¨Trovia - UBT - Maringá - Paraná¨

 

Edição Especial - Número CEM

    

Ano 09 - Novembro de 2007

 

Editor: Antonio Augusto de Assis

 

 

 

 

Formatação e Arte: Iara Melo

 

 

 

O que você faz pela trova é tão importante quanto as trovas que você faz
 
 

 


Pausa para meditação


Os mais antigos certamente se lembram de Seu Júlio Lousada, o dono daquela voz garbosa que apresentava no rádio um famoso programa chamado “Pausa para meditação”. Pois é: vamos também fazer uma pausa para meditar. Trovia chega, com esta edição, ao n. 100. Aquele boletinzinho que em junho de 1999 começou com uma tiragem de apenas 30 exemplares xerocados para distribuição aos trovadores de Maringá expandiu-se rapidamente, passou a ser distribuído via internet para todo o Brasil e boa parte de Portugal, recebeu depois o apoio do Portal Cen,  e hoje nem sabemos quantas pessoas lêem mensalmente este jornalzinho. Acontece, porém, que, após 8 anos de gostosa labuta, o editor cansou-se, e decidiu que, chegando a este n. 100, Trovia sairia do ar definitivamente. Mas essa coisa de “definitivamente” dói muito. Daí, amigos pediram e o “definitivamente” abrandou-se para “temporariamente”.  Faremos, por ora, apenas uma “pausa para meditação”. Só não sabemos quanto vai durar a pausa. Vem vindo aí o verão, temporada de férias, bom momento para pensar, repensar, refletir direitinho sobre se devemos ou não voltar à atividade, quando e como. Somos imensamente gratos a cada um de vocês, e a todos queremos, desde já, deixar aqui o nosso fraterno abraço de Natal.

 


 
Inesquecíveis

 
Parti do Norte chorando,
que coisa triste, meu Deus!...
– Eu vi o mar soluçando
e o coqueiral dando adeus...
Aparício Fernandes

 
A vida o tempo devora;
o próprio tempo não dura.
Colhe a alegria de agora,
para a saudade futura!
Helena Kolody

 
Olhando, na infância doce,
aquela bola de luz,
pensava que a lua fosse
um brinquedo de Jesus...
José Maria M. de Araújo

 
Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber:
a vida que nós vivemos
e a que sonhamos viver!
Luiz Otávio

 
Meu coração, vacilante,
ressoa em cada batida.
– Igual a um tambor distante
marcando o passo da vida.
Newton Meyer

 
Meu amor, que mau pedaço
eu passo quando demoras...
Meu coração perde o passo,
atrás do passo das horas!...
Waldir Neves
 

 
 

Revista

 
Troféu Lilinha Fernandes – A UBT Porto Alegre homenageia anualmente os 10 trovadores mais premiados em todo o Brasil no ano anterior, concedendo ao primeiro colocado o Troféu Lilinha Fernandes. Os “10 mais” de 2006 foram os seguintes:
1º lugar) Antonio Augusto de Assis – Maringá = 1.830 pontos. 2º) Izo Goldman – São Paulo = 1.650; 3º) Edmar Japiassú Maia – Rio de Janeiro = 1.640; 4º) José Ouverney – Pindamonhangaba = 1.620; 5º) Vanda Fagundes Queiroz – Curitiba = 1.380; 6º) Campos Sales – São Paulo = 1.260; 7º) Élen de Novais Felix – Niterói = 1.250; 8º) Therezinha Dieguez Brisolla – São Paulo = 1.170; 9º) Marina Bruna – São Paulo = 1.160; 10º) Renata Pacolla – São Paulo = 1.100.
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Ávida palavra – Tão quietinha quanto genial. Assim é Lena Jesus Ponte, que acaba de lançar no Rio de Janeiro seu mais recente livro, Ávida palavra, primorosa seleção de sonetos, poemas livres e haicais. Parabéns para a querida autora. Mais ainda para quem tiver a oportunidade de ler a obra – poesia finíssima da primeira à última página.
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Retalhos da vida – Celebrando seus jovens 90 anos, Emílio Germani, um dos orgulhos da Academia de Letras de Maringá, lançou Retalhos da vida, crônicas, relatos e generalidades. Um pouco de sua belíssima história, dentro da bonita história de três estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Uma obra que marca.
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Reminiscências – De Otávio Venturelli, estamos lendo Reminiscências, precioso álbum de sonetos com que nos brinda o grande mestre friburguense. Um rico presente de Natal antecipado.
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Carta de Cecy –  “O que me encanta nos trovadores? E’ a porta que eles mantêm sempre aberta, com um tapete encantado onde está escrito: ‘Seja bem-vindo no mundo das delicadezas’. Não dá tempo nem de limpar o pé. Pumba! Adentramos e nos encantamos”. Cecy Fernandes de Assis – poeta (São Paulo)
 
