MÚSICAS
 

Revista Trovia UBT - Maringá - PR

Ano 8 – nº 91 – Janeiro/Fevereiro - 2007

Editor: Antonio Augusto de Assis (A. A. de Assis)

Formatação e Arte: Iara Melo

O que você faz pela trova é tão importante quanto as trovas que você faz


Waldir, o Mestre
 

Waldir Neves (Rio de Janeiro, 10 de junho de 1924 – 24 de janeiro de 2007. Casado com D. Conceição Tavares Neves. Advogado. Um dos mais perfeitos poetas de todos os tempos. Autor de versos como estes: Velho cultor de utopias / e de ambições sobranceiras, / sonho ver, ainda em meus dias, / um mundo igual, sem fronteiras!) – Que pena que eles não possam ficar pelo menos mil anos por aqui! A gente sabe que passam a viver num lugar mais bonito, mais alegre, mais assim como a bela utopia do querido Mestre carioca –  o céu dos puros de coração. Mas a saudade fica batendo muito forte. Que falta você nos faz, Waldir! Vamos todos sentir um vazio enorme sem você. Sua voz amiga, seu olhar sereno, seu gostoso sorriso, seu paternal carinho no trato com os novos. Ah, Waldir, que triste é ficar longe de você! Mas a vida é assim mesmo. Você veio, multiplicou talentos, semeou bondade, produziu poesia belíssima, cumpriu encantadoramente sua missão neste planeta. Agora vai fazer companhia a Luiz Otávio, Zé Maria, Aparício, Elton, Madalena Léa, Lilinha, São Francisco de Assis, um punhado de geniais parceiros de viola e rima. Dê um abraço em cada um deles, Waldir, em nome de todos nós que provisoriamente aqui permanecemos. Um dia estaremos juntos outra vez. E numa festa interminável formaremos aí no céu, de mãos dadas com os anjos da paz, a maior roda de trovas de todos os séculos!

 


PORTALCEN – A maior ponte literária Brasil-Portugal

 

Inesquecíveis
 

– Bom dia, Felicidade...
com tanta pressa aonde vais?
– Vou plantar uma saudade
onde o amor não volta mais!...
Augusto Rubião
 

Eu penso, quando anoitece,
vendo o céu todo em fulgor,
que cada estrela é uma prece
aos pés de Nosso Senhor!
Colombina
 

Nos olhos de uma criança
pus meu olhar fatigado:
– vi quanto é grande a distância
entre a inocência e o pecado!
Corrêa Júnior
 

Põe o melhor dos sapatos,
se vais dar um passo em falso.
– O mundo apenas condena
quem deu tal passo descalço...
Edson Macedo
 

Eis que o destino descobre
a sorte que Deus me deu:
ninguém na vida é mais pobre...
nem mais feliz do que eu!
Latour Arueira
 

Por amar já sofri tanto
que sinto, por meus cuidados,
que o mar é feito do pranto
dos olhos dos namorados...
Renê Guimarães
 
 

Trovia
Para correspondência:
A. A. de Assis
 Rua Arthur Thomas, 259 – ap. 702
87013-250 – Maringá-PR
Tel. (44) 3227-4311
 
 

Revista
 
XLVIII Jogos Florais de Nova Friburgo

Nacional: MENSAGEM (L-F) e PIMENTA (H)

A/C Nádia Huguenin. Rua Emília Barroso, 128 NOVA FRIBURGO-RJ – 28621-290.
Estadual-RJ: CAPARICHO (L-F) e CELULAR (H). A/C João Freire Filho. Rua Parintins, 200 – casa 08 – Jacarepaguá – RIO DE JANEIRO-RJ – 21321-190. Máx. 3. Até 28-02
 
 
Concurso da Casa do Mestre 2007

Trova: PAZ (L-F) e OVO (H). Soneto: SUSSURRO. Poema: FLOR. Trova: sistema de envelopes, escrevendo acima da trova o estado de origem. Soneto e poema: em 05 vias. Um trabalho em cada modalidade. A/C de Matta Freire. Caixa Postal 093906 – Piabetá – MAGÉ-RJ – 25915-000. Até 31-03
 
 
XXX Jogos Florais de Pouso Alegre

Trova: LUAR (L-F). Haicai: ESTRELA. Soneto: OLHOS ou OLHAR, Poesia livre: PRIMAVERA. Crônica: MOTIVOS JUNINOS. Conto: UMA NOITE DE NATAL. Trova: máximo 3. Haicai: máx. um  (sist envelopes). Demais itens: um trabalho em cada modalidade, em 03 vias, com pseudônimo. Caixa Postal 181 – POUSO ALEGRE-MG – 37550-000.  Até 30-04
 

