Nº 13 - Março de 2004

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO


LENDA DO CAVALEIRO DE ELVAS - Ruben Correia

     Conta a lenda que os Espanhóis capturaram a bandeira portuguesa do castelo de Elvas, levando-a para Badajoz, em Espanha. O nosso rei Dom Sancho, que havia conquistado Elvas uns tempos antes, mandou proclamar por todo o Reino que daria a sua filha – a princesa Dulce – àquele que conseguisse trazer-lhe a bandeira de volta. Ora havia um jovem, natural das Beiras, bastante garboso, no entanto pobre que, apresentando-se perante o Rei, disse-lhe:
     - Magestade, gosto muito de Vós e quero muito casar com Vossa esbelta filha. Portanto, deixai-me partir que eu Vos hei-de trazer a nossa bandeira ! – O rei ficou admirado daquela coragem e respondeu-lhe:
     - Vai, traz a bandeira e eu te recompensarei como prometi!
     O jovem cavaleiro rapidamente tratou de arranjar um cavalo e, após uma repousante noite, lá partiu ao nascer do dia em direcção a Badajoz. Ao princípio da tarde já Badajoz se avistava no horizonte e o nosso herói, com seu coração ansioso, desejava chegar com toda a alma, para realizar um feito que, acreditava o iria fazer feliz para sempre.
     Decorria, por esta altura, na cidade de Badajoz, a famosa festa das Bandeiras, na qual todas as terras de Espanha iriam demonstrar, num faustoso desfile, que a sua era a mais bela de todas. O próprio rei de Castela, que também se chamava Sancho, estava presente com toda a sua Corte.
     Entretanto, à hora do desfile, ao pôr do sol, ninguém reparou num cavaleiro de negro que, silenciosamente, se foi aproximando da multidão. De repente, à passagem da bandeira do reino de Portugal, sem que ninguém o conseguisse deter, atravessa o desfile e rapta violentamente o estandarte, dirigindo-se depois à desfilada para o portão da cidade. Todavia, um esquadrão de cavaleiros do rei de Castela, vai em sua perseguição e, ao fim de algumas horas dramáticas, já com a cidade de Elvas em frente e o nosso herói a aproximar-se, deu-se um caso estranho. Fechou-se a porta da cidade e ele, sentindo-se em perigo, começou a cavalgar à volta da cidade a ver se alguma porta estava aberta. Não vendo aberta nenhuma porta, arremeçou com toda a força a bandeira para o interior das muralhas e deu a fugir em direcção a Campo Maior, sempre perseguido pelos espanhóis. O destino quis que o cavalo, não agoentando a sua carreira tão longa e violenta, travasse a sua marcha. Esgotado, caíu fulminado e com ele o nosso heróico cavaleiro.
     Em poucos minutos foi rodeado de inimigos. Ainda quis lutar mas as suas forças já não foram suficientes. Caiu varado de lançadas por todos os lados.
     Aquele campo ficou conhecido com o nome de "campo madrasto", pela sorte que calhou ao cavaleiro. E a princesa Dulce ? Diz a lenda que assistiu a este drama, do alto da Torre norte do castelo, embrulhada na bandeira resgatada e com os olhos jorrando lágrimas. Por isso se dá o nome àquela torre de « A Torre das Lágrimas ».

RUBEN CORREIA,
aluno da Turma 8º C /2004 , do
Colégio Bartolomeu Dias
Santa Iria de Azóia (Lisboa - Portugal)


Quem sou eu ... Déa Miranda

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :


a) - :Maria Déia Viegas Miranda Nacif (Déa Miranda) – 48 anos, nascida em 16 de abril de 1955.
b) - :Sou formada em Letras, mas atualmente trabalho no escritório de advocacia do meu marido.
c) - : Rua Alferes Esteves, 72 – centro - Pará de Minas, MG – CEP: 35660-002
d) - :Pará de Minas fica entre as montanhas. Possui uma população de 73.000 habitantes e se encontra há 75 km de Belo Horizonte (capital do estado de Minas Gerais). É uma cidade de clima agradável e pessoas hospitaleiras. Sua economia se baseia na avicultura, agropecuária, indústria téxtil e siderúrgica. Até há pouco tempo o catolicismo era praticamente sua única religião. Tradicionalmente é chamada "terra dos teares e dos sinos", mas nos últimos anos se transformou na "capital mineira do frango" (atualmente perdeu esse posto).

