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SEBO LITERÁRIO
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António José Barradas Barroso
(Tiago)
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Alentejo...
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minha
saudade
SONETOS
Pág. 5 de 7
Pág.
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O
ribeiro
António
Barroso
Com
meu
pai,
eu
ia
pelo
carreiro
Colhendo
espargo
verde
bem
carnudo
E
depois,
já
nas
margens
do
ribeiro,
As
beldroegas
que
cobriam
tudo.
Meu
pai,
meu
bom
amigo,
meu
parceiro,
Olhava
para
mim,
sorrindo,
mudo,
Deixava
que,
a
correr,
fosse
o
primeiro
A
refrescar-me
na
água,
meio
desnudo.
No
regresso,
colhiam-se
agriões
E
ervas
para
mezinhas
e
pomadas,
Um
cacho
ou
outro
de
uvas
lá
da
vinha.
A
chegada
era
cheia
de
emoções,
Que
o
cheiro
de
iguarias
cozinhadas,
Trazia
a de
um
bom
caldo
de
galinha.
António
Barroso |
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A
casa
do
pão
António
Barroso
Casa
do
forno,
era
a
casa
do
pão
E o
lume
feito
de
lenha
escolhida,
Fermento
guardado
de
outra
sessão
E a
bênção
da
cruz
na
massa
tendida.
Todo
o
trabalho
se
fazia
à
mão
E,
dali,
brotava
a
força
da
vida,
No
forno
aquecido
ao
lume
canção
No
pão
que
surgia
na
pá
estendida.
E o
parto
esperado,
de
manhã
cedo,
Saía
do
forno
quente,
em
sossego,
Cantando
salmos
de
puro
louvor.
Da
crosta
castanha,
linda,
macia,
Soltavam-se
os
cheiros
que
o
forno
trazia
No
pão
benzido
por
Nosso
Senhor.
António
Barroso |
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A
figueira
António
Barroso
Aquela
figueira
lançando,
no
espaço,
Ramos
frondosos
furando
a
distância,
Criaram,
em
mim,
um
eterno
laço
Que
liga
a
velhice
aos
tempos
de
infância.
Quedava-me,
atento,
em
cada
pedaço,
E o
figo
surgia
em
tal
abundância,
Que
até
fazia
esquecer
o
cansaço
Duma
aventura
com
tanta
importância.
O
tronco
robusto,
os
ramos
possantes,
Lembram
aqueles
tempos
tão
distantes
De
menino
rebelde,
aventureiro,
Momento
de
saudade
que,
assim,
trouxe
O
sabor
desse
figo
doce,
doce,
Como
outro
não
há
no
mundo
inteiro.
António
Barroso |
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O
banho
António
Barroso
Naquelas
tardes
quentes
de
verão,
Lá
no
monte
onde
o
meu
avô
morava,
A
sombra
da
figueira
não
chegava
P’ra
acalmar
esse
calor
de
aflição.
Mas
o
que
se
encontrava,
mesmo
à
mão,
Era
o
tanque
onde
a
roupa
se
lavava,
No
qual
eu,
p´ra
refrescar,
me
colocava,
Na
doçura
de
tão
boa
sensação.
O
tanque,
pouco
fundo,
era
comprido,
Porém
todos
os
dias
era
enchido
De
água
vinda
do
poço
em
aqueduto,
Quando
se
abria
uma
pequena
porta,
A
água
brotava
p´ra
regar
uma
horta
Linda
e
ornada
de
árvores
de
fruto.
António
Barroso |
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Os
sinos
da
minha
terra
António
Barroso
Quando
os
sinos
se
erguiam,
imponentes
Do
seu
alto
refúgio,
o
campanário,
Abriam
sempre
num
toque
diário
Chamando,
p’ra
missa,
todos
os
crentes.
Mas
se,
fora
dessa
hora,
em
dias
quentes,
Badalavam
em
ritmo
extraordinário,
Chamavam
o
bombeiro
voluntário
Para,
heróico,
apagar
chamas
ardentes.
Os
toques
a
finados
davam
pena,
Mas
outros
já
chamavam
p´ra
novena
E,
até
largar
a
corda,
o
sacristão
Pensava
ser
maestro
duma
orquestra,
Actuando,
soberbo,
numa
festa,
Num
eterno
e
permanente
dlim,
dlão…
António
Barroso |
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Para
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