Falando de

"Trovas e de Trovadores"

 

Nº  01 – Agosto de 2006

 

Editor: Lairton Trovão de Andrade

 

 ÍNDICE

· Falando de Trova

· Concursos de trovas

· Oficina de Trovas

· Trovas em Muros

· Trovas de Autores Imortais

· Cecim Calixto

· Cidinha Frigeri

· Leda Terezinha de Oliveira

· Nei Garcez

· Entrevista com Vânia Ennes



Falando de trova

A trova, dizem, é a forma poética mais popular da língua portuguesa. Há grande verdade nesta afirmação, dita primeiramente pelo brasileiríssimo Catulo da Paixão Cearense. Dificilmente alguém deixa de ler uma trova, principalmente se for bem elaborada, transmitindo uma idéia cheia de graça e valor.
A trova, por si só, exerce fascínio extraordinário sobre as pessoas de qualquer faixa etária ou camada cultural, porque é de sua natureza transmitir, em quatro versos apenas, um pensamento vivo, muitas vezes, com a profundidade de um discurso.
Com freqüência, a leitura de trovas é verdadeira higiene mental que reanima o estado de espírito das pessoas, com agradável injeção de humor, manifestando extraordinária síntese de sabedoria.
Por seus indeléveis ensinamentos, muitas delas são capazes de melhorar o caráter e a personalidade de leitores ou ouvintes e, por isso mesmo, têm o mérito de transformar almas humanas.
Existe, em Portugal e no Brasil, vasta literatura trovadoresca que sempre desperta interesse pelo seu estudo aplicado e exclusivo. Tanto lá como aqui, há exímios trovadores cujas trovas não morrerão no tempo, dado o altíssimo valor da forma e conteúdo que possuem.
Registramos aqui, com especial louvor, a UBT – União Brasileira de Trovadores, cuja sede atualmente encontra-se na cidade de Pouso Alegre/MG., onde reside o seu presidente.
A UBT conta com múltiplas seções e delegacias regionais pelo Brasil a fora, tendo por objetivo maior, o cultivo da trova, sua divulgação, além do convívio literário e fraterno dos trovadores.
Através da União Brasileira de Trovadores, há uma dinâmica indescritível na modalidade poética mais declamada, e quase que exclusiva, da língua portuguesa. Por isso, não é exagero afirmar que o movimento trovadoresco no Brasil, graças principalmente à ação da UBT, constitui atualíssima escola literária com atividades sensacionais.
Para mais facilmente atingir seus objetivos, a UBT promove Jogos Florais e incontáveis concursos de trovas, com a possível participação de trovadores de todo mundo lusófono e, até mesmo, da cultura hispânica.
A UBT constitui verdadeira confraria, em que os trovadores sentem-se como irmãos, inclusive relacionando-se desta forma entre si.. Não é à toa que São Francisco de Assis é o legítimo patrono dos trovadores. E, talvez, para exprimir essa ternura indescritível, elegeu-se a rosa como símbolo dos trovadores.
É importante lembrar também, com carinho e gratidão, do fantástico Portal CEN – “Cá Estamos Nós”, magnífica ponte literária entre Portugal e o Brasil, que, através do seu grande Presidente, Carlos Leite Ribeiro, verdadeiro mecenas e arauto da cultura literária, tem dado especial guarida às atividades trovadorescas.
Por feliz convenção, estabeleceu-se o dia 18 de julho como sendo o Dia do Trovador, numa justa homenagem ao imortal trovador Luiz Otávio, que teve papel preponderante na fundação da UBT – União Brasileira de Trovadores, oficialmente fundada em 08 de janeiro de 1967.
É evidente que toda referência que fazemos aqui é sobre a trova literária: Poema composto de quatro versos de sete sílabas poéticas, com rimas obrigatórias entre o 1º e o 3º, o 2º e o 4º versos, tendo sentido completo, além de precioso conteúdo e esmerada correção gramatical.
A DIRETORIA DA UBT NACIONAL é assim composta:

PRESIDENTE NACIONAL: Eduardo A.O. Toledo
VICE-PRESIDENTE NACIONAL: Arlindo Tadeu Hagen
SECRETÁRIO NACIONAL: Izo Goldman

