Epitácio
Pessoa:
de
28/07/1919
a
15/11/1922
|
Epitácio
Lindolfo da Silva Pessoa
nasceu em Umbuzeiro, 23 de
maio de 1865 e morreu em
Petrópolis, 13 de fevereiro
de 1942. |
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O governo de Epitácio Pessoa foi marcado por inúmeras agitações sociais, principalmente na área trabalhista, por rebeliões militares e pelo aprofundamento das divisões políticas entre as oligarquias dominantes. Essas crises de origem política e social prenunciaram a desintegração da República oligárquica, fato que ocorreria no final da década com a Revolução de 1930.
A década de 1920 no Brasil marcou a ascensão do movimento operário.
Nesta época, o operariado brasileiro era composto majoritariamente de imigrantes europeus. Atravessando uma fase de franca expansão, o setor industrial empregava muitos italianos e espanhóis.
Esses imigrantes também foram responsáveis pela introdução no país de novas ideologias políticas muito em voga na época, como o anarquismo e o socialismo.
O anarquismo era uma ideologia cuja principal ênfase recaia sobre a defesa da liberdade individual e abolição de quaisquer formas de dominação política. O socialismo, por outro lado, era uma ideologia de emancipação das classes proletárias, que ganhou força após a Revolução Socialista Russa de 1917. Essas doutrinas e idéias tiveram grande influência sobre os movimentos sindicais dos trabalhadores da indústria. Opondo-se ao avanço dessas ideologias, o governo reagiu elaborando leis que impediram a livre organização sindical e as greves dos operários.
O governo defendia os interesses das oligarquias agrárias, principalmente dos cafeicultores, deixando de lado os aumentos salariais e o controle sobre o custo de vida e da inflação. Quem mais sofria com essa situação eram os trabalhadores. Nestas circunstâncias, as greves trabalhistas eclodiram paralisando várias indústrias.
A fim de conter a ascensão do movimento operário e a onda de greves e revoltas dos trabalhadores, o presidente Epitácio Pessoa promulgou, em 1921, a Lei de Repressão ao Anarquismo. A nova lei foi uma ação do governo visando eliminar a influência das idéias anarquistas no movimento sindical.
A repressão a todas as greves dos trabalhadores, fez com que influentes lideranças sindicais reavaliassem a forma como os movimentos grevistas eram conduzidos. Essas lideranças acreditavam que o fracasso das greves dos trabalhadores estava relacionado com a inconsistência ideológica e incapacidade política da direção do movimento sindical. Procuraram então, romper com a influência dos anarquistas fundando o Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922.
A conjuntura de crise política e agitações sociais que marcaram o governo de Epitácio Pessoa repercutiram também nas manifestações artísticas do período. Em 1922, em São Paulo, um grupo de intelectuais, escritores e artistas brasileiros lançaram um movimento de contestação da mentalidade e produção artísticas predominante no país. Este movimento ficou conhecido pela sua primeira manifestação, a Semana de Arte Moderna.
Reunindo no Teatro Municipal de São Paulo personalidades como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, entre outros, a Semana de Arte Moderna influenciou decisivamente os rumos da produção artística e cultural brasileira nas décadas seguintes.
A crise mais grave do governo de Epitácio Pessoa emergiu com a revolta tenentista do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, em julho de 1922. Ela começou quando um grupo de tenentes e capitães do Exército se insurgiram contra o governo de Epitácio Pessoa e à candidatura do mineiro Artur Bernardes.
Quando a rebelião estourou, o Congresso Nacional apoiou imediatamente a solicitação do presidente Epitácio Pessoa aprovando o estado de sítio. O presidente organizou tropas para reprimir os revoltosos. Diante das expressivas forças governamentais, muitos rebeldes capitularam abandonando o movimento.
No Forte de Copacabana, restaram dezessete tenentes e um civil que decidiram levar adiante o movimento.
Este episódio marcou profundamente a geração de jovens oficiais do Exército, e é lembrado como "Os 18 do Forte". A Revolta do Forte de Copacabana foi a primeira de uma série de revoltas armadas lideradas pelos tenentes. Nos anos seguintes, o movimento tenentista provocaria novas crises políticas contribuindo para a derrocada da República oligárquica e influência dos militares na política nacional.
Mesmo com a crise militar aberta com a revolta tenentista, o presidente Epitácio Pessoa conseguiu que o candidato escolhido pelos estados de Minas Gerais e São Paulo para sucedê-lo, o mineiro Artur Bernardes, ganhasse as eleições presidenciais.
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