mas afirmo e confirmo:- Isto não é mais uma perda financeira, pois há muito se transformou em um lamentável Prejuízo Moral!

 


Divagações de uma alma - Vanderli Medeiros

          Queria entender porque a vida é assim, cheia de altos e baixos, mais baixos que altos...
          Como aquilo que acreditamos ser o certo e que nos trará a felicidade pode de repente ser nosso calvário de infelicidade...
          Queria entender o porquê do viver, se a grande maioria prefere cultivar a discórdia a desarmonia a valorizar o amor...
          Não entendo como podemos trocar a possibilidade e a chance tão rara de amar e ser amado por valores tão ultrapassados, por conceitos infundados...
          Sei que não errei e que de minha forma romântica, ultrapassada e piegas, verdadeiramente amei. E como o amei...! Talvez ainda ame... Sinceramente não sei...
          Não percebestes o tesouro que teve nas mãos e desastradamente como cristal deixastes cair ao chão, e, em mil cacos se transformaram...
          Recebestes o melhor que havia de mulher e fêmea em mim... Mulher essa que dormitava dentro de minha alma, a espera daquele que a despertaria... Infelizmente, quando chegastes trouxeste um coração embrutecido e não percebe a delicadeza e a pureza do sentimento que recebias por inteiro envolto numa alma como flor em botão resguardado pelas quedas e traições de outrora... Talvez, por nunca antes ter experimentado tanto amor de alguém assim, confundistes carinho, afagos e muitos abraços e beijos com prisão, possessão, e sem piedade manchastes tão lindo amor... Com um rio lágrimas e um mar de desilusão...
          Fizeste dormitar outra vez a mulher que por ti havia acordado, e, outra vez, mergulho nas profundezas dormentes do ser, na letargia da alma desiludida... No pranto seco, no olhar sem viço, nos lábios sem sorriso...
          Não percebestes que esse coração já estava por demais machucado, estropiado e fragilizado para suportar um amor pela metade e recheado de brigas e tempestades...
          Precisava, e, preciso, de muito carinho, colo, consolo e... Amor... Muito amor... De alguém que chore comigo ou seque meu choro... Que ao divergirmos de opinião não seja omisso nem turão, mas um cavalheiro que aceita uma nova versão, mesmo que ao conserve a sua, perceba e aceite que no mundo há opiniões de todos os jeitos. Não somos uma ilha e nem o universo, porém, trazemos dentro de cada um de nós um universo em si, que merece ser respeitado e amado tal qual nos apresenta. Isso é o que concebo como amor entre casais e amor ao próximo, amar o outro apesar e com os seus defeitos, aceitando-o como parte do universo e, portanto, de mim...
          Será que no mundo não existe alguém realmente sensível, que se comova com as dores alheias, que ame sem restrições e entenda as fragilidades de uma mulher machucada pela vida e pelos seres, que suas lágrimas não tragam repulsa e sim compreensão?! Que traga no bolso um lenço para sua lagrimas enxugar, e se acaso esse lenço faltar possa seca-las com beijos e fazê-la sentir que é amada e não está mais tão sozinha?! Será que não existe homens sensíveis assim?!
          Vanderli Medeiros