PORTALCEN – A maior ponte literária
Brasil - Portugal
O que você faz
pela trova é tão importante quanto as
trovas que você faz
A era da síntese
A era em pauta é a da síntese. Ninguém mais dispõe de tempo e fôlego
para ler textos longos. Quem, portanto, desejar ser lido, trate de
aprimorar a técnica da concisão. Se o que você tem a dizer cabe numa
trova, num haicai, num micropoema livre, num miniconto, então por
que encompridar a conversa? Discursos quilométricos, em verso ou
prosa, espantam o leitor, deixam nervoso o ouvinte. A vida moderna é
assim. De todos os belos textos de Fernando Pessoa, o mais conhecido
tem apenas 28 sílabas: O poeta é um fingidor; / finge tão
completamente, / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras
sente. De Camões continuam lidos os sonetos, porém raríssimas
pessoas leriam hoje Os lusíadas. Perguntem aos leitores de jornais o
que é que eles geralmente lêem. As colunas de pequenas notas, claro.
A moda é o texto curto, curtíssimo, que possa ser lido/ouvido em no
máximo um minuto. Uma trova, dita em sua cadência típica, dura
exatos oito segundos. Um haicai, seis segundos. Se a leitura de um
miniconto exige mais de um minuto, ele precisa ser enxugado; ou não
será míni. Questão de treinamento. A gente vai aos poucos
descobrindo que pode dizer mais se cada coisa que se vai dizer é
dita de forma concisa. O século 21 quer o poema-flash; a história
que tenha começo-meio-fim, mas só isso, sem enchimento. Sobretudo
sem encheção.
Eu sigo
na minha rota
vencido, cheio de dor.
Causaram minha derrota
minhas vitórias no amor.
Colbert Rangel Coelho
No templo das ilusões,
eu vejo uma flor no altar,
e acendo as exclamações
minhas velas !!!!! de sonhar.
Félix Aires
É tão triste a minha casa,
o meu lar é tão vazio,
que a clareira... acesa em brasa...
ela própria sente frio...
Jesy Barbosa
Fraternidade – eu bendigo,
pois sinto, de coração,
em cada ser um amigo,
em cada amigo um irmão!
Luiz Otávio
A ventura é uma quimera
que estranhos caprichos tem,
pois vem quando não se espera,
quando se espera não vem...
Petrarca Maranhão
Que ironia!... O faroleiro,
tendo em casa luz escassa,
ilumina o mar inteiro
para o navio que passa...
Wilson Montemór
Revista
II Jogos Florais
de Cambuci
Tema AMOR. Uma trova. A/C Almir Pinto de Azevedo. Praça da Bandeira, 79
– CAMBUCI-RJ – 28430-000. Até 30-06
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XIX Jogos Florais de Porto Alegre
Nacional: NAU (L-F) e MASTRO (H). Est. (RS): CAIS (L–F) e MARUJO (H).
Máximo 5. Rua Grão-Pará, 212 – PORTO ALEGRE-RS –
90850-170. Até 30-06
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XXV Conc. de Trovas deTaubaté
Tema nacional: LÁGRIMAS E RISOS. Máximo 2. A/C Angélica Villela Santos.
Rua Francisco Xavier de Assis, 36 – Jardim Morumbi – TAUBATÉ-SP –
12060-450. Até 30-06
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Concurso de Trovas de Caicó
Tema nacional: ENCANTO. Máximo 3. Rua Major Camboim, 819 – Bairro
Paraíba – CAICÓ-RJ – 59300-000. Até 30-06
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XX Jogos Florais de Ribeirão Preto
Nac./internacional: ÁRVORE. Máximo 3. A/C Nilton Manoel. Caixa Postal
448 – RIBEIRÃO PRETO-SP -14001-970. Até 18-07
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XX Jogos Florais de Ribeirão Preto
Nac./internacional: ÁRVORE. Máx. 3. A/C Nilton Manoel. Caixa Postal 448
– Ribeirão Preto-SP -14001-970. Até 18-07
XIX Conc. “Cidade de Belo Horizonte”
Tema nacional: CARISMA. Estadual: GRAÇA. Máximo 3. A/C Thereza Costa Val.
