REVISTA "NO CANTAR DAS LETRAS"
 
SÃO PAULO - BRASIL

 

Editora: LIGI@TOMARCHIO®
Formatação e Arte: Iara Melo
 
Ano 1
 
9ª Edição - Novembro/2006
 
Entrevistas - Prosa e Poesia

 

 

Espaço cultural Tendal da Lapa, na capital de São Paulo

 
*Clique nas fotos para saber mais*
 
 
 
 
Meus queridos amigos e amigas das Letras e do CEN!
Após um intervalo de mais de dois meses, estamos de volta com mais uma edição encantadora...
Agradeço a todos participantes e saibam que "No Cantar das Letras" tem como objetivo acarinhar nossos leitores e agrupar o maior número de amigos, como colaboradores e integrantes desta grande família luso-brasileira!!!
É com prazer que apresento para todos, uma entrevista exclusiva com minha querida amiga, Maria Catherine Roosefild, nossa "Boneca de Trapo", seu nick carinhoso.

Desfilam também, grandes nomes da nossa poesia...

Obrigada a todos pelo carinho!
Beijos meus, nos seus doces corações!!!
Ligi@Tomarchio®



 Utopia
Lígia Antunes Leivas
 

Utopia foi sonhar com teu amor
sentir-me dentro de teu coração
ganhar promessas de estrelas mil
de encontros de carinho
de sutil enlevo...
De saborear contigo a emoção
como se em ti pudesse eu
construir meu sólido caminho.
Utopia foi pensar que algum dia
eu poderia ainda ser feliz...
Ter em minh'alma todo teu calor
e para ti ser tua flor-de-lis...
Mas para tudo há um tempo certo:
Uk-topos... 'lugar inatingível'
'fora do lugar'... ficou meu pensamento
todo meu ardor, meu sentimento...
Na magia deste encantamento
mantive o sonho (a ti eu sempre quis!)
E hoje - só hoje sei -
meu sonho foi apenas, nada mais
do que ingente e melancólica
UTOPIA.
 
Pelotas - RS - Brasil



Viajar num Sonho
Antonia Nery Vanti (Vyrena)
 

Fechando os olhos...
Quero viajar num sonho...
Viver momentos de ilusão!
Vagar por jardins floridos...
Pisar o capim molhado...
Voar como os anjos...
Espiar o universo...

Descobrir segredos... na sua imensidão!
Procurar entender essa grandeza
Toda a beleza... todo o encanto
Que existe na natureza!
E talvez... nessa viagem
Entre o sonho e a realidade...
Descobrir onde se esconde
A tão almejada felicidade!

Estará ela escondida
Na beleza do desabrochar da flor?
No revoar dos pássaros...
À procura do amor?
Na melodiosa orquestra dos grilos...
Ou entre as estrelas que
como diamantes brilham
com tanto fulgor?

Quando a encontrar
Hei de guardá-la na bagagem
Para distribuir ao mundo
Ao regressar de meu sonho...
Dessa longa viagem!

Porto Alegre - Rio Grande do Sul -  Brasil



Emoção
Gerson F. Filho
 

Perante todo eufemismo,
Meu coração desafia o infinito.
Que mora na constante incerteza,
De ser amado com a intensidade
De uma louca paixão.

Porque o aforismo do momento,
Sempre me obstrui em ressentimento,
Quando, a coisa explícita,
Não me explica que o amor
Só surge no repente da imensidão.

Aonde todo carinho se oculta.
No aguardar da hora justa,
Que desperta por si o sorriso,
Onde antes, do nada era parte,
Para se fazer de todo, emoção.

  Guarapari - ES - Brasil



O Espelho
Pe. Luis Rogério Carrilho Cruz, CSsR.
 

"Espelho meu, espelho meu,
Mas o que você tem que é seu?
O que é o espelho se só espelha?
Qualquer imagem mesmo sendo velha?

O espelho é só uma peça que prega peça
Pois não há ninguém que se veja nele
Que não acha algo que não peça
E fique bravo com ele a beça?

Na realidade o espelho é de si mesmo a negação
Quando só espelha aquilo que não é ele
Mil faces ele tem e não tem a sua fixação.
Ele é aquilo que eu , você, nós, somos nele.

É símbolo da alma que de si nada tem como a de Maria
Que espelha o rosto daquele que tudo tem, e é de Deus
É o vazio do próprio eu, que refrata a luz nos olhos seus.
Manifestando a todos como Deus se revela na Eucaristia.

Maria colocou-se como serva do Senhor,
Negando-se a realizar os seus sonhos por amor
Àquele que a escolheu por ser vazia do seu eu
Na humildade de um espelho que não tem nada de seu.

Espelho meu, espelho meu o que tens que sejas seu?
Eu tenho o que poucos têm, pois reflito a grandeza de Maria.
Nada tenho que seja meu, senão àquele que se revelou Deus meu.
Sendo um nada por amor, Ela se torna reflexo de Deus na parusia.

