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Nº
14 -
Março de 2004 |
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EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO |
Iº. ENCONTRO do Portal CEN - "Cá
Estamos Nós" : JÁ TEM HINO PRÓPRIO !!!
Família CEN que é cem
Autora: Marisa Cajado

Esta familia
É sensacional
Vai reunindo
Brasil e Portugal
Cantando fado
E um samba
Requebrado
Aprendendo um xaxado
Dança aqui tradicional.
Numa ciranda,
Vamos todos dando a mão
Entoando uma canção
Pra mostrar nossa união
Nossa energia
Vai crescendo e irradia
É o CEN é alegria
Todos juntos afinal
É a poesia
É a prosa em sintonia
Fortaleza e Leiria
É Brasil e Portugal |
NOMES DE UM SÓ NOME - Humberto
Soares Santa
Quem são esses guerreiros tão medonhos,
De barba hirsuta, feios, descarnados,
Com riso alarve e dentes cariados,
Senhores do mal, usurpadores de sonhos ?
A que demónios prestam vassalagem ?
Qual a força do mal que os domina,
Adoradores do sangue e da ruína,
Diabólica versão da humana imagem ?
Os deuses com tristeza abandonaram
Essa corja de danados que os afastam
E que o nome de Deus, em templos, gastam
Dos Livros que com ódio deturparam.
No azul, de asas abertas os açores
Pairam sobre aqueles quatro iniciados
Que clamam pelo povo, rejeitados
Por nova ordem, por novos valores !
Em breve o Anti-Cristo cairá.
A Luz ressurgirá da escuridão
O homem chamará ao outro irmão
E o Deus de vários nomes voltará.
Será CRISTO, ALÁ e JEOVÁ,
Europeu, asiático, africano
Judeu, cristão e muçulmano.
É isto que Deus é... e assim será !... |
"QUEM SOU ?..."
Victor Alexandre 
1º - a) Nome -;- Idade (o ano de
nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de
e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :
a) - : Victor Alexandre Joaquim - Natural de Lisboa - 2/6/1944
b) - : Motorista aposentado - Escritor desde 2002
c) - :Estrada Marquês dos Santos, Via B 2 Casa 2 - Conjunto Santa Veridiana Santa Cruz-
Rio de Janeiro - CEP 23520-270 - Brasil
d) - : Fica no sudoeste do rio de Janeiro perto das praias da Baía de Guanabara. Vivo
aqui depois do mês de dezembro 2003. Antes vivia em Bruxelas na Bélgica.
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a
escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título)
-;- d) Foi divulgado (como) ?;
a) - : Em Belo Horizonte em 2002 quando da minha primeira viagem ao Brasil.
b) - : Não, sempre desejei escrever mas nunca tinha tido tempo.
c) - : Porque não sou cristão nominal
d) - : Nunca foi publicado. Como fala de religião as editoras não aceitaram para
publicação.
3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico
(e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como
vão ser editados ?:
a) - : Estranha Madrugada editado pela Scortecci de S.Paulo em 2004
b) - :Não
c) - : Em 2004 pretendo publicar outro que já está terminado intilulado ANTENEA.
Trata-se de um romance que começa em 1938 durante a guerra civil de Espanha e termina em
2003. também tenho uns 50 poemas que pretendo publicar depois.
d) - : Em principio pela Scortecci.
4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c)
Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios
literários ?:
a) - : Dizem que sou carinhoso, afável e muito trabalhador.
b) - : Os meus trabalhos tem sido bem apreciados aqui no Brasil. Mas as editoras em
Portugal não querem nada comigo.
c) - : Não
d) - : Não
5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham
trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page
ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ?
-;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para
terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho
seu (em prosa ou em verso) ?:
a) - : Não
b) - : Não
c) - : Que persista que lute que certamente vai conseguir.
POVO ANGUSTIADO
Enojado
Torturado
Desesperado
Angustiado
Foi assim quacordei
Ontem pela manhã
Toda a noite sonhei
Pesadelo é coisa vã
Vendo na televisão
Noticias antes da deita
Angustia o coração
Guerra não o deleita
Enojado
Torturado
Desesperado
Angustiado
Ando no dia a dia
Vendo meu semelhante
Se odiando, se matando.
