O que você faz pela trova é
tão importante quanto as trovas que
você faz

Pausa para
meditação
Os mais antigos certamente se lembram de
Seu Júlio Lousada, o dono daquela voz
garbosa que apresentava no rádio um
famoso programa chamado “Pausa para
meditação”. Pois é: vamos também fazer
uma pausa para meditar. Trovia chega,
com esta edição, ao n. 100. Aquele
boletinzinho que em junho de 1999
começou com uma tiragem de apenas 30
exemplares xerocados para distribuição
aos trovadores de Maringá expandiu-se
rapidamente, passou a ser distribuído
via internet para todo o Brasil e boa
parte de Portugal, recebeu depois o
apoio do Portal Cen, e hoje nem sabemos
quantas pessoas lêem mensalmente este
jornalzinho. Acontece, porém, que, após
8 anos de gostosa labuta, o editor
cansou-se, e decidiu que, chegando a
este n. 100, Trovia sairia do ar
definitivamente. Mas essa coisa de
“definitivamente” dói muito. Daí, amigos
pediram e o “definitivamente”
abrandou-se para “temporariamente”.
Faremos, por ora, apenas uma “pausa para
meditação”. Só não sabemos quanto vai
durar a pausa. Vem vindo aí o verão,
temporada de férias, bom momento para
pensar, repensar, refletir direitinho
sobre se devemos ou não voltar à
atividade, quando e como. Somos
imensamente gratos a cada um de vocês, e
a todos queremos, desde já, deixar aqui
o nosso fraterno abraço de Natal.

Inesquecíveis
Parti do Norte chorando,
que coisa triste, meu Deus!...
– Eu vi o mar soluçando
e o coqueiral dando adeus...
Aparício Fernandes
A vida o tempo devora;
o próprio tempo não dura.
Colhe a alegria de agora,
para a saudade futura!
Helena Kolody
Olhando, na infância doce,
aquela bola de luz,
pensava que a lua fosse
um brinquedo de Jesus...
José Maria M. de Araújo
Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber:
a vida que nós vivemos
e a que sonhamos viver!
Luiz Otávio
Meu coração, vacilante,
ressoa em cada batida.
– Igual a um tambor distante
marcando o passo da vida.
Newton Meyer
Meu amor, que mau pedaço
eu passo quando demoras...
Meu coração perde o passo,
atrás do passo das horas!...
Waldir Neves
Revista
Troféu Lilinha Fernandes – A UBT
Porto Alegre homenageia anualmente
os 10 trovadores mais premiados em
todo o Brasil no ano anterior,
concedendo ao primeiro colocado o
Troféu Lilinha Fernandes. Os “10
mais” de 2006 foram os seguintes:
1º lugar) Antonio Augusto de Assis –
Maringá = 1.830 pontos. 2º) Izo
Goldman – São Paulo = 1.650; 3º)
Edmar Japiassú Maia – Rio de Janeiro
= 1.640; 4º) José Ouverney –
Pindamonhangaba = 1.620; 5º) Vanda
Fagundes Queiroz – Curitiba = 1.380;
6º) Campos Sales – São Paulo =
1.260; 7º) Élen de Novais Felix –
Niterói = 1.250; 8º) Therezinha
Dieguez Brisolla – São Paulo =
1.170; 9º) Marina Bruna – São Paulo
= 1.160; 10º) Renata Pacolla – São
Paulo = 1.100.
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Ávida palavra – Tão quietinha quanto
genial. Assim é Lena Jesus Ponte,
que acaba de lançar no Rio de
Janeiro seu mais recente livro,
Ávida palavra, primorosa seleção de
sonetos, poemas livres e haicais.
Parabéns para a querida autora. Mais
ainda para quem tiver a oportunidade
de ler a obra – poesia finíssima da
primeira à última página.
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Retalhos da vida – Celebrando seus
jovens 90 anos, Emílio Germani, um
dos orgulhos da Academia de Letras
de Maringá, lançou Retalhos da vida,
crônicas, relatos e generalidades.
