REVISTA "NO CANTAR DAS LETRAS"
 
SÃO PAULO - BRASIL

 

 
Ano 1
 
6ª Edição - Setembro/2006
 
Entrevistas - Prosa e Poesia
 
 
 
  
*Foto de Gal Oppino*
 
Teatro Municipal de São Paulo - SP- Brasil
*Clique nas imagens para saber mais*
 
 
 
POR
 
 
Ano 1
 
6ª Edição - Setembro/2006
 
Entrevistas - Prosa e Poesia
 
 
Meus queridos amigos e amigas, "Cá Estamos Nós" com a 6ª Edição, a 2ª de setembro, da nossa Revista do CEN.
Agradeço a todos que participaram desta edição e saibam que "No Cantar das Letras", tem como objetivo acarinhar nossos leitores e agrupar o maior número de amigos nesta nova fase do CEN, como colaboradores e integrantes desta grande família luso-brasileira!!!
É com prazer que apresento para todos, uma entrevista com minha querida amiga e poeta que muito admiro, Marise Ribeiro .
Desfilam também, grandes nomes da nossa poesia e prosa...
 
Obrigada a todos pelo carinho!
Beijos nos seus doces corações!!!
Ligi@Tomarchio®
 
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ENVELHECENTE
Sueli do Espírito Santo
 

Quem essa etapa atingiu
foi árvore, um dia floriu
as folhas foram renovadas
as visões transformadas
 
pelos anos já passados
na lembrança rememorados
sem mais falsas ilusões
viver a vida com mais razões
 
 
Santo André - SP - Brasil
 
 
 
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Serão elas, as vilãs?
Tere Penhabe
 
As mãos... serão elas, as vilãs da nossa história?
Lendo textos maravilhosos da revista "No Cantar das Letras", do Portal CEN, levou-me a refletir sobre a parte do nosso corpo que executam tantas das determinações do nosso cérebro e coração: as mãos.
Ocorreu-me então que elas expressam grandes paradoxos, ao longo da vida.
As mesmas mãos que apertam outras, animadas e felizes, em sinal de boas vindas, um dia acenam o adeus, às vezes desejando cair ao lado do corpo simplesmente, mas se sentem obrigadas ao último aceno, de alguém que parte, nem sempre por vontade nossa...
Mãos que afagam um rosto com carinho, ou até mesmo uma fotografia apenas, algum dia se armam de blasfêmias e impropérios para ferir, para magoar, para atingir e abalar... que triste paradoxo!
E mesmo que não cheguem às vias de uma bofetada, são elas que preparam tudo, que abrem o computador, clicam nas teclas necessárias, abrindo o caminho para criar a maldade, certamente não a mando do coração. O coração é imune à maldade, ela só se manifesta em nosso cérebro, quando este se sobrepõe ao coração. Mas são das mãos, o serviço sujo, digamos assim.
Porém não podemos nos esquecer, que se de um lado elas são vilãs, do outro, elas enxugam as lágrimas, quando é preciso, e vão prestativas ao rosto, quando nos surpreendemos com a maldade de mãos alheias pelo que nos enviaram.
Deixam então, de serem vilãs para serem companheiras, amigas, parceiras de fato, da nossa tristeza e de nós mesmos.
E são tantas as funções contraditórias que exercem nossas mãos, que seria impossível enumerá-las, mas com certeza, é inquestionável que têm funções completamente antagônicas...
Mãos que amparam... derrubam...
Mãos que acolhem... empurram...
Mãos que abrem a porta... algum dia, a fecham sem hesitação...
Mãos que doam... roubam...
Mãos que afagam... esbofeteiam...
Mãos que elogiam... criticam com maldade...
Mãos que secam lágrimas... também as provocam...
Mãos que alimentam...  tiram o pão da boca de outrem...
Mãos que votam felizes... mais dia menos dia, se desesperam...
Mãos que se estendem... ocultam-se...
Mãos que aplaudem... também acusam...
Quantas funções adversas quisermos acrescentar para elas, será sempre possível.
Por isso, às vezes me pergunto:- Serão elas, as vilãs...?
 
