MÚSICAS
 

Revista Trovia UBT - Maringá - PR

Ano 8 - nº 08 - Outubro/2006

Editor: Antonio Augusto de Assis (A. A. de Assis)

Formatação e Arte: Iara Melo

O que você faz pela trova é tão importante quanto as trovas que você faz

 


Bela alma a do poeta

Quantos sons você conta aí?... Suponhamos que sete: Be-la-al-maa-do-po-e-ta. Mas por certo haverá quem conte seis, ou mesmo cinco, dependendo do ouvido de cada um. Dá-se isso por obra do bendito hiato, o inimigo número um da métrica. Parece que para a maioria dos poetas brasileiros o verso fica mais agradável quando se respeitam os hiatos, porém outros acham mais natural fundir as vogais. E como é que se resolve isso? Sabe-se lá... O maior drama é nos concursos. Você não sabe se conta poe-ta ou po-e-ta. O jeito é torcer para que os julgadores acatem o sotaque de cada autor. Em regra, não se derruba nenhuma trova em razão desse problema; entretanto, mesmo assim, o concorrente fica de pé atrás, pelo medo de quebrar o cujo... A tendência,  como foi dito, é pronunciar po-e-ta, vi-a-gem, a-in-da, a-al-ma, a-ho-ra, o-ho-mem, o-ou-ro, po-ei-ra, su-a, to-a-da etc. Mas... e se você não concordar? Tudo bem. Você continuará escrevendo seus versos do modo que mais lhe agrade, e pronto. Afinal de contas, quem manda no texto é o autor. Se bem que alguns, por via das dúvidas, têm feito o seguinte: se, por exemplo, mandam a trova para um concurso no Rio de Janeiro, contam/fri-io/, em dois sons; se o concurso é em São Paulo, contam/friu/, num som apenas. Outros, mais cuidadosos ainda, procuram de toda forma evitar hiatos. Resolve? Bem... Pelo menos pode livrar a trova do risco de perder pontos por não soar bem no ouvido do julgador. São ossos que o poeta encontra em seu delicioso ofício...


Inesquecíveis   
 

Eu ontem não tive o ensejo
de ver teu rosto querido.
Ao dia em que não te vejo
eu chamo um dia perdido...
Antônio Sales
 
Talvez eu fosse feliz
se conseguisse esquecer
o bem que pude e não fiz,
o mal que fiz sem querer.
Delmar Barrão
 
Tenho uma pena que escreve
aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve;
se é verdade, não tem tinta.
Fernando Pessoa
 
Lavrador, meu camarada,
não julgues que a pena é leve:
– pesa tanto quanto a enxada
a pena com que se escreve!...
José Rodrigues
 
Aqui jaz o corpo apenas
do marquês de Maricá.
Quem quiser achar-lhe a alma
nos seus livros a terá.
Marquês de Maricá
 
A saudade é passarinho
que agasalho, e não rejeito,
depois que trançou seu ninho
na forquilha do meu peito...
Newton Meyer


REVISTA
 

III Conc. Literário “Cidade de Maringá


Modalidades: 1.TROVA (L-F); 2. SONETO (decassílabo); 3. POEMA LIVRE (máximo 30 linhas); 4. CRÔNICA (máximo 30 linhas)

Tema (único) para todas as modalidades:

COLHEITA.

Máximo 3 (três) trabalhos em cada modalidade.  Trovas: sistema de envelopes. Demais modalidades: Papel A-4, em três vias, corpo 12, usando pseudônimo. Anexar envelope menor (fechado) indicando externamente a modalidade, título e pseudônimo, e, internamente, identificação do concorrente: nome, endereço completo, telefone, assinatura e (se possível) e-mail.
Endereço: Academia de Letras de Maringá – Caixa Postal  982 –  MARINGÁ – PR - CEP: 87001-970. Até 31-10


Academia – Com um belíssimo jantar literário no Bristol, coordenado pela poeta Maria Eliana Palma, a Academia de Letras de Maringá comemorou no dia 7 de setembro seus 9 anos de fundação.

