A
Revista “Falando de Trovas e de Trovadores”
rejubila-se em entrevistar o grande poeta e trovador
Orlando Woczikosky, Príncipe dos Trovadores do
Paraná, e que, por ser o único remanescente vivo dos
fundadores da UBT-Paraná (União Brasileira de
Trovadores do Paraná), e por sua vasta obra
trovadoresca, faz-lhe homenagem com o título
singular de “O Mais Ilustre Membro da UBT-Paraná da
Atualidade”.
Lairton: Qual o seu nome completo? Onde e quando
nasceu? Reside em que cidade?
Orlando: Meu nome completo é Orlando Woczikosky.
Nasci no bairro Xaxim, em Curitiba, a 08 de maio de
1927, onde resido.
Lairton: Voltando aos tempos da adolescência, como
era a sua cidade natal?
Orlando: Curitiba era pequena, com 110 mil
habitantes.
Lairton: Qual a sua formação profissional?
Orlando: Ginásio Industrial e Técnico Industrial,
pela Escola Técnica de Curitiba; Faculdade de
Educação da Universidade Federal do Paraná; C.P.O.R.
de Curitiba; etc..
Lairton: O Senhor foi, com certeza, um professor bem
sucedido, hoje merecidamente aposentado. Em que
estabelecimentos de ensino lecionou e que boas
lembranças tem das suas atividades docentes?
Orlando: Minha principal atividade foi lecionar
Desenho no Senai de Curitiba, por mais de 30 anos.
Na Escola Técnica de Comércio de Plácido e Silva,
lecionei Desenho e Caligrafia. No Colégio Parthenon,
lecionei Desenho e Educação Artística. No Ministério
do trabalho, lecionei Leitura e Interpretação de
Desenho no Curso de Segurança do Trabalho.
Lairton: Sabemos que é poeta e trovador de méritos
inquestionáveis. Como foi seu início na arte de
fazer trovas?
Orlando: Minha mãe ao se casar ficou morando com
meus avós maternos, onde nasci. Minha avó, Carolina
Krumann, gostava muito de quadras populares,
declamando-as e me ensinando a declamá-las, nos meus
primeiros anos, antes de nos mudar da casa dela.
Quando
tive os primeiros contactos com a poesia,
principalmente as de versos setissilábicos, notei a
grande facilidade em compor meus primeiros versos,
mesmo desconhecendo as regras da metrificação.
Em 06
de junho de 1948, escalando o Pico do Marumbi, na
Serra do Mar, diante de tal beleza, escrevi a minha
primeira poesia de algum valor: Marumbi. Dias
depois, mostrando essa poesia ao meu professor de
Português, Rosário Farani Mansur Guérios, quando ele
me perguntou se eu havia estudado metrificação,
respondi-lhe que nunca ouvi falar
em metrificação.
Ele, veementemente, me disse: “Ou
você é mentiroso, ou nasceu Poeta!” Mandou-me
procurar o livro Tratado de Versificação, de Olavo
Bilac e Guimarães Passos, por meio do qual aprendi
outros metros da poesia acadêmica.
Diante
do que me disse o saudoso Professor Mansur Guérios,
eu deduzi que não era mentiroso nem nasci poeta,
escrevi pela cadência dos versos que aprendi com as
quadrinhas ensinadas pela minha avó e que ficaram no
meu subconsciente.
Após me
casar, deixei de escrever por catorze anos.
Numa
festa de fim de ano, meu colega de escola e de
caçadas na Serra do Mar, o Professor Oswaldo
Ormianin, a quem eu havia declamado muitas das
minhas poesias do passado, solicitado a falar,
declinou do convite, indicando-me para, em vez de
discurso, declamar o “Marumbi”.
Para
não decepcioná-lo, o fiz, para espanto de todos que
não me sabiam poeta. O Diretor Regional do Senai do
Paraná, Dr. Antonio Theolindo Trevizan, incumbiu o
Professor Aluízio Plombon, Diretor da Escola de
Curitiba, a me solicitar todas as minhas poesias
para publicar um livro pelo Senai.
Como eu
não escrevia há muito tempo, mas sabia muitas, ainda
de cor, fui obrigado a escrever novas poesias, que
foram enfeixadas no meu primeiro livro, “Crepúsculo
da Minha Aurora”.
