Nº 46 - Novembro de 2004

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

"QUEM SOU ?..." - Rubens Barros de Azevedo

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :

a) - : Rubens Barros de Azevedo - Nasci no dia 18 de setembro de 1937 – Atenção: a foto é recente.
b) - : Graduado em Odontologia em 1967
c) - : Rua Ilce Marinho, 350 – Bloco A – Aptº 102 – Natal – Rio Grande do Norte – Brasil – 59.082-280
d) - : Natal, Capital do estado do Rio Grande do Norte, no nordeste brasileiro, é considerada a "noiva do sol", porque, em média, o astro-rei está presente cerca de 300 dias por ano. O clima é ameno, devido a uma brisa constante que alivia o calor, e mantém a umidade relativa do ar bastante agradável. Para conhecer mais e melhor este "pedaço do paraíso", convido a todos para acessar a Revista Eletrônica, no endereço www.informenews.com , onde há uma reportagem com fotografias da região.
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;

a) - : Desde tenra idade.
b) - : Não, especificamente.
c) - : Foi uma crônica "Amar ao próximo como a si mesmo"
d) - : Num jornal escolar.

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - : Sim, no total, são doze – alguns já esgotados.
b) - : Não pensei a respeito, ainda.
c) - : Há muitos projectos em andamento para 2005, pois 2004 já está no final.
d) - : Em forma de livros, editados aqui mesmo em Natal.

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - : É muito difícil falar de mim mesmo, mas creio que uma das características mais marcantes da minha personalidade é a sinceridade e a transparência de atitudes.
b) - : Comecei a escrever livros, premido pelas circunstâncias. Fui "cobrado" pelos amigos e pacientes, para transcrever as táticas e técnicas para se viver melhor. Então, não parei mais... Uma empresa paulista contratou-me para escrever temas propostos por ela, na área de saúde, sempre na forma de perguntas & respostas, característica de toda a minha modesta obra.
c) - : Não, pois os temas que abordo – saúde em geral – não dependem de ambiente específico para serem produzidos.
d) - : Sim, fui classificado em 1º lugar num Concurso Literário promovido pela Academia Tiradentes de Odontologia, falando sobre a vida do seu Patrono.

5º - a) Tem Home Page própria (não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - : Não, nunca me interessei, pois sempre preferi colaborar com outras já instituídas, com é o caso da www.informenews.com , onde, além de ser responsável pela página Saúde & Vida Natural, procuro ajudar na organização geral, como Diretor, cargo para o qual fui escolhido pelos demais participantes.
b) - : Não, confesso que ainda não me detive a analisar o assunto.
c) - : Tenho procurado incentivar a produção literária, sobretudo entre os jovens, como é o caso do Concurso Literário Lusófono, promovido pela citada home-page. Digo-lhes que não se acanhem para escrever, pois a tendência natural, é haver uma certa inibição por parte dos iniciantes, porque pensam que o próprio trabalho é modesto, sem expressão, etc., na verdade, um erro, porque grandes talentos se escondem por trás de pessoas inibidas, que não mostram a ninguém o que escrevem.
d) - Nunca consegui produzir nenhum trabalho em verso, mas posso passar uma mensagem original, em prosa, para apreciação geral.

