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Nº
16 -
Abril de 2004 |
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EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO |

O SEGUNDO INFERNO - Margarida
Reimão
Romancista, ficcionista, contista,
poetisa.
Membro da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras – Cadeira 30
Dante
Alighieri, um dos mais extraordinários poetas italianos e de um brilhantismo
inenarrável, conseguiu, por sua imaginação criadora e visionária e pelo seu
profundo realismo, pelo equilíbrio entre o sentimento religioso e o
sentimento cívico e político, criar um inferno, um purgatório e um paraíso
onde deu curso a sua imaginação descritiva.
Eu não poderia fazer descrição semelhante a não ser
que adentrasse a área da perversão mental e da maldição para fazer o Segundo
Inferno onde não haveria apenas o choro e o ranger de dentes. O Segundo
Inferno não estaria apenas na selva dos vícios, não teriam apenas as três
feras que impediram de subir à montanha buscando a salvação.
Dante Alighieri narrou o Inferno tal qual uma
floresta obscura, áspera, forte, e amarga. Tentando resumir esse inferno
colossal do grande e iluminado poeta, vemos que o real do homem, em sua
porção Divina, seria a ilimitação infinita do Não-Ser, do Nada absoluto. A
contingência do ser criado era a causa de todo mal. Em ser, em existir,
nisto consistiriam as mazelas. O catarismo, como toda a Gnose, era
antimetafísico. Ser, é o mal e é aí que nasce o Segundo Inferno, lugar
difícil de ser narrado e de ser entendido, ainda, a malograda extensão dos
medos e sofreres.
Todavia, não tenho a capacidade de volitar na
iniqüidade das sombras criadas por mim. Obviamente não seriam sombras
conforme a que conhecemos, tampouco o Segundo Inferno seria margeado por
feras e aflições conhecidas até porque não teria graça alguma atirar nesse
Inferno os nossos políticos, os queimadores de índios, os cantores que
assassinam no tráfego, os que traficam drogas, os juízes que roubam e ficam
em mansões/prisão domiciliar, os presidentes com suas falácias que fazem o
circo desse Brasil de meu Deus, com as alegorias de Programas insanos ao
invés de oferecer ao povo Educação e Emprego, os ditadores, os
aproveitadores, os omissos, a justiça injusta, os todos poderosos que brecam
a construção do país, os corruptos e mais um sem fim de humanóides safados e
sem comparativos na semântica.
Finalmente, as personagens que fazem o amargo do
mundo, porque estão encharcados de males incompreensíveis e que não
acreditam que possa haver outros males que eles próprios traficam para a
vida de outros, sem dó nem piedade, arranjando longas filas da tal Fome
Zero, da Casa Própria, do INSS e outras que não daria para enumerar, fazendo
iscas para um povo sofrido que almeja emprego e não engodo, enganos,
desrespeito aos princípios do direito do homem, da cidadania e os descarte
da penosa cruz de suas vidas.
As passagens do Inferno de Dante são misteriosas, mas não quero mistérios no
meu Segundo Inferno. Quero tudo aberto, escancarado e punitivo para essas
gracinhas que habitam o planeta Terra e fazem a inveja dos primórdios
selvagens cuja inteligência e luminosidade de espírito, ainda muito
primária, fazia-os bestas-feras, canibais, homens quase animais. No entanto,
esse legado que temos não consome carne humana no sentido literal, consomem
de outro modo: vão retaliando o outro de modo tal que logo ele deixa de ser
homem e passa para uma outra categoria a de indigentes, quer dizer não são
mais gentes, não são mais povos, são coisas - é a concreta coisificação do
humano.
Não quero medir palavras para narrar o Segundo
Inferno porque é necessário que o contemplado deixe toda esperança ao
entrar, não leve nenhum sonho, nem desejo. No Segundo Inferno reunir-se-ia
não apenas dez demônios, mas uma corja semelhante a um demônio raivoso para
cada habitante desse singular lugar fervente e amaldiçoado onde os mestres
arrancam pedaços de orelhas, cabeças, mãos e vão fazendo um outro tipo de
princípio, não mais o princípio humano.