Nessa
época, apresentado ao Escritor Vasco José Taborda
Ribas, pelo seu primo, Dr. Apollo Taborda França,
que fora meu colega na Escola Técnica e no C.P.O.R.
de Curitiba, o Vasco me convidou para sócio do
Grêmio Brasileiro de Trovadores, quando tive os
primeiros contactos com a arte de trovar.
Lairton: Suas inspirações poéticas o levaram a
escrever mais poesias ou trovas?
Orlando: No ínicio, escrevia só poesias, atualmente,
com os movimentos trovadorescos surgidos no Brasil,
tenho me dedicado mais às trovas.
Lairton: Muitos trovadores têm preferência sobre
determinados temas. Alguns falam mais do amor;
outros, do sofrimento; outros preferem motivos
religiosos... E o Senhor? Qual foi o tema que mais o
levou a trovar?
Orlando: Eu sempre fui saudosista, mas aconteceu um
fato curioso na minha vida: Minha filha, com nove
anos, na época, ouviu na Rádio Clube Paranaense, a
instituição de um concurso de trovas de saudade e me
pediu que participasse. Escrevi e enviei algumas
trovas, despretensiosamente. Minha filha ouviu, no
programa seguinte, que eu havia sido contemplado com
vários gêneros alimentícios, oferecidos pelo
patrocinador do programa. Quis recusar em receber
tais prêmios, mas minha filha argumentou que seria
indelicado não recebê-los, então eu fui. Ao receber
os prêmios, o Dr. Ubiratã Lustosa, apresentador do
programa de saudade e Diretor Superintendente da
PRB2, Rádio Clube Paranaense, perguntou-me o nome do
livro que eu havia copiado tais trovas, dizendo que
conhecia a maior parte das melhores trovas de
saudade do Brasil e de Portugal e nunca teria ouvido
nenhuma das enviadas por mim. Ao lhe afirmar que eu
mesmo as escrevi, ele me pediu que continuasse a
colaborar, enviando trovas de saudade, ao que
concordei em enviá-las, com a condição de não mais
como concorrente, mas como mero colaborador. Tempo
depois, o Dr. Ubiratã me chamou, perguntando-me
quantas trovas eu já havia enviado ao seu programa.
Disse-lhe que mais de duzentas. Sugeriu-me que as
publicasse em livros de 100 (cem) trovas, como
estavam fazendo no Rio de Janeiro, por muitos
trovadores. Então, publiquei uma série de livros de
trovas alternando-os em saudade e não saudade. Eis
aí o porquê de escrever tantas trovas de saudade e
continuar a escrevê-las ainda, embora há vinte e
cinco anos não tenha mais publicado livros. O Dr.
Ubiratã Lustosa, já aposentado, continua, ainda,
apresentando o programa “Revivendo”, na Rádio
Educativa AM 630, todos os domingos, das sete às
oito horas da manhã, quando declama três trovas
minhas, de saudade.
Lairton: Pelo visto, o gosto pela trova é universal.
Em sua opinião, o que faz com que a trova seja tão
fascinante?
Orlando: Na minha opinião, o que faz com que a trova
seja tão fascinante é a sua versatilidade. A trova,
pelo seu poder de sintetizar, presta-se, como
nenhuma outra forma poética, para exaltar qualquer
acontecimento, tais como aniversário, nascimento,
formatura, pessoas, falecimento etc.. Um dos
melhores exemplos do que afirmo é a “Missa em
Trovas”, do grande trovador Antonio Augusto de
Assis, nascido em São Fidélis, no Estado do Rio de
Janeiro, residente na cidade de Maringá, no Estado
do Paraná, onde, com sua brilhante inteligência,
enaltece aquela cidade.
Lairton: A UBT - Paraná foi fundada numa época de
grande efervescência trovadoresca, e o Senhor é um
dos seus fundadores. Cite-nos os outros trovadores
que participaram da fundação da UBT- Paraná.
Orlando: A União Brasileira de Trovadores, no Estado
do Paraná, foi fundada a 10 de setembro de 1966, com
a presença da Embaixatriz da Trova, Magdalena Léia,
do Rio de Janeiro. Fomos seus fundadores: Vasco José
Taborda Ribas, Vera Vargas, Orlando Woczikosky,
Ermírio Barreto Coutinho da Silveira, José Augusto
Gumy e Oswaldo Portugal Lobato, dos quais, somente
eu ainda vivo.
Lairton: O grande valor de uma instituição
encontra-se nas suas finalidades. Quando da sua
fundação, quais os objetivos da UBT – Paraná?
