SEBO LITERÁRIO

 

 

Crônicas e Artigos
Profª Augusta Schimidt

PÁGINA 6

FINAL


 

Educação... Brasil de 1500 a 2000, um desabafo
Profª. Augusta Schimidt


“O futuro não nos pertence ainda, embora nossas ações sejam determinantes para a sua construção.”
A.S
Sempre que pensamos num mundo melhor, acreditamos que vamos colher os frutos cujas sementes plantamos ao longo da vida.
Por vezes nos deparamos com situações que melhor seria desaprendermos, ou seja: que o dinheiro é fundamental, que um grande posto na carreira significa sucesso e que mudar a forma de pensar é crucial. Para tais situações o pensar não basta, requerem uma ação verdadeira. Uma mudança efetiva.
O Brasil é ainda um país criança, por isso acredito que ainda existam chances, mas é preciso para isso que se criem laços, compromissos e para que haja uma transformação, há que se cuidar da educação.
Há pouco mais de 500 anos, quando os portugueses aqui chegaram, encantaram-se com as belezas naturais, com as palmeiras, os coqueirais.
E no regresso às suas terras, carregavam os porões das caravelas com espécies vegetais e animais que acreditavam ter importância ao homem e a sua sobrevivência.
Foi assim que começaram a se criar as leis e a tutelar determinados bens, surgindo então a obrigação ao respeito. Conclui-se assim que as leis são normas valoradas e criadas por representantes da sociedade e refletem o corpo social que jamais compreendeu que o valor da vida não se relativiza pela forma do corpo que habita.
Como bem disse Drummond de Andrade, “as leis não bastam, os lírios não nascem das leis”.
O Brasil está crescendo e com ele as urgências. Homens concretos vivem e morrem sem opções. As promessas são muitas e grandes as frustrações. Perguntas sem respostas, conquistas e desconquistas, verde descolorido e um povo sentido. Jovens que convivem com o conformismo e a indiferença e o desmoronamento de seus sonhos.
Ser jovem hoje em dia, se caracteriza conforme o contexto histórico no qual está inserido, pois sua formação é definida e concretizada a partir do que se espera de uma categoria social. As sociedades dinâmicas utilizam as potencialidades da juventude para produzir transformações positivas. No entanto, essa potencialidade só se transforma em função social quando há um processo de integração desses agentes revitalizadores.
Uma analise histórica das políticas sociais do Brasil mostra que seu caráter fragmentário marginaliza os jovens na rede de proteção social. Quando se olha para a conjuntura atual, crise social, falta de políticas sociais básicas, desemprego, violência, entende-se o porquê dos jovens dos anos 2000 projetarem seu futuro na ótica do risco. As etapas naturais percorridas para chegar à condição de adultos estão sendo dificultadas. Vivemos hoje na fase do encurtamento da idade infanto-juvenil que se configura um fator importante da crise social.
Em virtude das dificuldades financeiras, os jovens são obrigados a manter a dependência dos pais ou se aventurar aos negócios ilícitos. Considerando também que a escola publica está muito longe de alcançar seus objetivos formativos, os jovens das famílias desestruturadas acabam, na maioria das vezes, movimentando-se em direção ao crime.
Diante disso, faz-se necessário uma nova estrutura de formação e inclusão do jovem na sociedade.

Educando pelas diferenças
Augusta Schimidt


“Antes de ensinar a criança a ler as palavras, é preciso ensiná-la a ler o mundo”. (Paulo Freire)

A educação é o processo construtivo de um ser e por isto está presente em qualquer sociedade.
A prática de viver é o encadeamento de constantes transformações e Hoje, a pobreza afeta de maneira trágica a vida de grande parcela da população.
As pessoas negras e pobres enfrentam os maiores preconceitos e dificuldades em nosso país e tendo a sociedade brasileira sofrido um processo histórico que contribuiu para uma pluralidade étnica inserindo num mesmo cenário portugueses, índios e negros africanos, levou desta forma à construção de um país miscigenado marcado pelas diferenças. Tanto que na educação escolar construímos diferentes representações e valores.
As potencialidades humanas (diferenças), convivem de maneira conflituosa, nos revelando que o racismo, a intolerância e a discriminação social nos levam a intensos processos de discriminação. O poder e as diferenças sociais que dizem respeito aos grupos étnicos – raciais menos favorecidos foram transformados em desigualdade. Isso nos obriga a construir práticas democráticas que transformem a trajetória de nossos alunos em uma oportunidade de aprendizado, reconhecimento, respeito e construção à sua cidadania. Nossas crianças precisam vivenciar práticas pedagógicas que lhe possibilitem ampliar seu universo, superar os preconceitos e eliminar todo e qualquer comportamento discriminatório em relação aos outros.
Essa é uma tarefa bastante difícil, porém é a tarefa de todo educador, seja de escola publica ou particular. Não há como ser educador sem assumir uma postura ética e pedagógica.
A criança é produto de uma relação com o meio ou seja da diversidade de costumes, raças, comportamentos, crenças religiosas, e essa diversidade se manifesta na escola.
Entender a relação entre escola e diversidade cultural é inserir-se no contexto das lutas sociais, é assumir um posicionamento político e ético que transforme o nosso discurso em favor da escola democrática e das praticas afetivas e concretas.
Por trás da mão que segura o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa e essa criança que pensa quando respeitada e valorizada adquire autonomia e confiança aprendendo a desenvolver o sentimento de autovalorização estando assim pronta para enfrentar as diferenças.

