Nº 66 -  Outubro de 2005

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

Uma saudação muito amiga aos novos Autores do Portal CEN - "Cá Estamos Nós". Bem-vindos à nossa grande família ! Também saudamos todos os nossos colaboradores, amigos e leitores. Bem - Hajam ! O Editor

 

Benedita Silva de Azevedo

1º - a) Meu nome é Benedita Silva de Azevedo, nasci a 10 de maio de 1944.
b) Sou professora de Português e Literatura; comecei a trabalhar no comércio em 1961 e no magistério em 1973. Trabalhei em todos os níveis de ensino, da alfabetização à graduação. Aposentei-me em julho deste ano. Mas continuo em contato com as escolas ministrando oficinas de redações e poesias, trocando experiências.
c) Moro à Rua Carlos Franco, 179 - Praia do Anil - Magé  RJ - Cep 25.930-000. Fixei residência neste local maravilhoso,  em outubro de 1989, portanto há 16 anos. Do 3º andar da minha casa vislumbro ao longe o Cristo Redentor, O Pão de Açúcar, a Ponte Rio Niterói e o mar da Baia de Guanabara, que dista apenas cinqüenta metros da minha rua.
d)  Magé está situada ao fundo da Baia de Guanabara, numa área de 385,69 Km², possui uma população de 205.830 habitantes e 128.534 eleitores. Suas principais atividades econômicas são: Indústria, Comércio, Agricultura, Pesca e Pecuária. Seu DDD é 21.
Em 1565, Cristóvão de Barros recebeu a doação de uma sesmaria, originalmente habitada pelos índios Tupinambás. Essas terras foram cultivadas por portugueses e escravos. O processo de povoamento de Magé começa em 1566, quando Cristóvão de Barros, fundador de Sergipe e herói das lutas contra os franceses chega ao Rio de Janeiro, enviado por D. Sebastião, como seu 3º Capitão Geral defendendo a cidade e conseguindo expulsar os invasores em 1567; torna-se o 4º Governador Geral e dá início à plantação e   industrialização da cana-de-açúcar em terras mageenses. Instalou um engenho às margens do Rio Magé, o que lhe poderia conferir o status de iniciador populacional. Por volta de 1646, surgiu próximo a essa localidade, a de Pacobaíba, mais tarde denominado de Nossa Senhora da Guia de Pacobaíba. Esses dois locais receberam de 18 de janeiro de 1696 a 14 de dezembro de 1755, a denominação de Freguesia, apesar de a Igreja Matriz só ter sido concluída em 1747, em Magepe-Mirim. Graças aos esforços dos colonizadores, à contribuição do trabalho escravo e à fertilidade do solo, as duas localidades gozaram de invejável situação no período colonial. Foi elevada à categoria de vila em 9 de junho de 1789, por determinação do Vice-Rei Dom Luiz de Vasconcelos, por encontrá-la, social e economicamente muito adiantada, desmembrando-a da cidade do Rio de Janeiro. Foi tornada Baronato em 1810 e, no ano seguinte, elevada a Viscondado. Em 1802, era cabeça de Comarca. Suas terras iam até Petrópolis, Sapucaia e Iguaçu. Em 02 de outubro de 1857 foi transformada em Cidade por ordem de D Pedro II, por sua trajetória de conquistas e lutas.  Em terras mageenses, o desbravador Bernardo Proença abriu, em 1726, o "caminho das pedras" que se tornou a primeira ligação entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, quando os viajantes gastavam 15 dias para atingir Vila Rica embrenhando-se do litoral para a serra. Os desbravadores puderam conhecer a riqueza de uma terra fértil e rica em minerais. A partir das fazendas, dos engenhos
e de pequenas capelas, surgiram os povoados que também se transformavam próximos das instalações militares que defendiam a Baía de Guanabara dos ataques de piratas e mercenários.  Para se alcançar a Freguesia embarcava-se na Praça XV, numa falua, pequena embarcação, e navegava-se até à foz do Rio Inhomirim, de onde se atingia o Porto da Estrela, que surgiu no final do século XVII, no 6º Distrito de Magé, com a construção da Capela de Nossa Senhora da Estrela dos Mares. Era local obrigatório da passagem de todo o ouro, que vinha das Minas Gerais para a sede do Brasil Colônia. Além destes importantes registros, o território de Magé é consagrado, historicamente, por abrigar o marco que é a Primeira
Ferrovia do Brasil - Estrada de Ferro Barão de Mauá.  Hoje, o Município está estruturado em 5 distritos: 1º Distrito ? (Sede); 2º Distrito (Santo Aleixo); 3º Distrito Agrícola ( Rio do Ouro); 4º Distrito (Suruí); 5º Distrito  (Guia de Pacobaíba); e 6º Distrito (Vila Inhomirim).

