Nº 11 - Março de 2004

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

DEDICATÓRIA - Nelson Haroldo


Lembrar-te-ei e resguardarei os meus passos
Na suavidade da paisagem em que modula
A freqüência das cicatrizes... eu me refaço
Em carne rubra de desejos que o amor anula...

Decifras, então, as noites que nos rodeiam
Em que o amanhecer ruminando ventanias
E por teu desejo me queres preso a tua teia
Fios cândidos, tênue das horas em agonias...

Dar-te-ei uma flor, roubar-te-ei um beijo
E tudo diz no infinito... me entrego e ouço
Sob a mesma noite que nos cobre, e vejo!
Do teu olhar a melhor parte do meu corpo...

Diz-me então, se há regras, se o fogo avança
Ou se é para o teu olhar que estou correndo?
Dos olhos em que busco o amor, em si estanca
Ora! Direis do meu coração que está morrendo...

Pasmo! Sobre a angustia do pensar e no alude
Desse manto na vertigem do azul céu/lua, tateio!
Então, entrego-te em luz o que a boca não te diz
O outono desses versos apontados para o teu seio...

É... Mas, dos teus olhos de primavera acesa
Colho brancos lírios, encontro desejos e fuga.
Oh doce estrela, não sei se a paixão é avessa
Ou se ébrio de ilusão o destino faz o caminho...

Nhca

Enquanto Dormia - Tania Lemke


Enquanto eu dormia
Tu chegavas de manso,
Me tocavas de leve,
Me sondavas em teu encanto
E eu te sentia inteiro e pleno
Vindo devagar ao meu encontro...
e em nosso leito,
Se esgueirando como um gato no cio,
Me abraçavas e me amavas
E me fazias sentir-te inteiro
E saber-me tua por completo!
Por isso, diminuo a cada instante
a distância que nos impomos!
Pois te quero meu novamente,
E ser tua, eternamente!

®Tania Lemke

Fazer amor... - António Zumaia


Fazer amor no intemporal,
Faz de mim um cometa errante,
Que se alcança na doce ternura,
Riacho que entre alcantis murmura,
A desdita de ser, apenas um passante
E que não vive a vida afinal...

Sei, que este coração nunca amou,
Sei, que a vida para mim foi madrasta;
Esta alma afinal nunca sonhou,
E de todos os sentimentos se afasta.

Quero fazer amor com toque de ternura,
Olhos nos olhos, trocando amor
Carícias, e não sexo enganado,
Por onde, na vida me tenho ficado.
Actos sem significado, sem valor
Desprezível, esta vida de aventura...

Quero conquistar-te com meigo sorriso,
A volúpia ambígua de doce carinho,
Quero amor completo conciso...
Não, sentir-te em mim como vinho;

Que me embriaga e me embrutece,
Oh! Deus tende piedade deste pecador,
Dai-lhe na vida um pouco de amor,
Pois meu ser... pouco a pouco fenece.

Sines-Portugal

PROFISSÃO DE FÉ - Arlinda Lamêgo


Com solidão de caverna,
Solidão de deserto,
Sou ave solitária.
Pregoeira da esperança,
Atalaia da verdade
Vou construindo fortaleza
De defesa pessoal.
Anulando meus sofismas,
Em caráter universal.
Mergulhando no oceano
Em doce subjetividade.
Levo o brado da esperança
A todo desafortunado.
Dou o ombro pra chorar,
Limpo a lágrima a cada dia,
Choro junto, se preciso.
Levo sua alma comigo.
Morro junto, quando morre.
A maior felicidade,
Quando salvo e ajudo, amigo.

"O AMOR É COMO A ELECTRICIDADE.." Rosélia Martins )


o amor é como a electricidade
ora vai ora vem
em corrente alternada
ou em corrente contínua
os electrões percorrem caminhos
perdem-se nos fios
em todos os cantinhos
mas no final da corrente que vai
a luz clara sai

o amor é como a electricidade
pois quando dois polos se encontram
se amam, se entontecem
pecorrem longos caminhos
embrulhados em carinhos
num vai e vem constante
devagar
ou de repente
ai amor que amor tanto
e neste enleio
que teu corpo seduz
ao fim
acabo por dar à luz

Rosélia Maria Guerreiro Martins
PORTUGAL

O amor de uma mulher... - António Zumaia


O amor é como o vento ,
sente-se mas não se vê...
Mulher é o pensamento ,
Ou um livro que se lê ...

Se existe no pensamento,
de certo se vai perder ...
Passa no amor como o vento,
Tarde ou cedo , vai esquecer...

Se é um livro que se lê,
muito dela vai ficar...
Pois em seu amor, se crê.

Se é vento , só vai passar.
Sente-se mas não se vê...
Qual coração vai amar ???

(Do pensamento de Carlos leite Ribeiro)

António Zumaia
Sines - Portugal

Mentira tem perna curta - Katarina Madeira


Mentira tem perna curta
Já dizia a minha avó
Pensar que ninguém descobre
Só faz rir e mete dó

Quem pensa que mente bem
Vive só na ilusão
Por brincar com a vida alheia
Pensa que é um sabichão

Mentiroso é descarado
E anda bem disfarçado
Não deixa de ser engraçado
Quando é desmascarado

Tem nariz de palmo e meio
E joga com os sentimentos
Faz-se então de coitadinho
Pra te ter sempre pertinho

E um belo dia descobres
Que diz mentiras sem fim
Ele engana toda a gente
Quem quer um "amigo" assim?