Artigos sobre Educação/Parte I
Profª. Augusta Schimidt


Em muitos momentos me questiono sobre como é o ensino, como é feito, seus valores, metodologia, enfim o que é a educação.
Acho que educar é romper limites ampliar idéias através da realidade que evolui a cada momento. A escola proporciona ao aluno o ensino e o desenvolvimento para o trabalho, o exercício da cidadania e a vida social, mas para isso necessitamos de profissionais aptos para estimular a aprendizagem. Infelizmente é fato corriqueiro vermos nas escolas públicas, crianças excluídas por suas deficiências, condição social, cor etc.
É preciso muito mais para educar. É preciso comprometimento, é preciso ousar.
É preciso ter urgência com a criatividade:
Através do desenvolvimento da capacidade criadora promover-se-á autonomia, a responsabilidade motivadora e um crescimento mais equilibrado e global da criança. As suas manifestações criativas podem de igual modo, ajudar-nos a compreender melhor o desenvolvimento emocional, intelectual, físico, perceptual, social, estético e criador da criança. Por exemplo, as crianças cuja criatividade fique inibida, por regras ou forças que lhes são alheias, podem retrair-se e, então, recorrer a formas estereotipadas de criação (cópias, linhas ou idéias de outros, adoção de perspectivas gastas, etc.) ou mesmo deixar de praticar e de ter gosto na própria criação. A criança emocionalmente livre, desinibida, na expressão criadora, sente-se segura e confiante ao abordar qualquer problema que derive das suas experiências.
Segundo LOWENFELD e BRITAIN, 1977 “ A criatividade pode, igualmente, trazer outra relevância à forma como o sistema escolar está organizado”.
Se o professor tem a responsabilidade de organizar o processo ensino-aprendizagem, de proporcionar os materiais didáticos, de decidir sobre o melhor método para o estudo do currículo, a presença sistemática da criatividade nas suas planificações, abertas ou fechadas, desencadeará na criança a procura das suas próprias respostas e soluções, de forma interessada e apaixonante, em vez da recepção, pura e simples, dos valores e conhecimentos do professor. Para, além disso, podemos observar que a criança cria a partir de qualquer grau de conhecimentos que possua na fase em que se encontra.
O próprio ato de criar pode fornecer-lhe novos vislumbres, novas perspectivas e nova compreensão para a ação futura. Provavelmente, o melhor preparo para criar é o próprio ato de criação. Ainda de acordo com Lowenfeld e Britain “ num sistema educacional equilibrado, em que o desenvolvimento do ser total é realçado, o pensamento, o sentimento e a percepção do indivíduo devem ser igualmente desenvolvidos, a fim de que possa desabrochar toda a capacidade criadora em potencial. Há que alterar, pois, a mentalidade e o posicionamento dos adultos, daqueles que não fomentam a criatividade, tanto na escola como na família.” Os adultos devem deixar de reprimir, por exemplo, o que muitas vezes é considerado um comportamento infantil nos jovens (que os seus filhos mais velhos deixem de fazer "criancices"). De igual modo, o professor, sobre quem é exercida uma enorme pressão conformista, para que se conforme com as normas de conduta da escola deve ser o modelo (e o líder!) para que acriança adquira estimulo para criar.
Aprender é apaixonante; a criança é naturalmente curiosa. Isto significa que ela é espontaneamente motivada à aprendizagem. O desinteresse dela muitas vezes resulta de situações em que foi agredida em seu desejo de investigar o mundo. Cabe ao professor educador manter e alimentar esta curiosidade inata.
Cabe ao educador provocar o aluno a aplicar seu conhecimento, levá-lo a fazer.
Conhecimento que não tem aplicação prática não é conhecimento. Ao praticar o aluno tem a oportunidade de confrontar a ilusão do conhecimento com a realidade efetivamente conhecida. Aproximar estas duas dimensões do saber é efetivamente conhecer.
A aprendizagem se dá principalmente no grupo. É no confronto com o outro que percebemos nossa forma de pensar o mundo, nossas semelhanças e diferenças.
O educador deve estar atento ao juízo de valores expresso pela criança ao contar fatos, contribuindo para a formação ética da mesma. A prática educacional deve ser orientada para propiciar a descoberta de que conviver com outras crianças é prazeroso.
O respeito ao semelhante e o amor são construções, envolvem a capacidade de apostar em si mesmo, no outro e na busca de conhecimento. Amar envolve constatar as próprias incompetências, o que traz como conseqüência o aumento da tolerância em relação ao outro. Amar envolve a capacidade de rir de si mesmo, dos próprios erros. Pressupõe a capacidade de correr riscos, de apostar na capacidade de aprender, de transformar a si e ao mundo.
Estimular a heterogeneidade do grupo é fundamental na construção da identidade do indivíduo. Para tanto, a observação constitui-se em instrumento básico. É fundamental buscar o entendimento do perfil do grupo com o qual se trabalha. O ensino tradicional, de características autoritárias, trabalha o grupo para torná-lo homogêneo, nega as diferenças individuais, cobra dos alunos que todos dêem respostas iguais às situações-problema apresentadas. Esta linha de trabalho estimula a diferença. O conhecimento vai sendo construído pelo grupo à medida que cada um emite sua opinião, cabendo ao professor sistematizar e ampliar este conhecimento.
A escola deve ser um espaço estimulador da capacidade de se expressar através da arte, orientando-se para o desenvolvimento da capacidade criadora.
A ação educacional pressupõe a capacidade de encorajar a criança a formular seus próprios conceitos, expressando-os através de distintas linguagens.
Num espaço acolhedor, seguro e estimulador de novas experiências, a criança deve participar do planejamento e ocupação do espaço da sala de aula; organizá-lo de forma a facilitar as atividades diárias.
Esta construção e descoberta conjunta do espaço físico é o alicerce para a apropriação do conhecimento da criança em idade de creche e pré-escolar. As atividades de Artes com as crianças devem estar relacionadas aos projetos trabalhados pela professora da turma.
O educador é um provocador. Sua atuação deve orientar-se para desafiar a criança a solucionar problemas de seu interesse.


Educação/Parte II
Criança, Vida, Arte
Profª. Augusta Schimidt


Tudo o que se desenvolve na vida do ser humano tem sua semente plantada na infância. O amor pelo mundo, a atenção para o mundo, o cuidado com o mundo... O estar no mundo! É nesta fase da vida que o organismo termina de se conformar e os sentidos são lapidados.
Uma porta de entrada para este desenvolvimento pleno é a arte, que pode ser entendida em vários âmbitos. O ambiente em que a criança está inserida deve ser belo, artística e amorosamente cuidado, para condizer com sua alma que confia em ser o mundo maravilhoso, onde vale a pena viver, onde
Tudo vale a pena imitar e aprender.
As ações dos que estão à volta da criança são o ponto de partida para seu aprendizado, os exemplos que ela imita, ansiosamente, em seu caminho de chegar ao mundo. Belos gestos, um fazer artístico e dedicado devem compor este repertório a ser apreendido.
As atividades que ela própria desenvolve e pratica são as ferramentas que modelam sua percepção do mundo, os seus sentidos. O uso das mãos e dos dedos, o experimentar materiais naturais diversos, os movimentos harmoniosos do corpo em brincadeiras espontâneas, jogos e rodinhas, ajudam a desenvolver as forças formativas do corpo humano e a lapidar a percepção sensorial da criança.
Os contos de fada na primeira infância constituem, em especial, um importante instrumento nas mãos de pais e educadores. As crianças necessitam de imagens para o desenvolvimento de sua vida anímica, e esses contos guardam um verdadeiro patrimônio de imagens, ricas em fantasias.
Impregnadas de leis espirituais.
Promovendo valores como tolerância, solidariedade e amor pelo próximo, as histórias na infância contribuem para a diminuição dos índices de violência e agressividade, na medida em que estimulam a criança a lidar com a imaginação e a exteriorizar a agressividade de forma sadia.