    2º - a) Quando comecei a escrever? Fui alfabetizada, aos nove anos, pois o lugarejo onde morávamos não tinha escolas. Meus pais mudaram-se para a cidade de Itapecuru-Mirim, para que pudéssemos estudar. Depois disso, lia tudo que conseguia encontrar. Como não tinha acesso a livros, revistas ou jornais, depois de ler todos os textos dos meus livros escolares lia também, dos livros escolares das minhas irmãs mais velhas que estavam mais adiantadas. Lembro-me de ficar lendo até muito tarde, na rede, com a lamparina acesa, o que deixava minha mãe muito preocupada. Ralhava:
- Qualquer dia tu põe fogo na casa se dormir com essa lamparina na mão.
b) Uma vez, a diretora deu uma faxina em casa e mandou um dos filhos levar para minha mãe, uma caixa de livros muito velhos, alguns já pela metade. Eu costumava ler o que tinha à mão e imaginar o início e o fim que já não estavam ali. Num desses livros conheci a história de Romeu e Julieta pela metade. Não me contive e fui até à casa da diretora perguntar como era o início e o fim da história. Ela ficou impressionada e me emprestou outros. Lembro-me mais dos de José de Alencar (O sertanejo, Iracema, O guarani etc.) e alguma coisa de Literatura de Cordel. Ali tomei contato com Catulo da Paixão Cearense. Acho que foi nessa época,  que formei o meu hábito de ler e escrever, aos doze ou treze anos.  Costumava copiar os trechos que mais gostava das histórias, nas folhas que sobravam nos velhos cadernos de anos anteriores. Depois comecei a escrever pequenas histórias que se perderam ao longo do tempo.  Quando me casei, em agosto de 1962, ganhei de Amílcar, meu marido, a Barsa, o Tesouro da Juventude, duas coleções da Freita Bastos contendo contos, romances históricos, etiqueta e filosofia; uma coleção da Editora Cultrix com romances históricos; e ainda assinava as revistas O cruzeiro e Seleções. Todo o meu tempo livre dedicava-me à leitura. Escrevia e jogava fora. Era mais um desabafo, uma terapia. Dona Rita, uma enfermeira amiga, da Rua Paulo de Frontim, Monte Castelo - São Luís - MA, aconselhou-me a escrever os textos em um caderno e guardar. Se mais tarde eu quisesse poderia rasgar, mas poderia ser que gostasse e os conservassem para sempre. Desde então comecei a guardá-los.
c) O primeiro texto foi: Um dia triste, escrito em 14 de maio de 1964. Eu tinha acabado de fazer 20 anos, portanto há 41 anos. d) Só foi publicado na III Antologia em prosa e verso, da Academia Mageense de Letras, organizada por mim, em 2005.  Em agosto de 1971, fiz minha primeira publicação, no jornal ?O Sol, em Itajaí  SC.  Foi a poesia  Rio Itapecuru escrita em 1966. Algumas de minhas poesias foram publicadas na   I , II e III Antologia em prosa e verso.
Mas o que marcou mesmo, e que está gravado para sempre, em minha memória, e que até hoje faço com meus alunos, foi cantar nas salas de aula do primário, a poesia de Casimiro de Abreu Meus oito anos. Os livros que não pude ter na infância, tive-os todos, depois que me casei. Até hoje possuo a estante que Amílcar mandou fazer especialmente para guardá-los.
É uma relíquia posta em lugar especial com as coleções que ganhei à época. Hoje, possuo uma biblioteca em casa, com mais ou menos 3.000 livros e nunca deixo de emprestá-los a quem precisa pesquisar ou ler.
3º - a) Livros Impressos.1985  Marista 60 anos a serviço da comunidade maranhense.   O objetivo deste trabalho foi contribuir para que a Comunidade Educativa Marista, bem como, a comunidade local conhecesse melhor o trabalho dos