O sofrimento pertence a uma outra forma porque não
tem retórica conhecida. Assim, essas personagens que enviamos para o Segundo
Inferno tentam acabar-se por não suportar a dor e lançam mão de sua arma
para destrui-se achando a morte um bom motivo para tanger o sofrer, mas isto
não é possível. No máximo, arranham-se com suas unhas finas e o fogo derrete
seus olhos rombóides, suas cascas de carne e o cérebro perverso maquinador
de idéias e de situações que ao longo do tempo em que teve oportunidade de
mudar o cenário de onde atuava, nada fez, estilhaçou o semelhante como se
fosse o princípio acelerador do seu furor, de sua obsessão, após encontrar o
poder e vingar-se dos demais como se pertencessem a um outro povo e
pertencem de fato. Quem haveria de querer um sangue desse? Quem haveria de
mirar-se num modelo desse? Qual o homem que desejaria uma saga tão infeliz
essa de viver à margem das opiniões cercadas por bajuladores que duram pouco
tempo para, em seguida, adentrarem um ostracismo?
Quem se lembra dos feitos bons desses espécimes, se
é que existem? Eles não se tornaram o que são para serem lembrados, exceto
pela destruição do que chamamos princípios e do que concebemos como
parâmetro para distinguir um homem de um animal. Porque o que vemos na
televisão é um bando de "inocentes" que nunca viram nada, nunca fizeram
nada. E o Segundo Inferno está aí para lembra-los no torcer de suas almas,
se é que ainda a conservam, o quão foram miseráveis, apropriadores do que
não era seu e causadores e construtores do Pandemônio, a capital do Segundo
Inferno.
Assim, mesmo sem narrar as condições materiais do Segundo Inferno, dá para o
leitor entender de modo não esotérico como seria esse local, que estaria
situado no fundo do universo, onde não haveria choro, porque político e
insensatos não choram, não teriam dentes para ranger, tampouco, pedidos de
mediação para a maldição.
O Segundo Inferno seria rico, muito rico dos roubos
tantos feitos e não daria para comprar nada. Apenas o demônio-mor iria todos
os dias, bem cedinho, levar umas xícaras de fezes destiladas, numa xícara de
ouro, adquiridas com parte do dinheiro depositado na Suíça e que serviriam
para matar a sede de água, algo desconhecido no Segundo Inferno. E eles
sorveriam aquela iguaria como se o caviar que fomentou suas festas e orgias,
até ser encontrada uma maneira de corromper o demônio-mor e este, mais
sabido e mais idoso, conhecedor de maiores trapaças, faria coluio e, depois,
destinariam um outro espaço -, ainda mais prosaico em maldições. – O
Terceiro Inferno.
Apreciação de: Nelson Haroldo
Margarida,
adorei seu SEGUNDO INFERNO! Crônica de conteúdo profundo que pode circular
na grande mídia Brasileira sem medo de errar. Margarida, a crônica, acho eu,
se torna muito importante quando agrega informações precisas com
inteligência, à pitada do fino humor nas entrelinhas ao pensamento de quem a
escreveu, vc soube fazer isso muito bem, o que torna sua crônica impecável.
Realmente, estamos vivendo nos dias atuais a Divina Comédia Humana sob os
diversos aspectos. O que é uma pena por que o homem em si não conseguiu
libertar seus demônios, muito pelo contrário, o seu desejo em busca da
"felicidade" a qualquer preço o torna cada vez mais com o espírito de porco.