Assim em Maria eu sou pobre, porque de mim mesmo nada levo
Assim em Maria sou humilde , porque de mim mesmo sou vazio,
Assim em Maria eu sou Virgem, pois sem mancha, eu a reflito.
Assim em Maria eu sou mãe, pois a todos, eu reflito sem desvio.

Espelho meu, espelho meu, então quem sou eu?
És aquele que refletes, no vazio do seu eu.
És quando refletes a grandeza do seu Deus
És quando na dor vives, o amor, sendo vazio como eu.

Eu sei quem sou, porque não sou
E você sabe quem és, sendo quem és?
Assim é na vida cada pessoa que se espelha
No reflexo da luz, a imagem que lhe dou.

09/10/2006

 Araraquara - SP - Brasil



 Chegastes 
Iara Melo
 

Não importou o tempo
As lágrimas corridas
O desassossego d'alma
Perdida, cansada,
Sem crer que ainda existias
 
"Cinderela" persistiu
No sonho embalou esperanças
Quem sabe um dia chegarias,
Montado ou não num cavalo branco
Em algum lugar estarias
 
E surgistes como de uma
Outra constelação
Uma linda estrela
Que adentrou minha vida
Revolvendo sentimentos
mais profundos,
Tornando-me Deusa,
Princesa, Rainha,
Sendo Tu:
Meu Rei!




Ciclos
Maria Ester Torinho
 
entre o que foi e o porvir
há um fiapo de luz
e uma ponta de estrela
embora incolor
e esgarçada.
 
e à noite recebo do vento
beijos de amor do cavalo alado
que cruza a fronteira
entre o sonho e o nada.
 
e pela manhã alvoreço
emergindo por entre as sombras
em retomada da vida diária
atribulada.
 
e à noite desfio o rosário de enganos
e recomeça o ciclo
e cristaliza-se o instante
em horas e dias e anos
da alma de lua e de sol encharcada.

São Paulo - SP - Brasil



Paixão
Mel Ribeiro
 

A paixão me arrasta ensandecida.
Perco o norte o sul o tino.
Natura desconcertante
florada de lírios.

Deidade... Clausura.
Madureza defronte.
Olho a fonte

Caminhos estonteantes
anacrônico juízo
Desparafuso

Vagueio em plagas distantes
na morada diamante
náufraga do amor.

Veleira contigo sou
construo e destruo a dor
bendita sonhação de amantes.

Adornada a dor nada e mareja
desemboca na minha mão.
Vem, coração herege
senão farei greve.

Brasília - DF - Brasil



Loucura
Cecília Carvalho


Raios me rasgam
o pensamento,
eu os bebo, com a minha sede
do mundo
que profundo me arrasta,
faz chorar ...
Gritos que emudecem,
petrificados pela dor,
do amor
que se foi
mar adentro
surfando
feliz ...
Oh meu mundo
o que me fazes,
a loucura me domina
não sou mais menina
e sim mulher ...
Quero meu mundo
em minhas mãos,
derramar tuas águas
em lágrimas
sofreguidão ...
Loucura que me consome
quanta maldade,
só tempestade,
raios, trovões ...
 
*** Labirintos da Alma ***
Cel  (Cecília Carvalho)


Ilhéus - BA - Brasil



ENTREVISTA

Maria Catherine Roosefild

Ligia: Qual é o seu nome completo?
Cath: Maria Catherine Roosefild.
 
Ligia: Quando e onde nasceu?
Cath: 25/03/1956 - Porto Alegre/Rio Gde. do Sul - Brasil.
 
Ligia: Onde reside atualmente?
Cath: Essa é uma pergunta difícil!!!... rs ...
tenho residência em São Paulo-Capital, em Bertioga litoral, e em Minas Gerais.

Ligia: Qual é o seu estado civil?
Cath: Casadissíma!
 
Ligia: Qual é a sua atividade profissional?
Cath: Sou administradora de empresas, momentaneamente um pouco mais afastada das atividades, mas ainda trabalho muito!... rs...
 
Ligia: Você é uma pessoa caseira ou gosta de uma vida social mais agitada?
Cath: Já fui de muito agito!, atualmente prefiro ficar em casa.
 
Ligia: Quais as atividades de lazer que pratica?
Cath: Sempre que possível, viajo... quando não dá... Internet, é claro!
 
Ligia: Gosta de freqüentar restaurantes, bares ou bailes?
Cath: Bons restaurantes sim, bares nem tanto... bailes... já dancei muito, eu e meu marido chegamos a ser campeões de dança de salão... hoje já não dá mais como antes... a saúde não deixa!... rs...
 
Ligia: Qual é o seu prato preferido?
Cath: Arroz, feijão, bife, batata frita e um ovo "estalado"!!!! rs... ah... salada de alface!!!