Educação / Parte III
Arte e Educação: Um encontro possível
Profª. Augusta Schimidt


O ensino da arte é fundamental para o desenvolvimento da criança, pois envolve o pensamento, o sentimento estético e a formação intelectual. Desenhar, pintar, construir faz com que a criança reúna diversos elementos de sua experiência para formar um novo.
Arte – educação significa expressar os sentimentos de uma vida vivida e não uma imitação. É na verdade um movimento educativo e cultural que busca a construção de um ser humano completo, total, de acordo com um pensamento idealista e democrático.
A educação escolar e o meio social exercem ação recíproca e permanente, um sobre o outro, tanto que para alguns educadores a educação escolar é pensada de forma idealística, considerando-a muito influente e capaz de mudar por si só as práticas sociais.
De outra forma, existem os educadores que acreditam que é a sociedade com suas praticas que determina totalmente a educação escolar, que é considerada reprodutora dessa sociedade, sendo incapaz de mudá-la.
Viktor Lowenfeld exerceu extraordinária influencia sobre a educação e em grande parte, graças a ele, é que a educação artística passou a ser reconhecida como disciplina importante do currículo nas escolas publica. Isto aconteceu, não só por causa do seu considerável interesse e de sua influência na arte, mas também por sua preocupação e dedicação com as crianças.


Educação Parte IV
Arte terapia infantil
Profª Augusta Schimidt


Desde o século 5 a.C., há registros na Grécia de emprego da Arte, como um meio de tratamento e cura. Desde épocas remotas, as expressões artísticas correspondem à expressão psíquica da comunidade e, particularmente, de cada indivíduo. Com isso, a arte passou a ser utilizada como instrumento de expressão cooperadora e transformadora na edificação de seres mais inventivos, criadores, fortes e saudáveis.
Segundo Philippini (1994), a arte como ferramenta terapêutica, no Brasil, é vista por segmentos mais conservadores, com reservas. Contudo, dentro do universo Junguiano, ela sempre esteve presente entre as estratégias terapêuticas dos que trabalham com esta abordagem. Parte-se da premissa que os indivíduos, em seu processo de autoconhecimento e transformação, são orientados por símbolos. Estes emanam do self, centro de saúde, equilíbrio e harmonia, representando o pleno potencial da psique e a sua essência. Na vida, o self, através de seus símbolos, precisa ser reconhecido, compreendido e respeitado.
O objetivo da arte terapia, na visão junguiana, é o de apoiar e o de gerar instrumentos apropriados, para que a energia psíquica forme símbolos em variadas produções, o que ativa a comunicação entre o inconsciente e o consciente. (Philippini, 2000)
A arte terapia auxilia neste processo, oferecendo inúmeros materiais para que o indivíduo sinta-se livre na escolha daquele que mais lhe for apropriado. Isso atende a sua singularidade, funciona como ferramenta para despertar e ativar a criatividade e, também, para desbloquear e transmitir à consciência instruções e informações oriundas do inconsciente. Essas informações normalmente são ignoradas, contidas e disfarçadas, encobertas e principalmente ocultas. Na psique humana, e, as informações colaboram para o desenvolvimento de toda a dinâmica intra-psíquica, ao serem transportadas à consciência por meio do processo arte terapêutico
Este processo é facilitado pelas modalidades e materiais expressivos diversos, tais como tintas, papéis, colagens, modelagem, construção, confecção de máscaras, criação de personagens e outras infinitas possibilidades criativas. Todos propiciam o surgimento de símbolos indispensáveis para que cada indivíduo entre em contato com aspectos a serem entendidos, assimilados e alterados.
As modalidades expressivas devem ser criativas e variadas para o alcance da compreensão simbólica, e também da função organizadora específica de cada símbolo. Por isso, é muito importante que o setting terapêutico seja munido de instrumentos indispensáveis à viabilização desse processo, vez que o símbolo contém por meio da linguagem metafórica, o sentido de todos os enigmas psíquicos. (Philippini, 2000)
Dentre estas modalidades expressivas, destaca-se a construção, que é também um modo de informação lógica, sendo imprescindível, sobretudo para o adolescente. É através da construção que o adolescente transmite o seu sentimento, pensamento e o modo como vivencia e entende o mundo, fazendo-o de acordo com o seu próprio desenvolvimento emocional, mental, psíquico e biossocial.
A construção proporciona, em síntese, a reprodução do conhecimento e a estruturação, constituição e reconstituição do nosso universo interior. Segundo Rubin Apud Coll et al (1995), todo processo criativo, após o momento de se deixar levar, experimentar e explorar materiais surge como uma necessidade de organizar, de colocar junto, de arranjar e elaborar o trabalho final.
Devido ao fato de adolescentes se caracterizarem geralmente pela ansiedade, contradição, idealização e questionamento, podem e devem ser favorecidos por modalidades expressivas que lhes permitam analisar, inventar e compreender. Dentre estas, destacamos a construção no processo arte terapêutico, que auxilia no autoconhecimento e na edificação de benefícios específicos das técnicas construtivas.
A criança com dificuldades de aprendizagem tem muitas vezes, problemas de comunicação verbal, causados por dificuldades de recepção, de compreensão da informação recebida ou de emissão.
A arte é um meio de comunicação não verbal e através dela, a criança pode se expressar por este meio alternativo. Mesmo a criança que não apresente comprometimento na linguagem tem muitos sentimentos profundos para expressar que são mais fáceis de mostrar visualmente do que através de conversa. Numa situação onde ela se sinta aceita ela pode mostrar sua visão do mundo, sem medo de critica.


