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Educação... Brasil de 1500 a 2000, um desabafo
Profª. Augusta Schimidt
“O futuro não nos pertence ainda, embora nossas ações
sejam determinantes para a sua construção.”
A.S
Sempre que pensamos num mundo melhor, acreditamos que
vamos colher os frutos cujas sementes plantamos ao longo
da vida.
Por vezes nos deparamos com situações que melhor seria
desaprendermos, ou seja: que o dinheiro é fundamental,
que um grande posto na carreira significa sucesso e que
mudar a forma de pensar é crucial. Para tais situações o
pensar não basta, requerem uma ação verdadeira. Uma
mudança efetiva.
O Brasil é ainda um país criança, por isso acredito que
ainda existam chances, mas é preciso para isso que se
criem laços, compromissos e para que haja uma
transformação, há que se cuidar da educação.
Há pouco mais de 500 anos, quando os portugueses aqui
chegaram, encantaram-se com as belezas naturais, com as
palmeiras, os coqueirais.
E no regresso às suas terras, carregavam os porões das
caravelas com espécies vegetais e animais que
acreditavam ter importância ao homem e a sua
sobrevivência.
Foi assim que começaram a se criar as leis e a tutelar
determinados bens, surgindo então a obrigação ao
respeito. Conclui-se assim que as leis são normas
valoradas e criadas por representantes da sociedade e
refletem o corpo social que jamais compreendeu que o
valor da vida não se relativiza pela forma do corpo que
habita.
Como bem disse Drummond de Andrade, “as leis não bastam,
os lírios não nascem das leis”.
O Brasil está crescendo e com ele as urgências. Homens
concretos vivem e morrem sem opções. As promessas são
muitas e grandes as frustrações. Perguntas sem
respostas, conquistas e desconquistas, verde descolorido
e um povo sentido. Jovens que convivem com o conformismo
e a indiferença e o desmoronamento de seus sonhos.
Ser jovem hoje em dia, se caracteriza conforme o
contexto histórico no qual está inserido, pois sua
formação é definida e concretizada a partir do que se
espera de uma categoria social. As sociedades dinâmicas
utilizam as potencialidades da juventude para produzir
transformações positivas. No entanto, essa
potencialidade só se transforma em função social quando
há um processo de integração desses agentes
revitalizadores.
Uma analise histórica das políticas sociais do Brasil
mostra que seu caráter fragmentário marginaliza os
jovens na rede de proteção social. Quando se olha para a
conjuntura atual, crise social, falta de políticas
sociais básicas, desemprego, violência, entende-se o
porquê dos jovens dos anos 2000 projetarem seu futuro na
ótica do risco. As etapas naturais percorridas para
chegar à condição de adultos estão sendo dificultadas.
Vivemos hoje na fase do encurtamento da idade
infanto-juvenil que se configura um fator importante da
crise social.
Em virtude das dificuldades financeiras, os jovens são
obrigados a manter a dependência dos pais ou se
aventurar aos negócios ilícitos. Considerando também que
a escola publica está muito longe de alcançar seus
objetivos formativos, os jovens das famílias
desestruturadas acabam, na maioria das vezes,
movimentando-se em direção ao crime.
Diante disso, faz-se necessário uma nova estrutura de
formação e inclusão do jovem na sociedade.
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Educando pelas diferenças
Augusta Schimidt
“Antes de ensinar a criança a ler as palavras, é preciso
ensiná-la a ler o mundo”. (Paulo Freire)
A educação é o processo construtivo de um ser e por isto
está presente em qualquer sociedade.
A prática de viver é o encadeamento de constantes
transformações e Hoje, a pobreza afeta de maneira
trágica a vida de grande parcela da população.
As pessoas negras e pobres enfrentam os maiores
preconceitos e dificuldades em nosso país e tendo a
sociedade brasileira sofrido um processo histórico que
contribuiu para uma pluralidade étnica inserindo num
mesmo cenário portugueses, índios e negros africanos,
levou desta forma à construção de um país miscigenado
marcado pelas diferenças. Tanto que na educação escolar
construímos diferentes representações e valores.
As potencialidades humanas (diferenças), convivem de
maneira conflituosa, nos revelando que o racismo, a
intolerância e a discriminação social nos levam a
intensos processos de discriminação. O poder e as
diferenças sociais que dizem respeito aos grupos étnicos
– raciais menos favorecidos foram transformados em
desigualdade. Isso nos obriga a construir práticas
democráticas que transformem a trajetória de nossos
alunos em uma oportunidade de aprendizado,
reconhecimento, respeito e construção à sua cidadania.
Nossas crianças precisam vivenciar práticas pedagógicas
que lhe possibilitem ampliar seu universo, superar os
preconceitos e eliminar todo e qualquer comportamento
discriminatório em relação aos outros.
Essa é uma tarefa bastante difícil, porém é a tarefa de
todo educador, seja de escola publica ou particular. Não
há como ser educador sem assumir uma postura ética e
pedagógica.
A criança é produto de uma relação com o meio ou seja da
diversidade de costumes, raças, comportamentos, crenças
religiosas, e essa diversidade se manifesta na escola.
Entender a relação entre escola e diversidade cultural é
inserir-se no contexto das lutas sociais, é assumir um
posicionamento político e ético que transforme o nosso
discurso em favor da escola democrática e das praticas
afetivas e concretas.
Por trás da mão que segura o lápis, dos olhos que olham,
dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa e essa
criança que pensa quando respeitada e valorizada adquire
autonomia e confiança aprendendo a desenvolver o
sentimento de autovalorização estando assim pronta para
enfrentar as diferenças.
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Artigos sobre
Educação/Parte
I
Profª. Augusta Schimidt
Em muitos momentos me questiono sobre como é o ensino,
como é feito, seus valores, metodologia, enfim o que é a
educação.
Acho que educar é romper limites ampliar idéias através
da realidade que evolui a cada momento. A escola
proporciona ao aluno o ensino e o desenvolvimento para o
trabalho, o exercício da cidadania e a vida social, mas
para isso necessitamos de profissionais aptos para
estimular a aprendizagem. Infelizmente é fato
corriqueiro vermos nas escolas públicas, crianças
excluídas por suas deficiências, condição social, cor
etc.
É preciso muito mais para educar. É preciso
comprometimento, é preciso ousar.
É preciso ter urgência com a criatividade:
Através do desenvolvimento da capacidade criadora
promover-se-á autonomia, a responsabilidade motivadora e
um crescimento mais equilibrado e global da criança. As
suas manifestações criativas podem de igual modo,
ajudar-nos a compreender melhor o desenvolvimento
emocional, intelectual, físico, perceptual, social,
estético e criador da criança. Por exemplo, as crianças
cuja criatividade fique inibida, por regras ou forças
que lhes são alheias, podem retrair-se e, então,
recorrer a formas estereotipadas de criação (cópias,
linhas ou idéias de outros, adoção de perspectivas
gastas, etc.) ou mesmo deixar de praticar e de ter gosto
na própria criação. A criança emocionalmente livre,
desinibida, na expressão criadora, sente-se segura e
confiante ao abordar qualquer problema que derive das
suas experiências.