Pertencem ao CONSELHO NACIONAL:
Presidente: Flávio Roberto Stefani
Secretário: Rodolpho Abbud

A UBT – Paraná é composta pelos seguintes membros:
Presidente: Vânia Maria Souza Ennes
Vice-Presidente: Maria Lúcia Daloce Castanho
Secretário: Nei Garcez

Conselho Estadual
Presidente: Dari Pereira
Vice-Presidente: Apollo Taborda França
Secretária: Maria Aparecida Frigeri


Concluímos dizendo que a UBT está presente nos estados brasileiros, através de suas diretorias estaduais, de suas seções e inúmeras delegacias regionais, em unidade com a Diretoria Nacional, constituindo verdadeiro organismo harmônico, literário e fraterno.

O Editor


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CONCURSO INTERNACIONAL DE TROVAS BRASIL-PORTUGAL - 2006


PROMOÇÃO:

Vice-Presidente do Elos Internacional para América do Sul

Elos Clube de Londrina

Casa de Cultura José Gonzaga Vieira

UBT – SEÇÃO LONDRINA = Apoio


TROVA: - Poesia composta de 4 versos de sete sílabas cada um, rimando o 1º com o 3º verso e o 2º com o 4º, com sentido completo.

Ex.: Hoje os rios caudalosos
descem cantando suas mágoas
dos tempos idos, saudosos,
em que eram puras suas águas...


Modalidades: Trovas Líricas e Filosóficas

Tema: ÁGUA – (líquido precioso, sem o qual não podemos viver).

Prazo: 31/ 08/2006


Normas:

1. Máximo de 2 (duas) Trovas por trovador, enviadas de uma só vez. Sistema de envelopes.

Enviar para: Rua Pio XII, 97 – 1102 – 86020.380 – Londrina/PR/BRASIL.

2. Premiação: Sempre por ordem alfabética:

a) Troféu e Diploma para 05 (cinco) vencedores

b) Medalha e Diploma para Menções Honrosas

c) Diploma para Menções Especiais

d) Publicação das Trovas Premiadas.

3. Os autores das Trovas autorizam sua publicação no livro “Elistas Escrevem IV”, a ser editado pela Vice-Presidência do Elos Internacional para a América do Sul e demais promotores, em 2007, sem ônus de nenhuma espécie.

4. Poderão participar do Concurso todos os trovadores, sócios elistas ou não, desde que em Língua Portuguesa.

5. Haverá uma Comissão Julgadora composta de Poetas e Professores de Literatura, à qual é vedada a participação neste Concurso. As decisões da Comissão serão definitivas. Caberá também à Comissão julgadora resolver os casos omissos.

6. A participação no Concurso indica aceitação plena de suas normas.

7. A premiação será feita em reunião-jantar do Elos Clube de Londrina, no dia 08/11/2006. Os premiados serão avisados em tempo hábil. Os parcos recursos financeiros nos impedem de oferecer viagem e estadia aos premiados, Mas ficaremos felizes com a presença do maior número de participantes.


Londrina, maio de 2006.
A Organização.



XXVI CONCURSO NACIONAL DE TROVAS

DA ACADEMIA DE TROVAS DO RIO GRANDE DO NORTE


Rua Raimundo Chaves, nº 1652 – j 30

Condomínio West Park-Boulevard

(Candelária)

59064-390 – Natal – RN/ BRASIL

Tema: TRABAHO (L/F)

Sistema de envelopes. Máximo de 3 trovas por concorrente. ATÉ 15.09.06



XX JOGOS FLORAIS DE AURPICAS


Avenida dos Aviadores nº 9

7580-151 Alcácer do Sal – Portugal

Modalidade: Quadra Popular (Trova)

Tema: ALCACER E SEUS ENCANTOS

Máximo de 2 trovas datilografadas cada uma delas em uma folha A4, espaço 2, sob o mesmo pseudônimo as duas, em 2 vias. Acompanha envelope de identificação tendo por fora a modalidade e o pseudônimo, e, por dentro, um papel com: modalidade, pseudônimo, nome e endereço completos e assinatura. ATÉ 10.10.06.