E assim toda humanidade caminha para o que Dante chama de inferno, pois, "o
que está dentro, está fora..." Carl Jung. Essa fera indomável que nasce do
interior e salta para fora faz do homem seu próprio algoz quando no
exercício da cidadania política ou outra qualquer, aproveita, a sua parte
mais cruel para impor aos demais o seu dragão insaciável de dominação, seja
se locupletando, seja guerreando ou mentindo. Na outra extremidade, nós, os
súditos fazemos parte desse grande teatro na engrenagem dos solilóquios! Ou
seja, ninguém nos ouve... Então, sua crônica é soberba! Parabenizo-a pela
lucidez do assunto abordado. Evoé Dante!
abraços
Nelson Haroldo
Quem Sou ?... Sonia Kessar

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de
nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos
endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :
a) - : Sonia Kessar, nascida em São Paulo (Brasil) dia 03.12.1954
b) - : Publicitária e socióloga. Escrevi durante 3 anos para um jornal no
Japão. Atualmente exerço a função Assessora de Imprensa da área cultural.
c) - : São Paulo - Bairro Planalto Paulista
d) - : São Paulo é uma cidade imensa, louca, poluída, cheia de prédios,
transito, desigualdade social e violência. Ao mesmo tempo é calorosa e tem
um jeito doce e familiar. Fala e entende vários idiomas. Aceita e convive
pacificamente com todas as culturas do mundo. Uma cidade que está sempre
sorrindo para as pessoas que aqui chegam. Assim é a São Paulo que eu moro e
amo!
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para
começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se
puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;
a) - : Escrevi meu primeiro poema aos 12 anos de idade, no jardim de minha
casa. O sofrimento advindo da morte de meu pai, o despertar para a
adolescência, o interesse por literatura, e, principalmente por poesia, me
levaram a guardar nas gavetas do tempo e nos pergaminhos da alma meus
pensamentos e intenções mais sublimes. A passionalidade do sangue italiano
dos meus avós, os medos, desventuras e recordações da infância, contribuíram
naturalmente para o meu amadurecimento literário.
b) - : Acredito que a morte do meu pai, quando eu tinha 11 anos tenha me
levado a escrever. Adoro o divino Pablo Neruda.
c) - : Meu primeiro poema data de 1967 e o título é "Lembranças"
d) - : Nunca divulguei meus escritos
3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s)
electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este
ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados?:
a) - : Não
b) - : Não
c) - : Minha coletânea de poemas está pronta há muito tempo. Guardada nas
gavetas da vida e nos pergaminhos da alma.
d) - : -
4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor
(a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente
especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:
a) - : Para mim, escrever um poema é a forma mais próxima de expressar minha
visão sobre a vida e o mundo. Quando escrevo um poema, tenho a certeza de
estar mais perto de Deus.
b) - : Minha poesia é o resultado de experiências vividas por mim, como o
sofrimento, a maternidade e as emoções que permeiam o cotidiano. São frases
e versos que tentam preencher vazios, desvendar os mistérios do amor e da
paixão e colorir as cinzas da saudade.
c) - : Nenhum ambiente especial é necessário para que eu escreva. Muitas
vezes, acordo no meio da noite com uma idéia. Levanto e anoto no mesmo
momento.
d) - : Como também escrevo crônicas, já ganhei vários prêmios em revistas e
sites literários aqui no Brasil.
5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente
tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm
em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites
(preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa
que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira
fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em
verso) ?:
a) - : Não tenho Home Page própria.
b) - : Desconheço tais condições.
c) - :Num mundo em que os sentimentos são castrados, o poeta pode e deve
dizer tudo. Poetas são divisores de águas entre o sonho e a realidade.
Poetas são operários da liberdade.
NAVIOS NEGREIROS
(POR SONIA KESSAR -21.03.2001)
Alguns corações são navios
negreiros.
Transportam ilusões.
Navegam pela vida ouvindo apenas o som rotineiro do mar.
Sempre o mesmo som.
Desviando dos bancos de areia e corais.
Por vezes, não suportanto os lamentos e os gritos de dor.
Gemidos nos porões.
Desesperança acorrentada.
Avistando fantasmas nos dias de tormenta.
Corações que caminham sem lemes ou bússolas, num querer de dias
melhores.
Também existem os dias de águas mansas e noites forradas de estrelas.
Mas a tempestade sempre volta.
Céu negro rasgado por raios...vento forte!
Tudo absolutamente assustador.
Mas quando o dia amanhecer virá a calmaria.
Mais um amor e um arco-íris. |
Metendo a LÍNGUA ***Por: Elizabeth
Misciasci***
Para! Para!
Para!