Segundo LOWENFELD e BRITAIN, 1977 “ A criatividade pode,
igualmente, trazer outra relevância à forma como o
sistema escolar está organizado”.
Se o professor tem a responsabilidade de organizar o
processo ensino-aprendizagem, de proporcionar os
materiais didáticos, de decidir sobre o melhor método
para o estudo do currículo, a presença sistemática da
criatividade nas suas planificações, abertas ou
fechadas, desencadeará na criança a procura das suas
próprias respostas e soluções, de forma interessada e
apaixonante, em vez da recepção, pura e simples, dos
valores e conhecimentos do professor. Para, além disso,
podemos observar que a criança cria a partir de qualquer
grau de conhecimentos que possua na fase em que se
encontra.
O próprio ato de criar pode fornecer-lhe novos
vislumbres, novas perspectivas e nova compreensão para a
ação futura. Provavelmente, o melhor preparo para criar
é o próprio ato de criação. Ainda de acordo com
Lowenfeld e Britain “ num sistema educacional
equilibrado, em que o desenvolvimento do ser total é
realçado, o pensamento, o sentimento e a percepção do
indivíduo devem ser igualmente desenvolvidos, a fim de
que possa desabrochar toda a capacidade criadora em
potencial. Há que alterar, pois, a mentalidade e o
posicionamento dos adultos, daqueles que não fomentam a
criatividade, tanto na escola como na família.” Os
adultos devem deixar de reprimir, por exemplo, o que
muitas vezes é considerado um comportamento infantil nos
jovens (que os seus filhos mais velhos deixem de fazer
"criancices"). De igual modo, o professor, sobre quem é
exercida uma enorme pressão conformista, para que se
conforme com as normas de conduta da escola deve ser o
modelo (e o líder!) para que acriança adquira estimulo
para criar.
Aprender é apaixonante; a criança é naturalmente
curiosa. Isto significa que ela é espontaneamente
motivada à aprendizagem. O desinteresse dela muitas
vezes resulta de situações em que foi agredida em seu
desejo de investigar o mundo. Cabe ao professor educador
manter e alimentar esta curiosidade inata.
Cabe ao educador provocar o aluno a aplicar seu
conhecimento, levá-lo a fazer.
Conhecimento que não tem aplicação prática não é
conhecimento. Ao praticar o aluno tem a oportunidade de
confrontar a ilusão do conhecimento com a realidade
efetivamente conhecida. Aproximar estas duas dimensões
do saber é efetivamente conhecer.
A aprendizagem se dá principalmente no grupo. É no
confronto com o outro que percebemos nossa forma de
pensar o mundo, nossas semelhanças e diferenças.
O educador deve estar atento ao juízo de valores
expresso pela criança ao contar fatos, contribuindo para
a formação ética da mesma. A prática educacional deve
ser orientada para propiciar a descoberta de que
conviver com outras crianças é prazeroso.
O respeito ao semelhante e o amor são construções,
envolvem a capacidade de apostar em si mesmo, no outro e
na busca de conhecimento. Amar envolve constatar as
próprias incompetências, o que traz como conseqüência o
aumento da tolerância em relação ao outro. Amar envolve
a capacidade de rir de si mesmo, dos próprios erros.
Pressupõe a capacidade de correr riscos, de apostar na
capacidade de aprender, de transformar a si e ao mundo.
Estimular a heterogeneidade do grupo é fundamental na
construção da identidade do indivíduo. Para tanto, a
observação constitui-se em instrumento básico. É
fundamental buscar o entendimento do perfil do grupo com
o qual se trabalha. O ensino tradicional, de
características autoritárias, trabalha o grupo para
torná-lo homogêneo, nega as diferenças individuais,
cobra dos alunos que todos dêem respostas iguais às
situações-problema apresentadas. Esta linha de trabalho
estimula a diferença. O conhecimento vai sendo
construído pelo grupo à medida que cada um emite sua
opinião, cabendo ao professor sistematizar e ampliar
este conhecimento.
A escola deve ser um espaço estimulador da capacidade de
se expressar através da arte, orientando-se para o
desenvolvimento da capacidade criadora.
A ação educacional pressupõe a capacidade de encorajar a
criança a formular seus próprios conceitos,
expressando-os através de distintas linguagens.
Num espaço acolhedor, seguro e estimulador de novas
experiências, a criança deve participar do planejamento
e ocupação do espaço da sala de aula; organizá-lo de
forma a facilitar as atividades diárias.
Esta construção e descoberta conjunta do espaço físico é
o alicerce para a apropriação do conhecimento da criança
em idade de creche e pré-escolar. As atividades de Artes
com as crianças devem estar relacionadas aos projetos
trabalhados pela professora da turma.
O educador é um provocador. Sua atuação deve orientar-se
para desafiar a criança a solucionar problemas de seu
interesse.
Educação/Parte II
Criança, Vida, Arte
Profª. Augusta Schimidt
Tudo o que se desenvolve na vida do ser humano tem sua
semente plantada na infância. O amor pelo mundo, a
atenção para o mundo, o cuidado com o mundo... O estar
no mundo! É nesta fase da vida que o organismo termina
de se conformar e os sentidos são lapidados.
Uma porta de entrada para este desenvolvimento pleno é a
arte, que pode ser entendida em vários âmbitos. O
ambiente em que a criança está inserida deve ser belo,
artística e amorosamente cuidado, para condizer com sua
alma que confia em ser o mundo maravilhoso, onde vale a
pena viver, onde
Tudo vale a pena imitar e aprender.
As ações dos que estão à volta da criança são o ponto de
partida para seu aprendizado, os exemplos que ela imita,
ansiosamente, em seu caminho de chegar ao mundo. Belos
gestos, um fazer artístico e dedicado devem compor este
repertório a ser apreendido.
As atividades que ela própria desenvolve e pratica são
as ferramentas que modelam sua percepção do mundo, os
seus sentidos. O uso das mãos e dos dedos, o
experimentar materiais naturais diversos, os movimentos
harmoniosos do corpo em brincadeiras espontâneas, jogos
e rodinhas, ajudam a desenvolver as forças formativas do
corpo humano e a lapidar a percepção sensorial da
criança.
Os contos de fada na primeira infância constituem, em
especial, um importante instrumento nas mãos de pais e
educadores. As crianças necessitam de imagens para o
desenvolvimento de sua vida anímica, e esses contos
guardam um verdadeiro patrimônio de imagens, ricas em
fantasias.
Impregnadas de leis espirituais.
Promovendo valores como tolerância, solidariedade e amor
pelo próximo, as histórias na infância contribuem para a
diminuição dos índices de violência e agressividade, na
medida em que estimulam a criança a lidar com a
imaginação e a exteriorizar a agressividade de forma
sadia.