2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;

a) - :Creio que eu contava com uns dez anos.
b) - :Sim. Recebi toda a influência de meu pai, que foi poeta e escritor. Com ele aprendi a ter amor pelos livros, a me interessar pela literatura.
c) - Não sei definir bem qual tenha sido o meu primeiro trabalho literário. Talvez seja a seguinte trovinha, que escrevi ainda criança: "A fazenda é muito boa/ O sabiá no pomar/ Canta, canta...depois voa./ Não sei onde vai parar." Depois, comecei a escrever historinhas de aventuras com personagens inspirados na minha própria infância. Na adolescência, compunha além de trovas, sextilhas e me aventurei até em sonetos. Escrevia poemas livres também.
d) - Meus trabalhos literários só foram divulgados recentemente. Eu escrevia e engavetava-os. Sempre fui muito exigente comigo mesma e tinha um pouco de dúvidas quanto ao valor literário deles. Em 1999, meus filhos mandaram um soneto para um concurso e ganhei uma Menção Honrosa. Só aí acreditei que poderia torná-los públicos. Atualmente sou cronista de um jornal e colaboradora de vários outros da região.

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - : Editei o meu primeiro livro "A essência das palavras", em dezembro de 2003, pela editora São Lucas.
b) - : Ainda não.
c) - :Para o ano de 2004, tenho o livro "A essência do Ser" no ponto de ir para a editora. Mas tenho textos (crônicas, contos e poesias) que darão uns três livros. Iniciei também um romance, que já existia em minha mente com enredo, personagens, espaço etc., desde os meus dezoito anos.
d) - :O primeiro citado, aguarda publicação pela Associação de Escritores de Pará de Minas. Os outros ainda não sei como serão editados.

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - : Sou extremamente sensível, generosa, comunicativa, idealista, intuitiva, mas ao mesmo tempo tenho temperamento forte e impulsivo. Amo a Deus e toda a sua criação, da simples gota de orvalho a imensidão do universo, do encanto da borboleta a majestade da águia. Sou entusiasmada pela vida... encantada pela natureza. Anseio por um mundo mais justo e mais fraterno. Tento deixar alguma marca por onde passo, levando um pouco de alegria e tentando suavizar a dor. Sofro com meu lado perfeccionista que me traz ansiedade.
b) - :Tudo o que me toca se transforma em palavras, em versos. Escrevo o que o coração sente, o que a mente questiona, o que os sentidos desejam. Nos meus textos tento eternizar momentos, despertar para a conscientização de temas importantes, registrar fatos e mostrar as maravilhas da criação de Deus. Por isso, eles são um misto de tudo o que de alguma forma, percorre as artérias do meu coração.
c) - :Eu nunca busco inspiração e tampouco lugares. Tudo acontece espontaneamente e das formas mais diversas. Mas se o ambiente é propício, ela vem com mais frequência e intensidade.
d) - :Ganhei um troféu, diplomas de Menção Honrosa e Especial, publicações em antologias, um diploma de finalista e outras coisas menos expressivas.

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - : Não.
b) - :Ainda não.
c) - :Para ser um bom escritor(a) precisa-se que se leia muito. É importante também que se tenha interesse pelas aulas de português para saber regras básicas de concordância, pontuação, vícios de linguagem etc. Procurar ter visão de mundo, conhecer os gêneros literários. E ter dom para isso, é claro.

Libertação

Liberta o soluço que te comprime o peito,
Deixa que as lágrimas escorram sem pudor,
Não guardes mais contigo uma tão grande dor,
Pensa que para tudo sempre existe um jeito.

Não duvides nunca que tens todo o direito,
De procurar remover de teu interior
Mágoas que te provocam tanto rancor
E que delas não tirarás nenhum proveito.

Não desgastes jamais os pensamentos teus,
Revolvendo todas as cinzas do passado;
Deixa que o tempo se encarregue desse fado.

Vive bem a vida, que é presente de Deus.
E escute bem o que o meu coração te diz:
"Perdoa sempre... Esquece. Ama e serás feliz!"