Um pouco de sua belíssima história,
dentro da bonita história de três
estados: Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul. Uma obra que
marca.
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Reminiscências – De Otávio
Venturelli, estamos lendo
Reminiscências, precioso álbum de
sonetos com que nos brinda o grande
mestre friburguense. Um rico
presente de Natal antecipado.
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Carta de Cecy – “O que me encanta
nos trovadores? E’ a porta que eles
mantêm sempre aberta, com um tapete
encantado onde está escrito: ‘Seja
bem-vindo no mundo das delicadezas’.
Não dá tempo nem de limpar o pé.
Pumba! Adentramos e nos encantamos”.
Cecy Fernandes de Assis – poeta (São
Paulo)

Humorísticas
Minha charmosa
vizinha
afirma que borda e pinta,
mas não fala com que linha
nem explica com que tinta...
Arlindo T. Hagen – B. Horizonte
No seu biquíni, apertado,
Maria me deixa mudo,
pois nunca vi “tanto nada”
cobrindo, tão pouco... “tudo”...
Izo Goldman – São Paulo
Tudo passa, e eu acho graça,
quando fico a me lembrar
que a passadeira não passa
sem o ferro de passar...
José Fabiano – B. Horizonte
Sentaram, de um solavanco,
os três gorduchos rotundos...
E a primeira vez um banco
quebra em excesso de fundos.
Miguel Russowsky – Joaçaba
Não por acaso, sou fã
deste casal fascinante:
– o meu galinho é um “galã”;
minha galinha, “chocante”...
Osvaldo Reis – Maringá
Se nas revistas reparas,
verás que é questão de gosto:
alguns preferem ver Caras,
outros preferem o oposto...
Rodolpho Abbud – N. Friburgo
Confuso, o dono do empório
não anda bom da veneta:
na orelha um supositório,
mas nem sinal da caneta!
Sérgio Ferreira – São Paulo
Ao vir “de fogo”, recua
gritando, após a topada:
Que faz um poste na rua
às duas da madrugada?!
Therezinha Brisolla – São Paulo

Líricas e filosóficas
De barro se faz homem,
e de luz principalmente.
O barro, os anos consomem;
a luz eterniza a gente.
A. A. de Assis – Maringá
Cada momento vivido
na vida que se renova,
às vezes é definido
apenas em uma trova!
Alberto Paco – Maringá
Borboletas pelos galhos,
em tarde de harpas e banjos,
são pequeninos retalhos
dos vestidinhos dos anjos...
Amália Max – Ponta Grossa
É hiper minha saudade,
é super minha emoção;
tão grande é minha vontade,
que quase perco a razão!
A.M.A. Sardenberg – São Fidélis
Eu li num velho alfarrábio
o que agora certifico:
– O rico nem sempre é sábio,
mas o sábio é sempre rico.
Amilton Monteiro – SJ dos Campos
Xepeiro, de olhos tristonhos,
à noite, exausto e sozinho,
cato no chão dos meus sonhos
a xepa do teu carinho.
Antônio Roberto – Campos
Aos setenta anos de idade,
embora entre espinhos – tantos –,
invisto em felicidade
o saldo dos meus encantos!
Arlene Lima – Maringá
Transformando em agasalho,
a ternura que te invade,
sou quase nada e não valho
do teu terço nem metade.
Benedita Azevedo
Nosso amor em demasia,
que importa? Cobre os espaços
quando veste a fantasia
e faz folia em teus braços!
Clenir N. Ribeiro – N. Friburgo
Sou rainha afortunada,
você meu rei, meu senhor.
Doce ilusão implantada
no reino do nosso amor!
Conceição Abritta – B. Horizonte
Desprezei tua amizade,
queria mais, muito mais!...
Hoje sou nau da saudade,
apodrecendo no cais.
Conceição de Assis – Pouso Alegre
A trova, de qualquer jeito,
chega forte e vai bem fundo:
em seu contexto perfeito
já percorre todo o mundo!