Educação / Parte III
Arte e Educação: Um encontro possível
Profª. Augusta Schimidt
O ensino da arte é fundamental para o desenvolvimento da
criança, pois envolve o pensamento, o sentimento
estético e a formação intelectual. Desenhar, pintar,
construir faz com que a criança reúna diversos elementos
de sua experiência para formar um novo.
Arte – educação significa expressar os sentimentos de
uma vida vivida e não uma imitação. É na verdade um
movimento educativo e cultural que busca a construção de
um ser humano completo, total, de acordo com um
pensamento idealista e democrático.
A educação escolar e o meio social exercem ação
recíproca e permanente, um sobre o outro, tanto que para
alguns educadores a educação escolar é pensada de forma
idealística, considerando-a muito influente e capaz de
mudar por si só as práticas sociais.
De outra forma, existem os educadores que acreditam que
é a sociedade com suas praticas que determina totalmente
a educação escolar, que é considerada reprodutora dessa
sociedade, sendo incapaz de mudá-la.
Viktor Lowenfeld exerceu extraordinária influencia sobre
a educação e em grande parte, graças a ele, é que a
educação artística passou a ser reconhecida como
disciplina importante do currículo nas escolas publica.
Isto aconteceu, não só por causa do seu considerável
interesse e de sua influência na arte, mas também por
sua preocupação e dedicação com as crianças.
Educação Parte IV
Arte terapia infantil
Profª Augusta Schimidt
Desde o século 5 a.C., há registros na Grécia de emprego
da Arte, como um meio de tratamento e cura. Desde épocas
remotas, as expressões artísticas correspondem à
expressão psíquica da comunidade e, particularmente, de
cada indivíduo. Com isso, a arte passou a ser utilizada
como instrumento de expressão cooperadora e
transformadora na edificação de seres mais inventivos,
criadores, fortes e saudáveis.
Segundo Philippini (1994), a arte como ferramenta
terapêutica, no Brasil, é vista por segmentos mais
conservadores, com reservas. Contudo, dentro do universo
Junguiano, ela sempre esteve presente entre as
estratégias terapêuticas dos que trabalham com esta
abordagem. Parte-se da premissa que os indivíduos, em
seu processo de autoconhecimento e transformação, são
orientados por símbolos. Estes emanam do self, centro de
saúde, equilíbrio e harmonia, representando o pleno
potencial da psique e a sua essência. Na vida, o self,
através de seus símbolos, precisa ser reconhecido,
compreendido e respeitado.
O objetivo da arte terapia, na visão junguiana, é o de
apoiar e o de gerar instrumentos apropriados, para que a
energia psíquica forme símbolos em variadas produções, o
que ativa a comunicação entre o inconsciente e o
consciente. (Philippini, 2000)
A arte terapia auxilia neste processo, oferecendo
inúmeros materiais para que o indivíduo sinta-se livre
na escolha daquele que mais lhe for apropriado. Isso
atende a sua singularidade, funciona como ferramenta
para despertar e ativar a criatividade e, também, para
desbloquear e transmitir à consciência instruções e
informações oriundas do inconsciente. Essas informações
normalmente são ignoradas, contidas e disfarçadas,
encobertas e principalmente ocultas. Na psique humana,
e, as informações colaboram para o desenvolvimento de
toda a dinâmica intra-psíquica, ao serem transportadas à
consciência por meio do processo arte terapêutico
Este processo é facilitado pelas modalidades e materiais
expressivos diversos, tais como tintas, papéis,
colagens, modelagem, construção, confecção de máscaras,
criação de personagens e outras infinitas possibilidades
criativas. Todos propiciam o surgimento de símbolos
indispensáveis para que cada indivíduo entre em contato
com aspectos a serem entendidos, assimilados e
alterados.
As modalidades expressivas devem ser criativas e
variadas para o alcance da compreensão simbólica, e
também da função organizadora específica de cada
símbolo. Por isso, é muito importante que o setting
terapêutico seja munido de instrumentos indispensáveis à
viabilização desse processo, vez que o símbolo contém
por meio da linguagem metafórica, o sentido de todos os
enigmas psíquicos. (Philippini, 2000)
Dentre estas modalidades expressivas, destaca-se a
construção, que é também um modo de informação lógica,
sendo imprescindível, sobretudo para o adolescente. É
através da construção que o adolescente transmite o seu
sentimento, pensamento e o modo como vivencia e entende
o mundo, fazendo-o de acordo com o seu próprio
desenvolvimento emocional, mental, psíquico e
biossocial.
A construção proporciona, em síntese, a reprodução do
conhecimento e a estruturação, constituição e
reconstituição do nosso universo interior. Segundo Rubin
Apud Coll et al (1995), todo processo criativo, após o
momento de se deixar levar, experimentar e explorar
materiais surge como uma necessidade de organizar, de
colocar junto, de arranjar e elaborar o trabalho final.
Devido ao fato de adolescentes se caracterizarem
geralmente pela ansiedade, contradição, idealização e
questionamento, podem e devem ser favorecidos por
modalidades expressivas que lhes permitam analisar,
inventar e compreender. Dentre estas, destacamos a
construção no processo arte terapêutico, que auxilia no
autoconhecimento e na edificação de benefícios
específicos das técnicas construtivas.
A criança com dificuldades de aprendizagem tem muitas
vezes, problemas de comunicação verbal, causados por
dificuldades de recepção, de compreensão da informação
recebida ou de emissão.
A arte é um meio de comunicação não verbal e através
dela, a criança pode se expressar por este meio
alternativo. Mesmo a criança que não apresente
comprometimento na linguagem tem muitos sentimentos
profundos para expressar que são mais fáceis de mostrar
visualmente do que através de conversa. Numa situação
onde ela se sinta aceita ela pode mostrar sua visão do
mundo, sem medo de critica.
Educação/Parte V
Contribuição da Arte nas dificuldades de aprendizagem
Augusta Schimidt
A criança com dificuldades de aprendizagem tem muitas
vezes, problemas de comunicação verbal, causados por
dificuldades de recepção, de compreensão da informação
recebida ou de emissão.
A arte é um meio de comunicação não verbal e através
dela, a criança pode se expressar por este meio
alternativo. Mesmo a criança que não apresente
comprometimento na linguagem tem muitos sentimentos
profundos para expressar que são mais fáceis de mostrar
visualmente do que através de conversa. Numa situação
onde ela se sinta aceita ela pode mostrar sua visão do
mundo, sem medo de critica.
A criança com problemas, tem em geral, pouca confiança
em si mesma. Não acredita que consegue fazer algo mesmo
antes de tentar fazer. Por isso nem tenta com medo de
errar. Perde a curiosidade natural, protegendo-se atrás
de um comportamento apático. Mas, lentamente ela vai
percebendo a confiança que o professor tem nela e começa
a perceber que é capaz de fazer.
Lentamente vai percebendo o resultado de seu próprio
esforço e começa a fazer, pois em arte não existe o
desenho certo e o desenho errado.