Interessante, mas mesmo com os vidros do carro
fechados e o som ligado, ouvimos as entonações das vozes graves e altas que
em coro bradavam ao redor. Impossível não se atentar aos semblantes dos
companheiros de espera que aparentavam estarem comungando dos mesmos
sentimentos diante daquela situação.
A imensa barreira que se formou à frente, impedia
que qualquer um que estivesse parado mais atrás, tivesse condições de
visualizar o desenrolar dos fatos, porém, os mais próximos quando gritavam
repetidamente ‘para para para’ levavam os demais como se fossem regentes de
uma desesperada orquestra a acompanha-los no evento.
Nem tudo seria sofrimento, afinal , não poderia se
dizer que haveriam seções de torturas provocadas pelo calor, pois a tarde
estava fresca, o que pelo menos aliviaria a permanência aparentemente nada
breve em meio as quatro filas da imensa via de acesso que interrompia o
livre trajeto.
Tentar fazer qualquer contato via celular era
impossível, os aparelhos avisavam "sem serviço" pronto, definido a situação
de todos os presentes, a única saída era digerir a realidade momentânea e se
conformar, pois se houvesse serviço rotineiro e normal de táxi aéreo, nem
assim teria como sair do lugar pois não existiria pista de pouso nem
forçado.
Com a chegada de um helicóptero, já prevendo que os
compromissos inadiáveis seriam uma negativa irreversível em minhas finanças
entrei involuntariamente em estado de introspecção, (pra não dizer:-
Desespero) era o meu eu se autoquestionando de forma interminável e confusa.
-Se São Paulo é o mais rico e produtivo estado
brasileiro, que sabemos serem as cifras que atestam a vocação dos
trabalhadores para a procura da cidade, procura esta com finalidade do
progresso pessoal e conseqüentemente nacional, onde estariam os chamados
representantes do povo que tentam afirmar sem provar que são fraternalmente
brasileiros? –Será que estariam ocupados e com suas atenções voltadas para
com a população? –Não sei, mas o desconfiometro sugere que ocupados e
preocupados deveriam estar e muito mas certamente não seria para com os
problemas da população... Afinal, São Paulo é uma cidade que se renova a
cada dia, ao longo de suas avenidas, viadutos e com as constantes
multiplicações dos grandes edifícios certamente necessita-se de total
empenho em arrecadações, mas isso não é assunto regional, aliás as origens
destes tipos de preocupações, devem vir ‘de cima’, afinal os impostos
existentes precisam ser fiscalizados em todo o País com esmero e dedicação
para que o povo não se torne inadimplente nem se percam as informações, pois
como se pode garantir o enchimento dos cofres públicos, se não trabalharem
com afinco ao final objetivo? (diga-se de passagem que se tratando de
credor, nossos governantes Brasileiros encontram em muitos funcionários a
competência que despertaria inveja ao FBI, pela dedicação e rapidez em
localizar e "punir" os devedores, principalmente em ano político)
Talvez seja esta uma das razões de um latente
abandono social:- a falta de tempo!
Claro que estas eram as informações que o meu eu buscava nas minhas
respostas, pois depois daquela gritaria de para para para e tudo o que
estava acontecendo, deduzi que se tratava de mais algum assalto rotineiro no
farol e qual é o brasileiro que não se revolta com tanta miséria e
conseqüente violência, quando percebe que as soluções nunca são colocadas em
pratica, mas os carnes e impostos são pontuais? Sem chegar literalmente a
canto algum, passei a observar ao meu redor e a fisionomia dos companheiros
daquela jornada já demonstravam que meus ‘parceiros’ estavam tomados de
péssimos sentimentos diante das circunstancias.
Após a espera de quase duas horas ao som das mais
variadas buzinas, finalmente o transito lentamente começou a fluir.
Muito chateada pela perda dos compromissos e
prejuízos, seguindo já com o propósito de fazer a conversão e retornar,
percebi o que havia ocorrido e parado o transito por quase duas horas...