Irmãos Maristas em prol da Educação Maranhense.  Para organizá-lo, servimo-nos de trabalhos anteriormente compostos: História do Colégio Maranhense, por Irmão José Azevedo, que naquela época fazia parte da Comunidade dos Irmãos Maristas do Maranhão, na função de tesoureiro. Aos Anais do Colégio Maranhense de 1908 a 1920 e de 1920 a 1985. Ainda, o resumo Biográfico do Bem Aventurado Marcelino Champagnat, da autoria do Irmão Gobriano Maria.
Foram mimeografados 3.000 exemplares, formato 14 x 21cm, para distribuir aos alunos, professores, funcionários e para os outros Colégios espalhados pelo Brasil. Naquela ocasião a Comunidade Educativa Marista, no Maranhão, era composta por 05 Irmãos, 50 funcionários, 120 professores e 2.530 alunos.
2.000  Voltando a Viver, no Rio  Impressão e fotolito ( Copiadora Mirada Azevedo Ltda  São Paulo) Formato 14 X 21 cm., 196 páginas  tiragem 1000 exemplares.
2001  Trajetória  Editora Agora da Ilha ? Rio de Janeiro Formato 14 cm x 21 cm, 208 páginas - tiragem de 500 exemplares.
2002  Shena e Hércules (infantil) Impressão e fotolito: Critério Artes Gráficas ? Rio de Janeiro Formato 14cmx20cm, 26 páginas ? tiragem 300 exemplares.
2002  Escritores do Colégio Estadual Mauá I - Foi publicado  com  textos dos três concursos de poesia e redação que fiz com os alunos. (2.000, 2.001 e 2.002).
Impressão e fotolito: Critério Artes Gráficas  Rio de Janeiro Formato 14 X 21 cm., 52 páginas ? tiragem 300 exemplares ? distribuídos entre os alunos participantes, corpo docente e funcionários do Colégio. Foi distribuído 1 volume para cada escola de Magé.
2003  Antologia em prosa e verso - Editora Agora da Ilha  Rio de Janeiro Primeira Antologia em Prosa e verso, coordenada por mim. Contém 30 páginas de textos de minha autoria. Formato 14 x 21cm., 158 páginas ? tiragem de 1000 exemplares / ano 2003   esgotada.
2003  Escritores do Colégio Estadual Mauá II - Impressão e fotolito: Critério Artes Gráficas  Rio de Janeiro. Publicação dos melhores trabalhos dos alunos da noite. Justamente aqueles que têm mais dificuldades para romper a barreira da instrução. (2003). Foram avaliados mais de quatrocentos trabalhos. Formato 14 x 21cm., 52 páginas tiragem 300 exemplares. A distribuição foi idêntica à do volume I.
2.004  Nas trilhas do haicai - Composto por 280 poemas - No final há uma pequena monografia de minha autoria: Um pouco de teoria. Formato 14cm x 21cm, 56 páginas, tiragem 500 exemplares ? H.P. Comunicação Editora - RJ
2.004  O dia-a-dia de uma professora - Contém 10 narrativas de fatos ocorridos no dia-a-dia. Formato 14cm x 21cm, 80 páginas  Lançamento na XII Bienal do Livro   H.P. Comunicações Editora - RJ
2.004  II Antologia em prosa e verso - também coordenada por mim, contém 18 páginas de minha autoria, incluindo nelas uma homenagem à minha primeira professora, hoje com 89 anos, e ainda escrevendo belos textos. Formato 14cm x 21cm, 127 páginas ? tiragem 1000 exemplares ? H.P. Comunicações Editora - RJ
2.005  III Antologia em prosa e verso ? Também coordenada por mim, contém 34 páginas de minha autoria. Foi lançada na XII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, em 2005  - H.P. Comunicações Editora - RJ
b) 2005 - Livro eletrônico . Participação nas Antologias Agosto e Receitas de família da AVLLB.
c) Meus projetos para este ano de 2005:
 1 - Publicar um livro de haicais, com 300 poemas inéditos, em fase final de preparação. Estou em conversação com uma editora de São Paulo.
2 - A casa arrombada? com duas narrativas somando 112 páginas;
3  - Avaliando o crescimento pessoal, flashs da vida pessoal em ordem não cronológica, com 120 páginas;