Muitas crianças aprendem que é proibido mexer nas
coisas, se sujar, pegar em tudo. Mas em artes, espera-se
que a criança participe, se envolva, manuseie os
materiais. Ela sente que é bom amassar barro, melar as
mãos com tinta, pintar com os dedos, passar as mãos em
materiais com diversas texturas. Ela é incentivada a
explorar todos os objetos, através de todos os sentidos
inclusive do gustativo e sente prazer nisso. E ao mesmo
tempo e de forma agradável, e sem perceber, ela
desenvolve sua coordenação motora.
Hora de criar
À medida que as crianças começam a valorizar seu próprio
trabalho, podemos exigir delas um pouco mais
estimulando-as a irem além do que já conhecem para
inventar formas novas. Elas mesmas se surpreendem com o
que são capazes de descobrir.
Numa situação onde se estimula a criatividade, a criança
pode se soltar ser mais espontânea, tomar iniciativas.
Observando meus alunos, percebi que no desenho tudo
subsiste ao mesmo tempo: “em apenas um olhar você
enxerga tudo, já no texto escrito, você tem que ler
palavra por palavra para poder entender”. Em suma, há
uma simultaneidade na percepção dos elementos do desenho
contraposta à linearidade da fala e da escrita.
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Educação Sexual
Profª. Augusta Schimidt/2007
Por envolver valores culturais e sociais, a sexualidade
precisa ser ensinada sob os mais variados enfoques.
Desde a publicação dos Parâmetros Curriculares
Nacionais, em 1986, a Educação Sexual em muitas escolas
ainda se restringe às aulas de Ciências.
Os temas propostos nos PCNs e sistematizados no projeto
da FDE -, podem ser desenvolvidos em turmas do Ensino
Fundamental, sempre tomando o cuidado de adaptar o
conteúdo para as diferentes faixas etárias e níveis de
conhecimento.
A abordagem em diversas disciplinas (de acordo com
Nivaldo Leal dos Santos, gerente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação da Secretaria de Estado da
Educação de São Paulo e responsável e coordenador do
projeto Prevenção Também se Ensina).
Artes
Estudo sobre a representação do corpo expressas em
diversas épocas, nas diferentes manifestações
artísticas.
Produção de desenhos, esculturas e pinturas que tenham
como tema o corpo humano.
Montagem de cenas teatrais que tenham como tema o drama
dos jovens em relação à gravidez na adolescência, sexo,
amor, amizade etc.
Produção de campanhas publicitárias de prevenção à
DST/AIDS e gravidez na adolescência.
Expressão corporal por meio da dança.
Discussão sobre a discriminação dos meninos nas
atividades artísticas (dança principalmente).
Ciências Naturais
Transformações do corpo na puberdade, relacionando-os
também ás mudanças emocionais e psicológicas.
Mecanismos de concepção, contracepção, gravidez e parto.
Tipos de exames de sangue feitos nos testes de gravidez
e HIV.
Formas de transmissão e de prevenção do vírus HIV.
Educação Física
O respeito ao corpo e a construção de uma cultura
corporal. Como gostar do próprio corpo e respeitá-lo,
física e psicologicamente.
Questionamento dos padrões de beleza ditados pela mídia.
Atividades em que ambos os sexos possam fazer juntos,
sem separação entre meninos e meninas.
Geografia
Levantamento das regiões brasileiras em que a
fecundidade é maior ou menor e suas razões.
Estudo das regiões mais afetadas pela epidemia da AIDS
no Brasil e no mundo e as causas dessa vulnerabilidade.
Pesquisa sobre a forma como o vírus da AIDS se espalhou
pelos diversos continentes.
Historia
O papel da mulher na sociedade através do tempo, suas
lutas e conquistas.
Como a sexualidade é vivida em diferentes culturas,
tempos e lugares.
A expressão da sexualidade por meio do vestuário e da
maneira de enfeitar e lidar com o corpo.
O corpo e os modos de usá-lo, representá-lo e
valorizá-lo em diversas sociedades.
A homossexualidade e os povos antigos. A
homossexualidade na história.
Língua Estrangeira
Exploração das diferentes conotações atribuídas ao
masculino e ao feminino em vários países e culturas.
Língua Portuguesa
Estudo das regras do idioma que estabelecem o plural no
masculino (o que inclui as mulheres). Por que o plural
feminino exclui os homens?
Leitura de textos literários, jornalísticos ou poéticos
que falem sobre situações de violência contra a mulher e
contra homossexuais.
Análise dos verbetes “homem” e “mulher” no dicionário e
as diferenças na forma de tratamento.
Percepção das características de gênero pela análise de
personagens de romances de época.
Matemática
Produção de gráficos e tabelas sobre: gravidez na
adolescência no Brasil; avanços na epidemia da AIDS em
diferentes populações.
Estudos sobre a possibilidade de engravidar nos diversos
períodos do ciclo menstrual.
É importante que se saiba que segundo pesquisa realizada
pelo ministério da Saúde, a partir de dados do Censo
Escolar, as dificuldades começam no despreparo dos
professores, passam pelo medo dos pais e pela atual
cultura relacionada a sexo. O relatório mostra ainda
que, quando existe alguma informação, ela não é
aprofundada de forma que consiga transformar
comportamentos.
As escolas recebem inúmeras crianças de vários níveis
sociais e, no entanto, não há tempo, profissionais
preparados e materiais adequados para desenvolver sequer
as disciplinas obrigatórias, quem dirá os temas
transversais, como o da sexualidade. É preciso que o
Estado perceba que nem todos os professores são capazes
de trabalhar o tema. O profissional de educação sexual
precisa estar livre de preconceitos, sejam eles frutos
de sua vivência, religião ou ponto de vista, pois um
trabalho feito de forma preconceituosa pode ter o efeito
contrário ao esperado.
O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação
desenvolvem o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE).
Programa este que estimula as escolas a adotarem a
educação sexual em seus currículos e discute com pais,
professores e diretores a melhor forma de distribuir
preservativos aos jovens. O SPE também é desenvolvido em
parceria com a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Fundo das
Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Análise e
Planejamento (Cebrap) e divulgada no ano passado, a
escola é o segundo lugar mais apontado pelos jovens para
obter informações sobre AIDS. Em primeiro vem a família
e em terceiro a televisão.
Conforme o estudo do governo federal, a maioria das
escolas tem o professor como responsável pelas
atividades relacionadas à área de DST/Aids. Os
professores capacitados para conscientizar os jovens
correspondem a 43% do total pesquisado e os não
capacitados são 35% do todo.
Profissionais de saúde de nível superior também
participam das atividades em 36% das escolas, assim como
os profissionais de saúde de nível médio (18%), membros
de Organizações da Sociedade Civil (8%) e outros
profissionais (19%). "Tratar sobre sexualidade e
prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e AIDS
dentro do ambiente escolar tem contribuído para derrubar
tabus e despertar a consciência dos jovens, promovendo
uma transformação social onde há cada vez menos espaço
para a discriminação.
O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas preocupa-se em
estimular ainda mais o ensino da educação sexual nas
escolas. Para auxiliar na divulgação do programa, foi
elaborado o Guia de Formação para Profissionais de
Saúde, que auxilia na capacitação dos profissionais de
educação e saúde que trabalham junto à população. Existe
também o Guia de Formação para Jovens, com um conteúdo
mais apropriado para essa faixa etária.