É POSSÍVEL REJUVENESCER - Rubens Barros de Azevedo

     A cada dia aumenta mais a procura por fórmulas mágicas para se conseguir achar o milenarmente almejado "elixir da juventude". Incontáveis somas de dinheiro são gastas, quase sempre inutilmente, na busca da fórmula mágica que nos devolva a vitalidade da adolescência.
     No entanto, a maneira mais viável para alcançarmos essa "dádiva", está ao nosso alcance, não sem um relativo esforço pessoal, claro, mas perfeitamente possível. Evidentemente, há um complicador a ser considerado: a herança genética que nos aprisiona a determinadas condições, dificultando um pouco a nossa meta. Mas, mesmo assim, é possível.
     Quais são as táticas a serem postas em prática?
     Primeiramente, há que se preocupar com o equilíbrio energético traduzido pelo perfeito funcionamento do sistema de defesa ou, melhor dizendo, o sistema imunológico, responsável pelo importante papel de resguardar-nos dos ataques constantes dos microrganismos, que minam a resistência às infecções em geral.
     Para que tal aconteça, é fundamental que nos reeduquemos quanto à prática alimentar, física, mental e espiritual.
     A tarefa é árdua, sem dúvida, pois precisamos mudar hábitos que estão arraigados há muito tempo. Mas, se quisermos ter uma boa qualidade de vida, vale a pena investir nessa quádrupla tarefa, obviamente, utilizando uma grande dose de boa vontade.
     A reeducação alimentar, considerada muito mais eficiente do que praticar dietas dos mais variados tipos, torna-se um dos pilares fundamentais para atingir o objetivo proposto. Como já foi dito antes, hábitos precisam ser alterados, o que deixa muita gente desanimada, porque os padrões alimentares serão mudados, passando por uma ampla adaptação, inclusive do paladar.
     A reeducação física, para quem está sedentário, há muito tempo, que não pratica nenhum tipo de atividade, também requer um grande esforço, logo recompensado com uma melhor disposição para enfrentar o dia-a-dia e, muitas vezes, eliminando dores musculares que só cedem com medicamentos paliativos, pois a causa não é removida. Simples caminhadas ajudam muito.
     A reeducação mental é praticada mediante a vigilância constante para evitar os maus pensamentos e as energias negativas – mantendo um bom padrão mental, consegue-se a tão desejada saúde mental.
     A reeducação espiritual revela-se de grande importância, na medida em que nos ligamos ao nosso Criador, independentemente da religião que seguimos, ou mesmo que não estejamos ligados a nenhuma delas. Basta uma "conversa" direta com Deus, sem interferências terrenas, e baseada apenas num dos ensinamentos cristãos: orar e vigiar.
     Portanto, com o seguimento dos preceitos aqui preconizados, consegue-se um estado ideal de equilíbrio dessa máquina maravilhosa que é o corpo humano, holisticamente falando, portanto, rejuvenesceremos a cada dia, mercê de um esforço perfeitamente compatível com a nossa incrível capacidade de adaptação ou de readaptação.
     Vale a pena investir nisso, pois só depende de cada um conseguir alcançar o êxito!

"QUEM SOU ?..." - Marcos Woyames de Albuquerque

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :

a) - Marcos Woyames de Albuquerque
b) - 52 anos, nascido aos 27 dia do mês de outubro do ano de 1952.
c) - Rio de Janeiro, Brasil
d) - Não viveria em outro lugar. Como disse Felinni, "aqui mora o último povo feliz da terra!"

2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;

a) - Quando eu ainda jovem, minha família mudou-se para uma pequenina cidade praiana. Acostumado ao burburinho das grandes cidades e aos amigos que nela conquistei, ao chegar na pequenina cidade, me vi só. Foi no lápis e no papel que encontrei abrigo.
b) - A exceção de minha mestra D. Antonina, que fazia da literatura sua arma para educar, não considero qualquer outra influência.
c) - Não, não lembro.
d) - Não foi divulgado

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2004 / 05 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - Meu sítio na internet é minha única forma de publicação
b) - Não.
c) - Nenhum projeto
d) -

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - O que um homem feliz pode dizer de si?
b) - Meu texto é meu divã. Nele me deito e me entrego. Jamais me vi escritor, não me sinto assim.
c) - Desde menino, tenho facilidade para colocar minha idéias no papel. Necessito apenas de tempo, estando aí minha maior dificuldade.
d) - Não, não tenho, jamais me inscrevi em qualquer concurso.

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - www.erus.kit.net
b) - não, não conheço
c) - Ponha seu coração no papel. Não faça disso profissão, faça um modo de vida.
d) -

Belo como tu - Marcos Woyames de Albuquerque)

Quando tu,
minha assim o fazes,
de mim, o mais belo nasce.