Educação/Parte V
Contribuição da Arte nas dificuldades de aprendizagem
Augusta Schimidt


A criança com dificuldades de aprendizagem tem muitas vezes, problemas de comunicação verbal, causados por dificuldades de recepção, de compreensão da informação recebida ou de emissão.
A arte é um meio de comunicação não verbal e através dela, a criança pode se expressar por este meio alternativo. Mesmo a criança que não apresente comprometimento na linguagem tem muitos sentimentos profundos para expressar que são mais fáceis de mostrar visualmente do que através de conversa. Numa situação onde ela se sinta aceita ela pode mostrar sua visão do mundo, sem medo de critica.
A criança com problemas, tem em geral, pouca confiança em si mesma. Não acredita que consegue fazer algo mesmo antes de tentar fazer. Por isso nem tenta com medo de errar. Perde a curiosidade natural, protegendo-se atrás de um comportamento apático. Mas, lentamente ela vai percebendo a confiança que o professor tem nela e começa a perceber que é capaz de fazer.
Lentamente vai percebendo o resultado de seu próprio esforço e começa a fazer, pois em arte não existe o desenho certo e o desenho errado.
Muitas crianças aprendem que é proibido mexer nas coisas, se sujar, pegar em tudo. Mas em artes, espera-se que a criança participe, se envolva, manuseie os materiais. Ela sente que é bom amassar barro, melar as mãos com tinta, pintar com os dedos, passar as mãos em materiais com diversas texturas. Ela é incentivada a explorar todos os objetos, através de todos os sentidos inclusive do gustativo e sente prazer nisso. E ao mesmo tempo e de forma agradável, e sem perceber, ela desenvolve sua coordenação motora.


Hora de criar


À medida que as crianças começam a valorizar seu próprio trabalho, podemos exigir delas um pouco mais estimulando-as a irem além do que já conhecem para inventar formas novas. Elas mesmas se surpreendem com o que são capazes de descobrir.
Numa situação onde se estimula a criatividade, a criança pode se soltar ser mais espontânea, tomar iniciativas.
Observando meus alunos, percebi que no desenho tudo subsiste ao mesmo tempo: “em apenas um olhar você enxerga tudo, já no texto escrito, você tem que ler palavra por palavra para poder entender”. Em suma, há uma simultaneidade na percepção dos elementos do desenho contraposta à linearidade da fala e da escrita.