Além dos guias, são montadas oficinas macrorregionais
com representantes da Secretaria de Saúde, Universidades
e demais interessados no projeto. Nas oficinas surgem
discussões de questões como sexualidade, doenças
sexualmente transmissíveis, gravidez, cidadania e planos
de ação.
O governo criou o Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) em
2003. Além da prevenção de doenças, o programa também
leva informação ao adolescente sobre o uso da camisinha
para evitar a gravidez. A iniciativa surgiu com a
proposta de trabalhar em conjunto as três esferas
(federal, estadual e municipal) do governo nas áreas de
Saúde e Educação.
Para implementar essas ações, o poder público conta com
a colaboração da Unesco e da Unicef. O Saúde e Prevenção
tem como finalidade ampliar ainda mais a
disponibilização de preservativos nas escolas..
A Pesquisa sobre Comportamento Sexual e Percepções da
População Brasileira sobre HIV e AIDS (1998-2005),
realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e
Planejamento (Cebrap), mostra que o brasileiro está
usando cada vez mais o preservativo na sua primeira
relação sexual. Em 1998, 47,8% dos indivíduos entre 16 e
19 anos utilizaram a camisinha na sua primeira relação.
Em 2005 foi constatado que esse numero subiu para 65,8%.
O crescimento está relacionado com o aumento das
campanhas de divulgação.
Proibir é lutar contra a natureza: Descobrir o corpo e
como ele pode dar prazer (o corpo erótico) faz parte do
desenvolvimento da criança. Ao perceber a sensação
gostosa que o toque provoca, ela vai querer repetir o
ato.
As aulas sobre sexualidade são marcantes para os jovens,
pois nelas eles aprendem a conhecer seus desejos,
necessidades e afetos (e a lidar com eles).
A postura do professor orientador ao tratar do assunto é
muito importante. Por isso, os especialistas recomendam
prestar atenção nos seguintes detalhes:
Qualquer dúvida, por mais simples que pareça, é
relevante e pertinente.
Ouvir, mais do que falar, é a melhor conduta. Estimule o
debate e deixe os estudantes tirarem as próprias
conclusões.
Caso alguém pergunte, sua opinião sobre o tema deve ser
dada no final da discussão.
Apresente informações científicas sempre que necessário,
sem emitir juízos.
Para não expor ninguém, o ideal é levantar dúvidas sem
personalizar (os estudantes encaminham as questões por
escrito ou produzem cartazes em que todos escrevem o que
já sabem sobre determinado assunto).
Perguntas sobre a conduta pessoal dos alunos são
constrangedoras, pois pode parecer que você quer
policiar as atitudes deles. Mantenha a discussão
genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada.
As escolas com programas de educação sexual costumam
comunicar os pais sobre a iniciativa antes de iniciar as
aulas.
Geralmente a idéia é bem acolhida. Mas muitas famílias
temem que as conversas levem a uma iniciação precoce da
vida sexual do adolescente, o que (obviamente) não é o
objetivo da escola. Por isso, nas conversas com os
familiares, cabe aos professores:
Mostrar que a educação sexual está prevista nos PCN e
faz parte do projeto pedagógico.
Enfatizar que o papel da escola é passar informações
científicas e propiciar o debate de temas pertinentes à
idade de cada turma, tentando com isso aplacar as
angústias dos adolescentes em relação ao tema.
Explicar que o objetivo maior é fazer com que os jovens
tenham uma vida saudável e entendam o que acontece com
eles quando os hormônios estão em ebulição.
Deixar claro que os valores morais e religiosos da
família não serão questionados em nenhum momento.
Convidar os pais, sempre que possível, a participar de
um bate-papo em sala de aula com os estudantes (eles
podem contar como lidavam com a sexualidade quando eram
adolescentes e, diante de um grupo grande de jovens, sem
a pressão de estar "a sós" com o filho, ouvir os dilemas
da moçada de hoje).
Proporcionar atividades paralelas aos alunos cujos pais
se oponham à participação do filho nas atividades de
educação sexual.
Pessoas com deficiências físicas, mentais ou sensoriais
manifestam sua sexualidade tanto quanto os demais. O
problema é que muitos os consideram "anormais" e,
portanto, vêem essas atitudes também como anomalias. O
tratamento deve ser igual para todos, com abordagem
adaptada ao tipo de deficiência do aluno.
Com alunos com deficiência mental, é preciso tornar as
informações mais acessíveis e repeti-las várias vezes
usando linguagem simples, material concreto ou exemplos.
Geralmente quem tem deficiência física apresenta
auto-estima corporal baixa por não se enquadrar no
"padrão de beleza". Falar do corpo, para eles, costuma
ser difícil. Histórias de pessoas com deficiência que se
realizaram pessoal e profissionalmente podem ajudar
muito assim como a adaptação das atividades de sala de
aula para incluí-los.
Alunos com deficiência visual precisam de material
concreto para manipular, como modelos dos órgãos sexuais
e esquemas em alto-relevo.
Já quem tem deficiência auditiva nem sempre consegue
explicar suas dúvidas para o educador, que muitas vezes
tem dificuldade para transmitir as informações a eles. A
solução é usar muitas figuras, diagramas e esquemas para
facilitar a visualização e a assimilação dos conteúdos.
Toda criança tem a tendência de imitar os adultos. O que
normalmente vêem na TV, cenas de novelas e filmes faz
com que elas comecem a despertar o desejo sexual de
forma errônea tornando-se difícil a reeducação. Os pais
precisam tomar consciência do que seus filhos fazem,
assistem e aprendem.
A fase da descoberta é também a fase onde crianças e
adolescentes testam limites e tanto em casa como na
escola precisam ser informados dos limites, do que podem
e do que não podem fazer. Portanto a educação sexual na
escola desde o ensino fundamental é muito importante
para o bom desenvolvimento da criança que pretendemos
formar. A escola complementa a educação familiar
contribuindo para que se formem verdadeiros cidadãos.
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Dislexia
Profª Augusta Schimidt
Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas
inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades
paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é
desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em
130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de
nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de
ressonância magnética funcional, as conquistas dos
últimos dez anos têm trazido respostas significativas
sobre o que é Dislexia.
A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está
diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de
quem somos; do que é Memória e Pensamento- Pensamento e
Linguagem; de como aprendemos e do por que podemos
encontrar facilidades até geniais, mescladas de
dificuldades até básicas em nosso processo individual de
aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta
realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom,
é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque inteligente,
tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz.
Posição equivocada que Howard Gardner aprofundou com
excepcional mestria, em suas pesquisas e estudos
registradas, especialmente, em sua obra Inteligências
Múltiplas. Insight que ele transformou em pesquisa
cientificamente comprovada, que o alçou à posição de um
dos maiores educadores de todos os tempos.