27º ENCONTRO DE TROVADORES DE PETRÓPOLIS


Academia Petropolitana de Letras

Praça da Liberdade , 247

25685-050 Petrópolis – RJ/BRASIL

Tema: TEATRO (L/F) valendo palavras relacionadas:

Camarim,platéia, ribalta, cortina, coxia, ponto,etc.

Sistema de envelopes. Máximo de 5 trovas por concorrente.

ATÉ 15.10.06



III CONCURSO LITERÁRIO CIDADE DE MARINGÁ

Academia de Letras de Maringá

Caixa Postal 982

87001-970 Maringá-PR/BRASIL

Tema: COLHEITA (L/F)

Sistema de envelopes. Máximo de 3 trovas por concorrente. ATÉ 31.10.06





OFICINA DE TROVAS


Registrou-se numa das salas de aula do Colégio Estadual Leonardo Francisco Nogueira, Ensino Médio, de Pinhalão, Paraná, Brasil, a primeira oficina de trovas, no período de 06 a 10 de maio do ano 2006.

Foi uma experiência fantástica, onde um grupo de 15 alunos participou com entusiasmo de todas as atividades propostas.

O evento esteve sob a responsabilidade da oficineira Lêda Terezinha de Oliveira e seus auxiliares: Regina Maria Siqueira, Zilda Nicolau e Celter Walh.

Não faltou incentivo aos participantes.

O Prof. Lairton Trovão de Andrade ministrou aula sobre a arte de fazer trovas, conforme as normas atuais. Discorreu também sobre a UBT – União Brasileira de Trovadores, enaltecendo-a pelos inúmeros benefícios à trova, como forma de expressão poética presente.

Com intuito de incentivar os participantes da Oficina de Trovas, estiveram, em visita, funcionárias do Núcleo Regional de Educação, que teve, como representante maior daquela Entidade, a Profa. Neila Alves Teixeira.


Graças à primeira oficina de trovas, inúmeras “trovinhas”, feitas com diligência e carinho, foram expostas em murais.

O evento contou com o irrestrito apoio da Direção do Colégio e da sua Equipe Pedagógica, para que fosse verdadeiro sucesso e atingisse o objetivo proposto.

Hoje podemos assim contemplar alguns frutos, surgindo na pequena comunidade de Pinhalão.




TROVAS EM MURO



Seguindo sugestão da Diretoria da UBT-Paraná e, dando início ao movimento trovadoresco na cidade de Pinhalão-PR/BRASIL, os muros do Colégio Estadual Leonardo Francisco Nogueira, Ensino Médio, foram ornamentados com trovas patrióticas e educacionais com o total apoio do Diretor Gilberto A.Hito e da sua Equipe Pedagógica.



TROVAS DE AUTORES IMORTAIS


O poeta é um fingidor.

finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente!

Fernando Pessoa



Bem-te-vi, que estás cantando

nos ramos da madrugada,

por muito que tenhas visto,

juro que não viste nada.

 

Cecília Meirelles

 



A mais tremenda das armas

pior do que a durindana,

atende, meus bons amigos,

se apelida – a língua humana.


Fagundes Varela


 


Haverá queixa mais justa

Que a do feliz que se queixa?

Ai, o bem que menos custa

Custa a saudade que deixa.

Vicente de Carvalho



Duas almas deves ter...

é um conselho dos mais sábios:

Uma no fundo do ser,

outra boiando nos lábios.

Raul de Leoni




Eis aqui este sambinha

feito de uma nota só...

Outras notas vão entrar,

mas a base é uma só...

Tom Jobim





CECIM CALIXTO

– Tomazina/PR/BRASIL



Encontrei na minha trova

a vontade de escrever.

A paixão por coisa nova

faz a gente renascer.


Para mim a ecologia

é sagrado compromisso.

É meu sonho ver um dia

pescador só de caniço.


Parabéns ao meu país

que já sabe o que mais quero:

ver o povo mais feliz

sem governo nota zero.


Se quiser ser benfeitor

dê aos pobres à mão cheia.

Põe de lado o desamor

e os convide à sua ceia.


Todo artista que se preza

faz soneto sem desdouro:

nos sonetos pinta e reza

o prenúncio de um tesouro.


