MÚSICAS
 

Revista Trovia UBT - Maringá - PR

Ano 8 - nº 09 - Novembro/2006

Editor: Antonio Augusto de Assis (A. A. de Assis)

Formatação e Arte: Iara Melo

O que você faz pela trova é tão importante quanto as trovas que você faz

 


Máximo tesouro
 
Amamos a trova por dois motivos principais: primeiro, por ser ela o mais doce modo de ser poeta; segundo, por ser ela a mais bonita forma de fazer amigos. Posto isso, data venia, convenhamos que de vez em quando faz bem nos questionarmos sobre se de fato, e até que ponto, estamos contribuindo para preservar e fortalecer os laços de fraternidade que há meio século nos unem. Lembremo-nos, principalmente, da imensa responsabilidade que é nos chamarmos uns aos outros de irmãos. Ser irmão é algo muito sério: é amar e respeitar o outro; é jamais considerar o outro maior ou menor que nós; é jamais permitir que a competição, a inveja, a arrogância, ou qualquer impulso desse tipo nos leve a olhar o outro como adversário; é jamais fofocar, maldizer, caluniar o outro. Ser irmão é compreender, ajudar, incentivar, valorizar o outro. E é também agir sempre de tal maneira que o outro nos veja como alguém em quem possa irrestritamente confiar, pela nossa dignidade, pela nossa lealdade, pela certeza absoluta de que em hipótese alguma trairemos a amizade que o outro nos dedica. Alguma crítica leve, algum momento de mau humor, alguma torcidinha de nariz, tudo isso é normal em qualquer família. Mas “sem jamais perder a ternura”. Sobretudo sem jamais esquecer que a fraternidade é a mais importante característica de nossa bela escola literária, portanto o nosso máximo tesouro.


Inesquecíveis   

Lembrança, moço, é um espinho
cravado no coração;
mas, quando pego no pinho,
lembrança vira canção!
Alceu Gouveia
 
Poeta, gêmeo do santo,
sofre muito e não blasfema;
faz dos gemidos um canto,
faz da saudade um poema.
Pe. Celso de Carvalho
 
Saudade, folha amarela
num livrinho de orações.
Tão pequena, e eu vejo nela,
unidos, dois corações...
Colombina
 
De tudo por mim sonhado,
o sonho mais lindo, sei,
foi ter, na vida, encontrado
um sonho que não sonhei!...
J. Gastão Machado
 
As mães têm o dom secreto
de um amor que, de mansinho,
transforma um monte de afeto
em montanhas de carinho!
Newton Meyer
 
 Teus passos eu sigo a esmo,
numa atração que me assombra,
deixando de ser eu mesmo
para ser a tua sombra.
Venturelli Sobrinho

REVISTA
 

Ainda os hiatos – Nosso editorial de outubro (Bela alma a do poeta) provocou ampla reflexão sobre o problema dos hiatos na composição poética. Voltaremos a tratar do assunto. Por ora, um alerta: Em algumas regiões, palavras como  fri-o, ri-o são pronunciadas friu, riu (numa única sílaba). O Decálogo de Metrificação adotado pela UBT estabelece, entretanto, que, em tais casos, em benefício da uniformidade, não será aceita a ditongação: ri-o será sempre ri-o.

Concurso Maringá – Antes do Natal será divulgada a lista dos vencedores do III Concurso Literário “Cidade de Maringá”. A festa de premiação está programada para 20, 21 e 22 de abril de 2007.

Temas para Friburgo 2007
Âmbito nacional: MENSAGEM (L-F)
PIMENTA (H)

I Conc. de Trovas de Saquarema
Temas: estadual/RJ: MAR; nacional: SERRA. Máximo 3 cada tema.
A/C João Costa. Rua Pereira, 331 – Bacaxá – SAQUAREMA/RJ – 28993-000 – Até 31/01
 

Conc. UBT – Academia Pedralva
Trovas começadas com a letra X e com a letra Z. Uma de cada letra para cada concorrente (L-F ou H). A/C Antônio Roberto - R. Santa Teresa, 189 - Caju -  CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ - 28050-270 - Até 10/02 
 
Oitentão – O querido mestre Rodolpho Abbud, uma das grandes glórias da trova, completou 80 anos no dia 21 de outubro. Deveria ter sido feriado em Nova Friburgo, tal a importância do aniversariante para a sua belíssima cidade e para a poesia brasileira.