A evolução progressiva de entendimento do que é
Dislexia, resultante do trabalho cooperativo de mentes
brilhantes que se têm doado em persistentes estudos, tem
marcadores claros do progresso que vem sendo
conquistado.
Durante esse longo período de pesquisas que transcende
gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é
Dislexia redundou em mais de cem nomes para designar
essas específicas dificuldades de aprendizado, e em
cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenha sido
universalmente aceita. Recentemente, porém, no
entrelaçamento de descobertas realizadas por diferentes
áreas relacionadas aos campos da Educação e da Saúde,
foram surgindo respostas importantes e conclusivas,
como:
a) que Dislexia tem base neurológica, e que existe uma
incidência expressiva de fator genético em suas causas,
transmitido por um gene de uma pequena ramificação do
cromossomo # 6 que, por ser dominante, torna Dislexia
altamente hereditária, o que justifica que se repita nas
mesmas famílias;
b) b) que o disléxico tem mais desenvolvida área
específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do
que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos,
justificariam seus "dons" como expressão significativa
desse potencial, que está relacionado à sensibilidade,
artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimensões,
criatividade na solução de problemas e habilidades
intuitivas;
c) c) que, embora existindo disléxicos ganhadores de
medalha olímpica em esportes, a maioria deles apresenta
imaturidade psicomotora ou conflito em sua dominância e
colaboração hemisférica cerebral direita-esquerda.
Dentre estes, há um grande exemplo brasileiro que,
embora somente com sua autorização pessoal poderíamos
declinar o seu nome, ele que é uma de nossas mentes mais
brilhantes e criativas no campo da mídia, declarou: "Não
sei por que, mas quem me conhece também sabe que não
tenho domínio motor que me dê a capacidade de, por
exemplo, apertar um simples parafuso";
d) d) que, com a conquista científica de uma avaliação
mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia,
pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale
University, anunciaram, recentemente, uma significativa
descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta
de consciência fonológica do disléxico, a determinante
mais forte da probabilidade de sua falência no
aprendizado da leitura;
e) que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos
inter-relacionados no ato de ler: o mecanismo de fixação
visual e o mecanismo de transição ocular que, mais
tarde, foram estudados pelo Dr. William Lovegrove e seus
colaboradores, e demonstraram que crianças disléxicas e
não-disléxicas não apresentaram diferença na fixação
visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraram
dificuldades significativas em seu mecanismo de
transição no correr dos olhos, em seu ato de mudança de
foco de uma sílaba à seguinte, fazendo com que a palavra
passasse a ser percebida, visualmente, como se estivesse
borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação
que dificultava a discriminação visual das letras que
formavam a palavra escrita. Como bem figura uma
educadora e especialista alemã, "... É como se as
palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do
disléxico".
f) A dificuldade de conhecimento e de definição do que é
Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão
diversificado de informações, que confunde e desinforma.
Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que
aborda esse grave problema, somente o faz de maneira
parcial, quando não de forma inadequada e, mesmo, fora
do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
g) Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em
nosso país, e uma das causas do chamado "analfabetismo
funcional" que, por permanecer envolta no
desconhecimento, na desinformação ou na informação
imprecisa, não é considerada como desencadeante de
insucessos no aprendizado.
h) Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito
desse assunto, registram 20% da população americana como
disléxica, com a observação adicional: "existem muitos
disléxicos não diagnosticados em nosso país". Para
sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são
disléxicos, com algum grau significativo de
dificuldades. Graus leves, embora importantes, não
costumam sequer ser considerados.
i) Também para realçar a grande importância da posição
do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o
seriíssimo problema da violência infanto-juvenil, citar
o lamentável fenômeno do suicídio de crianças que, nos
USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta)
crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que
dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam
de dar a seus pais estão citadas entre as causas
determinantes dessa tragédia.
Ainda é de extrema relevância considerar estudos
americanos, que provam ser de 70% a 80% o número de
jovens delinqüentes nos USA, que apresentam algum tipo
de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que
crimes violentos sejam praticados por pessoas que têm
dificuldades para ler. E quando, na prisão, eles
aprendem a ler, seu nível de agressividade diminui
consideravelmente.
O Dr. Norman Geschwind, M.D., professor de Neurologia da
Harvard Medical School; professor de Psicologia do MIT -
Massachussets Institute of Tecnology; diretor da Unidade
de Neurologia do Beth Israel Hospital, em Boston, MA,
pesquisador lúcido e perseverante que assumiu a direção
da pesquisa neurológica em Dislexia, após a morte do
pesquisador pioneiro, o Dr. Samuel Orton, afirma que a
falta de consenso no entendimento do que é Dislexia,
começou a partir da decodificação do termo criado para
nomear essas específicas dificuldades de aprendizado;
que foi eleito o significado latino dys, como
dificuldade; e lexia, como palavra. Mas que é na
decodificação do sentido da derivação grega de Dislexia,
que está a significação intrínseca do termo: dys,
significando imperfeito como disfunção, isto é, uma
função anormal ou prejudicada; e lexia que, do grego, dá
significação mais ampla ao termo palavra, isto é, como
Linguagem em seu sentido abrangente.
j) Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia;
por muita contradição derivada de diferentes focos e
ângulos pessoais e profissionais de visão; porque os
caminhos de descobertas científicas que trazem respostas
sobre essas específicas dificuldades de aprendizado têm
sido longos e extremamente laboriosos, necessitando,
sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano,
lógico e lúcido para o entendimento maior do que é
Dislexia.
k) Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado
da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em
Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo
Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Não
tem como causa falta de interesse, de motivação, de
esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade
visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no
aprendizado da leitura, em diferentes graus, é
característica evidenciada em cerca de 80% dos
disléxicos.
Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser
e de aprender; reflete a expressão individual de uma
mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende
de maneira diferente...
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Sinais
e Características de Dislexia:
Profª Augusta Schimidt
O ideal seria que toda criança fosse testada para
detectar se ela sofre de dislexia. Porém, o sistema
educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de
recursos na maioria das escolas do País. Portanto, é
importante que pais e professores fiquem atentos aos
sinais de dislexia para que possam ajudar seus filhos e
alunos. O primeiro sinal de possível dislexia pode ser
detectado quando a criança, apesar de estudar numa boa
escola, tem grande dificuldade em assimilar o que é
ensinado pelo professor. Crianças cujo desenvolvimento
educacional é retardatário podem ser bastante
inteligentes, mas sofrer de dislexia. O melhor
procedimento a ser adotado é permitir que profissionais
qualificados examinem a criança para averiguar se ela é
disléxica. A dislexia não é o único distúrbio que inibe
o aprendizado, mas é o mais comum. São muitos os sinais
que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a
confundir letras com grande freqüência. Entretanto, esse
indicativo não é totalmente confiável, pois muitas
crianças, inclusive não-disléxicas, freqüentemente
confundem as letras do alfabeto e as escrevem de lado ao
contrário. No Jardim de Infância, crianças disléxicas
demonstram dificuldade ao tentar rimar palavras e
reconhecer letras e fonemas. Na primeira série, elas não
conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade
em identificar fonemas e reclamam que ler é muito
difícil. Da segunda à quinta série, crianças disléxicas
têm dificuldade em soletrar, ler em voz alta e memorizar
palavras; elas também freqüentemente confundem palavras.
