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Nº
12 -
Março de 2004 |
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EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO |
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VOCÊ ME VIU POR AI? - Margarida Reimão
Você me viu por ai?
Não sei, mas se visse não me reconheceria
Eu, descalça, nua dos preconceitos e andante.
Cabelos molhados, rosto de brisa e olhos de amanhecer.
Caminho a favor do vento, serena, em paz.
Lá fora as interjeições me perseguem
Oriundas de mim mesma;
Perseguintes no meu caos gótico.
Mas, bem serena, parto sem compromisso com o depois.
Meu seio ainda aleita
E meus pés agüentam outras caminhadas iguais.
Você me viu por ai?
Não sei, acredito que não.
Porque você vive no meu pensamento,
Numa doce intimidade comigo e nem precisa me ver.
E se tanjam largas as perguntas,
Jamais estarei tão próxima para escutá-lo
E então, você me viu por ai?
- Sim! Mesmo despida ainda lhe reconheço. |
"QUEM SOU ?..." - Maria
Angélica -
1º - a) Nome; Idade - b) Profissão - c) Morada d) - Quer falar um pouco da terra onde
mora ?
a) - :Maria Angélica Salazar Manzarra de Fontes Pereira de Mello; 19 de Novembro de 1954
b) - :Presto assessoria no ramo da cinofilia
c) - :Avenida Arterial I nº 7507 - Porto das Dunas - Fortaleza - Ceará - Brasil
d) - : Moro na cidade onde nasceu José de Alencar, notável escritor brasileiro. Fui
acolhida por essa cidade, como se me conhecesse desde pequenina e sua filha de sangue, eu
fosse. Transmite-me alegria e vontade de viver, todos os dias quando me acorda com um sol
brilhante e quente que me preenche a alma e a deixa leve e limpa. Cheguei triste e
magoada, mas ela soube tratar minhas feridas e aplacar as minhas dores. Ao
olhar o mar verde como os seus coqueiros e a imensidão das suas dunas, e ao sentir a
brisa fresca acariciando o meu rosto, posso dizer que sou feliz por ter tido a graça de
ser tão amada.
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a
escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título)
-;- d) Foi divulgado (como) ?;
a) - :Comecei a escrever, aproximadamente com 11 anos.
b) - :Na época, lia muito Giovanni Guareschi.
c) - :O meu primeiro "trabalho literário", foi escrito no colégio de freiras,
onde estudava interna e tratava-se de uma coletânea de versos, satirizando certos
hábitos e manias das religiosas. O nome do título era: Hábitos inconfessáveis,
escondidos nos longos hábitos!
d) - :Por razões óbvias não fiz questão da sua divulgação, mas mesmo sem a minha
vontade, teve uma imensa publicidade inesperada, fora e dentro do colégio, o que me
incentivou a continuar.
3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico
(e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2004 ? -;- d) Como
vão ser editados ?:
a) - :Não
b) - :Não
c) - :Enviei para este site, o primeiro volume do meu livro de contos. Tenho o segundo
volume completo para enviar depois. Além desses dois, tenho também completo, um livro de
poesias.
d) - :Através deste site, como livros virtuais.
4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c)
Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios
literários ?:
a) - :Sou alegre por natureza, falo bastante e adoro pessoas com bom humor, mas não
confio em quem ri demais. Gosto de coisas simples, embora por vezes, eu seja complicada.
Nunca deixei de ser um pouco rebelde e a rotina e o pré-estabelecido me fazem um pouco de
confusão. Quando fico triste, me acalmo arrumando armários, sinto como se arrumasse as
gavetas da minha alma. O sol carrega as pilhas da minha
energia e fico triste em dias de chuva. Acredito piamente que nada acontece por acaso e
que por isso, temos que aproveitar todas as oportunidades. Preocupo-me mais com o interior
das pessoas do que com o exterior (isso me inclui também!). Pareço muito extrovertida,
mas no fundo sou tímida.
b) - : Jogo no papel todas as minhas personalidades sem medo de ser criticada. Sonho,
sofro e me divirto, nunca deixo de ser eu!
c) - :Não. Escrevo tanto no dentista, como no silêncio do meu escritório.
d) - :Não.
5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham
trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page
ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ?
-;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para
terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho
seu (em prosa ou em verso) ?:
a) - :Não.
b) - :Não.
c) - :Somente escute as críticas dos que o amam, porque esses lhe farão críticas
construtivas. Nunca desista do seu sonho de publicar um livro, ele será a mensagem do seu
espírito, que entrara pelos olhos na alma de todos que o lerem e nesse momento você
ficará mais rico em virtude dessa comunhão.
d) - :
VISITA AO PURGATÓRIO
Num desses dias em que o
coração fica maior que o corpo e precisamos de o dividir com alguém, resolvi visitar um
"lar de idosos".