03.09.2006

Santos - SP - Brasil 
 
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Poema da partida
Inês Marucci
 
De partida, meus irmãos, chorar não devo.
Devolvido que me foi emprestado,
nenhum direito a reclamar.
Na estrada, íntimo forasteiro do tempo,
muito mais recebi que o merecido,
porquanto não soube dar o que mereceram.
Vai raiar a minha estrela noutra jornada,
não sei onde e com quem
experiências compartilharei.
Não adianta questionar ou saudades lamentar,
nada nas mãos à porta estreita que me espera,
apenas levo Paz no coração.
 
04/09/2006
 
Santos - SP - Brasil
 
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DIA DAS MÃES
AS MÃES DE OUTRORA E AS MÃES DE HOJE.
 
Alcina M.S.Azevedo
 

 Ser mãe nos tempos modernos está cada vez mais difícil.
 
 Foi-se o tempo que ela era a rainha do lar, oferecia almoços e jantares com os familiares reunidos, sempre havendo respeito e apreciação pelos conselhos e sugestões dadas pelos pais e mães aos seus filhos. Estes, mesmo que não concordassem com algumas coisas, argumentavam com respeito e sem afrontamento.
 
 Hoje tudo mudou!
 Os falsos valores tomaram conta das cabeças dos jovens, e eles sentem-se donos do mundo  e conhecedores de tudo.
 
 A mídia e o modismo imperando em todos os aspectos de vida da juventude.
 
 As famílias não se reúnem mais, pois os pais saem para trabalhar, os filhos para estudar e trabalhar também,(isso quando trabalham e estudam) e ninguém se encontra mais.Todos chegam a noite, em horários diferentes, o lar funciona como se fosse um hotel.
 
 Alguns filhos resolvem optar pelo consumo de álcool e outros vícios, e passam suas horas livres ao lado de amigos, em bares e discotecas, ou motéis com suas namoradas que vão variando vez ou outra.
 Juventude desenfreada, a mídia tomando conta de tudo que é ilusório mas é tentador.E como sempre o que seduz também engana, assim caminha a nossa humanidade.
 Já vi dois tipos de famílias com comportamentos diferentes.
  Aquelas que sabem de tudo que seus filhos fazem de errado, mas ignoram dizendo: "meus filhos estão ótimos, nossa família é unida."
 Esses pais não querem atritos com seus filhos e aderem a todo modismo e mudança de comportamento, dizendo:"hoje é assim,não é mais como no meu tempo."
 
 Quanto ao outro comportamento que citei, são aqueles pais que brigam, contestam, não aceitam e nem fazem questão de terem atritos com seus filhos. Esses pais são chamados pelos jovens, de pais ultrapassados, que não os entendem, e cada vez mais se afastam do lar, pois lá ninguém os entendem.
 
 Mas chegou o dia das Mães!!!
 Nesse dia, alguns filhos prestam-lhe homenagem, pois a TV avisou:"Compre seu presente para aquela que lhe deu a vida".A televisão tem força sobre eles. E lá vão os lindos filhinhos, que o ano todo só souberam gritar, e magoar a mãe com disparates, beijar e abraçar a mãezinha.
 
 Mas a rainha do lar de antigamente desapareceu e, acho bom que ela se cuide logo, para não ficar sem lar e ir acabar seus dias em um asilo de velhos, quando esta perder as forças para continuar lutando.
 
 Acho que alguns jovens que lerem esta mensagem, dirão:"Eta mãe rabugenta!" risos
 
 
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o partir de um princípio...
josemir tadeu
 
 
A indagação
parte de um principio,
que por sua vez,
toma o resquício
como algesia.
 
E o rei,
quem seria?
 
Talvez distraída,
em sonhos que inebriam,
sequer percebestes a saída,
das lufadas de vento
que acizalharam de pó o tempo,
e uma grande vontade,
de procurar no âmago
do que se concerne
vertente de um cerne,
o que realmente a gente sente,
quando nos brindamos,
nos entregamos...
 
Fortalezas de altos muros?
Ou corrimão,
que nos orienta as mãos,
quando no escuro?
 
 josemir (ao longo...)
 
Volta Redonda - RJ - Brasil
 
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Uma noite a sós...
© Marilena Trujillo
 
Uma noite a sós... uma noite de amor...
De um sonho real.. espargindo desejos...
Uma noite de cálido e inebriante perfume,
É tudo o que você quer... e que eu almejo...
 
Uma noite em seus braços, misturando
Bocas, pernas, carinhos e amassos...
Roçar de pele, de mãos, confissões...
Delírios... frenesi... descompassos...
 