Esses são apenas alguns dos muitos sinais que
identificam que uma criança sofre de dislexia. A
dislexia é tão comum em meninos quanto em meninas. O que
pode ser feito?
Nunca é tarde demais para ensinar disléxicos a ler e a
processar informações com mais eficiência. Entretanto,
diferente da fala – que qualquer criança acaba
adquirindo – a leitura precisa ser ensinada. Utilizando
métodos adequados de tratamento e com muita atenção e
carinho, a dislexia pode ser derrotada. Crianças
disléxicas que receberam tratamento desde cedo
apresentam uma menor dificuldade ao aprender a ler. Isso
evita com que a criança se atrase na escola ou passe a
desgostar de estudar. É importante enfatizar que a
dislexia não é curada sem um tratamento apropriado. Não
se trata de um problema que é superado com o tempo; a
dislexia não pode passar despercebida. Pais e
professores devem se esforçar para identificar a
possibilidade de seus filhos ou alunos sofrerem de
dislexia. Crianças disléxicas que foram tratadas desde
cedo superam o problema e passam a se assemelhar àquelas
que nunca tiveram qualquer dificuldade de aprendizado.
Foram desenvolvidos diversos programas para curar a
dislexia. Não há um só tratamento que seja adequado a
todas as pessoas. Contudo, a maioria dos tratamentos
enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do
vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na
leitura. Esses tratamentos ajudam o disléxico a
reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. É
aconselhável que a criança disléxica leia em voz alta
com um adulto para que ele possa corrigi-la. É
importante saber que ajudar disléxicos a melhorar sua
leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção e
repetição. Mas um bom tratamento certamente rende bons
resultados. Alguns estudos sugerem que um tratamento
adequado, administrado ainda cedo na vida escolar de uma
criança, pode corrigir as falhas nas conexões cerebrais
ao ponto que elas desapareçam por completo. Toda criança
necessita de apoio e paciência. Muitas crianças
disléxicas sofrem de falta de autoconfiança, pois se
sentem menos inteligentes que seus amigos. Porém, um bom
tratamento pode curar a dislexia. Muitos disléxicos
tiveram grande sucesso profissional; existe uma alta
porcentagem de disléxicos entre os grandes artistas,
cientistas e executivos. Muitos especialistas acreditam
que pessoas disléxicas, por serem forçadas a pensar de
forma diferente, são mais habilidosas e criativas e têm
idéias inovadoras que superam as de não-disléxicos.
Apesar das salas de aula estarem lotadas e apesar da
falta de recursos para pesquisas, a dislexia precisa ser
combatida. Muitos casos de dislexia passam despercebidos
em nossas escolas. Muitas vezes, crianças
inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam
ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se
envergonham de suas dificuldades acadêmicas, abandonam a
escola e se isolam de amigos e familiares. Muitos pais,
por falta de conhecimento, se envergonham de ter um
filho disléxico e evitam tratar do problema. Isso é
lamentável, pois crianças disléxicas que recebem um
tratamento apropriado podem não apenas superar essa
dificuldade, mas até utilizá-la como benefício para se
sobressair pessoal e profissionalmente.
O processo criativo está intimamente ligado ao
cognitivo-expressivo, um auxiliando no desenvolvimento
do outro, desde a educação infantil. Para que se
desenvolvam as potencialidades dos alunos é necessário
criar situações envolventes e interessantes onde o foco
não seja suas dificuldades. Na Educação Especial, este
foco é ainda mais importante, pois os alunos apresentam
condições peculiares para o aprendizado. O papel do
educador diante de uma turma, ainda mais se esta for
heterogênea, é o de adaptar cada atividade às
capacidades individuais, valorizando as possibilidades,
não as limitações. E nada melhor para isso que conhecer
profundamente as potencialidades e as dificuldades de
cada um.
Quando a criatividade é trazida à sala de aula, dentro
de uma vivência continuada de experiências positivas, os
alunos submetidos à educação diferenciada conseguem
trabalhar sua expressão, e através dela transmitir a si
mesmos e aos outros suas impressões do mundo. Num
processo de resignificação de conceitos dessa percepção,
o aluno tende a se reorganizar interiormente. Quando os
estímulos pedagógicos referentes a conteúdos apropriados
conseguem transformar um aluno, fazendo-o mais
participativo no mundo, aí sim poderemos dizer que
aconteceu a educação.
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Causas da Dislexia
Profª Augusta Schimidt
As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas. A
dislexia é herdada e, portanto, uma criança disléxica
tem algum pai, avô, tio ou primo que também é disléxico.
Diferentemente de outras pessoas que não sofrem de
dislexia, disléxicos processam informações em uma área
diferente de seu cérebro; não obstante, os cérebros de
disléxicos são perfeitamente normais. A dislexia parece
resultar de falhas nas conexões cerebrais. Felizmente,
existem tratamentos que curam a dislexia. Estes
tratamentos buscam estimular a capacidade do cérebro de
relacionar letras aos sons que as representam e,
posteriormente, ao significado das palavras que elas
formam. Alguns pesquisadores acreditam que quanto mais
cedo é tratada a dislexia, maior a chance de corrigir as
falhas nas conexões cerebrais da criança. Em outras
palavras, a dislexia, se tratada nos primeiros anos de
vida da criança, pode ser curada por completo.
Para melhor entender a causa da dislexia, é necessário
conhecer, de forma geral, como funciona o cérebro.
Diferentes partes do cérebro exercem funções
específicas. A área esquerda do cérebro, por exemplo,
está mais diretamente relacionada à linguagem; nela
foram identificadas três sub-áreas distintas: uma delas
processa fonemas, outra analisa palavras e a última
reconhece palavras. Essas três subdivisões trabalham em
conjunto, permitindo que o ser humano aprenda a ler e
escrever.
Uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar
fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa
então a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e
fonemas e relacionando as letras a seus respectivos
sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler
com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a
se desenvolver; sua função é a de construir uma memória
permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe
são familiares. À medida que a criança progride no
aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a
dominar o processo e, conseqüentemente, a leitura passa
a exigir menos esforço.
O cérebro de disléxicos, devido às falhas nas conexões
cerebrais, não funciona desta forma. No processo de
leitura, os disléxicos recorrem somente à área cerebral
que processa fonemas. A conseqüência disso é que
disléxicos têm dificuldade em diferenciar fonemas de
sílabas, pois sua região cerebral responsável pela
análise de palavras permanece inativa. Suas ligações
cerebrais não incluem a área responsável pela
identificação de palavras e, portanto, a criança
disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha
lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço
para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova
e desconhecida.
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Rio Amazonas... Sua historia
Augusta Schimidt
Havia um tempo em que navegar era uma arte, um desafio
que poucos aceitavam.