4 - Um livro de crônicas resultante da indignação com os fatos do dia-a-dia, com 100 páginas.
d) É provável que eu os publique na  Fábrica de livros SENAI  Rio de Janeiro que os faz em pequenas tiragens.
5 - A literatura através dos tempos  uma abordagem histórica a partir de 4.500 anos a.C. , pretendo terminá-lo ainda este ano.
6 - Tenho um romance e outros trabalhos em andamento. Quanto ao haicai, estou sempre ligada aos fenômenos da natureza e às atividades humanas para aprisioná-los, no seu momento de transitoriedade.
Obs.: Os quatro primeiros ainda estão com títulos provisórios. No mês de novembro pretendo mandá-los para imprimir.
4º - a) Como sou? Sou uma pessoa determinada. Muito ativa. Traço meus objetivos e persigo a sua execução, nem sempre fáceis de concretizarem. Mas não desisto. Não gosto de confrontos pessoais e muitas vezes me afasto para evitá-los. Gosto
da verdade dos fatos e me decepciono com a falsidade, a inveja e a corrupção em qualquer de suas facetas. Sou amorosa e protetora com os netos, filhos, marido, familiares e amigos, mas gosto de disciplina e responsabilidade para que os objetivos traçados tenham chances de se concretizarem.
b) Sempre gostei de escrever. As idéias fluem com naturalidade. Escrevo vários trabalhos ao mesmo tempo. c) Quando tenho uma idéia corro para o computador e  registro. Pode ser um haicai, uma trova, uma crônica ou o início de uma história mais longa. Escrevo quase todos os dias. Muitas vezes abro um arquivo e não consigo desenvolver aquele tema já iniciado. Passo ao seguinte e escrevo por muitas horas. Ando sempre com caneta e agenda para registrar idéias, principalmente os haicais.
d) Menção Especial no 4º concurso de sonetos da ?Casa do Mestre? Magé-RJ; Menção Especial no 5º concurso de poemas ?Casa do Mestre? Magé-RJ.  Escrevo porque gosto, mas não tenho paciência de mandar os textos e ficar esperando os resultados dos concursos. Participo dos concursos mensais do Jornal Nippo-Brasil porque são bastante dinâmicos. São três temas mensais, com três haicais para cada um. A cada quinze dias têm-se os resultados. De abril até setembro deste ano, foram classificados 14 poemas meus. Isso me dá estímulo para buscar a melhor técnica a cada participação. 
5º - a) - Tentei criar minha Home Page para divulgar os meus trabalhos pessoais e também as oficinas que faço com meus alunos, mas não consegui levar adiante. Ainda tenho um pouco de dificuldade em lidar com as técnicas da informática. Pretendo fazer alguns cursos.
b) - O confrade Baçan, me passou todos os dados e vantagens oferecidas pelo Portal CEN aos seus autores filiados. 
c) - Para quem está começando a escrever, recomendo muita leitura e que escreva sempre. Mesmo que, de início, não tenha oportunidade de publicar. Só se aprimora a escrita, lendo e escrevendo.

RIO ITAPECURU

Meu rio Itapecuru
Eu de ti sempre me lembro
Sentindo muitas saudades
Em cada mês de setembro.

Nesta época estás vazio
Com tuas águas ondulantes
Onde eu costumava sempre
Tomar banhos extravagantes.

Às vezes passava a tarde
Todinha a brincar contigo,
E quando chegava em casa
Pegava um grande castigo.

Dizia a minha mãe
Que tu eras perigoso,
E não queria saber
De amigo tão desastroso.

Algumas vezes sabia-se
Havia morrido alguém,
E ela coitada, temia,
Que eu me afogasse também.

Mas tu eras meu amigo!
De ti eu não tinha medo,
Nas tuas águas cristalinas
Nunca encontrei segredo.

Certo dia, você sabe,
Precisamos nos separar,
Eu vim para São Luís
Pois precisava estudar.

Não entristece meu rio!
Na minha pobre memória
Gravei os dias felizes
Quando em ti ia nadar.