 


Humorísticas
 

Minha charmosa vizinha
afirma que borda e pinta,
mas não fala com que linha
nem explica com que tinta...
Arlindo T.  Hagen – B. Horizonte


 No seu biquíni, apertado,
Maria me deixa mudo,
pois nunca vi “tanto nada”
cobrindo, tão pouco... “tudo”...
Izo Goldman – São Paulo


 Tudo passa, e eu acho graça,
quando fico a me lembrar
que a passadeira não passa
sem o ferro de passar...
José Fabiano – B. Horizonte


 Sentaram, de um solavanco,
os  três gorduchos rotundos...
E a primeira vez um banco
quebra em excesso de fundos.
Miguel Russowsky – Joaçaba
 

Não por acaso, sou fã
deste casal fascinante:
– o meu galinho é um “galã”;
minha galinha, “chocante”...
Osvaldo Reis – Maringá
 

Se nas revistas reparas,
verás que é questão de gosto:
alguns preferem ver Caras,
outros preferem o oposto...
Rodolpho Abbud – N. Friburgo
 

Confuso, o dono do empório
não anda bom da veneta:
na orelha um supositório,
mas nem sinal da caneta!
Sérgio Ferreira – São Paulo
 

Ao vir “de fogo”, recua
gritando, após a topada:
Que faz um poste na rua
às duas da madrugada?!
Therezinha Brisolla – São Paulo


 

 

Líricas e filosóficas


De barro se faz  homem,
e de luz principalmente.
O barro, os anos consomem;
a luz eterniza a gente.
A. A. de Assis  – Maringá
 

Cada momento vivido
na vida que se renova,
às vezes é definido
apenas em uma trova!
Alberto Paco – Maringá
 

Borboletas pelos galhos,
em tarde de harpas e banjos,
são pequeninos retalhos
dos vestidinhos dos anjos...
Amália Max – Ponta Grossa
 

É hiper minha saudade,
é super minha emoção;
tão grande é minha vontade,
que quase perco a razão!
A.M.A. Sardenberg – São Fidélis

Eu li num velho alfarrábio
o que agora certifico:
– O rico nem sempre é sábio,
mas o sábio é sempre rico.
Amilton Monteiro – SJ dos Campos
 

Xepeiro, de olhos tristonhos,
à noite, exausto e sozinho,
cato no chão dos meus sonhos
a xepa do teu carinho.
Antônio Roberto – Campos
 

Aos setenta anos de idade,
embora entre espinhos –  tantos –,
invisto em felicidade
o saldo dos meus encantos!
Arlene Lima – Maringá
 

Transformando em agasalho,
a ternura que te invade,
sou quase nada e não valho
do teu terço nem  metade.
Benedita Azevedo
 

Nosso amor em demasia,
que importa? Cobre os espaços
quando veste a fantasia
e faz folia em teus braços!
Clenir N. Ribeiro – N. Friburgo
 

Sou rainha afortunada,
você meu rei, meu senhor.
Doce ilusão implantada
no reino do nosso amor!
Conceição Abritta – B. Horizonte
 

Desprezei tua amizade,
queria mais, muito mais!...
Hoje sou nau da saudade,
apodrecendo no cais.
Conceição de Assis – Pouso Alegre
 

A trova, de qualquer jeito,
chega forte e vai bem fundo:
em seu contexto perfeito
já percorre todo o mundo!
Diamantino Ferreira – Campos
 

Cavaquinho, violão,
o bandolim e o pandeiro.
Acrescente o coração,
e eis o “choro” brasileiro!
Domitilla B. Beltrame – São Paulo