Parabéns! Quinhentos anos

desta pátria varonil.

Nosso abraço aos lusitanos

mui queridos do Brasil.




CIDINHA FRIGERI

– Londrina/PR/BRASIL



A linda trova na rua

é o direito de sonhar

com a doce luz da lua...

... do trovador é o luar!


Hoje os rios caudalosos

descem cantando suas mágoas

dos tempos idos, saudosos,

em que eram puras suas águas...


O pão e o vinho, que trago

à mesa para nós dois,

são muito mais que um afago,

visando o agora e o depois.


Esta chama que hoje acendo,

para juntar-me à sua luz,

é como prece envolvendo

o árduo caminho da cruz.


Se eu for a todos dizer

o que está em meu coração,

num livro não vai caber

toda a minha gratidão.


A palavra mais bonita

que um dia hei pronunciado,

sempre em minh´alma palpita

a repetir: obrigado...





LÊDA TEREZINHA DE OLIVEIRA

- Pinhalão/PR/Brasil



Nem a fogueira ardente

da noite de São João

aquece o frio inclemente

que mora em meu coração


Primavera colorida,

estação de belas flores!

A primavera da vida

lembra a estação dos amores.


Quando má e ferina língua

põe-se a soltar seu veneno,

o que há em volta se mingua

como grama sem sereno.


Filhos trazem alegria,

filhos, paixão da gente,

vivem fazendo folia,

mas são anjos inocentes.


De mãos dadas vamos juntos

pelos caminhos da vida,

onde os tropeços são muitos,

e a batalha é renhida.


Uma saudade doída

Me vem assim de repente,

Papai deixou esta vida,

Foi morar longe da gente.



.

NEI GARCEZ

- Curitiba/PR/BRASIL



Tão pequena na estrutura,

muito esbelta na linguagem,

nossa trova é cultura

e completa na mensagem.


No teatro desta vida

cada qual faz sua história:

se não for bem aplaudida

é vaiada e vexatória.


Quando a lua assim levita,

cheia, junto a terra e mar,

forma a imagem mais bonita

que só Deus nos pode dar.


O astronauta que flutua

muito tem a lamentar:

quanto mais perto da lua

mais distante do luar.


A mais bela natureza

foi o próprio Deus que fê-la:

os meus olhos... que beleza!

Só assim eu posso vê-la.


A amizade, na verdade,

é respeito todo dia,

e com reciprocidade

na confiança e simpatia.




Entrevista com Vânia Ennes



Para fechar com galhardia as páginas desta Revista, temos o prazer de entrevistar a gentil poetisa e trovadora, Vânia Ennes, que, por méritos inquestionáveis, tornou-se Presidente da UBT- União Brasileira de Trovadores – do Estado do Paraná/Brasil.


Lairton: Qual o seu nome completo, onde nasceu e reside?
Vânia: Meu nome é Vânia Maria Souza Ennes e sou natural de Curitiba – Paraná, cidade onde resido.

Lairton: Sente-se feliz na cidade, onde vive? O que a leva a sentir-se assim?
Vânia: Sou feliz por ser curitibana e sinto muito orgulho por ter nascido aqui, terra dos meus antepassados, tanto do lado materno quanto paterno. Ambos bandeirantes, procedentes das 13 famílias que vieram de São Paulo para colonizar esta região, quando, em 1693, foi chamada de Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e, anos mais tarde, foi denominada Curitiba.
Quando penso nisto, fico imaginando a coragem, a disposição, a abnegação e o talento construtivo desses pioneiros empreendedores.
Sinto-me muito bem aqui porque hoje, 313 anos após sua fundação, Curitiba é uma cidade onde, ainda, se respira o verde.
Posso dizer que vivemos numa cidade organizada e, devido à boa imagem que conquistou nacional e internacionalmente, foi reconhecida como “Capital Americana da Cultura/2003”.
Curitiba possui 26 parques e cerca de 81 milhões de metros quadrados de área verde preservada. São 55 metros quadrados de área verde por habitante, três vezes superior ao índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde e, por isso, possui o título de “Capital Ecológica”.

