Revista Trovia UBT - Maringá - PR

Ano 8 - nº 95 - Junho/2007

Editor: Antonio Augusto de Assis (A. A. de Assis)

Formatação e Arte: Iara Melo

PORTALCEN – A maior ponte literária Brasil - Portugal

O que você faz pela trova é tão importante quanto as trovas que você faz

A era da síntese

 
A era em pauta é a da síntese. Ninguém mais dispõe de tempo e fôlego para ler textos longos. Quem, portanto, desejar ser lido, trate de aprimorar a técnica da concisão. Se o que você tem a dizer cabe numa trova, num haicai, num micropoema livre, num miniconto, então por que encompridar a conversa? Discursos quilométricos, em verso ou prosa, espantam o leitor, deixam nervoso o ouvinte. A vida moderna é assim. De todos os belos textos de Fernando Pessoa, o mais conhecido tem apenas 28 sílabas: O poeta é um fingidor; / finge tão completamente, / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente. De Camões continuam lidos os sonetos, porém raríssimas pessoas leriam hoje Os lusíadas. Perguntem aos leitores de jornais o que é que eles geralmente lêem. As colunas de pequenas notas, claro. A moda é o texto curto, curtíssimo, que possa ser lido/ouvido em no máximo um minuto. Uma trova, dita em sua cadência típica, dura exatos oito segundos. Um haicai, seis segundos. Se a leitura de um miniconto exige mais de um minuto, ele precisa ser enxugado; ou não será míni. Questão de treinamento. A gente vai aos poucos descobrindo que pode dizer mais se cada coisa que se vai dizer é dita de forma concisa. O século 21 quer o poema-flash; a história que tenha começo-meio-fim, mas só isso, sem enchimento. Sobretudo sem encheção.

 

Trovia
Para correspondência: 
A. A. de Assis
Rua Arthur Thomas, 259 – ap. 702
87013-250 – Maringá-PR
Tel. (44) 3227-4311


Inesquecíveis

Eu sigo na minha rota
vencido, cheio de dor.
Causaram minha derrota
minhas vitórias no amor.
Colbert Rangel Coelho
 
No templo das ilusões,
eu vejo uma flor no altar,
e acendo as exclamações
minhas velas !!!!! de sonhar.
Félix Aires
 
É tão triste a minha casa,
o meu lar é tão vazio,
que a clareira... acesa em brasa...
ela própria sente frio...
Jesy Barbosa
 
Fraternidade – eu bendigo,
pois sinto, de coração,
em cada ser um amigo,
em cada amigo um irmão!
Luiz Otávio
 
A ventura é uma quimera
que estranhos caprichos tem,
pois vem quando não se espera,
quando se espera não vem...
Petrarca Maranhão
 
Que ironia!... O faroleiro,
tendo em casa luz escassa,
ilumina o mar inteiro
para o navio que passa...
Wilson Montemór


Revista


II Jogos Florais de Cambuci
Tema  AMOR. Uma trova. A/C Almir Pinto de Azevedo. Praça da Bandeira, 79 – CAMBUCI-RJ – 28430-000. Até 30-06
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XIX Jogos Florais de Porto Alegre
Nacional: NAU (L-F) e MASTRO (H). Est. (RS): CAIS (L–F) e MARUJO (H). Máximo 5. Rua Grão-Pará, 212 – PORTO ALEGRE-RS –
90850-170. Até 30-06 
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XXV Conc. de Trovas deTaubaté
Tema nacional: LÁGRIMAS E RISOS. Máximo 2. A/C Angélica Villela Santos. Rua Francisco Xavier de Assis, 36 – Jardim Morumbi – TAUBATÉ-SP – 12060-450. Até 30-06
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Concurso de Trovas de Caicó
Tema nacional: ENCANTO. Máximo 3. Rua Major Camboim, 819 – Bairro Paraíba – CAICÓ-RJ – 59300-000. Até 30-06
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XX Jogos Florais de Ribeirão Preto
Nac./internacional: ÁRVORE. Máximo 3. A/C Nilton Manoel. Caixa Postal 448 – RIBEIRÃO PRETO-SP -14001-970. Até 18-07
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XX Jogos Florais de Ribeirão Preto
Nac./internacional: ÁRVORE. Máx. 3. A/C Nilton Manoel. Caixa Postal 448 – Ribeirão Preto-SP -14001-970. Até 18-07
 