Rua Guilherme de Almeida, 115 – ap. 102 – BELO HORIZONTE-MG – 30350-230
– Até 31-07
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V Conc. Navegando nas Poesias
Tema: PENSAMENTO. Uma trova. A/C Agostinho Rodrigues. Caixa Postal
144566 – CAMPOS-RJ – 28001-970. Até 15-08
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XXIV Jogos Florais de Bandeirantes
Nacional: DESVELO (L-F) e VISITA (H). A/C Lucília Decarli. Caixa Postal
186 – BANDEIRANTES-PR – 86360-000.
Estadual: ENCANTO (LF) e PIRRAÇA (H). A/C Flávio Stefani . Rua Otto
Niemeyer, 2460 – PORTO ALEGRE-RS – 91910-001. Máximo 3. Até 30-06
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XX Concurso UBT Natal
Tema Sul-Sudeste-Centro Oeste: TEMPO. Máximo 3. A/C Reinaldo Aguiar. Rua
Manoel Raimundo Aguiar, 1852 – Lagoa Nova – NATAL-RN – 59056-020. Até
15-08
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XXVII Concurso da ATRN
Nacional e estadual: QUALQUER TEMA ECOLÓGICO. Máximo 5. Rua Raimundo
Chaves, 1652 – J30 – Cond. West Park – Boulevard, Candelária – NATAL-RN
– 59064-390. Até 31-08
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I Jogos Floras S. Francisco de Itabapoana
Trova – nac.: AGRICULTURA; est. (RJ): BELEZA.Máximo 3, sistema
envelopes. Poema – Tema: PRIMAVERA. Um só trabalho, até 40 versos,
uma via, com pseudônimo. A/C Roberto Acruche. Caixa Postal n. 123.192
– SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA-RJ – 28230-000. Até 31-08
Humorísticas
Desde o tempo de Noé
que o mundo pôs-se a saber
que manga não cai do pé
porque não sabe descer!
Ademar Macedo – Natal
Fugindo pela janela,
o “dom juan” quis “dar no pé”.
– Um fantasma!, gritou ela.
E o marido: – Agora é!
Angélica V. Santos – Taubaté
Parece que a tentação
acredita pouco em mim.
Vivo dizendo que “não”,
e ela dizendo que sim”...
José Fabiano – B. Horizonte
Teus sucessos, conta aos pais,
que ao certo vão se alegrar;
mas aos “amigos”, jamais,
pois por trás vão te pichar...
Maria de Archimedes – Rio
Grita de dor o marido,
e desabafa a mulher:
– O problema, meu querido,
é salvar o fecho-eclair!...
Neide R. Portugal – Bandeirantes
Na minha dúvida atroz,
pra evitar vexame e enrosco,
não direi “arroz com noz”,
direi sempre “arroz conosco”...
Osvaldo Reis – Maringá
Líricas e filosóficas
O mundo esqueceu que existe
o ponto de exclamação...
De tão seco, amargo e triste,
perdeu de vez a emoção!
A. A. de Assis – Maringá
Seria um éden, seria,
este mundo se, em verdade,
nele houvesse a trilogia:
paz, amor e honestidade.
Aloísio Bezerra – Fortaleza
Não fale... Não diga nada...
Aperte mais minha mão...
Faça a promessa quebrada
não precisar de perdão.
Amália Max – Ponta Grossa
E de repente te vejo
tal qual meu sonho te vê:
Musa...Mulher...e Desejo...
e me deságuo em você!
A.M.A. Sardenberg – São Fidélis
O orvalho, do céu liberto,
de uma flor se fez amante,
e em seu regaço entreaberto
pôs um límpido brilhante!
Amaryllis Schloenbach – São Paulo
Se Deus nos deu dois ouvidos
e um meio só de falar,
sejamos, pois, comedidos
mais no dizer que escutar.
Amilton Monteiro – SJ dos Campos
Lavrador, ao fim do dia,
após a lida no chão,
tua enxada rodopia
celebrando a produção!
Arlene Lima – Maringá
Os beijos são evidências
que a vida teima em mostrar.
São também as reticências
de um amor por despertar.
Carmem Pio – Porto Alegre
Da união se faz a força,
da força o grande dever:
pedir ao homem que torça
para ouvir mais do que ver.
Cidinha Frigeri – Londrina
No colo a filha do filho
pela avó é acalentada,
qual noite sem luz e brilho
embalando a madrugada.