Uma noite só nossa... entre sedas...
Banhada de luz... como a lua, nua..
Segredos revelados...devassados...
Minha alma, toda encaixada na sua...
 
Licor nas taças, a paixão brindando,
Noite fulgurante... brasa... fogo!...
Cerejas vermelhas, beijos doces...
Agora tudo que for loucura, é pouco!
 
Uma noite só nossa, nas nuvens,
Na terra... no mar... no chão...
Tudo é vida, êxtase... comunhão...
Sublime entrega.. desmaio, adoração!
 
A noite é só nossa... vida minha...
De total carinho,  emoção... doação,
O sonho valeu... valeu a espera...
A saudade... valeu o amor no coração!

© Mary Trujillo
02.07.2006
 
São Paulo - SP - Brasil
 
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ENTREVISTA
 
 
 
 
Marise Ribeiro
 
 
Ligia: Qual é o seu nome completo?
Marise: Marise da Costa Ribeiro
 
Ligia: Quando e onde nasceu?
Marise: Na cidade do Rio de Janeiro, em 10/02/52
 
Ligia: Onde reside atualmente?
Marise: No bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro
 
Ligia: Qual é o seu estado civil?
Marise: Casada
 
Ligia: Qual é a sua atividade profissional?
Marise: Aposentada
 
Ligia: Você é uma pessoa caseira ou gosta de uma vida social mais agitada?
Marise: Adoro reunir os amigos ou estar com eles em algum lugar, mas ultimamente estou mais caseira.
 
Ligia: Quais as atividades de lazer que pratica?
Marise: Ir à cinema e teatro.
 
Ligia: Gosta de freqüentar restaurantes, bares ou bailes?
Marise: Já gostei mais; hoje prefiro reunir os amigos na minha casa ou ir à casa deles.  A troca de idéias é mais.
interativa e tranqüila.
 
Ligia: Qual é o seu prato preferido?
Marise: Como sou neta de portugueses, herdei o gosto por uma boa bacalhoada.  Aprecio os frutos do mar (exceto ostras).
.
Ligia: Qual é a sua bebida preferida?
Marise: Sucos de frutas
 
Ligia: Desde quando escreve?
Marise: Comecei há pouco tempo - abril de 2005 -, depois de ser incentivada e desafiada pela grande amiga e poeta
Ilka Vieira.
 
Ligia: Qual o livro que leu e mais gostou?
Marise: Talvez por terem sido as primeiras leituras importantes, após a fase das histórias infantis, dois livros me
marcaram: O Quinze, de Raquel de Queiroz e O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.
 
Ligia: Gosta de qual estilo literário, além da poesia?
Marise: Gosto daquele livro que me prende e que me deixa ávida a espera da página seguinte.  Isso pode acontecer
tanto com uma Biografia como com um Romance Policial.
 
Ligia: Como ingressou na Internet?
Marise: Fui convidada pelo Victor Jerónimo do Grupo Ecos da Poesia, depois de ser apresentada a ele pela Drica Del Nero.
 
Ligia: Qual é a sua opinião sobre o trabalho de divulgação da literatura através da Internet?
Marise: Acho importantíssimo, porque o mundo gráfico é oneroso e de difícil acesso para quem não tem uma projeção
nacional.  Quando lancei meu 1º e-book, recebi um e-mail elogioso de um grupo de pessoas de Porto Alegre, que se reuniam
para ler e discutir poesias. Eles haviam acessado a Editora Del Nero, gostaram do meu e-book e divulgaram a minha poesia
nessa reunião.  Para uma iniciante e mera desconhecida, foi muito gratificante.   
 
Ligia: Já conhecia o CEN "Cá Estamos Nós"?
Marise: Passei a conhecer o CEN ao receber repasses de outros poetas virtuais, então me associei ao Portal.  
 
Ligia: Conte-nos sobre seu processo de criação de maneira resumida e se sofre influência de algum autor em especial.
Marise: Apesar de ser admiradora de Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Augusto dos Anjos, Drummond e Cecília Meirelles,
minha poesia passa longe destes grandes nomes.  Dou asas às varias personagens que se apossam da minha alma e as deixo
falar por mim.  No meu poema Possessão, faço uma homenagem a essas musas.
 