O ano era 1499 e as caravelas de Américo Vespúcio
navegavam no Atlântico rumo ao sul, sem saber que a 100
quilômetros havia terra firme.
Mar agitado, ondas de várias direções provocavam um
estrondo que podia ser ouvido de muito longe. Era a
pororoca, encontro fantástico das águas do rio com o
mar. As caravelas naquele exato momento estavam nas
águas do monstruoso rio Amazonas.
De exuberante beleza, nasce no lago Lauri nos Andes do
Peru, a pouco mais de 10° de Lat. S. Corre primeiramente
na direção geral sul-norte, como um rio de montanha, com
forte gradiente e vertentes muito altas. A partir do
Pongo de Manseriche, seu curso se inverte
definitivamente para a direção oeste-leste, até a foz,
no Atlântico. Corre, então, quase sempre, a menos de 5°
de latitude meridional. Nesse trecho, correspondente à
maior parte do curso, o Amazonas tem declive muito fraco
e divaga seu leito numa várzea, limitada pelas escarpas
de um baixo tabuleiro sedimentar. No Brasil, o rio
Amazonas desce de 65m de altitude, em Benjamin Constant
AM, ao oceano, após um percurso de mais de 3.000Km. Tem,
portanto, um gradiente médio de 20mm/Km.
O rio Amazonas recebe grande número de afluentes. Da
margem direita, os mais importantes são: Huallaga,
Ucayali (no Peru); Javari, Juruá, Purus, Madeira,
Tapajós e Xingu (no Brasil). Pela margem esquerda:
Pastaza, Napo (no Peru); Içá, Japurá, Negro, Trombetas,
Paru e Jari (no Brasil).
Em sua foz, o Amazonas se divide em dois braços: o braço
norte é o mais largo e corresponde ao verdadeiro
estuário; o braço sul é conhecido pelos nomes de rio
Pará e baía de Marajó. Na realidade, esta é uma saída
falsa, à qual o rio Amazonas se liga através de uma
série de canais naturais ( os furos de Breves), dos
quais o mais importante é o furo de Tajapuru. As
principais ilhas formadas pelo Amazonas são: Marajó,
Caviana, Mexiana e Grande de Gurupá. Fora da embocadura,
a maior ilha é a de Tupinambarana, junto à confluência
do Madeira.
A coloração das águas dos rios da Amazônia.
Os rios negros têm essa cor devido à dissolução de ácido
húmico. São portanto águas de pH baixo, e que carregam
muito poucos sedimentos. Esses rios formam belas praias.
São exemplos de rios de água preta: o rio Negro, o
Nhamundá, o Maués. Os chamados rios brancos têm águas
barrentas; carregam muita matéria sólida fina, e têm por
isso, várzeas de solos ricos. Destes são exemplos o
próprio Amazonas, o rio Branco (afluente do Negro), o
Juruá, o Purus e o Madeira. Os rios transparentes tomam,
após as primeiras chuvas, tonalidades verdes, em virtude
da grande quantidade de partículas de musgo que
transportam. É o caso de Tapajós e do Xingu.
As águas tisnadas de argila do rio Amazonas tingem o
oceano Atlântico até uma distância superior a 200Km da
costa e diminuem sensivelmente sua salinidade. Por esse
motivo, seu descobridor, o navegador espanhol Vicente
Pinzón, deu-lhe, em 1500, a denominação de Mar Dulce.
Quem primeiro desceu o Amazonas e lhe deu o nome que tem
hoje foi Francisco Orellana, em 1542. Enviado por
Gonzalo Pizarro desde o Peru para reconhecer o grande
rio, fez de sua viagem uma narrativa fantasiosa, em que,
entre outras peripécias, teria sido atacado por índios.
A estes, Orellana confundiu com guerreiras, que
assimilou às da lenda grega
Os afluentes mais importantes do Amazonas descem de
regiões elevadas, com clima úmido (mais de 1.500mm de
chuvas por ano). Têm, por isso, um imenso potencial
hidrelétrico. Apesar disso, o rio Amazonas não tem
enchentes particularmente danosas.
O Amazonas recebe águas provenientes do sistema Parima
ou Guiano, situado no hemisfério norte, e do planalto
Brasileiro no hemisfério sul. Uns e outros têm enchentes
causadas pelas chuvas de verão. Como as estações se
alternam nos dois hemisférios, há uma compensação no
regime das águas do coletor principal, denominada
interferência. Os rios vindos do sul (margem direita)
preponderam, entretanto, pelo volume, desempenhando
assim maior papel no ritmo e na altura das enchentes do
Amazonas. Menor influência que os afluentes brasileiros
tem os formadores que descem dos Andes, cujas águas são
alimentadas pelo derretimento das neves.
O médio, como o baixo Amazonas, não corre exatamente no
eixo da bacia sedimentar: está ligeiramente deslocado
para o norte. Isto faz com que os tributários da margem
direita sejam mais longos ( o Juruá, o Purus e o Madeira
têm mais de 3.000Km) e mais navegáveis, enquanto os da
esquerda são mais curtos e encachoeirados. O baixo platô
de sedimentos terciários do Amazonas é mais largo no
interior e se estreita perto do Atlântico. É que antes
do soerguimento dos Andes havia lá um grande golfo,
aberto para o Pacífico. O levantamento da cordilheira
formou um mediterrâneo, que na era terciária foi
sedimentado e passou a drenar as águas para leste.
Todo ano, as cheias do maior rio do mundo em volume de
água fazem a camada rochosa que o sustenta e o cerca
afundar quase 8 centímetros por causa do peso extra que
elas criam.
Depois, quando o excesso de água se vai, a crosta
terrestre volta ao nível anterior.
O Rio Amazonas compreende uma área com cerca de 7,5
milhões de km², Só na área brasileira estão
aproximadamente 5 milhões de km (67% de sua extensão
aproximadamente). Apresenta a maior biodiversidade do
planeta com cerca de 3.000 espécies conhecidas de
peixes, anfíbios e répteis.
Os peixes mudam de hábitos em época de cheias, invadindo
as florestas submersas a procura de alimento, como os
pacus e tambaquis que buscam frutos e sementes, agindo,
como dispersores. Outros vão alimentar-se de pequenos
peixes e insetos que capturam aos pulos, fora d água. Os
botos invadem as matas atrás de peixes e os peixes-boi
vão atrás de pastagem plantas submersas.
Os animais que chegaram com a cheia voltam a seu habitat
esperando o próximo período de chuvas. Os peixes
coexistem com anfíbios e répteis. Grande parte dos
peixes amazônicos são capturados ilegalmente para serem
vendidos como animais ornamentais o que vem causando
grande impacto ambiental.
Em virtude de sua posição geográfica, praticamente
paralela ao Equador, o regime do Amazonas é influenciado
pelos dois máximos de pluviosidade dos equinócios,
sendo, por isso conhecido como regime fluvial de duas
cheias.
A bacia Amazônica está sujeita ao regime de
interferência, portanto tem contribuintes dos
hemisférios Norte e Sul, coincidindo a cheia de um
hemisfério com a vazante do outro.
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