Importâncias avaliadas - Celito Medeiros
Na área critico-filosófica.

CÓDIGO DE HONRA de LRH

1. Nunca abandones um amigo em perigo, com problemas ou em dificuldades.
2. Nunca retires fidelidade, uma vez concedida.
3. Nunca abandones um grupo ao qual deves teu apoio.
4. Nunca te subestimes nem minimizes a tua força ou poder.
5. Nunca necessites de louvores, aprovação ou comiseração.
6. Nunca faças concessões naquilo que é real para ti.
7. Nunca permitas que a tua amizade ou amor sejam adulterados.
8. Nunca envies nem recebas comunicação a não ser que tu próprio o desejes.
9. A tua autodeterminação e a tua honra são mais importantes do que a tua vida imediata.
10. A tua integridade para contigo mesmo é mais importante do que teu corpo.
11. Nunca lamentes o ontem. A vida está em ti hoje e tu constróis o teu amanhã.
12. Nunca temas ferir outrem numa justa causa.
13. Não desejes ser amado e admirado, se mereceres, será automático.
14. Sê teu próprio conselheiro, mantém as tuas próprias opiniões e seleciona as tuas próprias decisões.
15. Sê fiel às tuas próprias metas.

- A inteligência e o julgamento são medidos pela capacidade para avaliar importâncias relativas.

- A capacidade para avaliar importâncias é a mais alta faculdade da lógica.

- A identificação é uma atribuição monótona de importância.

- A identificação é a incapacidade de avaliar diferenças no tempo local, forma, composição ou importância.

ABERRAÇÃO - Um desvio do pensamento ou comportamento racional. Significa. basicamente, cometer enganos ou, mais especificamente, ter idéias fixas que não são verdadeiras.

AUTODETERMINISMO – É o estado de ser em que o indivíduo pode ou não ser controlado pelo ambiente de acordo com sua própria escolha. Significa a capacidade de dirigir a si mesmo.

AVALIAR - Determinar o valor de algo. Dizer o que se acha que algo é. Fazer apreciação para outrem, indicando o que julga.

COMPULSÃO - Impulso para fazer algo que a pessoa sente e não consegue controlar. Sentimento irresistível para fazer alguma coisa.

COMPUTAÇÃO - Ato de computar, isto é, calcular. Maneira de determinar um resultado calculadamente. Aquilo que se usa para obter um resultado.

DUPLICAÇÃO - Ato de entender o que foi comunicado, exatamente como foi comunicado. Ação de fazer uma reprodução exata, no ponto de recepção, do que foi transmitido pelo ponto de origem. Reproduzir uma pergunta ou comando exatamente da mesma maneira. Sem alterá-lo.

ÉTICA - Racionalidade em direção ao mais alto nível de sobrevivência para o indivíduo, para a raça futura o grupo e a humanidade, assim como para as outras dinâmicas tomadas coletivamente. Ética é a razão e a contemplação da sobrevivência ideal.