Tem gente sem amor
Incrementando o Terror
Povos estão chorando
Já sumiu a alegria
Futuro nada brilhante
Enojado
Torturado
Desesperado
Angustiado
Onde está a solução
Para o povo angustiado?
Na política, na religião?
Para a maioria do povo
Só o Grande Criador
Que tudo cria tudo faz
Poderá no seu amor
Trazer verdadeira paz
Acabando com o terror
Criando um mundo novo. |
"QUEM SOU ?..." -
Selma Amaral - 
1º - a) Nome -;- Idade (o ano de
nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de
e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :
a) - : Selma Amaral Barbosa Leite - 44 anos (23/08/59)
b) - : Professora de Ensino Fundamental e Normal Médio
c) - : Rua Emiliano Lucas da Silva, no. 50 Térreo/ Bairro: Centro
Arcoverde/Pernambuco/Brasil
d) - : Arcoverde é uma aconchegante cidade de menos de 70 mil habitantes, cercada de
montanhas. Está inserida no sertão pernambucano e portanto tem clima quente e sol forte
durante muitos meses no ano. Mas quando cai a noite, em geral o clima se torna ameno,
chegando às vezes a fazer frio. É uma cidade hospitaleira e de grandes valores culturais
com excelentes artistas como escultores, pintores, cantores, grupos musicais de ritmos
variados, dançarinos, escritores e poetas.
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a
escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título)
-;- d) Foi divulgado (como) ?;
a) - : Desde menina. Mas não socializava suas produções.
b) - : Gostava muito de ler e sentia necessidade de participar do mundo da escrita.
c) - : Não lembro.
d) não foi divulgado. E como tantos outros foram extraviados, se perderam no tempo.
3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico
(e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como
vão ser editados ?:
a) - : Participações: na Antologia dos Poetas Brasileiros Contemporâneos Vol. 5, CBJE,
2004
Antologia Internacional 2004, Editor Douglas Lara a ser lançado no dia 29 de julho do
corrente ano.
b) - :não
c) - :Estarei lançando um livro (solo) de Crônicas e Poemas e outro de Contos Infantis.
d) - :Pela forma convencional, por uma editora do estado onde resido.
4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c)
Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios
literários ?:
a) - :Sou muito alegre, perseverante, feliz. Adoro a minha família, o meu trabalho e a
minha vida. Sou espiritualista e tenho muito fé em Deus a quem devo o que sou.
b) - : Na verdade, sou autodidata. Nunca fiz cursos específicos que me ajudassem a
escrever.
c) - :Quando sinto vontade de escrever, se possível, recolho-me para um lugar onde possa
ficar sozinha.
d) - : Prêmio São Jorge de |Literatura, PV Literatura, 2004
5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham
trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page
ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ?
-;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para
terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho
seu (em prosa ou em verso) ?:
a) Estou preparando minha HP
b) - :Li no site sobre isso
c) - :Que seja humilde para receber as críticas que surjam e que acredite que quanto mais
escrever, mais aprimorará a arte da escrita. Finalmente que não desista NUNCA de correr
atrás dos seus sonhos.
d) - :
UTOPIA
Às vezes penso
que queria ter poder,
mas um poder tão grande
capaz de mudar o mundo!
Tudo seria diferente na Terra...
As flores jamais murchariam,
o céu nunca ficaria nublado,
a lua seria sempre cheia,
os rios não secariam,
a chuva em tempo algum causaria danos,
a seca não atacaria o sertanejo,
os animais seriam todos amigos do homem,
o vento não passaria de brisa,
o relâmpago não viria acompanhado do trovão.
Não existiriam pobres nem ricos,
negros nem brancos,
gordos nem magros,
feios nem bonitos,
inteligentes nem incapazes,
existiriam apenas homens e mulheres,
iguais,
nem inferiores nem superiores,
mas filhos de Deus!