Lairton: Qual a sua formação universitária, e que profissão desempenha?
Vânia: Sou formada em Administração de Empresas com habilitação em Comércio Exterior e, no momento, estou cursando o 3º ano do Curso de Direito. Desempenho minha profissão na área administrativa empresarial.

Lairton: Como foi a sua iniciação na poesia e na trova?
Vânia: Neta, sobrinha e filha de poetas, trouxe do berço o gosto pela poesia, literatura e pela arte. Aos 9 anos tive minha primeira poesia publicada em jornal, e, aos 10 anos, fui convidada para entrevistar, na Rádio PRB2, o ilustre Jornalista carioca Ibraim Sued, por ocasião da sua passagem por Curitiba.

Lairton: Sente-se suficientemente realizada?
Vânia: Sim, a vida me deu muito mais do que havia imaginado.


Lairton: Em sua opinião, por que a trova tem tanto destaque na história do povo luso-brasileiro?
Vânia: O destaque na história do povo luso-brasileiro é porque a “nossa” trova, de hoje, passou pela quadra portuguesa. E por ser uma composição curta, leve, agradável, tão ao gosto do povo, ela se difundiu entre nós, refletindo-se, por exemplo, nas quadras populares, nas cantigas de roda, nos folguedos e na arte repentista.
E assim, foram surgindo quadras bem elaboradas e tão apreciadas que ganharam espaço, elevando-se a uma categoria literária mais formal.
Embora pareça fácil, a boa trova requer muita arte e a verve de um verdadeiro poeta, combinando a perfeição da forma com a beleza do conteúdo em apenas 28 sílabas métricas.
Cabe ressaltar, aqui, que o termo “trovador” se reporta aos poetas portugueses da Idade Média, que ao som da lira recitavam nos palácios dos nobres. Suas criações poéticas eram as chamadas “cantigas”, e nada tinham de comum com o aspecto formal da nossa trova de hoje.
Rememorando, no Brasil, após a revolução nas Letras, com a Semana da Arte Moderna, em 1922, duas formas de poesia clássica resistiram e continuam intensamente cultivadas até hoje, Uma delas é a trova; a outra, o soneto.
Como sabemos, a trova é um poema curto, composto de uma única estrofe. Esta estrofe é uma quadra, isto é, formada de quatro versos paralelos. Cada verso contém sete pés, ou sete sílabas métricas. Pois bem! Para uma quadra ser considerada trova, dentro desse conceito atual, deve ser única, independente, sem título e – eis o mais importante – deve ter sentido completo.
Parece fácil, mas a boa trova deve ser bem elaborada, de forma perfeita e excelente conteúdo.


Lairton: Apesar da grandeza da trova e da sua popularidade, nota-se aqui um paradoxo: Porque, nas escolas, a trova ainda não é estudada na mesma proporção das outras formas literárias? O que fazer para resolver esta questão?
Vânia: Na minha visão, a trova não é estuda como deveria, por falta única e exclusiva de interesse, aliado à falta de maior atenção à realidade literária presente, por parte dos dirigentes educacionais. Tem-se, ainda, descaso, ou mesmo ignorância das entidades governamentais, em melhor desenvolver a criatividade mental do ser humano.
A solução definitiva, para esta questão, é apresentar um projeto, demonstrar e convencer o Ministro da Educação e Cultura, Secretários da Educação e Cultura e outros, dos inúmeros benefícios dessa modalidade poética. Fazê-los entender que a Trova, através da poética dos versos com bons pensamentos, com princípios de integridade moral, de civismo e da ética, pode educar, distrair, aumentar o vocabulário, desenvolver o raciocínio, intensificar a criatividade e ensinar a humanidade sobre conceitos, idéias e ideais jamais imaginados, em apenas quatro versos. E com que facilidade! E com que rapidez!
Para isso tornar-se realidade, bastaria incluir a Trova, de forma obrigatória, na Grade Curricular de Ensino em todo o Brasil. Poderia ser na área de Literatura ou na de Ensino da Língua Portuguesa.