Conceição Assis – Pouso Alegre
Não tens culpa, velha enxada,
desbeiçada, cabo torto,
por só colheres o nada
do ventre de um solo morto...
Darly O. Barros – São Paulo
Ah! mundo cão, mundo louco,
de guerras pelo poder...
só necessito de um pouco
de sossego pra viver.
Djalma Mota – Caicó
Quando a lembrança me invade
no porto da vida – e quanto! –
brilha o farol da saudade
sob a neblina do pranto!
Domitilla B. Beltrame – São Paulo
Se o teu amor foi miragem
no deserto da paixão,
que importa?... Me deu passagem
para o oásis da ilusão!...
Elisabeth Souza Cruz – N. Friburgo
Sejamos leais amigos
com esta obra de Deus,
conservando sem castigos
os teus direitos e os meus.
Fahed Daher – Apucarana
Minha infância, doce herança
que recordo nesta idade,
é o retrato da esperança
na moldura da saudade!...
Fernando Câncio – Fortaleza
Para amainar meus cansaços,
num fim de tarde que tranço,
busco a rede dos teus braços,
meigos laços... meu descanso!
Flávio Stefani – Porto Alegre
Paz, amor, fraternidade,
eis o lema entre as nações;
porém quanta falsidade
em só três afirmações
Gasparini Filho – Salto
Nunca mais fiquei sozinha,
pois na Internet eu namoro,
e hoje a solidão que eu tinha
não mora mais onde eu moro!
Gislaine Canales – B. Camboriú
Ensino, sempre, ao meu filho
que a humildade é a luz do bem:
quem faz do orgulho o seu brilho...
não ilumina ninguém!
João Freire Filho – Rio
Caio, levanto-me e sigo!
Mal sabem que esta coragem
é apenas meu medo antigo,
usando nova roupagem!
José Ouverney – Pinda
Nos garimpos desta vida,
que o destino abandonou,
eu sou batéia esquecida
que nem cascalho pegou.
José Valdez C. Moura – Pinda
Num certo 12 de junho,
vi caracteres gravados:
Meu nome escrito em teu punho,
pois éramos namorados!
Lairton de Andrade – Pinhalão
Há sorriso de ironia,
há sorriso imerso em dor,
há também de simpatia...
mas o melhor é o de amor!
Lóla Prata – Bragança Paulista
A mais linda das respostas
nos dá Jesus, nosso amigo:
– “Pode o mundo dar-te as costas,
mas Eu estarei contigo!”
Lucília Decarli – Bandeirantes
Somos, sim, irmãos de fé,
e a música tem provado:
no riso, samba no pé;
no choro, a emoção do fado!
Maria Eliana Palma – Maringá
Quebrei a estrela do sonho
na longa noite vazia,
mas... de seus cacos componho
o sol de minha alegria...
Maria Lua – N. Friburgo
Revivendo o meu passado,
me torturo de tal jeito,
que chego a crer que é pecado
guardar saudades no peito !
Maria Nascimento – Rio
Por razões, às vezes fúteis,
corre o sangue numa guerra.
Eis as sangrias inúteis
que envergonham nossa terra.
Miguel Russowsky – Joaçaba
No teatro desta vida
cada qual faz sua história:
se não for bem aplaudida,
é vaiada e vexatória.
Nei Garcez – Curitiba
De que vale o meu protesto,
se manténs, em tuas mãos,
o poder de, a um simples gesto,
cortar o “til” dos meus nãos!
Otávio Venturelli – N. Friburgo
Viajei pelo mundo inteiro
e nunca mais pude achar
o que no instante primeiro
encontrei em seu olhar.
Olga Agulhon – Maringá
Quando me pego tristonho,
de pensamento disperso,
tiro um sonho de outro sonho,
vou passear no universo!
Selma Spinelli – São Paulo
Do sonho compartilhado,
agora, somente resta
um convite, amarelado,
marcando o dia da festa...
Sérgio F. da Silva – São Paulo
Colheita, ainda guardada
num simples grão amarelo,
é uma obra a ser lançada,
mas que ainda está no prelo.
Vanda F. Queiroz – Curitiba
Causador da minha insônia,
motivo do meu sorriso,
sem nenhuma cerimônia
me transporta ao paraíso!
Vânia Souza Ennes – Curitiba