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SEBO LITERÁRIO
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António José Barradas Barroso
(Tiago)
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Alentejo...
...
minha
saudade
SONETOS
Pág. 7 de 7
Pág.
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A
monda
António
Barroso
Lá
vão
elas,
unidas,
bem
juntinhas,
Com
a
saia
apertada
sobre
a
meia,
Contando
as
novidades
duma
aldeia
Onde,
cada
uma
delas,
é
vizinha.
Colhem,
com
prazer,
as
ervas
daninhas,
Que
a
planície
de
trigo
está
bem
cheia,
Na
frescura
do
dia
que
as
enleia,
Soltam
suas
canções,
suas
modinhas.
Pelo
ar,
ainda
soam
tais
cantares,
Quando
voltam,
no
fim,
para
seus
lares,
P´ra
junto
da
família
que
as
espera.
Num
dia
de
trabalho
e
ganha
pão,
Há
brasas
espalhadas
pelo
chão
Porque
ainda
está
fresca
a
primavera.
António
Barroso |
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O
Cauteleiro
António
Barroso
- É
o
mil
trezentos
e
cinquenta
e
sete
–
E o
cauteleiro
segue,
apregoando
As
cautelas
que,
a
todos,
vai
mostrando,
Fixadas
nos
botões
do
seu
colete.
Na
cabeça,
com
pala,
usa
um
barrete
Que
o
protege
do
sol
que
está
queimando
P’ra,
com
arte
e
magia,
ir
desvendando,
Ao
povo,
a
sorte
grande
que
promete.
Andava,
pelas
rua,
todo
o
dia,
Que
a
fortuna
bem
pouco
lhe
sorria
Em
troca
de
pregões
tão
enfadonhos.
Corria,
aqui
e
além,
sempre
a
cantar,
No
seu
costumeiro
apregoar,
Ele
era
um
mercador
de
lindos
sonhos.
António
Barroso |
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O
Pregoeiro
António
Barroso
Correndo,
toda
a
rua,
o
santo
dia,
Pregoeiro
faz
uso
do
pulmão,
Para
dizer,
em
forte
vozeirão,
A
encomenda
que
toda
a
gente
ouvia.
E
posta-se,
parado,
em
sintonia
C’o
as
ordens
recebidas
do
patrão,
Seja
pequena
ou
grande
a
multidão,
Debita
anúncios
como
poesia.
Não
há
frio,
nem
há
calor
que
o
vença,
O
pagamento
é
pouco,
mal
compensa
O
esforço
dispendido
o
dia
inteiro.
Fecha
o
capote,
seu
bom
agasalho,
Considera
acabado
o
seu
trabalho
E,
então,
regressa
a
casa,
o
pregoeiro.
António
Barroso |
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O
Ferrador
António
Barroso
Avental
de
carneira
protegendo
Toda
a
azáfama,
todo
o
seu
labor,
Lá
ia,
trabalhando,
o
ferrador,
Calçando
os
animais
que
iam
trazendo.
Com
turquês,
ia
os
cravos
desfazendo,
Depois,
com
o
formão
ao
seu
dispor,
Ele
alisava
o
casco,
sem
dar
dor,
Co’a
nova
ferradura
protegendo.
Se a
velha
ferradura
é
talismã,
Ela
é,
p’ra
o
ferrador,
no
seu
afã,
Um
pedaço
de
ferro,
coisa
morta.
Se
houvesse,
no
mito,
uma
só
verdade,
Ferrador,
nadava
em
felicidade
Com
tanta
ferradura
atrás
da
porta.
António
Barroso |
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Os
amola-tesouras
António
Barroso
Andavam
nas
pequenas
bicicletas
Prodígio
duma
grande
arrumação,
Com
toda
a
ferramenta
ali
à
mão,
Onde
nada
faltava,
eram
completas.
E
tocavam,
nas
gaitas,
cançonetas
Aprendidas
na
antiga
tradição,
Afiavam,
com
toda
a
perfeição
E,
em
guarda
chuvas.
punham
as
varetas.
Pelas
ruas,
com
todos
os
vagares,
Colavam,
com
agrafes,
alguidares,
Faziam
obras
de
arte,
de
alquimia.
Agora,
não
me
sai
mais
da
lembrança
Meu
tempo
de
menino,
de
criança,
Em
que
amola-tesouras
inda
havia.
António
Barroso |
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