Educação Sexual
Profª. Augusta Schimidt/2007


Por envolver valores culturais e sociais, a sexualidade precisa ser ensinada sob os mais variados enfoques. Desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1986, a Educação Sexual em muitas escolas ainda se restringe às aulas de Ciências.
Os temas propostos nos PCNs e sistematizados no projeto da FDE -, podem ser desenvolvidos em turmas do Ensino Fundamental, sempre tomando o cuidado de adaptar o conteúdo para as diferentes faixas etárias e níveis de conhecimento.
A abordagem em diversas disciplinas (de acordo com Nivaldo Leal dos Santos, gerente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e responsável e coordenador do projeto Prevenção Também se Ensina).
Artes
Estudo sobre a representação do corpo expressas em diversas épocas, nas diferentes manifestações artísticas.
Produção de desenhos, esculturas e pinturas que tenham como tema o corpo humano.
Montagem de cenas teatrais que tenham como tema o drama dos jovens em relação à gravidez na adolescência, sexo, amor, amizade etc.
Produção de campanhas publicitárias de prevenção à DST/AIDS e gravidez na adolescência.
Expressão corporal por meio da dança.
Discussão sobre a discriminação dos meninos nas atividades artísticas (dança principalmente).
Ciências Naturais
Transformações do corpo na puberdade, relacionando-os também ás mudanças emocionais e psicológicas.
Mecanismos de concepção, contracepção, gravidez e parto.
Tipos de exames de sangue feitos nos testes de gravidez e HIV.
Formas de transmissão e de prevenção do vírus HIV.
Educação Física
O respeito ao corpo e a construção de uma cultura corporal. Como gostar do próprio corpo e respeitá-lo, física e psicologicamente.
Questionamento dos padrões de beleza ditados pela mídia.
Atividades em que ambos os sexos possam fazer juntos, sem separação entre meninos e meninas.
Geografia
Levantamento das regiões brasileiras em que a fecundidade é maior ou menor e suas razões.
Estudo das regiões mais afetadas pela epidemia da AIDS no Brasil e no mundo e as causas dessa vulnerabilidade.
Pesquisa sobre a forma como o vírus da AIDS se espalhou pelos diversos continentes.
Historia
O papel da mulher na sociedade através do tempo, suas lutas e conquistas.
Como a sexualidade é vivida em diferentes culturas, tempos e lugares.
A expressão da sexualidade por meio do vestuário e da maneira de enfeitar e lidar com o corpo.
O corpo e os modos de usá-lo, representá-lo e valorizá-lo em diversas sociedades.
A homossexualidade e os povos antigos. A homossexualidade na história.
Língua Estrangeira
Exploração das diferentes conotações atribuídas ao masculino e ao feminino em vários países e culturas.
Língua Portuguesa
Estudo das regras do idioma que estabelecem o plural no masculino (o que inclui as mulheres). Por que o plural feminino exclui os homens?
Leitura de textos literários, jornalísticos ou poéticos que falem sobre situações de violência contra a mulher e contra homossexuais.
Análise dos verbetes “homem” e “mulher” no dicionário e as diferenças na forma de tratamento.
Percepção das características de gênero pela análise de personagens de romances de época.
Matemática
Produção de gráficos e tabelas sobre: gravidez na adolescência no Brasil; avanços na epidemia da AIDS em diferentes populações.
Estudos sobre a possibilidade de engravidar nos diversos períodos do ciclo menstrual.
É importante que se saiba que segundo pesquisa realizada pelo ministério da Saúde, a partir de dados do Censo Escolar, as dificuldades começam no despreparo dos professores, passam pelo medo dos pais e pela atual cultura relacionada a sexo. O relatório mostra ainda que, quando existe alguma informação, ela não é aprofundada de forma que consiga transformar comportamentos.
As escolas recebem inúmeras crianças de vários níveis sociais e, no entanto, não há tempo, profissionais preparados e materiais adequados para desenvolver sequer as disciplinas obrigatórias, quem dirá os temas transversais, como o da sexualidade. É preciso que o Estado perceba que nem todos os professores são capazes de trabalhar o tema. O profissional de educação sexual precisa estar livre de preconceitos, sejam eles frutos de sua vivência, religião ou ponto de vista, pois um trabalho feito de forma preconceituosa pode ter o efeito contrário ao esperado.
O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação desenvolvem o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Programa este que estimula as escolas a adotarem a educação sexual em seus currículos e discute com pais, professores e diretores a melhor forma de distribuir preservativos aos jovens. O SPE também é desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e divulgada no ano passado, a escola é o segundo lugar mais apontado pelos jovens para obter informações sobre AIDS. Em primeiro vem a família e em terceiro a televisão.
Conforme o estudo do governo federal, a maioria das escolas tem o professor como responsável pelas atividades relacionadas à área de DST/Aids. Os professores capacitados para conscientizar os jovens correspondem a 43% do total pesquisado e os não capacitados são 35% do todo.
Profissionais de saúde de nível superior também participam das atividades em 36% das escolas, assim como os profissionais de saúde de nível médio (18%), membros de Organizações da Sociedade Civil (8%) e outros profissionais (19%). "Tratar sobre sexualidade e prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e AIDS dentro do ambiente escolar tem contribuído para derrubar tabus e despertar a consciência dos jovens, promovendo uma transformação social onde há cada vez menos espaço para a discriminação.
O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas preocupa-se em estimular ainda mais o ensino da educação sexual nas escolas. Para auxiliar na divulgação do programa, foi elaborado o Guia de Formação para Profissionais de Saúde, que auxilia na capacitação dos profissionais de educação e saúde que trabalham junto à população. Existe também o Guia de Formação para Jovens, com um conteúdo mais apropriado para essa faixa etária.
Além dos guias, são montadas oficinas macrorregionais com representantes da Secretaria de Saúde, Universidades e demais interessados no projeto. Nas oficinas surgem discussões de questões como sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, cidadania e planos de ação.
O governo criou o Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) em 2003. Além da prevenção de doenças, o programa também leva informação ao adolescente sobre o uso da camisinha para evitar a gravidez. A iniciativa surgiu com a proposta de trabalhar em conjunto as três esferas (federal, estadual e municipal) do governo nas áreas de Saúde e Educação.
Para implementar essas ações, o poder público conta com a colaboração da Unesco e da Unicef. O Saúde e Prevenção tem como finalidade ampliar ainda mais a disponibilização de preservativos nas escolas..
A Pesquisa sobre Comportamento Sexual e Percepções da População Brasileira sobre HIV e AIDS (1998-2005), realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostra que o brasileiro está usando cada vez mais o preservativo na sua primeira relação sexual. Em 1998, 47,8% dos indivíduos entre 16 e 19 anos utilizaram a camisinha na sua primeira relação. Em 2005 foi constatado que esse numero subiu para 65,8%.
O crescimento está relacionado com o aumento das campanhas de divulgação.
Proibir é lutar contra a natureza: Descobrir o corpo e como ele pode dar prazer (o corpo erótico) faz parte do desenvolvimento da criança. Ao perceber a sensação gostosa que o toque provoca, ela vai querer repetir o ato.
As aulas sobre sexualidade são marcantes para os jovens, pois nelas eles aprendem a conhecer seus desejos, necessidades e afetos (e a lidar com eles).
A postura do professor orientador ao tratar do assunto é muito importante. Por isso, os especialistas recomendam prestar atenção nos seguintes detalhes:
Qualquer dúvida, por mais simples que pareça, é relevante e pertinente.
Ouvir, mais do que falar, é a melhor conduta. Estimule o debate e deixe os estudantes tirarem as próprias conclusões.
Caso alguém pergunte, sua opinião sobre o tema deve ser dada no final da discussão.
Apresente informações científicas sempre que necessário, sem emitir juízos.
Para não expor ninguém, o ideal é levantar dúvidas sem personalizar (os estudantes encaminham as questões por escrito ou produzem cartazes em que todos escrevem o que já sabem sobre determinado assunto).
Perguntas sobre a conduta pessoal dos alunos são constrangedoras, pois pode parecer que você quer policiar as atitudes deles. Mantenha a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada.
As escolas com programas de educação sexual costumam comunicar os pais sobre a iniciativa antes de iniciar as aulas.
Geralmente a idéia é bem acolhida. Mas muitas famílias temem que as conversas levem a uma iniciação precoce da vida sexual do adolescente, o que (obviamente) não é o objetivo da escola. Por isso, nas conversas com os familiares, cabe aos professores:
Mostrar que a educação sexual está prevista nos PCN e faz parte do projeto pedagógico.
Enfatizar que o papel da escola é passar informações científicas e propiciar o debate de temas pertinentes à idade de cada turma, tentando com isso aplacar as angústias dos adolescentes em relação ao tema.
Explicar que o objetivo maior é fazer com que os jovens tenham uma vida saudável e entendam o que acontece com eles quando os hormônios estão em ebulição.
Deixar claro que os valores morais e religiosos da família não serão questionados em nenhum momento.
Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um bate-papo em sala de aula com os estudantes (eles podem contar como lidavam com a sexualidade quando eram adolescentes e, diante de um grupo grande de jovens, sem a pressão de estar "a sós" com o filho, ouvir os dilemas da moçada de hoje).
Proporcionar atividades paralelas aos alunos cujos pais se oponham à participação do filho nas atividades de educação sexual.
Pessoas com deficiências físicas, mentais ou sensoriais manifestam sua sexualidade tanto quanto os demais. O problema é que muitos os consideram "anormais" e, portanto, vêem essas atitudes também como anomalias. O tratamento deve ser igual para todos, com abordagem adaptada ao tipo de deficiência do aluno.
Com alunos com deficiência mental, é preciso tornar as informações mais acessíveis e repeti-las várias vezes usando linguagem simples, material concreto ou exemplos. Geralmente quem tem deficiência física apresenta auto-estima corporal baixa por não se enquadrar no "padrão de beleza". Falar do corpo, para eles, costuma ser difícil. Histórias de pessoas com deficiência que se realizaram pessoal e profissionalmente podem ajudar muito assim como a adaptação das atividades de sala de aula para incluí-los.
Alunos com deficiência visual precisam de material concreto para manipular, como modelos dos órgãos sexuais e esquemas em alto-relevo.
Já quem tem deficiência auditiva nem sempre consegue explicar suas dúvidas para o educador, que muitas vezes tem dificuldade para transmitir as informações a eles. A solução é usar muitas figuras, diagramas e esquemas para facilitar a visualização e a assimilação dos conteúdos.
Toda criança tem a tendência de imitar os adultos. O que normalmente vêem na TV, cenas de novelas e filmes faz com que elas comecem a despertar o desejo sexual de forma errônea tornando-se difícil a reeducação. Os pais precisam tomar consciência do que seus filhos fazem, assistem e aprendem.
A fase da descoberta é também a fase onde crianças e adolescentes testam limites e tanto em casa como na escola precisam ser informados dos limites, do que podem e do que não podem fazer. Portanto a educação sexual na escola desde o ensino fundamental é muito importante para o bom desenvolvimento da criança que pretendemos formar. A escola complementa a educação familiar contribuindo para que se formem verdadeiros cidadãos.