XVII Concurso de Pindamonhangaba

Nacional: LUZ; estadual (SP): ALENTO; regional: TREVAS. Biblioteca Ver. Rômulo D’ Arace. Lad. Barão de Pindamonhangaba, s/n – Bosque – PINDAMONHNAGABA-SP – 12401-320. Máx. 3. Até 30-04 
 
 
Concurso de Trovas UBT- Monitor

Homenagem aos 173 anos do jornal  Monitor Campista. Tema: TRADIÇÃO (L-F). Máx. 3. Rua João Pessoa, 202 – CAMPOS DOS GOYTACAZES-RJ. 28010-250. Até 30-04

XXXVII Jogos Florais de Niterói

Nacional: PENUMBRA. Est.-RJ: ALVORADA. Caixa Postal 100.518 – NITERÓI-RJ – 24001-970. Máx. 3. Até 31-05

 
I Juegos Florales de Buenos Aires
Tema para trovadores de língua portuguesa: TANGO. Para língua espanhola: SAMBA. A/C Nora Lanzieri. Capdevilla 3341 PB7 (1431) – Capital Federal – BUENOS AIRES – Argentina. Máximo 5. Até 31-05.
 
 
 
 
Humorísticas

 
 Nossa foto, na "lixeira",
meu amor, levou "delet".
Vou procurar quem me queira,
noutro "site da Internet"

Cristiane Brotto – Curitiba
 

Foi fantasma!... Creia em mim!
diz a soprano ao marido.
– Fantasma no camarim?
– E’ o da ópera, querido!!!

Edmar Japiassú Maia – Rio
 

No jogo da vida é assim:
tem encrenca e desacato,
e, quando ele chega ao fim,
a mãe de alguém paga o pato...

Ercy Marques de Faria – Bauru
 

– Acaso tu tem morim?
– Tenho sim... ma-qui-cô-qué?
– Uai, uai... assim, assim...
de caqué-cô qui tivé...

Osvaldo Reis – Maringá
 

Por vaidosa a tartaruga
olha no espelho e faz planos
de remover uma ruga
surgida aos 200 anos!

Pedro Ornellas – São Paulo
 

Um degrau eu sempre subo
quando a grana é insuficiente
e pulo em cima do tubo
pra sair pasta de dente...

Renata Paccola – São Paulo

 

Líricas e filosóficas
 

Ou o amor enfim nos faz
desarmar o coração,
ou do cachimbo da paz
nem as cinzas sobrarão!

A. A. de Assis – Maringá
 

Eu vi crianças brincando
junto de lindas roseiras,
como aves cantarolando
nos ninhos, todas faceiras!

Agostinho Rodrigues – Campos
 

Da viagem pouco importa
minhas dores e cansaços,
se ao voltar te encontro à porta
a receber-me nos braços!

Amália Max – Ponta Grossa
 

Eu quero ser o seu vinho,
o cálice que inebria;
ser seu parceiro no ninho,
ser madrugada, seu dia!

A. M. A. Sardenberg –  São Fidélis
 

Quem tem amigos por perto
vence qualquer desafio.
Só o tolo enfrenta o deserto
levando o cantil vazio!

Arlindo T. Hagen – B. Horizonte
 

Se eu for a todos dizer
o que está em meu coração,
num livro não vai caber
toda a minha gratidão.

Cidinha Frigeri – Londrina
 

Eu confesso hoje, sem medo,
que este amor em mim guardado
não é só o meu segredo,
é também o meu pecado!

Clenir Neves Ribeiro – N. Friburgo
 

Tem gente que tanto mente,
conta lorota, faz fita,
que, da verdade descrente,
nem em si próprio acredita.

Clevane Pessoa – B. Horizonte
 

Sofrem tantos na agonia
do delírio, dito "amor";
isso tudo acaba um dia:
faz  frio após o calor...

Diamantino Ferreira – São Fidélis
 

Poeta mantém acesa
a chama do amor fecundo,
minimizando a tristeza
e as dores cruéis do mundo.

Djalma Mota – Caicó
 

Não te rendas nunca à dor,
se o teu bem tem rumo incerto,
pois, muitas vezes, no amor,
esse longe é muito perto!