Não permitiria a fome,
a miséria,
a discriminação,
a dor,
a infelicidade,
a morte!
Encheria o mundo de vida,
alegria,
sorrisos,
igualdade,
justiça,
felicidade
e fraternidade!
Utopia... Pura utopia!
Melhor assim...
Que bom que não tenho poder algum!
Pois se agisse da forma como idealizei,
levaria o mundo à bancarrota.
Nada acontece por acaso
e se as coisas são como são,
se existem exatamente dessa forma,
há uma razão para isso.
Afinal, Deus em sua sabedoria e onipotência,
toma conhecimento de tudo o que acontece
antes mesmo do fato consumado.
E se o mundo não é cheio de paz,
e as pessoas repletas de
tranqüilidade e sabedoria,
é porque nos foi dado algo chamado
livre arbítrio,
portanto, somos responsáveis
por nossos atos e suas conseqüências.
Desejar "consertar" o mundo,
além de ser uma presunção desmedida,
fez-me enxergar minha pequenez
e ingenuidade!
Nosso planeta, é Terra de expiações e provas,
não poderia ser diferente.
Sejamos sábios e coerentes...
Só assim poderemos sonhar
em vislumbrar um mundo de luz |
"Subindo à Montanha" - Manuel de
Sousa
Meus passos encaminharam-se para uma nova rua
Senti-me como se estivesse num Mundo paralelo
Saía-me dos lábios palavras de exclamação perplexas
Tudo parecia ter mudado para uma realidade abstracta
Passei a estar distante que nem um veleiro partindo
Perdi noção dos parâmetros de minha existência real
Voltei para um tempo virtualmente vago
Passava um vazio debaixo de meu passo desorientado
Fiquei trémulo de certas incertezas interiores
Já não via razão para virar esquinas dissimuladas
Brilhavam sómente as estrelas em minha esperança
Tinha o olhar vazio de coisas que não voltariam mais
Já pouco importa a vinda da morte ou a sua ida
Apanho um cavalo sem ninguém indo para a eternidade
Cavalgo neste ou noutro quadrúpede agarrado ao selim de fogo
Só repousarei depois de atingir o cume da montanha do saber...
Homenageando todos os que sonham e que ajudam a
transformar para
melhor este nosso Maravilhoso Mundo. Também dedicado aos Criadores da
Parábola Poética de todos os Tempos e de todo o Mundo Humano, por ser
hoje o Dia Mundial da Poesia e dos Direitos Humanos.
"Poesia Internética"
A minha droga é a escrita
O meu alcóol é a leitura
O tabaco é lêr o horizonte
A minha bebida é a água
Navego num copo de lágrimas
Aventuro-me no fumo da queimada
Enxergo as aves levantando vôo
Sinta-os nos céus da imaginação
O meu lápis corre pelo papel fora
A minha borracha apressa-se atrás
Um rabisca, enquanto o outro apaga
Um escreve e outro observa atento
Meus dedos parecem atletas em prova
Correm e saltam de tecla em tecla
Movem as letras na tela electrónica
Compõem palavras movidas a olho
A sagacidade está nas mãos corajosas
A coragem está na vontade de continuar
A fé está no peito pulsando sem parar
A temperança continuará no meu olhar...
Homenageando a todos o que escrevem livremente
pela e para Internete
e não só, tanto em Poesia, como em Prosa..., incentivando assim, e
dissiminando o Pensamento Escrito e a Criatividade Literária, em si!