 

 

Dislexia
Profª Augusta Schimidt


Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em 130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.
A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de quem somos; do que é Memória e Pensamento- Pensamento e Linguagem; de como aprendemos e do por que podemos encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz. Posição equivocada que Howard Gardner aprofundou com excepcional mestria, em suas pesquisas e estudos registradas, especialmente, em sua obra Inteligências Múltiplas. Insight que ele transformou em pesquisa cientificamente comprovada, que o alçou à posição de um dos maiores educadores de todos os tempos.
A evolução progressiva de entendimento do que é Dislexia, resultante do trabalho cooperativo de mentes brilhantes que se têm doado em persistentes estudos, tem marcadores claros do progresso que vem sendo conquistado.
Durante esse longo período de pesquisas que transcende gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é Dislexia redundou em mais de cem nomes para designar essas específicas dificuldades de aprendizado, e em cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenha sido universalmente aceita. Recentemente, porém, no entrelaçamento de descobertas realizadas por diferentes áreas relacionadas aos campos da Educação e da Saúde, foram surgindo respostas importantes e conclusivas, como:
a) que Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene de uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante, torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias;
b) b) que o disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificariam seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimensões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas;
c) c) que, embora existindo disléxicos ganhadores de medalha olímpica em esportes, a maioria deles apresenta imaturidade psicomotora ou conflito em sua dominância e colaboração hemisférica cerebral direita-esquerda. Dentre estes, há um grande exemplo brasileiro que, embora somente com sua autorização pessoal poderíamos declinar o seu nome, ele que é uma de nossas mentes mais brilhantes e criativas no campo da mídia, declarou: "Não sei por que, mas quem me conhece também sabe que não tenho domínio motor que me dê a capacidade de, por exemplo, apertar um simples parafuso";
d) d) que, com a conquista científica de uma avaliação mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia, pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale University, anunciaram, recentemente, uma significativa descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta de consciência fonológica do disléxico, a determinante mais forte da probabilidade de sua falência no aprendizado da leitura;
e) que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos inter-relacionados no ato de ler: o mecanismo de fixação visual e o mecanismo de transição ocular que, mais tarde, foram estudados pelo Dr. William Lovegrove e seus colaboradores, e demonstraram que crianças disléxicas e não-disléxicas não apresentaram diferença na fixação visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraram dificuldades significativas em seu mecanismo de transição no correr dos olhos, em seu ato de mudança de foco de uma sílaba à seguinte, fazendo com que a palavra passasse a ser percebida, visualmente, como se estivesse borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação que dificultava a discriminação visual das letras que formavam a palavra escrita. Como bem figura uma educadora e especialista alemã, "... É como se as palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do disléxico".
f) A dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão diversificado de informações, que confunde e desinforma. Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que aborda esse grave problema, somente o faz de maneira parcial, quando não de forma inadequada e, mesmo, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
g) Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em nosso país, e uma das causas do chamado "analfabetismo funcional" que, por permanecer envolta no desconhecimento, na desinformação ou na informação imprecisa, não é considerada como desencadeante de insucessos no aprendizado.
h) Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito desse assunto, registram 20% da população americana como disléxica, com a observação adicional: "existem muitos disléxicos não diagnosticados em nosso país". Para sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são disléxicos, com algum grau significativo de dificuldades. Graus leves, embora importantes, não costumam sequer ser considerados.
i) Também para realçar a grande importância da posição do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o seriíssimo problema da violência infanto-juvenil, citar o lamentável fenômeno do suicídio de crianças que, nos USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta) crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam de dar a seus pais estão citadas entre as causas determinantes dessa tragédia.
Ainda é de extrema relevância considerar estudos americanos, que provam ser de 70% a 80% o número de jovens delinqüentes nos USA, que apresentam algum tipo de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que crimes violentos sejam praticados por pessoas que têm dificuldades para ler. E quando, na prisão, eles aprendem a ler, seu nível de agressividade diminui consideravelmente.
O Dr. Norman Geschwind, M.D., professor de Neurologia da Harvard Medical School; professor de Psicologia do MIT - Massachussets Institute of Tecnology; diretor da Unidade de Neurologia do Beth Israel Hospital, em Boston, MA, pesquisador lúcido e perseverante que assumiu a direção da pesquisa neurológica em Dislexia, após a morte do pesquisador pioneiro, o Dr. Samuel Orton, afirma que a falta de consenso no entendimento do que é Dislexia, começou a partir da decodificação do termo criado para nomear essas específicas dificuldades de aprendizado; que foi eleito o significado latino dys, como dificuldade; e lexia, como palavra. Mas que é na decodificação do sentido da derivação grega de Dislexia, que está a significação intrínseca do termo: dys, significando imperfeito como disfunção, isto é, uma função anormal ou prejudicada; e lexia que, do grego, dá significação mais ampla ao termo palavra, isto é, como Linguagem em seu sentido abrangente.
j) Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia; por muita contradição derivada de diferentes focos e ângulos pessoais e profissionais de visão; porque os caminhos de descobertas científicas que trazem respostas sobre essas específicas dificuldades de aprendizado têm sido longos e extremamente laboriosos, necessitando, sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano, lógico e lúcido para o entendimento maior do que é Dislexia.
k) Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos.
Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente...