XIX Conc. “Cidade de Belo Horizonte”
Tema nacional: CARISMA. Estadual: GRAÇA. Máximo 3. A/C Thereza Costa Val. Rua Guilherme de Almeida, 115 – ap. 102 – BELO HORIZONTE-MG – 30350-230 – Até 31-07
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V Conc. Navegando nas Poesias
Tema: PENSAMENTO. Uma trova. A/C Agostinho Rodrigues. Caixa Postal 144566 – CAMPOS-RJ – 28001-970. Até 15-08
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XXIV Jogos Florais de Bandeirantes
Nacional: DESVELO (L-F) e VISITA (H). A/C Lucília Decarli. Caixa Postal 186 – BANDEIRANTES-PR – 86360-000.
Estadual: ENCANTO (LF) e PIRRAÇA (H). A/C Flávio Stefani . Rua Otto Niemeyer, 2460 – PORTO ALEGRE-RS – 91910-001. Máximo 3. Até 30-06
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XX Concurso UBT Natal
Tema Sul-Sudeste-Centro Oeste: TEMPO. Máximo 3. A/C Reinaldo Aguiar. Rua Manoel Raimundo Aguiar, 1852 – Lagoa Nova – NATAL-RN – 59056-020. Até 15-08
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XXVII Concurso da ATRN
Nacional e estadual: QUALQUER TEMA ECOLÓGICO. Máximo 5. Rua Raimundo Chaves, 1652 – J30 – Cond. West Park – Boulevard, Candelária – NATAL-RN – 59064-390. Até 31-08
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I Jogos Floras S. Francisco de Itabapoana
Trova – nac.: AGRICULTURA; est. (RJ): BELEZA.Máximo 3, sistema envelopes.    Poema –  Tema: PRIMAVERA.  Um só trabalho, até 40 versos,  uma via, com pseudônimo. A/C  Roberto Acruche. Caixa Postal  n. 123.192 – SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA-RJ – 28230-000. Até 31-08
 

Humorísticas


Desde o tempo de Noé
que o mundo pôs-se a saber
que manga não cai do pé
porque não sabe descer!
Ademar Macedo – Natal
 
Fugindo pela janela,
o “dom juan” quis “dar no pé”.
– Um fantasma!, gritou ela.
E o marido: – Agora é!
Angélica V. Santos – Taubaté
 
Parece que a tentação
acredita pouco em mim.
Vivo dizendo que “não”,
e ela dizendo que sim”...
José Fabiano – B. Horizonte
 
Teus sucessos, conta aos pais,
que ao certo vão se alegrar;
mas aos “amigos”,  jamais,
pois por trás vão te pichar...
Maria de Archimedes – Rio
 
Grita de dor o marido,
e desabafa a mulher:
– O problema, meu querido,
é salvar o fecho-eclair!...
Neide R. Portugal – Bandeirantes
 
Na minha dúvida atroz,
pra evitar vexame e enrosco,
não direi “arroz com noz”,
direi sempre “arroz conosco”...
Osvaldo Reis – Maringá


 

Líricas e filosóficas


O mundo esqueceu que existe
o ponto de exclamação...
De tão seco, amargo e triste,
perdeu de vez a emoção!
A. A. de Assis – Maringá
 
Seria um éden, seria,
este mundo se, em verdade,
nele houvesse a trilogia:
paz, amor e honestidade.
Aloísio Bezerra – Fortaleza
 
Não fale... Não diga nada...
Aperte mais minha mão...
Faça a promessa quebrada
não precisar de perdão.
Amália Max – Ponta Grossa
 
E de repente te vejo
tal qual meu sonho te vê:
Musa...Mulher...e Desejo...
e me deságuo em você!
A.M.A. Sardenberg – São Fidélis
 
O orvalho, do céu liberto,
de uma flor se fez amante,
e em seu regaço entreaberto
pôs um límpido brilhante!
Amaryllis Schloenbach – São Paulo
 
Se Deus nos deu dois ouvidos
e um meio só de falar,
sejamos, pois, comedidos
mais no dizer que escutar.
Amilton Monteiro – SJ dos Campos
 
Lavrador, ao fim do dia,
após a lida no chão,
tua enxada rodopia
celebrando a produção!
Arlene Lima – Maringá
 
Os beijos são evidências
que a vida teima em mostrar.
São também as reticências
de um amor por despertar.
Carmem Pio – Porto Alegre
 
Da união se faz a força,
da força o grande dever:
pedir ao homem que torça
para ouvir mais do que ver.
Cidinha Frigeri – Londrina
 
No colo a filha do filho
pela avó é acalentada,
qual noite sem luz e brilho
embalando a madrugada.
Conceição Assis – Pouso Alegre
 