As festas do mês – Três grandes festas da trova em novembro: dia 8 em Londrina (Cidinha Frigeri); 10, 11 e 12 em Balneário Camboriú (Gislaine Canales); 25 e 26 em Niterói (Milton Loureiro).
 

Visite:
www.falandodetrova.com


Trovia

Para correspondência:
 A. A. de Assis      
       Rua Arthur Thomas, 259 – ap. 702
87013-250 – Maringá - PR 
Tel. (44) 3227-4311
E-mail:
alw@mgalink.com.br


 
Humorísticas

 
“Pé-de-chumbo” é aquele cara
que afunda o pé no pedal;
quando precisa, não pára,
vai parar... lá no hospital!
Cristiane  Brotto – Curitiba
 
Minha assanhada vizinha,
enrugada e sem calor,
parece um velho “fusquinha”
já “rateando” o motor!
Eduardo Toledo – Pouso Alegre
 
“Esse biquíni agarrado...
Meu bem, o que aconteceu?
– Foi na água que, molhado,
rapidinho se encolheu...
Gasparini Filho – Salto
 
– Não bebo mais!... –  diz o Sousa,
com intentos bons e plenos.
Discorda deles a esposa:
– Não bebe mais... e nem menos!
Miguel Russowsky – Joaçaba
 
Um longo teste ela fez,
de cantora com requinte:
– Cantou somente uma vez,
mas foi cantada umas vinte!
Rodolpho Abbud – N. Friburgo
 
Uma receita eu preparo,
e um gato me desanima:
chega perto... apura o faro...
e joga areia por cima!
Sérgio F. Silva – São Paulo


Líricas e filosóficas
 

 Ao mesmo tempo em que é doce,
ah como é triste a saudade...
– Ela é assim como se fosse
uma ex-felicidade!
A. A. de Assis – Maringá
 
Quem espera sempre alcança...
Mas eu em lutas me ponho:
sou guerreira da esperança,
vivo em busca do meu sonho...
Adélia Woellner – Curitiba
 
Após causar desencantos
e nos fazer peregrinos,
a seca faz chover prantos
nos olhos dos nordestinos...
Ademar Macedo – Natal
 
Meu pai, muito te agradeço
por tudo que me ensinaste;
não existe nenhum preço
pelo tanto que me amaste.
Agostinho Rodrigues – Campos
 
Terno rio de águas nuas,
teu carinho é tão perfeito,
que do céu descem as luas
para dormir em teu leito!
Amália Max – Ponta Grosa
 
Da quadra fiz a poesia,
canto a beleza da rosa;
nem que seja por um dia,
gosto de vê-la bem prosa.
A. M.A. Sardenberg – São Fidélis
 
A trova boa, sentida,
fluindo com emoção...
é como a prece florida
que brota do coração.
Apollo Taborda França – Curitiba
 
A mágoa sufoca, aperta,
traz doença, mal-estar.
Desse mal só se liberta
quem aprende a perdoar.
Arlene Lima – Maringá
 
Nos desencontros da vida,
com tristezas evidentes,
chorei com tua partida,
lembrando amores pendentes.
Carmen Pio – Porto Alegre
 
A pecar não me provoque
nem destrua o que semeio.
Não se atreva àquele toque,
pois desejo não tem freio.
Cecim Calixto – Tomazina
 
Chuva fina nas calçadas
vai regando a minha dor,
que cresce nas madrugadas,
distante do meu amor.
Conceição Abritta – B. Horizonte
 
A esperança, em nossa vida,
começa quando amanhece,
e termina, entristecida,
quando esta vida anoitece...
Dari Pereira – Maringá
 
Nunca fui águia altaneira,
como nunca fui condor:
– remédios à cabeceira,
somente um velho... com dor.
Diamantino Ferreira – São Fidélis
 
Meu barco segue à deriva,
no rumo do inconsciente;
navego na expectativa
de me encontrar novamente.
Djalma Mota – Caicó
 