Sinais e Características de Dislexia:
Profª Augusta Schimidt


O ideal seria que toda criança fosse testada para detectar se ela sofre de dislexia. Porém, o sistema educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de recursos na maioria das escolas do País. Portanto, é importante que pais e professores fiquem atentos aos sinais de dislexia para que possam ajudar seus filhos e alunos. O primeiro sinal de possível dislexia pode ser detectado quando a criança, apesar de estudar numa boa escola, tem grande dificuldade em assimilar o que é ensinado pelo professor. Crianças cujo desenvolvimento educacional é retardatário podem ser bastante inteligentes, mas sofrer de dislexia. O melhor procedimento a ser adotado é permitir que profissionais qualificados examinem a criança para averiguar se ela é disléxica. A dislexia não é o único distúrbio que inibe o aprendizado, mas é o mais comum. São muitos os sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande freqüência. Entretanto, esse indicativo não é totalmente confiável, pois muitas crianças, inclusive não-disléxicas, freqüentemente confundem as letras do alfabeto e as escrevem de lado ao contrário. No Jardim de Infância, crianças disléxicas demonstram dificuldade ao tentar rimar palavras e reconhecer letras e fonemas. Na primeira série, elas não conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Da segunda à quinta série, crianças disléxicas têm dificuldade em soletrar, ler em voz alta e memorizar palavras; elas também freqüentemente confundem palavras. Esses são apenas alguns dos muitos sinais que identificam que uma criança sofre de dislexia. A dislexia é tão comum em meninos quanto em meninas. O que pode ser feito?
Nunca é tarde demais para ensinar disléxicos a ler e a processar informações com mais eficiência. Entretanto, diferente da fala – que qualquer criança acaba adquirindo – a leitura precisa ser ensinada. Utilizando métodos adequados de tratamento e com muita atenção e carinho, a dislexia pode ser derrotada. Crianças disléxicas que receberam tratamento desde cedo apresentam uma menor dificuldade ao aprender a ler. Isso evita com que a criança se atrase na escola ou passe a desgostar de estudar. É importante enfatizar que a dislexia não é curada sem um tratamento apropriado. Não se trata de um problema que é superado com o tempo; a dislexia não pode passar despercebida. Pais e professores devem se esforçar para identificar a possibilidade de seus filhos ou alunos sofrerem de dislexia. Crianças disléxicas que foram tratadas desde cedo superam o problema e passam a se assemelhar àquelas que nunca tiveram qualquer dificuldade de aprendizado. Foram desenvolvidos diversos programas para curar a dislexia. Não há um só tratamento que seja adequado a todas as pessoas. Contudo, a maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos ajudam o disléxico a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. É aconselhável que a criança disléxica leia em voz alta com um adulto para que ele possa corrigi-la. É importante saber que ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção e repetição. Mas um bom tratamento certamente rende bons resultados. Alguns estudos sugerem que um tratamento adequado, administrado ainda cedo na vida escolar de uma criança, pode corrigir as falhas nas conexões cerebrais ao ponto que elas desapareçam por completo. Toda criança necessita de apoio e paciência. Muitas crianças disléxicas sofrem de falta de autoconfiança, pois se sentem menos inteligentes que seus amigos. Porém, um bom tratamento pode curar a dislexia. Muitos disléxicos tiveram grande sucesso profissional; existe uma alta porcentagem de disléxicos entre os grandes artistas, cientistas e executivos. Muitos especialistas acreditam que pessoas disléxicas, por serem forçadas a pensar de forma diferente, são mais habilidosas e criativas e têm idéias inovadoras que superam as de não-disléxicos. Apesar das salas de aula estarem lotadas e apesar da falta de recursos para pesquisas, a dislexia precisa ser combatida. Muitos casos de dislexia passam despercebidos em nossas escolas. Muitas vezes, crianças inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se envergonham de suas dificuldades acadêmicas, abandonam a escola e se isolam de amigos e familiares. Muitos pais, por falta de conhecimento, se envergonham de ter um filho disléxico e evitam tratar do problema. Isso é lamentável, pois crianças disléxicas que recebem um tratamento apropriado podem não apenas superar essa dificuldade, mas até utilizá-la como benefício para se sobressair pessoal e profissionalmente.
O processo criativo está intimamente ligado ao cognitivo-expressivo, um auxiliando no desenvolvimento do outro, desde a educação infantil. Para que se desenvolvam as potencialidades dos alunos é necessário criar situações envolventes e interessantes onde o foco não seja suas dificuldades. Na Educação Especial, este foco é ainda mais importante, pois os alunos apresentam condições peculiares para o aprendizado. O papel do educador diante de uma turma, ainda mais se esta for heterogênea, é o de adaptar cada atividade às capacidades individuais, valorizando as possibilidades, não as limitações. E nada melhor para isso que conhecer profundamente as potencialidades e as dificuldades de cada um.
Quando a criatividade é trazida à sala de aula, dentro de uma vivência continuada de experiências positivas, os alunos submetidos à educação diferenciada conseguem trabalhar sua expressão, e através dela transmitir a si mesmos e aos outros suas impressões do mundo. Num processo de resignificação de conceitos dessa percepção, o aluno tende a se reorganizar interiormente. Quando os estímulos pedagógicos referentes a conteúdos apropriados conseguem transformar um aluno, fazendo-o mais participativo no mundo, aí sim poderemos dizer que aconteceu a educação.

Causas da Dislexia
Profª Augusta Schimidt


As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas. A dislexia é herdada e, portanto, uma criança disléxica tem algum pai, avô, tio ou primo que também é disléxico.
Diferentemente de outras pessoas que não sofrem de dislexia, disléxicos processam informações em uma área diferente de seu cérebro; não obstante, os cérebros de disléxicos são perfeitamente normais. A dislexia parece resultar de falhas nas conexões cerebrais. Felizmente, existem tratamentos que curam a dislexia. Estes tratamentos buscam estimular a capacidade do cérebro de relacionar letras aos sons que as representam e, posteriormente, ao significado das palavras que elas formam. Alguns pesquisadores acreditam que quanto mais cedo é tratada a dislexia, maior a chance de corrigir as falhas nas conexões cerebrais da criança. Em outras palavras, a dislexia, se tratada nos primeiros anos de vida da criança, pode ser curada por completo.
Para melhor entender a causa da dislexia, é necessário conhecer, de forma geral, como funciona o cérebro. Diferentes partes do cérebro exercem funções específicas. A área esquerda do cérebro, por exemplo, está mais diretamente relacionada à linguagem; nela foram identificadas três sub-áreas distintas: uma delas processa fonemas, outra analisa palavras e a última reconhece palavras. Essas três subdivisões trabalham em conjunto, permitindo que o ser humano aprenda a ler e escrever.
Uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa então a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras a seus respectivos sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver; sua função é a de construir uma memória permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. À medida que a criança progride no aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a dominar o processo e, conseqüentemente, a leitura passa a exigir menos esforço.
O cérebro de disléxicos, devido às falhas nas conexões cerebrais, não funciona desta forma. No processo de leitura, os disléxicos recorrem somente à área cerebral que processa fonemas. A conseqüência disso é que disléxicos têm dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas, pois sua região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida.