Ia preparada para conversar com velhinhas de
olhos espertos, que fizeram do passado a extensão do seu futuro e que me contariam
histórias cheias de sabedoria. Eu trocava amor e incertezas, por lembranças e certezas e
isso me satisfazia...
Parei em frente de um casarão antigo e
austero, com aspecto de hospital, mas não desanimei!
E assim, sem saber, entrei na antecâmara da
morte...
Os olhos espertos que eu esperava,
transformaram-se em expressões tristes, doídas, esquecidas. A sala era grande, fria,
muito branca, sem vida, sem amor, só...
As cadeiras estavam todas ocupadas por
avozinhas de todo o tipo, de todas as histórias. Tentavam falar ao mesmo tempo, puxavam
desesperadamente de mim, a energia da vida, o calor do carinho, o doce sabor de ser
lembrado. Eu era a neta que todas elas sonharam que viria, mas nunca viera!
Conheci a vida de muitas, as suas mágoas, as
suas tristezas de família, as suas razões de estarem sós...
A longa e penosa espera da morte longe dos
seus!
As razões alegadas de vida agitada, casa
pequena, que eu conhecia, esvaneciam-se perante aqueles olhos profundos de vida vivida!
Figuras frágeis, doces, tal qual luz tênue de quarto de criança.
Mortos da vida ou vida de mortos?
O que fizemos do nosso passado para exigir do
futuro?
Queria apagar da mente a imagem de um lugar
onde o respeito foi esquecido, em que o ser humano é empurrado e não guiado e os olhares
tristes atravessam as vidraças, tentando através delas, se transportar sem corpo, até
onde este perdeu o direito de andar!
Assim me despedi daquelas crianças de cabelo
branco, tão branco como as suas almas e de olhos tão profundos como o mar.
Ao atravessar a porta, meu olhar se fixou num
crucifixo, de um Cristo que foi crucificado em vida, como elas.
Fechei os olhos e fervorosamente pedi a Deus
que me levasse para junto dele, antes que me fosse imposto o terrível sabor amargo de me
sentir supérflua...

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FANTOCHES - Humberto Soares Santa-
Ébrio de vento, corto a ventania
Ao ritmo compassado dos soldados,
Perdido entre os fantoches que apressados
Percorrem tristemente a mesma via.
São manchas de sombra e agonia,
Corpos sem luz, alheios e cansados,
Com os rostos serenos mas parados,
Fartos do seu mentor do dia a dia.
Movidos plos cordéis que os manobram,
São títeres sem sonhos e sem sorte
Dando de si a vida que lhes cobram.
Se alguém me quer fantoche, porque é forte,
Guarde pra si as forças que lhe sobram :
Eu ?... marioneta ?!... não !... Antes a morte !... |
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SOU MULHER! - Sara Rafael
Sou
mistério e magia
encanto e sedução
odor de maresia
loucura e paixão
Sou
crepúsculo doirado
cetim ondulante
renda e brocado
delicia afagante
Sou
volúpia e amor
delírio sensual
Sou
embalo protector
abraço maternal
Sou
Bem-me-quer.
Sou
Mulher! |
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POETIZANDO - Jacira Cardoso
Busco à cerca de minha vivência,
palavras doces,
momentos felizes,
amores vividos,
para poder poetizar...
Busco compor meu poema,
com amor,
com saudade,
com esperança,
pode ser prosa...
Busco ler nestes versos,
um motivo,
um sentido,
um momento,
para cada vez mais amar...
Busco viver neste amor,
todo o seu contexto,
toda a sua arte,
toda a sua poesia...
Busco viver poetizando...
em versos,
em prosas,
em amor...
Jacira Cardoso
No brilho da lua e das estrelas se eternizam os amantes e amores...
No silêncio da noite se perdem os sussurros e gemidos das paixões...
Sejam as noites, quentes ou mais amenas,
não importa, é só um detalhe...
O que importa são as sensações, emoções e deleites.
Na noite se perdem todos aqueles que amam,
Na noite se acham todos aqueles que compartilham,
Na noite se encontram todos aqueles que sonham,
Na noite se despedem todos aqueles que já foram felizes...
Em outra noite tudo acontece de novo...
Amantes se perdem, se acham, se encontram e se despedem,
Num constante recomeço, quando se descobre alguém,
Numa constante certeza, quando se ama alguém,
Numa constante esperança, quando outra noite vem... |
Socorro de mim - Mariete Marcondes
Reparou como brinco demais?
Como rio à toa?
Será do pranto do meu pranto?
Será a falta de um encanto?
Será o desamor?