Eu não quero concerteza
Mentira não liga comigo
Larga de vez a tristeza
Ouve só o que te digo

Mais tarde todos vão ver
Não penses que estarás só
Mentira tem perna curta
Já dizia a minha avó.

CARÍCIAS - ACRÓSTICO - Nadir D’Onofrio


(
C ) ada toque de tuas mãos,

(
A ) travessando meus poros, explorando, minhas sensações.

(
R ) oçando teu lábios nos meus,fazendo explodir toda essa paixão.

(
I ) mpossível ficar indiferente, diante do teu significativo olhar,

(
C ) entrada só em você, desfrutar nossos momentos.

(
I ) ntegração de sentimentos, comunhão de pensamentos,

(
A ) mar-te a cada instante, como se não existisse o amanhã.

(
S ) enti-lo sempre junto a mim, como uma tatuagem,

        deixada pelo fogo iridescente do nosso grande amor!
.

 

Elizabeth Misciasci - Gustavo Dourado


Beth! galáxiarte em florgasmo
Deusa que liberta via lingua.gen
Trans.muta o sonho em magia
Desnuda a quintessência da imagem...
Beth! Miss...UniversSereia...
Mulher: BeLuminosa...Creativa...
Num Zap nos eterniza...
Maga - deusa-musa-pitonisa
GataFadamante que nos guia
Às mimaravilhas da TransAlchemia...
Betherna Lúmina Estrelua
Deidade que zencendeia...
Tem a chama dos mistérios
Lux de infiniterna candeia...
Canta escreve dramatiza
Libertária sempre adiante
Luminar que esclarece
Luna acesa no horizonte...
Hierofonte da palávrea
Escrevive nuni-verso
Descreversa Panarrativa
A Poiesis do multiverso...
Multiplica-se operária
Redatriz dos oprimidos
Dá asas aos excluídos...
Gaivota do sidério...
Em ti ecoa a dádiva do canto
O quanta da arte do encanto...
...Libertas Quae Sera Tamen...
Flui em tiinfinitude
Pássaros de luz te habitam...
Valgalumes te incendeiam...
Lume na Paulicéia
Andorinha Pós-urbana
Ecoa nas primaveras...
Jornalisa textom - contextoa
Na arquitextura do palimpsesto
Frutifica numinosa escritura...
És rainha que nos liberta
Com a alma sempre alerta
É Amor a cada dia...
Beth Elis magnetiza
Ao olhar hipnotiza:
Os amantes da Poesia...

Divagações de uma alma - Vanderli Medeiros

     Queria entender porque a vida é assim, cheia de altos e baixos, mais baixos que altos...
     Como aquilo que acreditamos ser o certo e que nos trará a felicidade pode de repente ser nosso calvário de infelicidade...
     Queria entender o porquê do viver, se a grande maioria prefere cultivar a discórdia a desarmonia a valorizar o amor...
     Não entendo como podemos trocar a possibilidade e a chance tão rara de amar e ser amado por valores tão ultrapassados, por conceitos infundados...
     Sei que não errei e que de minha forma romântica, ultrapassada e piegas, verdadeiramente amei. E como o amei...! Talvez ainda ame... Sinceramente não sei...
     Não percebestes o tesouro que teve nas mãos e desastradamente como cristal deixastes cair ao chão, e, em mil cacos se transformaram...
     Recebestes o melhor que havia de mulher e fêmea em mim... Mulher essa que dormitava dentro de minha alma, a espera daquele que a despertaria... Infelizmente, quando chegastes trouxeste um coração embrutecido e não percebe a delicadeza e a pureza do sentimento que recebias por inteiro envolto numa alma como flor em botão resguardado pelas quedas e traições de outrora... Talvez, por nunca antes ter experimentado tanto amor de alguém assim, confundistes carinho, afagos e muitos abraços e beijos com prisão, possessão, e sem piedade manchastes tão lindo amor... Com um rio lágrimas e um mar de desilusão...
     Fizeste dormitar outra vez a mulher que por ti havia acordado, e, outra vez, mergulho nas profundezas dormentes do ser, na letargia da alma desiludida... No pranto seco, no olhar sem viço, nos lábios sem sorriso...
     Não percebestes que esse coração já estava por demais machucado, estropiado e fragilizado para suportar um amor pela metade e recheado de brigas e tempestades...
     Precisava, e, preciso, de muito carinho, colo, consolo e... Amor... Muito amor... De alguém que chore comigo ou seque meu choro... Que ao divergirmos de opinião não seja omisso nem turão, mas um cavalheiro que aceita uma nova versão, mesmo que ao conserve a sua, perceba e aceite que no mundo há opiniões de todos os jeitos. Não somos uma ilha e nem o universo, porém, trazemos dentro de cada um de nós um universo em si, que merece ser respeitado e amado tal qual nos apresenta. Isso é o que concebo como amor entre casais e amor ao próximo, amar o outro apesar e com os seus defeitos, aceitando-o como parte do universo e, portanto, de mim...
     Será que no mundo não existe alguém realmente sensível, que se comova com as dores alheias, que ame sem restrições e entenda as fragilidades de uma mulher machucada pela vida e pelos seres, que suas lágrimas não tragam repulsa e sim compreensão?! Que traga no bolso um lenço para sua lagrimas enxugar, e se acaso esse lenço faltar possa seca-las com beijos e fazê-la sentir que é amada e não está mais tão sozinha?! Será que não existe homens sensíveis assim?!Vanderli Medeiro