QUEREMOS ESTAR SEMPRE CERTOS
PARA A ESCALADA DA SOBREVIVÊNCIA
Celito Medeiros

     Certo e Errado são ferramentas da sobrevivência.
     A fim de sobreviver, a pessoas tem que estar certas. Existe um nível em que a verdadeira correção certo/errado é analítica e há um nível em que o que é considerado certo/errado cessa de ser compreensível. Quando caem abaixo deste ponto é a aberração.
     O ponto em que se degenera de sobreviver para sucumbir é o ponto em que se reconhece estar errado. É o início de sucumbir. No momento em que alguém fica preocupado com sua própria sobrevivência, entra na necessidade de dominar a fim de sobreviver.
     Assim vai: Insistência quanto à sobrevivência, seguida pela necessidade de dominar, prosseguindo então, pela necessidade de estar certo. Estas conclusões ou intenções do indivíduo vão ladeira abaixo. Portanto, temos o certo ou o errado aberrado.
     O jogo de dominação consiste em tornar o outro indivíduo o errado, para se assegurar estar certo. Agora, ao longo desta vida, o fulano está e esteve tentando estar certo, tentando estar certo... Tentando estar certo!
     Seja o que estiver fazendo, está tentando estar certo. Para sobreviver é preciso estar mais certo do que errado. Aí surge, a observação de estar certo para sobreviver. A mentira é que não pode fazer nada mais do que sobreviver, então a usam...
     Não é que seja errado tentar estar certo – é estar obsessivamente certo quanto a algo, que está obviamente errado. É quando o indivíduo não é mais capaz de selecionar seu próprio rumo de comportamento. Quando está seguindo obsessivamente rumos de comportamento não inspecionados, a fim de estar certo.
     Não existe nada sadio à cerca de algo sem racionalidade. Isto destrói a liberdade de escolha quanto à capacidade de ser feliz.
     Destrói poder, destrói o livre arbítrio.
     Vê-se deste modo, o indivíduo piorando, numa espiral descendente, que ele próprio está gerando ao invés de, de fato, criar sobrevivência - sucumbe!
     A intenção de estar certo é a mais forte intenção do universo, acima disto, tem-se o esforço para dominar e mais acima o esforço para sobreviver.
Estas coisas são fortes. No entanto, nota-se aqui a respeito de atividade mental, pensante e intencional.
     Sobrevivência – isto simplesmente acontece.
     Dominação – isto simplesmente acontece.
     Mas descer ao longo do nível intencional é estar certo ou errado. A mais forte intenção do universo.
     Ao usar a intenção de querer obsessivamente estar certo, entra na rota para sucumbir, que cegamente pensa ser seu caminho para sobreviver.
     Então, aquele que enobrecer a idéia de estar sempre certo, será obviamente tido como gênio, guru e ovacionado, ao passo que, aquele que demonstrar o erro disto e não for compreendido, será uma vítima destas maiorias.
     Porém este sobreviverá mais facilmente assim como os que o compreenderam.
     Muitas pessoas acham algo maravilhoso, mas sempre terá aquele que precisa de ‘provas’ de que algo de fato funcione. Não lhes é óbvio...
     Alguém sem proveito algum, nem mereceria tal proveito. Fica culpando a todos criando um inferno à volta. Estes fazem parecer que falhamos, dando a impressão que o número de insatisfeitos é maior do que os resultados que são obtidos pelos não obsessivos.
As pessoas, de modo geral, estão sempre tentando provar estarem certas, por não acreditarem de fato que podem estar erradas. Deste modo perduram no erro e não mudam, pois não podem ver os erros de fato.
     Quem estiver dentro do errado, não consegue avaliar mais o que é ou não correto. Aqueles que insistem nunca terem precisado de ajuda alguma, possivelmente também nunca admitiram estarem errados, estão fixos em suas afirmações de estarem corretos e nem percebem que está bem próximo do fim e, que qualquer dúvida sobre sua retidão no passado os ameaça de serem destruídos...
     As pessoas não mudam atos errados exatamente por precisarem se afirmar como corretos.
     Quando uma filosofia funciona de fato, pode defrontar-se com pessoas altamente críticas e atemorizadas, pensando estarem ‘erradas’ se a tal tecnologia de fato funcionar! Portanto atacam para não serem consideradas os errados. Uma boa tecnologia tenderá a tornar as pessoas certas o suficiente, para que elas próprias adotem mudanças de idéias. Aí tenderão a compreender que tais idéias sempre estiveram certas. Por terem adotado, saíram de fato do erro.
     Um condenado, jamais admitirá que esteja errado. Afinal, sempre terá uma motivação para o que fez em detrimento de querer estar certo.
     Certo ou errado sempre tornaram uma fonte de discussão e luta, próximo de um campo de batalha. O produtivo é firmar a compreensão do que é certo. Dizer-se ético, nada significa se não houver a ação disto.
     O caminho para o certo é o caminho para a sobrevivência e todas as pessoas estão em algum ponto desta escala.

Espírito: Não possui MEST ( Matter , energy, space and time), porém, foi o criador de tudo isto. Espírito é a essência do pensamento e não possui necessariamente uma localização fixa, existe independente de um corpo e nele não necessita estar localizado.
Portanto, um Espírito não é energia e nem possui massa ou localização fixa, existente muito antes deste universo físico.