"-Para para para! Se colocar esse painel torto de
fundo no horário que a propaganda eleitoral gratuita for para o ar o partido
vai dizer que nós deixamos o senhor político com cara de otário, para para
para! Se não fizermos direito, o senhor não vai se reeleger. Para para para,
mas pro meio, para para, pra direita, para para para um milímetro pra cima.
Para para para, refazendo a última tomada. Para para para, vamos mudar para
o outro lado da pista, assim aproveitamos e já fazemos umas chamadas para o
próximo horário eleitoral gratuito...
Para para para, pare os carros dos próximos
otários, que as cenas finais são mais curtas e a filmagem ‘a gente mata’ em
menos de uma hora"!.
"Amo 1000 X Tanto..." -
Manuel de Sousa
Eu Amo Portugal
Esta Angola
E aquele Brasil
Eu amo as Terras todas
Eu amo a Terra
Eu amo o Sol
Eu amo a Via Láctea
Eu amo Gregos e Troianos
Eu amo Judeus e Árabes
Eu amo Americanos e Iraquianos
Eu amo Zoroastro e Jesus
Eu amo Maomé e Sidharta Gautama
Eu amo Moisés e Confúcio
Eu amo a África e a Ásia
Eu amo as Américas e a Europa
Eu amo as Baleias e as Orcas
Eu amo os Manatins e as Cegonhas
Eu amo os Elefantes e os Tigres da India
Eu amo os Montes Everest e Kilimanjaro
Eu amo os Rios Amazonas e Tejo
Eu amo os Rios Kuanza e Nilo
Eu amo a Grande Barreira de Recifes
Eu amo os Oceanos Atlântico e Pacifico
Eu amo as Ilhas e os Vales
Eu amo as Florestas e os Lagos
Eu amo as Mães e os Pais
Eu amo as Crianças e os Adultos
Eu amo o Dia e a Noite
Eu amo todas as Côres do Arco-Iris
Eu amo os Sabôres e os Odôres
Eu amo os Incensos e os Perfumes
Eu amo a Água e o Fogo
Eu amo Picaço e Mozart
Eu amo Da Vinci e Edgar Allan Poe
Eu amo Platão e Einstein
Eu amo Viracocha e os Incas
Eu amo Osiris e os Egipcios
Eu amo a Chama Eterna e os Atlantes
Em amo a Rosa e o Jardim do Éden
Em amo a Cruz e a Vida do Aquém e do Além
Eu amo a Liberdade e a Fraternidade
Eu amo o Corpo e a Alma
Eu amo a Paz e a Luz Eterna
Eu amo a tudo
Eu amo a Deus
Eu amo a todos
Em amo...
Eu amo tanto. |
Escrito em Luanda, Angola, a 02 de Março de 2004, por manuel (duarte)
de sousa, em Honra dos Últimos Acordos de Paz em Angola que,
trouxeram Angola e o Bom Povo Angolano à Paz actual...
Pretendemos também ser este singelo poema, um
Panteão Escrito e Poético, escrito em Homenagem a todos os que
tombaram na continuada guerra de Angola (de 40 e tal anos), de um
lado ou do outro da trincheira, ou sem lado nenhum, glória ou
inglóriamente, e a todos os Orfãos, Viúvas, Mutilados e Meninos e
Meninas de Rua deste Grande e Perspectivante País do Futuro,
etc...
Paz na Terra...
Paz na Mente...
Paz na Coração...
Paz na Alma... |
PROJETO DE LEI - PROTEÇÃO ÀS
MINORIAS MARGINALIZADAS - Lílian Maial
De uns tempos
para cá, a sociedade tem mantido as aparências de uma forma notável! Nunca
tivemos tantas consciências limpas, quanto nas mais diversas campanhas dos
últimos anos. É o Natal sem Fome, Criança Esperança, Fome Zero, Idoso
Formoso, Mulher Nota Dez, enfim, uma enxurrada de "pão e circo" que dura um
dia, para o ano todo.
Nessa linha, diante da revolta da população
politizada do país, surgiram idéias brilhantes de proteção das "minorias
marginalizadas". Assim, as mulheres, os índios, os negros, os homossexuais,
os deficientes físicos, as crianças e adolescentes, os idosos, todos,
passaram a ter tratamento especial, VIP mesmo, nas filas, nos assentos dos
transportes urbanos e, pasmem, em vagas nas universidades!
