SEBO LITERÁRIO

DIDÁCTICO ILUSTRADO

 

De Cabral a Lula...

Nomes que fizeram a Historia
1500 a 2009

3º CAPITULO
PÁGINA 63 DE 
87 PÁGINAS

Letras:


Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana. (Michel de Montaigne)

A Gênesis do Poeta
Origem do Poema e da Poesia
A criação


No principio, o Poeta criou em sua verve a Palavra. A Palavra estava sem forma ainda sem alma, as Palavras sozinhas eram escuras e desconexas, apenas signos de inspirações catedráticas.
O Poeta disse: "que a palavra seja a luz!" e o poema começou a existir. Poeta viu que o poema era bom. E o Poeta separou o poema dos catedráticos: ao poema o Poeta chamou "Poesia", e aos catedráticos chamou "Críticos", houve um florilégio e uma tese de mestrado: foi o primeiro dia.
O Poeta disse: "Que exista as fases da poesia para separar o pensamento antigo do pensamento moderno"! O Poeta fez a Poesia para separar o pensamento divino que esta acima dos pensamentos humanos que estão abaixo do firmamento. Assim se fez. O Poeta chamou ao firmamento "Inspiração". Houve uma Árcade e uma Plêiade: foi o segundo dia.
O Poeta disse: "Que as palavras que estão debaixo do firmamento se ajuntem a inspiração, num único poema, e tome abrigo nos corações humanos". E assim se fez. E o Poeta chamou os corações de "Dom" e ao conjunto de inspirações "Ode". E o Poeta viu que era bom.
O Poeta disse: "Que as Poesias produzam sorrisos, paixões que produzam a graça, e a graça que produza beleza em todas as coisas e que dêem frutos aos homens, frutos que contenham sensibilidade, cada um segundo sua necessidade". E assim se fez.
E a poesia produziu o sorriso mais belo nas almas humanas, fez brotar o sentimento mais puro nos corações inseguros dos seres, cada um segundo seu caráter, os poemas deram frutos com sementes coloridas, cada uma segundo sua verve, cada um segundo seu afã. O poeta viu que era bom. Houve as cantigas e a medida nova: foi o terceiro dia.
O Poeta disse: "Que existam as formas e as rimas no firmamento das idéias, para separar as composições acadêmicas das poesias divinas, sonetos e redondilhas; e as rimas deram ritmos ao pensamento para alumiar a terra". E assim se fez. E o Poeta fez do poema o sentimento maior, a Poesia. O poema permitiu ao homem retratar suas ânsias e seus anseios. O Poeta trouxe a poesia do céu para alumiar os sonhos dos homens. Para amenizar a sensação de vazio e traduzir seus anseios em versos. O Poeta viu que era bom. Houve o nacionalismo e o indianismo: foi o quarto dia.
O Poeta disse: "Que a poesia faça dos homens pássaros que voem sob seu próprio pensamento e remodele as palavras simples e as transformem numa representação máxima de Deus". E o Poeta criou as estrelas que brilham no inconsciente do homem, na forma e na intensidade de sua busca. E a Poesia criou asas e tomou a alma humana. O Poeta viu que era bom, e sorriu. O Poeta abençoou os pássaros e disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se e iluminem o inconsciente do homem; e que os pássaros se multipliquem na alma das eternas crianças". Houve o Realismo e o Simbolismo: foi o quinto dia.
O Poeta disse: "Que a Poesia se traduza nos corações humanos sob todas as formas conforme a necessidade de cada um; sob as formas de musicas, fotografias ou pintura cada um conforme sua visão". E assim se fez. E o Poeta fez a poesia cantada e a poesia na imagem, cada um conforme sua visão. E o Poeta viu que era bom.
Então o Poeta disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine a regência da música,as cores da imagem, os versos falados e também os escritos e toda a verve possa persuadir a todos os homens supra-sensíveis. E o Poeta criou outros Poetas a sua imagem; à imagem do Poeta ele criou! E os criou Poetas e Poetisas. E o Poeta os abençoou e lhes disse: "Sejam sensíveis, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os sentimentos nas Letras, o amor na retórica, a paixão no olhar e todas as formas de expressão do âmago".
E o Poeta disse: "Vejam! Eu entrego a vocês o maior dom que possuo a semente, a gênesis do sentir, e todas as formas de expressar: tudo isso será alimento para vocês. E para todas as almas do mundo poético". E assim se fez. O Poeta viu o que havia feito e chorou emocionado, pois tudo era bom. Houve o modernismo e a liberdade nas formas. Este foi o sexto dia.
No sétimo dia o Poeta terminou seu poema; e no sétimo dia o homem se tornou Poesia, e ele aliviou seu coração junto ao poetar. O Poeta então sagrou e santificou o sétimo dia, porque foi nesse dia que o homem tornou-se poeta e criador de formas. Essa é a historia do Poema e da Poesia.
Darlan Alberto Tupinambá Araújo Padilha
3º lugar na categoria Mérito Regional da V Festival Nossa Arte, Itatiba/SP, 2006.

 

 

Carlos Drummond de Andrade

http://www.releituras.com/drummond_bio.asp


Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental".
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções.
Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

 

 

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