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Letras:
Apenas
pelas palavras o ser humano
alcança a compreensão mútua.
Por isso, aquele que quebra
sua palavra atraiçoa toda a
sociedade
humana.
(Michel de Montaigne)
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A Gênesis do Poeta
Origem do Poema e da Poesia
A criação
No
principio,
o
Poeta
criou
em
sua
verve
a
Palavra.
A
Palavra
estava
sem
forma
ainda
sem
alma,
as
Palavras
sozinhas
eram
escuras
e
desconexas,
apenas
signos
de
inspirações
catedráticas.
O
Poeta
disse:
"que
a
palavra
seja
a
luz!"
e o
poema
começou
a
existir.
Poeta
viu
que
o
poema
era
bom.
E o
Poeta
separou
o
poema
dos
catedráticos:
ao
poema
o
Poeta
chamou
"Poesia",
e
aos
catedráticos
chamou
"Críticos",
houve
um
florilégio
e
uma
tese
de
mestrado:
foi
o
primeiro
dia.
O
Poeta
disse:
"Que
exista
as
fases
da
poesia
para
separar
o
pensamento
antigo
do
pensamento
moderno"!
O
Poeta
fez
a
Poesia
para
separar
o
pensamento
divino
que
esta
acima
dos
pensamentos
humanos
que
estão
abaixo
do
firmamento.
Assim
se
fez.
O
Poeta
chamou
ao
firmamento
"Inspiração".
Houve
uma
Árcade
e
uma
Plêiade:
foi
o
segundo
dia.
O
Poeta
disse:
"Que
as
palavras
que
estão
debaixo
do
firmamento
se
ajuntem
a
inspiração,
num
único
poema,
e
tome
abrigo
nos
corações
humanos".
E
assim
se
fez.
E o
Poeta
chamou
os
corações
de
"Dom"
e ao
conjunto
de
inspirações
"Ode".
E o
Poeta
viu
que
era
bom.
O
Poeta
disse:
"Que
as
Poesias
produzam
sorrisos,
paixões
que
produzam
a
graça,
e a
graça
que
produza
beleza
em
todas
as
coisas
e
que
dêem
frutos
aos
homens,
frutos
que
contenham
sensibilidade,
cada
um
segundo
sua
necessidade".
E
assim
se
fez.
E a
poesia
produziu
o
sorriso
mais
belo
nas
almas
humanas,
fez
brotar
o
sentimento
mais
puro
nos
corações
inseguros
dos
seres,
cada
um
segundo
seu
caráter,
os
poemas
deram
frutos
com
sementes
coloridas,
cada
uma
segundo
sua
verve,
cada
um
segundo
seu
afã.
O
poeta
viu
que
era
bom.
Houve
as
cantigas
e a
medida
nova:
foi
o
terceiro
dia.
O
Poeta
disse:
"Que
existam
as
formas
e as
rimas
no
firmamento
das
idéias,
para
separar
as
composições
acadêmicas
das
poesias
divinas,
sonetos
e
redondilhas;
e as
rimas
deram
ritmos
ao
pensamento
para
alumiar
a
terra".
E
assim
se
fez.
E o
Poeta
fez
do
poema
o
sentimento
maior,
a
Poesia.
O
poema
permitiu
ao
homem
retratar
suas
ânsias
e
seus
anseios.
O
Poeta
trouxe
a
poesia
do
céu
para
alumiar
os
sonhos
dos
homens.
Para
amenizar
a
sensação
de
vazio
e
traduzir
seus
anseios
em
versos.
O
Poeta
viu
que
era
bom.
Houve
o
nacionalismo
e o
indianismo:
foi
o
quarto
dia.
O
Poeta
disse:
"Que
a
poesia
faça
dos
homens
pássaros
que
voem
sob
seu
próprio
pensamento
e
remodele
as
palavras
simples
e as
transformem
numa
representação
máxima
de
Deus".
E o
Poeta
criou
as
estrelas
que
brilham
no
inconsciente
do
homem,
na
forma
e na
intensidade
de
sua
busca.
E a
Poesia
criou
asas
e
tomou
a
alma
humana.
O
Poeta
viu
que
era
bom,
e
sorriu.
O
Poeta
abençoou
os
pássaros
e
disse:
"Sejam
fecundos,
multipliquem-se
e
iluminem
o
inconsciente
do
homem;
e
que
os
pássaros
se
multipliquem
na
alma
das
eternas
crianças".
Houve
o
Realismo
e o
Simbolismo:
foi
o
quinto
dia.
O
Poeta
disse:
"Que
a
Poesia
se
traduza
nos
corações
humanos
sob
todas
as
formas
conforme
a
necessidade
de
cada
um;
sob
as
formas
de
musicas,
fotografias
ou
pintura
cada
um
conforme
sua
visão".
E
assim
se
fez.
E o
Poeta
fez
a
poesia
cantada
e a
poesia
na
imagem,
cada
um
conforme
sua
visão.
E o
Poeta
viu
que
era
bom.
Então
o
Poeta
disse:
façamos
o
homem
à
nossa
imagem
e
semelhança.
Que
ele
domine
a
regência
da
música,as
cores
da
imagem,
os
versos
falados
e
também
os
escritos
e
toda
a
verve
possa
persuadir
a
todos
os
homens
supra-sensíveis.
E o
Poeta
criou
outros
Poetas
a
sua
imagem;
à
imagem
do
Poeta
ele
criou!
E os
criou
Poetas
e
Poetisas.
E o
Poeta
os
abençoou
e
lhes
disse:
"Sejam
sensíveis,
multipliquem-se,
encham
e
submetam
a
terra;
dominem
os
sentimentos
nas
Letras,
o
amor
na
retórica,
a
paixão
no
olhar
e
todas
as
formas
de
expressão
do
âmago".
E o
Poeta
disse:
"Vejam!
Eu
entrego
a
vocês
o
maior
dom
que
possuo
a
semente,
a
gênesis
do
sentir,
e
todas
as
formas
de
expressar:
tudo
isso
será
alimento
para
vocês.
E
para
todas
as
almas
do
mundo
poético".
E
assim
se
fez.
O
Poeta
viu
o
que
havia
feito
e
chorou
emocionado,
pois
tudo
era
bom.
Houve
o
modernismo
e a
liberdade
nas
formas.
Este
foi
o
sexto
dia.
No
sétimo
dia
o
Poeta
terminou
seu
poema;
e no
sétimo
dia
o
homem
se
tornou
Poesia,
e
ele
aliviou
seu
coração
junto
ao
poetar.
O
Poeta
então
sagrou
e
santificou
o
sétimo
dia,
porque
foi
nesse
dia
que
o
homem
tornou-se
poeta
e
criador
de
formas.
Essa
é a
historia
do
Poema
e da
Poesia.
Darlan
Alberto
Tupinambá
Araújo
Padilha
3º
lugar
na
categoria
Mérito
Regional
da V
Festival
Nossa
Arte,
Itatiba/SP,
2006.
Carlos
Drummond
de
Andrade
http://www.releituras.com/drummond_bio.asp
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em
31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência,
estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio
Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por
"insubordinação mental".
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de
chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde,
que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como
jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o
Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente
à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas,
literatura infantil e traduções.
Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia
(1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro
Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo
(1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988),
Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das
obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte
criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do
mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o
indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates
sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu
comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no
Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a
morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de
Andrade.
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