Um Dia Insecto
Fosse eu uma formiga
Levantaria tudo com uma mão
Mudaria o que está mal
Trocaria o curso do destino
Fosse eu uma mosca
Voaria para outra realidade
Seria carnal
Viraria tocadora de sino
Fosse eu um gafanhoto
Pularia deste lado para lá da cerca
Passaria a líder espiritual
Limparia das asas o pó com pano fino
Fosse eu escaravelho
Penetraria até ao fundo da Pirâmide
Entraria na câmara do rei pelo portal
Permaneceria ali até perder o tino
Fosse eu uma borboleta
Sairia pelo mundo fora ziguezagueando
Nunca mais atingiria a meta final
Acabaria na colecção de um maligno
Fosse eu uma cigarra
Cantaria sem parar
Leria só as letras gordas do jornal
Viraria um gigolô latino
Fosse eu pirilampo
Vaguearia pelo verde da esperança
Começaria tudo a partir do lamaçal
Iluminaria as trevas desde menino
Dedicado aos Insectos que, em muitos casos são de
extrema importância
no elo-cadeia-ciclo Natural e na distribuição de pólen, fertilizando milhões
de plantas e árvores de todo o Mundo Vegetal...
Aqui não incluímos depropositadamente a Abelha, talvez um dos
insectos
mais representativos e relevantes do Mundo dos Insectos, ou mesmo do
Bicho-da-Sêda, uma borboleta que enquanto lagarta, produz a famosa sêda
usada no vestuário fino, ou da Aranha, reguladora de muitas pragas de outros
insectos daninhos, etc, etc..., pois estes Insectos só por si sós, merecem poemas
inteiramente dedicados...muito pela sua importância. |
OBSCURO ENIGMA - Margarida
Reimão
Uma
realidade marcada na moldura de um quadro, um sofrimento emagrecido significando estrada
uma recompensa no caminhar, como se despertando das brumas, num secretismo demasiado entre
o carma e a cama, entre o labirinto e a natureza cruel dos desencontros.
É um enigma obscuro vedando-me meus olhos de te olhar, É um
erro que solta e me prende num amor irrefletido num abraço translúcido, roubado na cena
da porta que me deixa incerta e pasma, perdida em meus porões, em minha floresta de
enganos, enquanto tento desinventar essa magia, nesse lugar de abandono e de dependência;
com meu olho triste,
Eu, cansada dos meus descaminhos, colando os desejos que me
encobrem o leito, prendendo as sobras do outro dia com aquele roçar de pele, rosto,
braços, abraços, colares de volúpia reclamantes, agitando-me num comando abrasado e
belo, donde me instalo antes que termine esse momento reversível.
Então sobra-me o vulto do meu obscuro querer e minha poesia se
eterniza nessa paixão cansada, que de tão errante não me cabe n´alma.
Aí vem o silêncio e rouba tudo, fazendo minhas palavras mudas,
minhas ilusões ficam turvas e minha morada um obscuro enigma.
Salva-me! - Tania Lemke
Onde estás minha sina, amor meu?
Sem ti, minha vida é sem sentido.
Minh'alma clama pelo socorro teu,
Por favor, releve meu pedido,
Alivia-me desta vida insana,
Salva-me de meus medos e temores,
Leva-me até tua longínqua cabana,
Mostra-me que ainda posso sentir amores.
Preciso ser eu mesma, sem forças fingir,
Trago minha sensibilidade acuada!
Preciso deste mundo caótico fugir,
Não há lugar para minha alma apaixonada.
Confesso minha fraqueza, entrego-me,
Não nasci para viver a frieza do mundo.
Salva-me, liberta-me, ajuda-me!
Mostre-me algo além deste vil metal imundo!
Perdoe-me vida minha, meu amor
Estar especialmente triste e negar-te meu sorriso neste dia.
Mostre-me que a vida tem algum outro valor
Que renove minha quase constante alegria!
Ajuda-me hoje, salvar-te-ei quando de mim precisares!
Uma troca que só nossa alma poeta consegue.
Hoje preciso de ti amor, para aliviar meus pesares,
Para voltar a sorrir e para que a ti me entregue.
Salva-me!
®Tania Lemke |
UM DIA AO ACASO (Rosélia
Martins)
Há sempre
um dia em que vivemos ao acaso, sonhamos ao acaso.
Deambulamos ao acaso,
Era verão , final de ferias passadas na Quarteira, vendo o sol
nascer e descrever seu arco embelezando o verde e a tornado mais azul a cor do mar, A
minha praia de sempre, de menina
E foi ao acaso que regressei .Visitei o ontem perdido no tempo da
minha infância, passando por Loulé, pelos sítios mais recônditos e...ao acaso decidi
vir pela serra do Caldeirão. A serra das curvas que pensara se perdera na quietude dos
tempos.