Corpo: É um composto. Possui bilhões de células organizadas que são comandadas espiritual (comando) e fisicamente (linha genética).

Mente: É a gravação de toda a trilha do tempo de um espírito.

Memória: É a disponibilidade em que esta gravação foi armazenada.
Fisicamente – Cérebro (memórias de vivências na vida atual).
Espiritualmente – Conteúdo de todas as vivências infinitas até hoje. (Disponíveis, mas nem sempre possíveis de serem acessadas, pois dependem do nível de consciência do espírito).

www.escritor.art.br 
(Assuntos extensivos ao livro Melhoramentos de Vida de Celito Medeiros).


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Estou Mulher - Marisa Cajado

Não sou mulher, estou mulher
Estado maravilhoso, desta vida
Enquanto nele, sou feliz, agradecida
A este corpo, que agasalha o ser.

E ufano-me com a graça
De na mulher, ser mãe, amante
Co-criadora feliz a cada instante
Na forma, que meu ser abraça

Estou mulher para fazer feliz ao homem
Amparando quem de mim se aproximar
Para entender, compreender e amar
Demonstrando que a mulher, é lúmen!

SOU MULHER! - Sara Rafael

Sou
mistério e magia
encanto e sedução
odor de maresia
loucura e paixão

Sou
crepúsculo doirado
cetim ondulante
renda e brocado
delicia afagante

Sou
volúpia e amor
delírio sensual

Sou
embalo protector
abraço maternal

Sou
Bem-me-quer.

Sou
Mulher!

O sol da meia noite - *Luciane Makkário*

E o sol viu a lua, linda, radiante...
Poder toca-la, o fez levitar.
Seus fios dourados, raios de luz
o enfeitiçaram.

A imponência e a elegância misturado com
a doçura da lua, fez o astro rei reverencia-la.
E o sol se rendeu aos encantos da lua.

Se entregou, se deixou levar.
Navegou embriagado na brisa de amor,
Mergulhou na maré alta da paixão,
Controlada pela força da delicada lua.

E o sol se fez presente,
Feito estrela incandescente,
Face a face com a lua ele ficou.

Sol e lua como que em um passe de mágica,
Se encontraram.
Uma visão fantástica, e de uma forma enigmática,
Sol e lua juntos, firmando o encontro de um outro tempo.
Um eclipse total marcava ali, naquele momento,
Uma nova era, uma nova vida.
E o ciclo se refez, renovou...

Imantado pela força divina lunar,
O sol se fez tatuar...
E o astro rei segue agora,
Feito pêndulo, feito argola,
Neste corpo celeste que controla o mar.

Não foi sonho, foi real.
Vento cortando feito açoite,
Do cenário virtual,
Nasceu o sol da meia noite.

Aqui estou - Tania Lemke

Perguntas onde estou!

Encontro-me aqui, vida minha, meu sonho!
Aqui, ansiando por um toque e um beijo teu.
Te espero em paz, com meu semblante risonho
A oferecer-te o que um dia alguém prometeu.

Sentirás em ti o toque de minhas mãos
E saberás que sou eu aquela que poderás amar
Sem nada temer, sem medos tolos e vãos,
Pois sou sincera e venho a ti me entregar.

Dizes conhecer do amor, seus delírios,
Mas ainda não conheces a mim!
Como podes reconhecer no imenso vale, os lírios
Que ainda não tocastes, nem sentistes enfim!

Imaginas que da paixão tudo vivestes,
Mas todos temos nossos próprios enredos.
Meus sussurros de amor jamais ouvistes
E nada sabes de meus lábios, os segredos.

Se muitos amores e afetos vivestes,
Se fostes feliz ou te magoaram e fizeram sofrer,
A mim e a meu universo jamais conhecestes.
Vem amor meu, te ofereço um novo viver.

Aqui estou para levar-te a um novo firmamento,
Querendo conhecer-te mais, sempre um pouco mais
Transformando em infinito cada particular momento,
E dedicar-me a ti, como mulher alguma o fez....jamais!

®Tania Lemke

Desapareço - mpupila

Esqueço o sonho,
Mergulho apenas na noite,
Escondo-me atrás da lua
Que testemunha meu olhar úmido;
Em chuvas da alma
Sigo a noite,
Não quero clarear;
Meus versos noturnos
Querem a paz do luar.