Ligia: Qual é a sua bebida preferida?
Cath: Depende do momento e do local... geralmente um suco de laranja no almoço, no jantar um bom vinho!
 
Ligia: Desde quando escreve?
Cath: Descobri o gosto por literatura aos 05/06 de idade, com um livro de Vicente de Carvalho, o título era: Poemas e Canções.
 
Ligia: Qual o livro que leu e mais gostou?
Cath: Todos de Pablo Neruda.
 
Ligia: Gosta de qual estilo literário, além da poesia?
Cath: Crônicas, relatos, fatos históricos.
 
Ligia: Como ingressou na Internet?
Cath: Por acaso... acompanhando os "passos" dos filhos.
 
Ligia: Qual é a sua opinião sobre o trabalho de divulgação da literatura através da Internet?
Cath: Considero de suma importância! Afinal, não dá para se comprar todos os livros que queremos, e a Internet possibilita a informação, o conhecimento, com rapidez, imediatismo. Representando também uma possibilidade de criação para novos autores(as), sem condições de editar em "papel"... a internet é um mundo de possibilidade para todas as classes sociais, economicamente falando.
 
Ligia: Já conhecia o CEN "Cá Estamos Nós"?
Cath: Sim, acho que o trabalho de todos editores é da melhor qualidade, é importante, é construtivo e incentivador.
Carlos Leite é um ser que admiro e um dia gostaria ter o prazer que conhecer pessoalmente e claro todos seus colaboradores, todos fazem um excelente trabalho e estão de parabéns!
 
Ligia: Conte-nos sobre seu processo de criação de maneira resumida e se sofre influência de algum autor em especial.
Cath: Não tenho uma identificação pessoal com esse ou aquele autor, o que faço é de forma espontânea, independente, sem preocupar-me com as concordâncias erros ou acertos e até mesmo rimas. Minha escrita é livre, sem compromisso, escrevo o que sinto e como sinto, assim sou até nas minhas formatações nas páginas das Hps que edito. Meu compromisso é com o que sinto e tenho vontade de fazer.
 
Ligia: A escrita para você é um instrumento ou uma arma?
Cath: Evidentemente que tudo pode ser e acontecer, quando se escreve. Mas para mim na maioria das vezes, é uma forma de expressão silenciosa, mas autêntica!
 
Ligia: Qual o período que prefere: dia, tarde ou noite?
Cath: Na calada da noite.
 
Ligia: Gosta de animais? Quais? Tem algum em casa?
Cath: Amo cães rothwailler (nunca escrevo corretamente) tenho alguns.
 
Ligia: Quais seus estilos musicais prediletos?
Cath: Ahhh... isso depende do momento! gosto de tudo!... mas aprecio muito música clássica e mpb.
 
Ligia: Se considera uma pessoa religiosa?
Cath: Acredito em uma força maior, em um Ser-Supremo, sem ser fanática e tenho temor a isso.
 
Ligia: Tem livros publicados? Quais?
Cath: Tenho participações em livros até no Chile, mas não me enviaram nenhum... então não lembro o título, aqui no Brasil também tem alguma coisa minha em alguns livros por aí...
 
Ligia: Tem e-books publicados? Quais?
Cath: Também tenho vários, qualquer hora eu reedito na minha home page pessoal.
 
Ligia: Possui um web site? Qual o link?
Cath: Meus filho fizeram alguns links pra mim, tem espalhados pela net... mas o que amo de paixão é a boneca de trapo: www.bonecadetrapo.com
 
Ligia: Qual é o seu e-mail para contato?
Cath: mariacathroos@gmail.com

Ligia: Gostaria de ingressar no CEN, e por quê?
Cath: Em tudo que é para o bem, que é para somar, acrescentar..."estou dentro" - como se diz aqui no Brasil!... rs...

POEMAS


Cinco!
Catherine Roos


Cinco dias... cinco paqueras,
Cinco sorrisos, cinco olhares...
Cinco telefonemas, cinco carinhos,
Cinco vezes tuas mãos...
Cinco dias a tua espera, cinco alegrias!
Cinco desejos, cinco vezes perdida...
Cinco amores...
Pela quinta vez:
te amo!!!


São Paulo/2002




INSTANTE MEU
Catherine Roos


Silêncio...
Gosto dele.

Peço que deixem-me com ele!
No silêncio meu coração fala
No silêncio, escuto tua fala
Silêncio amigo,
Embora, por vezes trigueiro,
És meu eterno companheiro!
E  como amigo verdadeiro,
Deixa-se quebrar para depois voltar.
Silêncio que procuro em todo lugar
És um amigo,
Que poucos sabem escutar,
Venha meu amigo silêncio,
Nada quero lembrar ou falar,
Mas quero-te,
Venha meu silêncio comigo ficar,
Nesse momento, quero lhe escutar.

 Janeiro/2004


São Paulo - SP - Brasil


 

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