Quando eu,
em ti busco o que fazes,
melhor que sou,
assim me fazes!

O que de meu tu fazes,
fazes como teu.
Belo pois, é...
tão belo quanto só tu sabes fazer!

"QUEM SOU ?...": - Enilde Nunes de Melo

1º a) Nome - ENILDE NUNES DE MELO
b. Idade (o ano de nascimento é facultativo) - 11/06
c. Profissão - FUNCIONÁRIA PÚBLICA APOSENTADA
d. Morada (não publicamos endereços de e-mail): FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL
e. Quer falar um pouco da terra onde mora? É O MELHOR LUGAR DO MUNDO, LINDAS PRAIAS, POVO HOSPITALEIRO, SOL O ANO INTEIRO E MUITO FORRÓ!

2º -
a) Quando começou a escrever ? VENHO ENSAIANDO HÁ TEMPOS...
b) Teve a influência de alguém para começar a escrever? A PRÓPRIA EXISTÊNCIA E EXPERIÊNCIAS DE VIDA TÊM INFLUENCIADO
c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título)? "PENSAMENTOS"
d) Foi divulgado? NÃO

3º -
a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano)? NÃO
b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano)? NÃO
c) Projectos literários para este ano de 2004/2005? PRETENDO REUNIR MEUS ESCRITOS EM UMA PUBLICAÇÃO
d) Como vão ser editados?: PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE

4º -
a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana. SINCERA, VERDADEIRA RESUMINDO-SE EM AUTÊNTICA. GOSTO DE VIAJAR, LER E ESCREVER
b) Como Escritor (a)? SENSÍVEL, ABERTA A DIVERSOS TIPOS DE LITERATURA QUE AMPLIEM MEUS CONHECIMENTOS.
c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial? O SILÊNCIO DO MEU QUARTO
c) Tem prémios literários ? NÃO

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus). NÃO
b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação)? SIM
c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever? QUE INSISTA E PERSISTA NA BUSCA DA INSPIRAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA SUA PRODUÇÃO, UNIR-SE A GRUPOS LITERÁRIOS EM QUE POSSA TER APOIO E TROCAR IDÉIAS.

d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso):

Mergulho no Passado

"Viver é nadar no oceano imaginário da
vida e flutuar sobre as asas da esperança"

     Mergulhar no passado é sentir-me contemplando um vulcão em erupção, voando no brilho colorido de suas lavas, rumo à horizontes promissores! É sentir-me sobre as imponentes asas de um condor, sobrevoando e cortejando a monumental obra da natureza - as Cordilheiras dos Andes - carregando comigo os mais arrojados e auspiciosos sonhos. Mas, isso foi apenas o despertar para a vida. À medida que os anos foram passando, essas imagens também, tomaram novas formas e um matiz mais equilibrado entre o real e o imaginário.
     Os acontecimentos ora tristes, ora alegres, foram minha matéria prima para o desencadeamento de um constante aprendizado e busca de conhecimentos espirituais que me fornecessem o suporte necessário à compreensão e harmonia dessa dualidade na vida. É um aprendizado por vezes dolorido, porém, bastante prazeroso quando conseguimos penetrar na essência dessa união.
     A sensação de liberdade nos ensina a reciclar valores e sorrir com o coração dizendo: Vida, teu nome é esperança, tua âncora o amor! E por falar de amor, vale à pena um voto de louvor e de carinho aos grandes amores que embalaram e adoçaram momentos preciosos de minha vida. Também, nessa trajetória, inúmeras foram as pessoas de caráter generoso que cruzaram o meu caminho. Impossível mencionar seus nomes, mas, gostaria nesse singelo depoimento homenageá-las com meu amor e gratidão pela solidariedade em momentos cruciais da minha vida.
     E como não poderia deixar de ser, encerro as minhas palavras com chave de brilhante dedicando às pessoas mais lindas e importantes de minha vida, o meu amor e a minha gratidão por tudo que me ensinaram: papai Antônio, mamãe Anália e minha irmãzinha e amiga incondicional Cleonilde. Que Deus abençõe e ilumine vocês onde quer que estejam!      Beijos e saudades!
     Enilde Nunes de Melo
     Fortaleza, Ceará, Brasil