Percorri todos aqueles quilómetros , vendo casas novas ladeando
a estrada e entrei na serra. O coração batia fortemente pois que o modernismo passara a
viajar pela auto estrada .Entrei na serra , verde acastanhada. Seus montes mais elevados,
ora espaços mais profundos .Ar, muito ar puro A estrada essa uma maravilha, impecável,
pouco concorrida, pelo que meus pés pareciam poisar no paraíso Num recanto parei. Olhei
a serra, as árvores, os arbustos, inalei aquele saudável ar da Serra Algarvia
E pensei .Afinal o acaso trouxe-me ao paraíso, ao Algarve puro,
cheio de cor e beleza
E sempre ao acaso cheguei a Almdôvar , coração liberto, mente
desentorpecida
Foi assim um dia ao acaso que redescobri quanta beleza natural
ainda nos cerca...
Rosélia Maria Guerreiro Martins
In "A Voz de Loulé "
FIDALGUIA - Peixão 89
Indispensáveis os artífices ou tratados
Que à elas ensejam quimeras erotizadas
Plenilúnio com esmerados confeitos
Romanescos pratos e copos
O que veste, despindo na seqüência
Seja mês, semana ou quinzena
Seja mês, semestre, ano ou década
Ou mesmo século, um outro milênio
Verter o gozo que flama o peito
Pelos olhares em outra solidão
Artes e manhas contra preconceitos
Noite e dia caminham em seqüencia
O olhar interpela aquilo que falta
Tantas atenções, carinho e respeito
O sim e o não na justa hora
Nada deve ser pela imposição
Dispõem-se fartas seivas em enlevo
Desta natureza que tanto alimentam
Sem a distinção de um ou outro
Para que se calem as armas
Os dispares e controvérsias
Seja os legados arcaicos ou atuais
Igualitária é a vez que pede esta passagem
Sem impor tantos credos, forças ou medos
A tua importância é identica ao outro
E se nada tenho mais a oferecer
Fica apenas um sofrego pedido
Se há diferenças entre povos
Há também um caminho das pedras para o respeito mútuo
Mulher , tu será sempre mais que uma benção
Como o teu par que a vida te contempla
Basta olhar uma moeda...
Se pouco comemoro, é porque injustiças ainda se pronunciam
E entre as faces, esses mundos que viram as costas só perdem.
A nau escura singra o mar na rubra alvorada
Tomo um beijo de tua boca, tão suave e doce
O bom da vida está apenas começando...
Peixão89 |
A IGREJA DIONISÍACA DA
SAGRADA CLOACA OFIDIANA
Viegas Fernandes da Costa
Não
consigo me lembrar se já contei para vocês, mas o Ernesto é ateu. Sim, eu sei, isso
não é coisa que se declara em crônica, principalmente porque possui ele muitos
admiradores piedosos que devem agora estar profundamente decepcionados. Desculpem-me, mas
o próprio Ernesto não faz muita questão de esconder o fato. Tanto que por estes dias
encontrei-o à Praça do Estudante discutindo religião com o Faustino, que depois da sua
última e única desventura amorosa, deu para duvidar das coisas do mundo.
Discutiam como dois bêbados alegres, suas palavras ecoando nos morros desta cidade.
Falavam da igreja que pretendem fundar. Como? Não entendeu? Igreja sim, apesar de
descrentes! Mas antes de me perder nos detalhes deste profano projeto, há de se fazer
algumas considerações a respeito do ateísmo ernestiano.