Ligia: A escrita para você é um instrumento ou uma arma?
Marise: A escrita pode ser dos dois modos: se for usada para instruir, elevar a alma, glorificar alguém ou algo, prevenir
etc, ela será um instrumento, mas se a usarmos para caluniar ou disseminar um mal, ela será uma arma, e poderosíssima.
 
Ligia: Qual o período que prefere: dia, tarde ou noite?
Marise: Digo no meu poema Inspiração: "não há hora, tema ou lugar, para o poeta explodir em belezas, quando a
inspiração chegar"
 
Ligia: Gosta de animais? Quais? Tem algum em casa?
Marise: Sim.  Já tive dois cachorros e uma maritaca, mas depois que os cachorros morreram e a maritaca fugiu, não tive
mas nenhum animal.  Hoje, dedico um pouco do meu carinho aos animais, para a cadelinha Bruna, da amiga e vizinha Ilka
Vieira.
 
Ligia: Quais seus estilos musicais prediletos?
Marise: Bossa Nova, MPB (principalmente Chico Buarque), Rock (The Beatles) e Música Clássica (todos os compositores).
 
Ligia: Se considera uma pessoa religiosa?
Marise: Sim. O homem não deve viver sem fé, qualquer que seja sua religião.
 
Ligia: Tem livros publicados? Quais?
Marise: Não
 
Ligia: Tem e-books publicados? Quais?
Marise: Sim, dois.  As Cores da Maturidade e Quimeras, editados pela Del Nero Virtual Bookstore.
 
Ligia: Possui um web site? Qual o link?
Marise: Sim. Cenário de Sentimentos
http://www.mariseribeiro.com
 
Ligia: Qual é o seu e-mail para contato?
Marise:
mcrgil@gmail.com
 
Ligia: Gostaria de ingressar no CEN, e por quê?
Marise: Já faço parte da família do Portal CEN
 
 
 
 
 
 
POEMAS
 
 
Ser Poeta
 
Marise Ribeiro
 
Ser poeta é navegar no mar do imaginário,
singrar por um cenário de ilusões,
aportar suas palavras num estuário,
onde por elas anseiam ávidos corações.
 
Ser poeta é invadir a alcova dos amantes,
escutar seus sussurros e delírios,
espreitar até brigas lacrimejantes,
para contar em versos emocionantes.
 
Ser poeta é revoltar-se com a injustiça,
chorar diante da imensa pobreza,
gritar de peito aberto contra a vil cobiça
e transformar tudo isso em um toque de beleza.
 
Ser poeta é pintar da natureza os elementos,
vivenciando todos os acontecimentos,
é matizar sua arte com o exuberante alvorecer
ou pincelá-la com tons sombrios do anoitecer.
 
Ser poeta é cantar os antagonismos,
falar da vida, da morte, da lida, da sorte,
costurar o assunto com magnetismo,
para que ao infinito da alma nos transporte.
 
Ser poeta é experimentar por inteiro
o seu sentimento e o da humanidade,
é transbordar emoções feito um aguaceiro,
sem nunca deixar estiar sua verdade.
 
15/09/05
 
 
 
Possessão
 
Marise Ribeiro
 
Quantas mulheres há em mim?
Às vezes me pergunto e me perco na conta.
São tantas e tão diferentes que, enfim,
nem sei qual delas mais me afronta.
Será que são almas do passado,
atraídas a este corpo abandonado,
que vieram para me fazer companhia?
Não sei!  Sei que as tenho uma por dia.
Mulher ingênua, romântica,
mulher guerreira, faceira,
covarde, inteligente, vadia,
realizada, mal-amada,
carente, independente...
Mulher insana, profana,
sensual, intelectual, artificial...
Algumas ávidas e viscerais,
outras suaves e angelicais,
mas todas verdadeiramente mulheres,
e nada mais.
Há aquelas que, sem pudor,
se desnudam ao amor,
as que se calam diante da dor,
as que gritam seus tormentos...
Há as submissas,
as suicidas procurando lenimento.
Umas me fascinam,
outras me alucinam,
mas, com certeza, todas me dominam.
Quando acordo, uma vem logo me possuir
e sinto assim qual pele terei de vestir,
se de solidão ou de emoção,
se de felicidade ou de melancolia.
Todas são minhas bem-vindas musas,
pois, assim que surgem,
choram ou cantam em poesia.
 
24/04/06
 
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
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CEN SEMPRE
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