"QUEM SOU ?..." Vitor Casado

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :
a) - : Vitor Casado ; 39 anos
b) - : Informático (Trabalhador estudante, 3º ano artes plásticas - pintura)
c) - : Travessa 7 Setembro de 1957, Garruchas, 2440-037 Batalha
d) - : Batalha tem o Mosteiro mais bonito de Portugal. Vivo numa aldeia pacata a 3 Km da Batalha, a paisagem ainda é rural.
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;

a) - : 15 ou 16 anos foi quando comecei.
b) - : Delirei com a antologia de António Gedeão
c) - : Saber a mar
d) - : Divulgado através do suplemento do Diário de Noticias Jovem.

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) electrónico (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projectos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - : Sim, várias colectâneas Poiesis de vários anos da Editorial Minerva.
b) - : Não.
c) - : Para este ano tenho vontade de escrever contos.
d) - : Talvez aproveite um conto para a colectânea Poiesis e o resto será para o meu site.

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:

a) - : Lamento a calvície mas o resto aproveita-se.
b) - : Gosto de contos mas não só. A prosa poética como maneira de escrever fascina-me.
c) - : Estou-me a candidatar pela primeira vez este ano a um concurso regional.
d) - :

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - : http://prosasolta.no.sapo.pt
b) - : Desconheço essas vantagens
c) - : Vá em frente. Leia sempre o mais possível.
d) - : S. Martinho do Porto

S. Martinho do Porto

     A água vem pela enseada como por generosidade do mar. O frio da manhã ainda mal acordada apodera-se das mãos entretidas na faina de remar. O barco aproxima-se da zona onde as ondas vêm morrer entre dois paredões de rocha frondosa. Agarro num bloco de papel e numa caneta e convido Débora a escrever nele tudo o que fez de errado ou de mais desagradável na vida. Faço o mesmo relativamente a mim e leio bem alto o quanto escrevi. Sinto um rubor nas faces mais alto do que a coragem porque volto a ler em voz alta vezes sem conta. Débora perde a vergonha começando a ler em voz alta tudo o que escreveu. O sol começa a fazer na água que nos circunda um espelho de pequena ondulação cintilante e algumas gaivotas circundam-nos provavelmente interrogando-se do seu protagonismo nesta tertúlia.
     Agarro no papel que Débora escreveu com algum rol de tristezas e queixume e faço-o marinheiro de uma garrafa bem tapada com uma rolha de cortiça. Débora agarra a garrafa e impulsivamente atira-a para as ondas. Repito o mesmo gesto com outra garrafa que reservei para mim. Podiam ser lágrimas os salpicos que nos vêm enxaguar os rostos salgados. O sol abriu um caminho bem iluminado até à praia, coando a água com pequenos diamantes. O mar alto devolve-nos uma paisagem imparcial pela presença de algum nevoeiro. Virei a proa do barco em direcção ao areal. Débora refeita de algum ânimo pede para ser ela a remar para o regresso. Seguimos a réstea de luz que o sol deixou cair na água enquanto pessoas minúsculas em terra levam os seus corpos para as fainas de um dia acabado de acordar.
     Débora recorda os bons tempos da juventude aqui passados entre o areal e poemas escritos e enrolados para serem deitados ao mar em garrafas.
     Foram inúmeras as viagens de barco idênticas a esta, a várias horas no mesmo dia. De manhã, à tarde e até rente ao nascer da noite.
     Débora pergunta :
     - Que será feito daqueles poemas que atirei ao mar à tantos anos atrás ?
     Será que alguma vez alguém encontrou um único ? Se não tivéssemos que regressar desejaria ser a tinta de um deles tendo papel como cobertor e silenciosamente vaguear pelo mar até alguém me encontrar.