Nosso amigo não é destes que se tornam ateus por modismo. Ah,
isto não! Se caiu na descrença, não foi porque quis. Aliás, se pudesse escolher, seria
um beato, crente até debaixo dágua, um anacoreta! Mas não teve jeito! Uma dúvida
aqui, outra ali, e quando viu... pronto! Matara Deus! Outro dia confessara-me que nos
tempos em que ainda não era assassino de Deus, vivia melhor. Afinal, não havia medo ou
problema que não entregava para o cidadão lá de cima. Agora não, contava apenas
consigo próprio, com sua desrazoada razão. E olhem, pela cara que fez, vê-se que não
é nada fácil nadar em alto mar sem uma tábua que lhe sirva para o descanso. Tanto é
verdade que já visitou tudo que é templo religioso e terreiro de umbanda, mas até agora
nada de alguém convencê-lo. Até com o Inri Cristo já andou conversando. Gosta de
afirmar que tudo não passa de mero exercício de observação antropológica, do que
duvido. Para mim é busca teológica mesmo! Bom, mas isto também não interessa, até
porque você, amigo leitor, amiga leitora, que agüentou chegar até aqui, deve tê-lo
feito para saciar a curiosidade a respeito da tal igreja sobre a qual os dois falavam na
Praça do Estudante, não é? Então tá, eu conto!
Começo alertando para o fato de que de original a igreja tem
muito pouco, a começar pelo nome, um plágio barato. Chama-se "Igreja Dionisíaca da
Sagrada Cloaca Ofidiana", corruptela do nome de uma outra igreja que encontraram na
Internet e que foi criada por um certo "Apóstolo Édio" - que pela hora anda
desaparecido. "Emprestaram" o nome, e o próximo passo é escrever os textos
sagrados, tarefa a qual se dedicavam na Praça do Estudante, quando os encontrei.
A atividade era curiosa. Retiravam papeizinhos de uma dessas
vulgares sacolas de supermercado e transcreviam o que estava escrito para um enorme e
vistoso volume de páginas douradas e capa de couro. Disseram-me que seguiam o exemplo de
Tristan Tzara, aquele poeta romeno que liderou o dadaísmo e que dizia que para se fazer
um poema tudo que bastava era recortar aleatoriamente várias palavras de um jornal,
misturá-las num saco e depois transcrevê-las para o papel na ordem em que fossem sendo
retiradas. Pois então, estavam escrevendo a "Bíblia Dadaísta Cloaco
Ofidiana"! Para tanto, recortaram cuidadosamente versículos do Livro dos Mórmons,
do Alcorão, da Bíblia Cristã, do Kama Sutra além de muitos outros trechos de livros
das mais diversas crenças religiosas consta-me que até do "Livro dos
Mortos" egípcio - e depositaram-nos no interior daquela sagrada sacola de
supermercado que eu até posso nomear, desde que o jabá seja bom! E tudo isso seguindo o
rigorosíssimo ritual cloaco-ofidiano. Afinal, se criavam uma igreja não podiam descuidar
do ritual, não é mesmo? Certamente passarão o resto do ano transcrevendo os papeizinhos
até que as tantas páginas douradas fiquem preenchidas, passatempo para as férias.
Quanto aos rituais iniciatórios e outros aspectos ritualísticos
e doutrinários, nada há de concreto. Esperam a prometida anunciação do Oráculo de
Baco, a se pronunciar na próxima taça de Cabernet que beberão no Farol. Certo mesmo só
a austeridade moral promovida pelo pagamento do dízimo, que libertará o fiel de todo e
qualquer sentimento de culpa que lhe possa acometer, e a substituição do copo de água
sobre o monitor de televisão pela taça de vinho sobre o tampo da mesa. Ah sim... e a
beatificação de Macunaíma, primeiro santo cloaco-ofidiano!
Por hora, é isto que há.
Se a igreja vai dar certo, não sabemos. Mas o projeto é
ambicioso e não será por falta de fiéis que sucumbirá. O maior problema será resolver
a dissidência que já se forma entre os dois patriarcas, envolvidos em disputa política
acirrada para definir quem será o primeiro papa da nova fé. Faustino até já ameaça
com a fundação da Igreja Dionisíca da Sagrada Cloaca Ofidiana Ortodoxa, sob sua égide,
o Papa Fausto I.
Vamos aguardar...
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