Rio Amazonas... Sua historia
Augusta Schimidt


Havia um tempo em que navegar era uma arte, um desafio que poucos aceitavam.
O ano era 1499 e as caravelas de Américo Vespúcio navegavam no Atlântico rumo ao sul, sem saber que a 100 quilômetros havia terra firme.
Mar agitado, ondas de várias direções provocavam um estrondo que podia ser ouvido de muito longe. Era a pororoca, encontro fantástico das águas do rio com o mar. As caravelas naquele exato momento estavam nas águas do monstruoso rio Amazonas.
De exuberante beleza, nasce no lago Lauri nos Andes do Peru, a pouco mais de 10° de Lat. S. Corre primeiramente na direção geral sul-norte, como um rio de montanha, com forte gradiente e vertentes muito altas. A partir do Pongo de Manseriche, seu curso se inverte definitivamente para a direção oeste-leste, até a foz, no Atlântico. Corre, então, quase sempre, a menos de 5° de latitude meridional. Nesse trecho, correspondente à maior parte do curso, o Amazonas tem declive muito fraco e divaga seu leito numa várzea, limitada pelas escarpas de um baixo tabuleiro sedimentar. No Brasil, o rio Amazonas desce de 65m de altitude, em Benjamin Constant AM, ao oceano, após um percurso de mais de 3.000Km. Tem, portanto, um gradiente médio de 20mm/Km.
O rio Amazonas recebe grande número de afluentes. Da margem direita, os mais importantes são: Huallaga, Ucayali (no Peru); Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu (no Brasil). Pela margem esquerda: Pastaza, Napo (no Peru); Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari (no Brasil).
Em sua foz, o Amazonas se divide em dois braços: o braço norte é o mais largo e corresponde ao verdadeiro estuário; o braço sul é conhecido pelos nomes de rio Pará e baía de Marajó. Na realidade, esta é uma saída falsa, à qual o rio Amazonas se liga através de uma série de canais naturais ( os furos de Breves), dos quais o mais importante é o furo de Tajapuru. As principais ilhas formadas pelo Amazonas são: Marajó, Caviana, Mexiana e Grande de Gurupá. Fora da embocadura, a maior ilha é a de Tupinambarana, junto à confluência do Madeira.
A coloração das águas dos rios da Amazônia.
Os rios negros têm essa cor devido à dissolução de ácido húmico. São portanto águas de pH baixo, e que carregam muito poucos sedimentos. Esses rios formam belas praias. São exemplos de rios de água preta: o rio Negro, o Nhamundá, o Maués. Os chamados rios brancos têm águas barrentas; carregam muita matéria sólida fina, e têm por isso, várzeas de solos ricos. Destes são exemplos o próprio Amazonas, o rio Branco (afluente do Negro), o Juruá, o Purus e o Madeira. Os rios transparentes tomam, após as primeiras chuvas, tonalidades verdes, em virtude da grande quantidade de partículas de musgo que transportam. É o caso de Tapajós e do Xingu.
As águas tisnadas de argila do rio Amazonas tingem o oceano Atlântico até uma distância superior a 200Km da costa e diminuem sensivelmente sua salinidade. Por esse motivo, seu descobridor, o navegador espanhol Vicente Pinzón, deu-lhe, em 1500, a denominação de Mar Dulce. Quem primeiro desceu o Amazonas e lhe deu o nome que tem hoje foi Francisco Orellana, em 1542. Enviado por Gonzalo Pizarro desde o Peru para reconhecer o grande rio, fez de sua viagem uma narrativa fantasiosa, em que, entre outras peripécias, teria sido atacado por índios. A estes, Orellana confundiu com guerreiras, que assimilou às da lenda grega
Os afluentes mais importantes do Amazonas descem de regiões elevadas, com clima úmido (mais de 1.500mm de chuvas por ano). Têm, por isso, um imenso potencial hidrelétrico. Apesar disso, o rio Amazonas não tem enchentes particularmente danosas.
O Amazonas recebe águas provenientes do sistema Parima ou Guiano, situado no hemisfério norte, e do planalto Brasileiro no hemisfério sul. Uns e outros têm enchentes causadas pelas chuvas de verão. Como as estações se alternam nos dois hemisférios, há uma compensação no regime das águas do coletor principal, denominada interferência. Os rios vindos do sul (margem direita) preponderam, entretanto, pelo volume, desempenhando assim maior papel no ritmo e na altura das enchentes do Amazonas. Menor influência que os afluentes brasileiros tem os formadores que descem dos Andes, cujas águas são alimentadas pelo derretimento das neves.
O médio, como o baixo Amazonas, não corre exatamente no eixo da bacia sedimentar: está ligeiramente deslocado para o norte. Isto faz com que os tributários da margem direita sejam mais longos ( o Juruá, o Purus e o Madeira têm mais de 3.000Km) e mais navegáveis, enquanto os da esquerda são mais curtos e encachoeirados. O baixo platô de sedimentos terciários do Amazonas é mais largo no interior e se estreita perto do Atlântico. É que antes do soerguimento dos Andes havia lá um grande golfo, aberto para o Pacífico. O levantamento da cordilheira formou um mediterrâneo, que na era terciária foi sedimentado e passou a drenar as águas para leste.
Todo ano, as cheias do maior rio do mundo em volume de água fazem a camada rochosa que o sustenta e o cerca afundar quase 8 centímetros por causa do peso extra que elas criam.
Depois, quando o excesso de água se vai, a crosta terrestre volta ao nível anterior.
O Rio Amazonas compreende uma área com cerca de 7,5 milhões de km², Só na área brasileira estão aproximadamente 5 milhões de km (67% de sua extensão aproximadamente). Apresenta a maior biodiversidade do planeta com cerca de 3.000 espécies conhecidas de peixes, anfíbios e répteis.
Os peixes mudam de hábitos em época de cheias, invadindo as florestas submersas a procura de alimento, como os pacus e tambaquis que buscam frutos e sementes, agindo, como dispersores. Outros vão alimentar-se de pequenos peixes e insetos que capturam aos pulos, fora d água. Os botos invadem as matas atrás de peixes e os peixes-boi vão atrás de pastagem plantas submersas.
Os animais que chegaram com a cheia voltam a seu habitat esperando o próximo período de chuvas. Os peixes coexistem com anfíbios e répteis. Grande parte dos peixes amazônicos são capturados ilegalmente para serem vendidos como animais ornamentais o que vem causando grande impacto ambiental.
Em virtude de sua posição geográfica, praticamente paralela ao Equador, o regime do Amazonas é influenciado pelos dois máximos de pluviosidade dos equinócios, sendo, por isso conhecido como regime fluvial de duas cheias.
A bacia Amazônica está sujeita ao regime de interferência, portanto tem contribuintes dos hemisférios Norte e Sul, coincidindo a cheia de um hemisfério com a vazante do outro.


 

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