Eduardo Toledo – Pouso Alegre
 

Minhas mágoas disciplino
com a força da oração:
tenho um médico divino
que jamais deixa o plantão!

Élbea Priscila – Caçapava
 

Minha jangada, tristonha,
abandonada no cais,
vela içada, ainda sonha
com ventos do nunca mais!

Fernando Câncio – Fortaleza
 

Deus, garimpeiro maior,
vai, no seu mister profundo,
salvando o bom e o melhor
que há nos garimpos do mundo.

Flávio Stefani – Porto Alegre
 

Vou revelar o caminho
de uma longa vida-a-dois:
é trocar muito carinho
antes, durante e depois.

Francisco Macedo – Natal
 

Tuas palavras magoam,
mas te perdôo, pois, enfim,
são abelhas que ferroam
mas que dão mel para mim.

Francisco Pessoa – Fortaleza
 

Meus lábios apaixonados
bebem o orvalho dos teus,
desses teus lábios molhados
que sonham com os lábios meus!

Gislaine Canales – B. Camboriú
 

Sem esquinas... sem saídas...
muitas vidas são assim...
Ruas retas e compridas,
e um grande portão no fim...

Izo Goldman – São Paulo
 

No silêncio da memória,
onde a saudade faz ninhos,
eu deixei a nossa história
e vivo a paz dos sozinhos!

Joaquim Carlos – N. Friburgo
 

Insisto em que não desistas
jamais das glórias que queiras:
antes das grandes conquistas
erguem-se as gandes barreiras!

Josafá Sobreira da Silva – Rio
 

Julgo ouvir versos... Bobagem.
Só pode ser utopia:
a brisa, o orvalho, a ramagem
não declamam poesia!...

José Ouverney – Pinda
 

Saudade, que dor enorme,
é triste o nosso sentir:
você se deita e não dorme
e nem me deixa dormir!

José Valdez C. Moura – Pinda
 

Na pouca pressa que tens
de aliviar minha saudade,
enquanto espero e não vens,
transcorre uma eternidade!

Lucília Decarli – Bandeirantes
 

Com pás  eram carregadas,
no frio de uma clareira,
as palavras congeladas
pra derreter na fogueira!

Maria Eliana Palma – Maringá
 

Pelas procelas da vida
passei tanto vendaval...
A cada onda vencida
nela afundei o meu mal!

Ma. José Fraqueza – Portugal
 

Para este amor, que a nós dois
tomou – assim de improviso –,
não houve “antes” nem “depois”;
houve o “momento preciso”!

Ma. Madalena Ferreira – Magé
 

Com volúpia e desvario,
neste amor vou mergulhar...
Eu me sinto como o rio,
que se atira para o mar!

Ma. Thereza Cavalheiro – S. Paulo
 

O poeta, em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
tem sempre um sopro de vida
que o leva além do horizonte...

Milton Nunes Loureiro – Niterói
 

Na trova e no trovador
é que se encontram, suponho,
criatura e criador
unidos no mesmo sonho!

Nádia Huguenin – N. Friburgo
 

Lá fora, nada me importa,
e esqueço da vida ingrata,
quando você fecha a porta...
e tira o nó da gravata!

Neide Rocha Portugal – Bandeirantes
 

O astronauta que flutua
muito tem a lamentar:
quanto mais perto da lua
mais distante do luar.

Nei Garcez – Curitiba
 

Neste mundo conturbado,
todos nós, mesmo os ateus,,
temos encontro marcado
no fim da vida com Deus.

Olga Agulhon – Maringá
 

A cuca me põe à prova,
quando me acende esta idéia:
se tudo cabe na trova,
para que serve a epopéia?

Raymundo S. Brasil – Salvador
 

Amor de perdas e danos,
triste contabilidade:
resgate dos desenganos,
sobras do caixa-saudade!

Selma Spinelli – São Paulo
 

Chora o nenê. Fico olhando
e me enlevo, a refletir:
a sua emoção chorando
faz minha emoção sorrir.

Vanda F. Queiroz – Curitiba
 

Falar de amor é alegria
que conduz à inspiração.
Do poeta é a energia
e fonte de nutrição.

Vânia Souza Ennes – Curitiba

 

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Mid: Hino a Maringá 

Letra de Ary de Lima
Música de Aniceto Matti

VIOLÃO: Paulo Machado/INTÉRPRETE: Márcia Mara

Topo da página: Foto Montagem Iara Melo/Maringá/PR

Formatação e Arte: Iara Melo