Meu amigo, é sem alarde
que eu sigo esta diretriz:
– se tu vens às seis da tarde,
às três... já estarei feliz!!!
Elisabeth S. Cruz – N. Friburgo

Esta rosa, que me encanta,
tanto é minha quanto é sua;
proteja a rosa da planta,
que a planta protege a rua!
Francisco Garcia – Caicó
 
Sou tão triste e tão sozinha,
que o eco do meu lamento,
desta saudade tão minha,
escuto na voz do vento.
Gislaine Canales – B. Camboriú
 
Senhor da aurora mais pura
e da ovelhinha que bale,
põe-me na boca a doçura
todas as vezes que eu fale.
Humberto Del Maestro – Vitória
 
Nos momentos de tristeza
o silêncio é tão intenso
que a solidão, com certeza,
escuta tudo o que eu penso...
Izo Goldman – São Paulo
 
Coração apaixonado,
que do amor não se liberta,
vai batendo compassado
na dor que seu peito aperta.
J.J. Germano –  Rio
 
Ao Deus de amor, Uno e Trino,
me prostro com gratidão:
Se vem de Deus, é divino
esse dom da inspiração!
José A. de Freitas – Pitangui
 
Tem gente que nem parece
com jeito de trovador...
Mas quando a trova acontece
a gente vê o seu valor!
José Bidóia – Maringá
 
Mar de trevas... Noite fria...
Mas meu instinto deduz
que ao final da travessia
existe um Porto de Luz!
José Ouverney – Pinda
 
Cinzas de amor, que restaram,
lancei-as todas ao vento,
mas as lembranças ficaram
presas no meu pensamento!
Lucília Decarli – Bandeirantes
 
No volume das queimadas
vaga o lume pelo chão:
iluminando as roçadas,
vaga-lumes de carvão!
Maria Eliana Palma – Maringá
 
Não me abalo e vou mais fundo,
se a treva induz-me a fracassos,
pois Deus, que é luz para o mundo,
ampara e guia os meus passos!
Marisa Olivais – Porto Alegre
 
Nosso amor foi tão ranzinza
que explodiu como um vulcão
deixando somente a cinza
no meu pobre coração.
Maurício Friedrich – Curitiba
 
Na viagem de retorno
eu guardei algo de bom:
no meu lencinho o contorno
de tua boca em batom.
Maurício Leonardo – Ibiporã
 
A ciência me conduz
a pensar desta maneira:
do excesso, às vezes, de luz
pode nascer a cegueira...
Milton Nunes Loureiro – Niterói
 
O dilúvio sem igual
que dizimou os ateus
não era chuva normal...
Eram lágrimas de Deus!
Nathan Osipe – Bandeirantes
 
Teu adeus foi muito grave,
mas o destino conforta:
perdeste a cópia da chave
e voltaste à mesma porta!
Neide R. Portugal – Bandeirantes
 
Se o mundo der chance à paz
de vir entre nós reinar,
conjugar vai ser capaz
para sempre o verbo amar!
Oefe de Souza – Rib. Preto
 
Quando o amor fica em ruína,
sem chão, paredes... ou teto,
o alicerce nos ensina
que só o carinho é concreto.
Olga Agulhon – Maringá
 
Tu lês os versos que eu faço
e nem sequer adivinhas
o segredo que eu te passo
no espaço das entrelinhas...
Selma Spinelli – São Paulo
 
Por meu pranto... por meus ais...
por meu viver infeliz...
sei que saudade é bem mais
do que o dicionário diz!
Therezinha Brisolla – São Paulo
 
Antes que nada mais sobre,
deixa-me ser, por favor,
ao menos a rima pobre
num dos teus versos de amor!
Vanda F. Queiroz – Curitiba

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 http://www.caestamosnos.org/autores/antonioaugusto.htm

http://www.caestamosnos.org/ligaamigoscen/assis/A_A_Assis.htm

Mid: Hino a Maringá versão 2002

Letra de Ary de Lima
Música de Aniceto Matti

VIOLÃO: Paulo Machado / INTÉRPRETE: Márcia Mara

Topo da página: Foto Montagem Iara Melo/ Maringá/PR

Formatação e Arte: Iara Melo

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