Fico, por vezes, pensando aonde vamos chegar.
Ao invés de se melhorar a vida das pessoas, de
forma que não se sintam "minorias" e, muito menos, "marginalizadas", com
iguais condições de ensino, higiene, moradia, emprego e respeito às leis;
simplesmente aumentam-se-lhes a discriminação, separando-os do restante da
população, como se fossem ETs privilegiados. No final, nem bem usufruem dos
pseudo-privilégios e nem bem o governo cumpre o seu papel de cuidar para que
"todo homem seja igual perante a lei".
Em outras palavras, no momento em que se separa
vagas nas universidades, em percentual, para negros, deficientes, alunos do
ensino público, além de se passar atestado de incompetência do ensino
público (= governo), o número de desfavorecidos que sobram é muito grande, e
a preocupação de melhorar o ensino público como um todo, se dissolve nessas
medidas parciais.
Bem, além disso, a dignidade do cidadão fica
comprometida, no instante em que ele aceita essas "esmolas" para alguns, de
uma nação que ele ajuda, efetivamente, a construir.
Por isso, lanço aqui a idéia de um "projeto de lei", para que algum político
analise e leve adiante: assegurar vagas nas universidades para a minoria
marginalizada das pessoas normais. Sim, garantir vagas para quem não seja
deficiente físico, hipossuficiente, negro, homossexual, estrangeiro, caolha,
flamenguista e pagodeiro.
Se retirarmos 10% para deficientes físicos, mais
20% para negros, mais 20% para homossexuais (que não sejam negros e
deficientes – ou pode cumulativamente?), mais 20% para quem curse colégio
público (vexame!), temos que correr para ainda vermos assegurado o direito
de nós, que não pertencemos a nenhum desses grupos, ingressarmos numa
universidade ou sentarmos nos bancos coloridos do metrô.
Muito mais lógico, embora não tão simples, se o
governo fizesse a escola pública voltar a ser o que era, num passado não
muito distante, quando se dizia com orgulho que se era aluno de escola
pública. Tinham mais era que desviar verba de qualquer outro orçamento, para
injetar pesado na educação, e tirar crianças malabaristas dos sinais de
trânsito, e ensiná-las, com todo o seu potencial, a representar, a declamar,
a dançar, a projetar, a calcular!
Tirar as pessoas das ruas e colocá-las como
funcionários das novas escolas, com salário digno. Ensinar ofícios, criar
oportunidades. Não nivelando por baixo, facilitando a passagem de ano,
tirando de quem sempre estudou e trabalhou, com imenso sacrifício próprio ou
de seus pais; mas melhorando o nível, reciclando professores, aperfeiçoando
currículo e métodos de ensino, dando aos professores dignidade e respeito
dentro e fora das salas de aula, autoridade!
O negro não quer vaga para negro, mas condições de
um ensino decente para seus filhos, de uma vida digna, que possa dar-lhes a
chance de vencer, de conquistar por méritos próprios, mas em igualdade de
condições.
O homossexual tem uma orientação sexual que deve
ser respeitada. Mas isso não o impede de estudar e competir em pé de
igualdade.
O deficiente deve ter condições de competir, mas
condições de locomoção e adequação à sua deficiência.
Nada de protecionismos, mas de justiça, de direitos
preservados para todos.
Só assim nós deixaremos de ter medo, de ter que
calar ante a violência maior, que é a praticada em nosso dia-a-dia, sob
nossos olhos, com nosso direitos de cidadãos sendo usurpados de todas as
maneiras, com os torpes disfarces de pequenas regalias que, no máximo,
enchem os olhos dessas minorias (?) que lavam suas consciências com as
migalhas da arrogância, fantasiadas de benesses.
Uma população educada aprende a respeitar seus
idosos, cuidar de suas crianças, admirar seus irmãos.