Diamantino Ferreira – Campos
Cavaquinho, violão,
o bandolim e o pandeiro.
Acrescente o coração,
e eis o “choro” brasileiro!
Domitilla B. Beltrame – São Paulo
O parque da minha vida,
dos tempos da mocidade,
hoje é foto refletida
na retina da saudade!
Eduardo A. O. Toledo – Pouso Alegre
Orgulho bobo... vaidade,
caprichos do amor sobejo...
Eu, morrendo de saudade,
fingir que nem te desejo!
Elisabeth S. Cruz – N. Friburgo
As pedras do meu caminho
vou transpondo-as com ardor,
e cada dia um trechinho
vira caminho de amor.
Flávio Stefani – Porto Alegre
A saudade da saudade
varreu de mim a alegria,
levando a felicidade
que eu pensava que existia!
Gislaine Canales – B. Camboriú
Madrugada, vento esperto,
em meu sonho alcanço a lua...
Dorme a paz a céu aberto,
cai poesia sobre a rua.
Humberto Del Maestro – Vitória
Melhor ficasse eu silente
que cortejá-la cantando.
Há serenatas que a gente
faria melhor calando.
Jaime Pina da Silveira – São Paulo
Se sofres, poeta, canta,
que essa cantiga, aonde for,
consola, embala, acalanta,
quem vive pobre de amor!
Jeanette De Cnop – Maringá
Mesmo antes dessas auroras...
antes do caos... da utopia,
na eternidade das horas,
já o Criador... existia!
João Freire Filho – Rio
A saudade é passarinho
que voa pela amplidão,
mas só sabe fazer ninho
na concha do coração.
José Lucas – Natal
São Francisco nos deixou
o ensino do "franciscar";
os animais que ele amou,
de irmãos podemos chamar.
José Marins – Curitiba
Naquela roda-gigante
fingi medo e te abracei.
O parque ficou distante,
mas o abraço eu conservei...
José Ouverney – Pinda
O poeta, declamando,
revolvia o meu passado.
Com seus versos foi traçando
o meu retrato... falado!
Lucília Decarli – Bandeirantes
Para os pais a maior glória,
quanto à criação dos filhos,
é saber que em sua história
nunca saíram dos trilhos.
Maria Eliana Palma – Maringá
Quem não faz, risco não corre.
Erro... engano... quem não falha?
Só pode errar quem socorre,
age, executa, trabalha!
Ma. Thereza Cavalheiro – São Paulo
O homem pode, num segundo,
mover tudo o que quiser,
mas quem movimenta o mundo
é o coração da mulher!
Neide R. Portugal – Bandeirantes
Nesta tão densa neblina
em que a vida se traduz,
o meu sonho de menina
mesmo longe ainda reluz.
Olga Agulhon – Maringá
Não vejo por onde escapes
a esta lei clara e sucinta:
Deus traça o destino a lápis
e és tu que o cobres de tinta...
Sávio Soares de Sousa – Niterói
No refúgio desmanchamos,
quando ficamos a sós,
esses nós que carregamos
no fundo de todos nós!
Selma Spinelli – São Paulo
Entre todos os recantos
é aqui que me sinto bem:
– o meu lar tem tais encantos
que outros lugares não têm!
Sônia Martelo – Ponta Grossa
Teu retrato até rasguei
para fugir à verdade...
“Sem lembranças”... eu pensei,
mas ninguém rasga a saudade!
Thereza Costa Val – B. Horizonte
Repletos, alguns cinzeiros
marcam longa madrugada,
perdida em meio aos ponteiros
de um tempo cheio de nada.
Vanda F. Queiroz – Curitiba
Sob o feitiço do mar,
o poeta assim diria:
– E’ propício pra sonhar,
mas, sem você... que ironia!!!
Vânia Ennes – Curitiba
Na floresta da poesia,
a trova canta feliz;
encanta pela magia
e também pelo que diz.
Vidal Idony Stockler – Curitiba