II Conc. Rádio Difusora Ouro Fino

Tema: NOTÍCIA. Concurso paralelo: tema RÁDIO DIFUSORA, em homenagem aos 56 da emissora. Máximo 3. A/C Eduardo A. O. Toledo. Caixa Postal 181 – POUSO ALEGRE-MG – 37550-000. Até 31-10



I Conc. de Trovas de Saquarema


Temas: estadual-RJ: MAR; nacional:
SERRA. Máximo 3. A/C João Costa. Rua Pereira, 331 – Bacaxá – SAQUAREMA-RJ – 28993-000 – Até 31-01-07


Trovia

Para correspondência:
 A. A. de Assis      
       Rua Arthur Thomas, 259 – ap. 702
87013-250 – Maringá-PR 
Tel. (44) 3227-4311
E-mail:
alw@mgalink.com.br

 27º Encontro de Petrópolis


Tema: TEATRO. Máximo 5. Usar pseudônimo. Praça da Liberdade, 247 – PETRÓPOLIS-RJ – 25685-050 – Até 15-10


 

Rima para lâmpada – Disseram uma vez ao jornalista português Duarte de Sá que não havia rima para a palavra lâmpada. Ele refletiu um instante e escreveu: – Consta que certo vigário/mandou comprar uma lâmpada/pra alumiar uma estampa da /Virgem Santa do Rosário! (Colaboração do poeta José Marins – Curitiba)



Coincidência – Quem gosta de numerologia repare lá no cabeçalho: ano 8, n. 88, outubro, 2006 (2+6 = 8).



Concursos – Para saber tudo sobre concursos de trovas (editais e resultados), sugerimos assinar o Trovalegre (tel. [35] 3421-4321), o Informativo da UBT-SP (tel. [11] 3277-9097) e pedir cópia do Boletim da UBT Nacional  ao presidente ou delegado da UBT de sua cidade. Quem tem internet pode também acompanhar pelo Site José Ouverney:
www.falandodetrova.com




 
Humorísticas
 

Teus seios, brancos regalos,
parecem massa de pão.
Tanto que sonho em assá-los
no forno de minha mão!...
José Fabiano – B. Horizonte
 
No casamento do Tuta,
foi um drama, um desconsolo:
o noivo querendo a fruta
e a noiva lhe dando o bolo!
José Ouverney – Pinda
 
Sou louco quando preciso
e o remorso não me assalta;
eu nunca tive juízo
e ele nunca me fez falta...
Milton Souza – Porto Alegre
 
Xiii, menina, eu não sabia
que tinhas tamanho tchan...
Se soubesse, eu nem teria
te beliscado a maçã!
Osvaldo Reis – Maringá
 
Tanto, tanto ela falou
na última temporada,
que da praia ela voltou
com a língua bronzeada!
Roza de Oliveira – Curitiba
 
Nem me lembro mais do gosto
da tal noite de verão,
e até hoje pago imposto
que ela chama de pensão...
Sérgio F. dos Santos – N. Friburgo
 

Líricas e filosóficas
 

Eu não tenho uma floresta,
mas tenho em casa um jardim.
O verde mantenho em festa,
na parte que cabe a mim!
A. A. de Assis – Maringá
 
Minha mãe foi meu tesouro...
foi meu escudo e troféu...
E hoje é medalha de ouro
entre as mães que estão no céu!!!...
Ademar Macedo – Natal
 
O circo segue em viagem
deixando em cada cidade
um círculo de serragem
delimitando a saudade...
Adilson de Paula – J. Távora
 
Em pedaços fui rasgando
tua foto pela praça;
hoje os procuro chorando,
pedindo ajuda a quem passa.
Amália Max – Ponta Grossa
 
Velhos sinos badalando
anunciam minha dor...
– Cada toque ressoando
no meu presente sem cor...
Antônio M. Sardenberg – S.Fidélis
 
Encontrei na minha trova
a vontade de escrever.
A paixão por coisa nova
faz a gente renascer.
Cecim Calixto –Tomazina
 
Olhando fotos antigas,
tenho saudade de mim.
– Hoje, maduras espigas;
ontem, um frágil jardim.
Clevane Pessoa – B. Horizonte
 
Foste embora e, na saudade,
a ofensa se fez lição:
descobri que o amor-verdade
se alicerça no perdão!
Domitilla B. Beltrame – S. Paulo
 
Por ser caboclo do mato,
de capina a vida inteira,
meu mundo tem o formato
de uma roça sem fronteira!
Eduardo Toledo – Pouso Alegre
 
A paz é conquista interna,
pura ausência de ansiedade,
tranqüilidade que externa
prazer e felicidade.
Lairton T. Andrade – Pinhalão
 
Debruçada sobre o berço
do seu querido filhinho,
busca a mãe, com o seu terço,
indicar-lhe um bom caminho.
Luiz Hélio Friedrich – Curitiba
 
Para a alma aliviar
na dor, conflito, paixão,
a lágrima acalma o olhar;
um poema, o coração!
Maria Eliana Palma – Maringá
 