 O parque da minha vida,
dos tempos da mocidade,
hoje é foto refletida
na retina da saudade!
Eduardo A. O. Toledo – Pouso Alegre
 

Orgulho bobo... vaidade,
caprichos do amor sobejo...
Eu, morrendo de saudade,
fingir que nem te desejo!
Elisabeth S. Cruz – N. Friburgo
 

As pedras do meu caminho
vou transpondo-as com ardor,
e cada dia um trechinho
vira caminho de amor.
Flávio Stefani – Porto Alegre
 

A saudade da saudade
varreu de mim a alegria,
levando a felicidade
que eu pensava que existia!
Gislaine Canales – B. Camboriú
 

Madrugada, vento esperto,
em meu sonho alcanço a lua...
Dorme a paz a céu aberto,
cai poesia sobre a rua.
Humberto Del Maestro – Vitória
 

Melhor ficasse eu silente
que cortejá-la cantando.
Há serenatas que a gente
faria melhor calando.
Jaime Pina da Silveira – São Paulo
 

Se sofres, poeta, canta,
que essa cantiga, aonde for,
consola, embala, acalanta,
quem vive pobre de amor!
Jeanette De Cnop – Maringá
 

Mesmo antes dessas auroras...
antes do caos... da utopia,
na eternidade das horas,
já o Criador... existia!
João Freire Filho – Rio
 

A saudade é passarinho
que voa pela amplidão,
mas só sabe fazer ninho
na concha do coração.
José Lucas – Natal
 

São Francisco nos deixou
o ensino do "franciscar";
os animais que ele amou,
de irmãos podemos chamar.
José Marins – Curitiba


 Naquela roda-gigante
fingi medo e te abracei.
O parque ficou distante,
mas o abraço eu conservei...
José Ouverney – Pinda
 

O poeta, declamando,
revolvia o meu passado.
Com seus versos foi traçando
o meu retrato... falado!
Lucília Decarli – Bandeirantes
 

Para os pais a maior glória,
quanto à criação dos filhos,
é saber que em sua história
nunca saíram dos trilhos.
Maria Eliana Palma – Maringá


 Quem não faz, risco não corre.
Erro... engano... quem não falha?
Só pode errar quem socorre,
age, executa, trabalha!
Ma. Thereza Cavalheiro – São Paulo


 O homem pode, num segundo,
mover tudo o que quiser,
mas quem movimenta o mundo
é o coração da mulher!
Neide R. Portugal – Bandeirantes


 Nesta tão densa neblina
em que a vida se traduz,
o meu sonho de menina
mesmo longe ainda reluz.
Olga Agulhon – Maringá


 Não vejo por onde escapes
a esta lei clara e sucinta:
Deus traça o destino a lápis
e és tu que o cobres de tinta...
Sávio Soares de Sousa – Niterói
 

No refúgio desmanchamos,
quando ficamos a sós,
esses nós que carregamos
no fundo de todos nós!
Selma Spinelli – São Paulo


 Entre todos os recantos
é aqui que me sinto bem:
– o meu lar tem tais encantos
que outros lugares não têm!
Sônia Martelo – Ponta Grossa


 Teu retrato até rasguei
para fugir à verdade...
“Sem lembranças”... eu pensei,
mas ninguém rasga a saudade!
Thereza Costa Val – B. Horizonte


 Repletos, alguns cinzeiros
marcam longa madrugada,
perdida em meio aos ponteiros
de um tempo cheio de nada.
Vanda F. Queiroz – Curitiba


 Sob o feitiço do mar,
o poeta assim diria:
– E’ propício pra sonhar,
mas, sem você... que ironia!!!
Vânia Ennes – Curitiba


 Na floresta da poesia,
a trova canta feliz;
encanta pela magia
e também pelo que diz.
Vidal Idony Stockler – Curitiba
 

 

 

 

 

Querido amigo e Mestre Assis,

Desejamos que a sua "pausa para meditação"

seja breve e que retorne ao seio desta família

o mais rápido que possa.

Abraços fraternos e já saudosos.

Carlos Leite Ribeiro,

Iara Melo,

PORTAL CEN -  "CÁ ESTAMOS NÓS"

Portugal, 04 de novembro de 2007

 

 

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