Não havia necessidade de separar assentos para
idosos, há poucos anos. Naturalmente as crianças levantavam para qualquer
senhor ou senhora, cedendo o lugar, sempre com um sorriso terno nos lábios e
nos olhos.
Homem algum permanecia sentado, enquanto uma só
mulher estivesse de pé.
Era assim, porque era ensinado assim. O povo era
educado, mesmo que não fosse culto.
Somos um país de dimensões continentais, mas de
coração de manteiga. Basta um pequeno incentivo, uma mudança de olhares para
a educação, que a população responderá com a força e a pujança de uma nação
que merece a grandeza de seu povo.
...no teu olhar. - António
Zumaia
Quero alegria no teu olhar,
como réstia de vida , em teu ser...
O sol nos teus olhos a brilhar,
e serás a luz do meu viver...
Quero essa luz ... meu rumo de vida.
Estrela guia do meu destino...
Quero alegria , minha querida,
que me retire o desatino...
Nunca viverei sem essa luz ...
Sei de há muito , que és destino meu
pois tu me livras-te dessa cruz ,
que ao nascer ... a vida me deu.
Quero alegria no teu olhar...
Nossos corpos em doce união,
repara nos céus ... vamos amar
na mais deliciosa ilusão ...
Quero alegria no teu olhar...
Assim, bem juntos ... vamos sonhar.
Sines – Portugal |
VOCÊ LEMBRA AMOR? - Nadir D’Onofrio
Como poderia esquecer,
foram momentos tão bons.
Na juventude arriscamos tudo,
não tem regras nem preconceito.
Um lindo domingo o pic-nic esperado..
Conhecimento do local,
A trilha na mata,pássaros e borboletas.
Um barulho de água caindo,
a visão mais desejada.
Uma linda cachoeira, pedras escorregadias...
Más o amor estava no ar,
os corpos a se enlaçar.
Os hormônios se aflorando,
nós ali nos amando
Em baixo da cachoeira,
sentido a água escorrer,
nosso momento se concretizou.
Só que adolescentes,
pensam só o momento viver.
Pouco importa saber,
se existem perigos ou ou não...
O inesperado aconteceu,
você de mim se desprendeu.
Rolando pelas pedras, vi você desaparecer
eu desesperada, gritando, correndo pela mata.
Fui encontrá-lo, estendido ao longo do rio,
um ferimento na cabeça, sangue que escorria.
Nem assim a chama do amor se apagou,
ali mesmo tudo recomeçou,
Poderia dizer que foi o mais completo pic-nic.
Você lembra amor? |
CABEÇA DE CARTAZ - Jorge
Humberto
Trato de pelica,
Gesto de veludo,
Cortesia exuberante,
Ramalhetes, rapé,
Rodapé,
Lacre do mais rico,
Riso malandro,
Objectivando lucro,
Quem os veja,
Hirtos e frondosos,
Mijando fora do penico,
Não pode supor sequer,
Astuto
Empreendimento,
Que esta gente,
Com mui alento,
Põem em tudo quanto quer,
Deitar a mão,
Por sua assunção.
Diarreia verbal,
Veste-se de meretriz,
Gosta de sexo anal
E põem o dedo
No nariz,
Limpa na cueca,
Ganha na sueca,
Em noites infindas
De penetrante bacanal.
Oh, pobre gentinha,
A mim não me compram,
Vossas senhorias,
Dais-me pois algumas azias,
Mas não julgueis
Que por inveja vossa,
Que bem polida tenho a lousa,
E se por um acaso
De utopia se trata,
Antes isso e dignificar-me,
Do que vos dar o prazer
De andar, como vós,
Nesta vida à socapa.
Ficai assim
Nas vossas casinhas aprumadas,
Com o dislate
No escaparate,
Mostrai-me se quereis
Esse imenso rol de papeis,
Se tendes o dinheiro
Para os pasteis,
Que vos faça bom proveito,
Mas nessa cama
É que eu não me deito.
Mais que isso,
É esta certeza:
Com ou sem
Algoz,
Ornamentos,
Ou não,
Saibam vós,
De antemão,
Que, jamais, em dia algum –
Estai pois, alerta! –,
Sereis poeta. |
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