Talvez a certeza da dor.
Dispo-me de máscaras,
Entrego-me por inteira,
Mas sou só.
Terrivelmente só...
Quanto mais brinco, mais choro,
E meu soluço vem dessa alma vazia,
Coberta com um véu de esperança.
Peço socorro, um socorro de mim,
Um olhar que acalenta,
Um sorriso que esquenta
Essa alma perdida.
Peço uma roupagem nova,
Que me coloque à prova
De um amor de fato.
Peço aos deuses por um milagre,
Que me devolva a paz perdida,
A felicidade escondida,
O sorriso do meu coração.
Socorro de mim,
Nem que por um dia,
Que seja por um momento
Mas que seja eterno.
Socorro de mim,
Porque se não for assim,
Continuarei ardendo nesse inferno
De mim...
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Como eu gosto de escrever... - Katarina Madeira
Como eu gosto de escrever...
E passar para o papel
o que penso, o que imagino...
o que sinto e o que anseio...
Deixar fluir as palavras
que na tinta se transportam
fazendo deslizar a caneta
que com amor faz rascunhos.
Como eu gosto de escrever...
O prazer que isso me dá...
Sem dar conta uma palavra,
uma frase, um pensamento
surge do nada esvoaçando
na urgência a transbordar
do que a alma tem para dar.
E são apenas esboços
que a carvão são desenhados
deixando fluir sentimentos
para sempre inacabados...
Sonhos, emoções
alegrias, desilusões
choros e sorrisos largos
duvidas e convulsões...
Ah! Como eu gosto de escrever!
Sem me importar em saber
Se algum dia alguém vai ler
Eu escrevo só por escrever! |
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MINHA LINDA SABIÁ - Nadir D'Onofrio
Nem bem amanhece o dia ,
ela já ali está,
toda elegante e faceira,
no seu ninho a procriar...
A minha linda sabiá
que nesse ano voltou,
para minha vida alegrar...
E eu para sua tarefa
maternal não atrapalhar,
tenho que me sujeitar
pela janela da cozinha passar !
Porém isso não me aborrece,
pois ela como recompensa
seu lindo canto me dá
e assim meu espirito exultar ! |
PARA ONDE VAMOS? - Denis Dunin
Linda noite...Como uma noite após a
outra, estrelas brilham com um vigor incomum tal como um punhado de brilhantes colocados
um a um sobre um fundo de veludo negro. Mas parece uma noite diferente, um silêncio
estranho vaga no ar, como a querer dizer ou determinar que algo novo está prestes a
acontecer.
Não estamos em Junho... Curioso, mas o céu começa a
iluminar-se, tomar várias cores, ao mesmo tempo que silvos ouvem-se ao longe, com uma
freqüência crescente, tendo-se a impressão que um imaginário batalhão marcha num
ritmo cadenciado.
Não, não é possível... Devo estar delirando, numa
atitude comum aos mortais. Mas é verdade, os silvos transformaram-se em estrondos
gigantes que ao contato com o solo destroem tudo ao seu redor. Corpos dilacerados,
retorcidos, gritos horripilantes, como que a tentar arrancar a alma do mundo perante
tamanha barbárie. Adultos, mulheres e crianças, todos correm desesperados e sem rumo,
como a tentar fugir de algo que lhes é fatal.
Pais, mães,filhos, mulheres, irmãos, já não existe mais
neste momento nenhum vínculo entre si, mas a lei da sobrevivência. Voam corpos, pernas,
braços, cabeças. Com uma facilidade incrível aonde a vida esvai-se em questão de
segundos.
E qual o sentido disto tudo? Quem são os agressores e quem
são os agredidos?
Parece que não importa, o que vale neste exato momento é
o extermínio na acepção da palavra, todos indistintamente são levados à condição de
guerrilheiros, perigosos inimigos que devem ser exterminados a qualquer preço. E para
que? Para que com orgulho militares possam conquistar terreno em nome do valor econômico
e em nome de uma suposta vitória mostrar somente a morte, corpos destruídos, lugares
aonde não restou pedra sobre pedra?
Pobre humanidade, aonde milhões de seres, dos pequeninos
aos adultos foram bruscamente eliminados da vida em nome de uma ideologia barata, que não
levou a lugar nenhum e repete-se com uma intensidade cada vez maior,até que talvez venha
a cadência com tal violência, que será a última a ser sentida pelos infelizes
habitantes deste planeta, pois não haverá sequer um sobrevivente sequer...
Quantos inventos foram criados pelos homens, alguns para
melhorar a vida, outros para destruir com fúria indescritível a sede de viver dos povos.
Quiçá ainda haja a esperança de um invento, o mais
importante, e que todos inconscientemente esperamos por ele: a paz!
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