Não tens culpa, velha enxada,
desbeiçada, cabo torto,
por só colheres o nada
do ventre de um solo morto...
Darly O. Barros – São Paulo
 
Ah! mundo cão, mundo louco,
de guerras pelo poder...
só necessito de um pouco
de sossego pra viver.
Djalma Mota – Caicó
 
Quando a lembrança me invade
no porto da vida – e quanto! –
brilha o farol da saudade
sob a neblina do pranto!
Domitilla B. Beltrame – São Paulo
 
Se o teu amor foi miragem
no deserto da paixão,
que importa?... Me deu passagem
para o oásis da ilusão!...
Elisabeth Souza Cruz – N. Friburgo
 
Sejamos leais amigos
com esta obra de Deus,
conservando sem castigos
os teus direitos e os meus.
Fahed Daher – Apucarana
 
Minha infância, doce herança
que recordo nesta idade,
é o retrato da esperança
na moldura da saudade!...
Fernando Câncio – Fortaleza
 
Para amainar meus cansaços,
num fim de tarde que tranço,
busco a rede dos teus braços,
meigos laços... meu descanso!
Flávio Stefani – Porto Alegre
 
Paz, amor, fraternidade,
eis o lema entre as nações;
porém quanta falsidade
em só três afirmações
Gasparini Filho – Salto
 
Nunca mais fiquei sozinha,
pois na Internet eu namoro,
e hoje a solidão que eu tinha
não mora mais onde eu moro!
Gislaine Canales – B. Camboriú
 
Ensino, sempre, ao meu filho
que a humildade é a luz do bem:
quem faz do orgulho o seu brilho...
não ilumina ninguém!
João Freire Filho – Rio
 
Caio, levanto-me e sigo!
Mal sabem que esta coragem
é apenas meu medo antigo,
usando nova roupagem!
José Ouverney – Pinda
 
Nos garimpos desta vida,
que o destino abandonou,
eu sou batéia esquecida
que nem cascalho pegou.
José Valdez C. Moura – Pinda

Num certo 12 de junho,
vi caracteres gravados:
Meu nome escrito em teu punho,
pois éramos namorados!
Lairton de Andrade – Pinhalão
 
Há sorriso de ironia,
há sorriso imerso em dor,
há também de simpatia...
mas o melhor é o de amor!
Lóla Prata – Bragança Paulista
 
A mais linda das respostas
nos dá Jesus, nosso amigo:
– “Pode o mundo dar-te as costas,
mas Eu estarei contigo!”
Lucília Decarli – Bandeirantes
 
Somos, sim, irmãos de fé,
e a música tem provado:
no riso, samba no pé;
no choro, a emoção do fado!
Maria Eliana Palma – Maringá
 
Quebrei a estrela do sonho
na longa noite vazia,
mas... de seus cacos componho
o sol de minha alegria...
Maria Lua – N. Friburgo
 
Revivendo o meu passado,
me torturo de tal jeito,
que chego a crer que é pecado
guardar saudades no peito !
Maria Nascimento – Rio
 
Por razões, às vezes fúteis,
corre o sangue numa guerra.
Eis as sangrias inúteis
que envergonham nossa terra.
Miguel Russowsky – Joaçaba
 
No teatro desta vida
cada qual faz sua história:
se não for bem aplaudida,
é vaiada e vexatória.
Nei Garcez – Curitiba
 
De que vale o meu protesto,
se manténs, em tuas mãos,
o poder de, a um simples gesto,
cortar o “til” dos meus nãos!
Otávio Venturelli – N. Friburgo 
 
Viajei pelo mundo inteiro
e nunca mais pude achar
o que no instante primeiro
encontrei em seu olhar.
Olga Agulhon – Maringá
 
Quando me pego tristonho,
de pensamento disperso,
tiro um sonho de outro sonho,
vou passear no universo!
Selma Spinelli – São Paulo
 
Do sonho compartilhado,
agora, somente resta
um convite, amarelado,
marcando o dia da festa...
Sérgio F. da Silva – São Paulo
 
Colheita, ainda guardada
num simples grão amarelo,
é uma obra a ser lançada,
mas que ainda está no prelo.
Vanda F. Queiroz – Curitiba
 
Causador da minha insônia,
motivo do meu sorriso,
sem nenhuma cerimônia
me transporta ao paraíso!
Vânia Souza Ennes – Curitiba
 
 

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Catedral-Basílica de Nossa Senhora da Glória – Maringá - Brasil

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