Minha boneca de sonho…
vivências da mocidade!
Pensamento que transponho
no meu portal de saudade!
Maria José Fraqueza – Portugal
 
Imortal não sou agora,
mas eu tenho uma alegria:
– Sou poeta e ao “ir-me embora”...
deixo um rastro de poesia!
Ma. Lúcia Daloce – Bandeirantes
 
Sabedoria... só cabe
a quem tem por diretriz
não dizer tudo o que sabe,
mas... saber tudo o que diz.
Ma. Madalena Ferreira – Magé
 
Poeta arguto e sensível,
vai o inquieto beija-flor
buscar a rima impossível
no coração de uma flor!
Ma. Thereza Cavalheiro – S.Paulo
 
Na viagem de retorno
eu guardei algo de bom:
no meu lencinho o contorno
de tua boca em batom.
Maurício Leonardo – Ibiporã
 
E’ maldade, insensatez,
marcar com ferro a boiada,
se o nascimento da rês
traz a sentença marcada.
Neide R. Portugal – Bandeirantes
 

Dominar o medo e o ódio,
a injustiça e o desamor,
são vitórias que, no pódio,
dão mais brilho ao vencedor!
Elisabeth S. Cruz – N. Friburgo
 
A  ilusão da  meninice
com  os  meus  netos se  fez,
agora  em  plena  velhice
eu  sou  criança  outra  vez!
Fernando Câncio – Fortaleza
 
O sonho que mais me anima,
que me faz bem, me renova,
é sonhar fazendo rima,
compondo mais uma trova.
Francisco Garcia – Caicó
 
Ciúme é como se fosse
um veneno sedutor:
amargo, se mostra doce,
matando aos poucos o amor.
Francisco Pessoa – Fortaleza
 
A minha vida é uma Trova,
trova de ilusão perdida,
pois a vida é grande prova,
que prova a Trova da vida!
Gislaine Canales – B. Camboriú
 
Começa a lua num traço,
vai crescendo e nos seduz...
Como é formoso, no espaço,
esse trapinho de luz!
Humberto Del Maestro – Vitória
 
Se a viagem é impossível,
deixo o sonho de nós dois
numa espera indefinível
para um suposto depois...
Istela Marina Lima – Bandeirantes
 
O imortal desaparece
desta vida transitória,
mas seu verso permanece
nas letras vivas da história!
Joamir Medeiros – Natal
 
Às vezes, Divino Pai,
quando converso contigo,
eu sinto que um anjo vai
orando, também, comigo!
Josafá Sobreira da Silva – Rio
O namoro é uma viagem
que nos leva ao paraíso;
mas quem for comprar passagem...
na bagagem leve juízo.
Nei Garcez – Curitiba
 
Carrego pouca bagagem
porque na vida aprendi
que, mesmo longa a viagem,
preciso apenas de ti!
Olga Agulhon – Maringá
 
De incompetência dão provas
os meus rabiscos bisonhos:
sobra sonho em minhas trovas,
falta a trova dos meus sonhos!
Pedro Ornellas – São Paulo
 
Teu amor que encanta, encanta,
foi tão perfeito, perfeito!
Tua ausência é tanta, tanta,
que até faz eco em meu peito!
Renata Paccola – São Paulo
 
Mais que justa há que ser boa
a resposta a uma agressão,
que o bom é justo e perdoa
mesmo os erros sem perdão!
Sérgio Bernardo – N. Friburgo
 
A idade impõe seus percalços
e a humildade os ameniza;
quem anda de pés descalços
respeita a terra onde pisa!
Sérgio F. da Silva – São Paulo
 
A vida é uma grande viagem
se o excesso de “informação”
não excluir da bagagem
“enlevos” do coração.
Wandira F. Queiroz – Curitiba
 
Reconheço que a razão
me exerce extremo fascínio,
mas, se acerta o coração...
perco o rumo e o raciocínio!
Vânia Souza Ennes – Curitiba
 
Canta a prosa, canta o verso
com esplêndida leveza,
enchendo todo o universo
e louvando a natureza.
Vidal Idony Stockler – Curitiba
 

Visite:

 http://www.caestamosnos.org/autores/antonioaugusto.htm

http://www.caestamosnos.org/ligaamigoscen/assis/A_A_Assis.htm

Mid: Hino a Maringá versão 2002

Letra de Ary de Lima
Música de Aniceto Matti

VIOLÃO: Paulo Machado / INTÉRPRETE: Márcia Mara

Topo da página: Foto Montagem Iara Melo/ Maringá/PR

Formatação e Arte: Iara Melo

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