Orlando: Um dos principais objetivos da fundação da
nossa UBT é cultuar e divulgar a trova, bem como
promover e formar novos trovadores, o que se
comprova pelo grande número de novos trovadores nas
escolas e nas cidades do Paraná.
Lairton: Pelos memoráveis anos de duração da UBT-
Paraná, sem dúvida, a Entidade obteve sucessos. Que
sucessos foram esses?
Orlando: Um dos maiores sucessos, como disse na
resposta anterior, foi o grande número de novos
trovadores, de novas seções e novas delegacias.
Outros grandes sucessos foram os vários concursos,
os jogos florais, em várias cidades, como por
exemplo, os Jogos Florais de Curitiba, que neste ano
realizou a XIV festa dos seus Jogos Florais.
Lairton: O seu primeiro livro editado de poesia tem
o título de “Crepúsculo da Minha Aurora”. Onde
encontrou inspiração para este título de excelente
sugestão poética?
Orlando: Foi numa tarde, quando vi um maravilhoso
pôr-do-sol, aliei esse quadro ao alvorecer e formei
essa antítese para nominar o meu primeiro livro.
Lairton: O seu repertório trovadoresco é extenso e
consistente. Quantos livros de trovas editou?
Pretende editar outros?
Orlando: Dez livros de trovas somente minhas e duas
Antologias de Trovadores do Paraná. Uma com 10
trovadores e 100 (cem) trovas e outra, com 25
trovadores com 250 (duzentas e cinqüenta) trovas,
ambas em colaboração com o meu grande amigo, o
Professor Vasco José Taborda. Todos os meus livros
foram editados nas oficinas de Artes Gráficas do
Senai, quando eu só pagava as custas do material.
Publicar novos livros, já não tenho o mesmo
entusiasmo nem condições financeiras para novas
publicações.
Lairton: Como se pode concluir, brilhante foi sua
participação no mundo da Literatura. Seus poemas e
trovas foram lidos por centenas e centenas de
pessoas. Fazendo uma retrospectiva, valeu a pena ter
sido poeta e, principalmente, trovador?
Orlando: Valeu plenamente, porque ser poeta e
trovador, principalmente no fim da vida, é muito
mais gratificantes do que possuir qualquer outro
título.
Lairton: Fale-nos a respeito da sua grande
descoberta sobre “quem nasceu primeiro: O ovo ou a
galinha”?
Orlando: O Vasco Taborda me fez aquela pergunta
clássica: “Quem nasceu primeiro, o ovo ou a
galinha?” Respondi-lhe de imediato: “Nenhum dos
dois! Foi o galo!”
Eu
deduzi que não descende o maior do menor e, como
analogia, se Deus fez por primeiro o homem,
certamente, fez por primeiro o galo.
Alguns
dias depois, entreguei ao Vasco minha PROVA
CONVINCENTE:
Gente
sábia ou adivinha,
me
responda bem ligeiro:
Quem
foi que nasceu primeiro,
foi o
ovo ou foi a galinha?
- Deixa
comigo que eu falo:
Pela
experiência minha,
não foi
ovo nem galinha,
Deus
fez por primeiro o galo.
Ao ver
o galo sem tanga
botando
no mundo a goela,
tirou
dele uma costela
fazendo
dela uma franga.
Depois
de uma conversinha
e de
uma boa “cantada”
que o
galo deu na coitada,
a
franga virou galinha.
Assim o
casal distinto
caiu na
boca do povo:
nascendo o primeiro ovo
e, do
ovo, o primeiro pinto.
Esclareci num repente,
essa
polêmica antiga.
Quem
não gostou que me diga
se há
prova mais convincente!
Lairton: Para finalizar, agradecemos ao Prof.
Orlando a honra que nos proporcionou. Esta
entrevista será divulgada, através do Portal CEN (Cá
Estamos nós), para mais de 23.000 endereços
eletrônicos de países do mundo que falam a Língua
Portuguesa. O Portal CEN, cujo presidente é o grande
escritor português Carlos Leite Ribeiro, representa
eficiente ponte literária e cultural entre o Brasil
e Portugal, prestando indescritível benefício à
nossa Literatura. Diante disso, poderia dizer
algumas palavras de apreço ao nosso querido PORTAL
CEN?
Orlando:
Não
tenho computador,
mas
pelo valor que tem,
minha
nota ao Portal CEN
é nota
cem: Com louvor!