Lairton: Tendo se tornado Presidente da UBT do Paraná, já teve a felicidade de realizar feitos importantes em favor da trova. Qual a meta prioritária da sua administração?
Vânia: Fui presidente por três gestões consecutivas da UBT Seção de Curitiba/PR e tive a oportunidade de empreender, juntamente com uma brilhante diretoria, grandes projetos em favor da Trova.
O maior deles foi a brilhante parceria da UBT Curitiba com a Brasil Telecom, ao colocar no mercado 440.000 cartões de telefones públicos, com trovas de renomados trovadores paranaenses.
A Brasil Telecom investiu na Trova e no Trovador, consciente da importância do seu papel educativo no desenvolvimento do nosso estado e, principalmente, no aprimoramento do povo brasileiro. Essa parceria resultou num passo gigantesco em prol da Cultura e da Cidadania do nosso Estado e do nosso País.
Entre outras, uma grande realização foi em parceira com a URBS de Curitiba S/A, quando trovas educativas de trânsito invadiram as ruas de Curitiba. Foram colocadas nas esquinas, em cima das placas indicativas do nomes das ruas e Curitiba virou uma antologia de Trovadores.
Já, na qualidade de Presidente da UBT Estadual do Paraná, cargo assumido em março de 2006, juntamente com uma eficiente diretoria, estamos trabalhando no sentido de aumentar, significativamente, o número de Novas Seções e Delegacias no Estado. O saldo é positivo. Quando assumimos, éramos 6 (seis) entre Seções e Delegacias. Hoje, cinco meses depois, somos 14 (quatorze). Já lançamos o Boletim Informativo nº 1, ano 1, para melhor integração dos trovadores paranaenses com o resto do País.
A meta prioritária, agora, é crescer muito, muito mais.

Lairton: É autora do CEN – “Cá Estamos nós”? – O que o CEN representa para você?
Vânia: Sim. O CEN é um brilhante e árduo trabalho de incentivo e democratização da cultura e da arte literária que une intelectuais, no âmbito internacional. Uma progressão geométrica fantástica!

Lairton: Tem algum projeto literário para o futuro?
Vânia: Sim, tantos que não encontro tempo para realizá-los.

Lairton: Já editou ou pretende editar algum livro e/ ou livro eletrônico? Cite-nos seus títulos.
Vânia: Já editei opúsculos referentes a genealogia de minha família, pelo lado paterno. São eles: “Resgatando o Passado da Família Marés de Souza I, II, III, IV e V”.
Tenho, ainda, vários outros em andamento para publicação.

Lairton: No universo de leitores, muitos adolescentes irão ler esta entrevista. Que incentivo daria a eles, a fim de que, respeitando seus pendores, venham a ser (quem sabe?) trovadores brilhantes?
Vânia: O assunto é muito vasto. O que eu melhor posso dizer é que a Trova, sendo um jogo de palavras inteligentes, mantém nossos neurônios ocupados, ativa nosso cérebro, estimula a agilidade dos nossos pensamentos, desconhece fronteiras mentais e dá mais colorido à nossa vida.
Pela força e riqueza de seu conteúdo de fácil memorização, pode-se chegar, até, mudar a mentalidade de um povo ou de uma nação, conforme a popularidade que é possível alcançarmos em seus quatro versos.
Entendo que a trova opera milagres!

Lairton: Na conclusão desta entrevista, escreva-nos algumas trovas de sua autoria, e agradecemos muito a sua importante participação. Um grande abraço!


Vânia:

 

Eu não mudo de país,
nem de cidade ou estado,
porque aqui sou bem feliz...
exatamente... ao seu lado!!!


Romântico e apaixonado,
meu pensamento flutua,
vai ao céu... volta zoado:
Vive no mundo da lua!


Acalmar gesto impulsivo
num conflito sem razão:
Medicinal... curativo...
é a humildade e o perdão!


Reconheço que a razão
me exerce extremo fascínio,
mas, se acerta o coração...
perco o rumo e o raciocínio!


Mãos que orientam crianças,
seja na escrita ou leitura,
mostram sinais de alianças
de nobreza e de ventura!


Educação e cultura,
seriedade e competência
é alvo certo de ventura
que aguardamos com urgência!


Quero um planeta perfeito,
sem guerra, sem corrupção.
Povo justo e satisfeito,
respeitando seu irmão!



Obrigada, prezado trovador Lairton,
pela oportunidade da entrevista.
Receba meu fraterno abraço!

CEN SEMPRE!