By Pupila

SEM RETORNO - Belvedere

"Ó doce olhar de sonho, ó vida dum viver
Amortalhado sempre à luz duma saudade!"
Florbela Espanca

     Sábado nublado, prenúncio de um final de semana chato, pensei. Saí do cabeleireiro e dei de cara com Vicente. Há muito tempo não o via. Fizemos juntos uma oficina de artes cênicas e muito me divertia com ele. Simpatia pura! Separado da esposa, um eterno apaixonado, aos setenta e quatro anos de idade.
     Eu sempre o aconselhava para que voltasse para ela, que a procurasse. Comprava cartões de amor e fazia com que ele escrevesse e enviasse pelo correio. Ele se empolgava feito adolescente! Contava-me que a separação fora devido ao apego dela aos filhos que agiam de forma com a qual ele não concordava. Muita liberdade, e a cabeça dele não acompanhava. Por isso saiu de casa e foi viver em um conjugado. Deixou o casarão com jardim, piscina e empregados. Arcava com todas as despesas. Cabeça-dura o Vicente! Eu dizia que procurasse viver a vida dele e deixasse a dos filhos com a modernidade que é natural nos jovens. Lembro que em um dia dos namorados fui à floricultura e comprei um buquê de rosas amarelas e dei a ele um cartão para que escrevesse uma bela declaração, depois eu mandaria alguém levar até ela. Vicente riu, tremeu e escreveu um belo "Te amo, Graça Maria!".
     O tempo passa, as pessoas se separam. Foi o que aconteceu. Ele saiu da oficina, e não o vi mais.
     Eis que hoje, diante de mim, me abraçando, com os olhos brilhando e as mãos tremendo... Pergunto: "Tudo é emoção por me ver?" Ele me olha e diz: "A patroa morreu!"
     Fiquei atônita. Então contou-me que ambos já haviam acertado tudo. A esposa iria morar com ele no conjugado e deixaria que os filhos vivessem a vida deles. No dia em que ela se despediria dos filhos, convidou-o para um churrasco na casa, mas ele declinou do convite. Durante o churrasco, a família reunida, ela, esquecendo que já era uma senhora de setenta anos, ou talvez empolgada com a volta ao tempo de amor, subiu em uma mangueira para pegar algumas mangas e caiu de forma que teve fraturas múltiplas, não mais se recuperando. O mais marcante na ocorrência foi que ninguém na casa gostava de manga, nem ela, a não ser Vicente. É a fruta preferida dele, e por isso ela iria fazer o doce de manga... Que ironia da vida! Em três meses ela se foi. Eu, com cara de boba, tudo ouvia. Não podia agora dizer que mandasse cartão, que enviasse flores... Como agiria, meu Deus?
     Sei que senti vontade, e disse: "Amigo, sinta-se feliz. Você nunca escondeu o seu amor. Se isso ocorreu quando decidiram ficar juntos de novo é porque outros caminhos você irá percorrer. Fique tranqüilo e siga a sua vida. Viva o seu luto, mas lembre que a vida prossegue." Vicente sorriu e disse que o médico havia dito a mesma coisa para ele. Agora já estava na natação e no judô. Começava a se reintegrar a vida, após oito meses de tristeza profunda.
     Abraçando-o, disse que quando quisesse conversar eu sempre estaria com o meu coração aberto. Ele, então, se despediu dizendo: "Coloquei no meu quarto um pôster dela e toda noite eu digo o quanto eu a amo."
     Eu respondi: "Que bom. Diga, pois ela te ouvirá. Esses laços de amor nunca são cortados. São eternos! Bendito seja esse amor que vocês tiveram oportunidade de vivenciar, apesar de todos os percalços."


DOCE DESPERTAR - Jorge Humberto

Acordar a teu lado,
Ver-te sorrir,
Em sono descansando,
O que só os teus lábios
Estão dizendo -
Serena presença
Espreitando à janela -,
Traz o sol refletido
Nos meus olhos,
Passarinho poisado
Nos umbrais,
Que veio cantar,
Nesta manhã,
O teu doce despertar.