Três
meses
mais
tarde,
Luís
Carlos
desembarcava
no
aeroporto
de
Lisboa,
vindo
desta
vez da
Suíça.
Ainda
nada
sabia do
resultado
da
operação
da
Sandra
Cristina,
pois
nunca
mais
comunicara
com o
Dr.
Richter,
e
passara
o tempo
por
várias
capitais
da
Europa,
embebedando-se
para
esquecer
a razão
de ser
da sua
própria
vida.
Por fim,
convencido
de que
seria
inútil
continuar
naquelas
liberações,
que o
impossibilitavam
para o
trabalho,
lhe
arruinavam
a saúde,
e, pior
do que
isso,
não lhe
arrancavam
do
coração
a imagem
de
Sandra
Cristina.
Foi
assim
que
decidiu,
repentinamente,
voltar a
São
Pedro de
Moel,
para
visitar
o seu
amigo
António
das
Ondas e,
também,
saber
alguma
coisa da
Sandra.
Ao
chegar à
linda
praia de
São
Pedro de
Moel,
logo
encontrou
o
António
das
Ondas,
que se
encontrava
sentado
no
chamado
"banco
dos
reformados",
que fica
numa rua
íngreme
que vai
dar ao
varandim
da
esplanada,
e logo
os dois
homens
caíram
nos
braços
um do
outro.
Luís -
Ah... Há
quanto
tempo
não o
via e
que
saudades
já tinha
disto
tudo,
incluindo
do Sr.
António!
António
- Eu já
tinha
quase
esquecido
a tua
cara e a
tua
pessoa.
Tu é que
te
esqueceste
dos
amigos…
Luís -
Olhe que
nunca me
esqueci,
não...
Mas
diga-me:
como
está a
Sandra
Cristina?
António
- Ela...
Ela está
completamente
curada,
e por
acaso
chega
amanhã
aqui.
Foi um
milagre,
um
verdadeiro
milagre,
a sua
cura
total!
Luís -
Completamente
curada?
Decerto
que
foi...
Foi um
grande
milagre,
Deus
seja
louvado
por mais
este
milagre...
A Sandra
completamente
curada!
António
- Não te
excites
tanto,
Luís
Carlos.
Mas
chora à
vontade,
pois nem
sempre é
feio um
homem
chorar.
Mas, por
favor,
acalma-te!
Luís -
Mas
aquela
linda
mocinha
completamente
curada,
até
parece
um
sonho!
António
- Mas
olha lá,
tudo
bem, mas
não é
razão
par
ficarmos
para
aqui os
dois
agarrados
um ao
outro a
chorar
como
duas
"Madalenas
arrependidas"!
Luís -
Tem toda
a razão,
Sr.
António.
António
- Vamos
a casa
dos
Mendes,
e pelo
caminho,
tenho
que
passar
pelos
Correios,
para
saber se
tenho lá
alguma
coisa
para
mim...
Luís
Carlos
ficou
passeando
pelo
largo
dos
autocarros,
enquanto
o
António
das
Ondas se
apressou
a
expedir
um
telegrama
urgente
para
Nova
Iorque e
dirigido
a Sandra
Cristina,
dizendo
apenas
isto:
"Luís
Carlos
chegou.
Perguntou
por ti.
Disse-lhe
que
chegavas
amanhã.
Regressa
rápido.
António
das
Ondas".
Ao sair
dos
Correios,
o bom
velhote
pensava
e
comentava
com os
seus
botões:
"A
verdade
é que
foi a
primeira
vez que
menti na
minha
vida -
mas foi
por bem.
Sim,
porque
senão
guardo
aqui
este
maluco
do Luís
Carlos à
espera
da
Sandra
Cristina,
ele
ainda é
bem
capaz de
arranjar
mais
"macaquinhos"
na
cabeça,
e sendo
assim,
ainda a
nossa
Sandra
fica
mais um
ano à
espera
dele!”.
No outro
dia e no
último
“expresso”
que
vinha de
Lisboa,
chegava
a Sandra
Cristina.
Luís
Carlos e
António
das
Ondas,
assim
como
seus
pais e
alguns
amigos,
estavam
à espera
da moça…
Sandra -
Olá,
queridos
papás!
Graças a
Deus que
me
encontro
completamente
curada!
Emília -
Minha
querida
filha,
ainda me
parece
um
sonho,
um sonho
lindo!
André -
Oh,
filha
querida,
como
estás
linda!
António
- Olá
querida
mocinha,
tu cada
vez
estás
mais
bela, e
agora,
completamente
curada!
Sandra -
Estou
tão
feliz!
Mas...
Mas o
Luís
Carlos,
não me
veio
esperar?
Luís -
Pois
claro
que sim,
por isso
estou
aqui!...
Sandra -
Oh, Luís
Carlos,
como
estou
feliz,
meu
amor!...
Perdoas-me?
Luís - O
passado
morreu
minha
querida.
Mas como
estás
linda…
E um
beijo
uniu
aquele
grande
amor...
Dois
meses
depois,
a capela
de São
Pedro de
Moel
estava
linda...
Nesse
dia,
Luís
Carlos e
Sandra
Cristina,
dentro
das suas
convicções
religiosas,
iam-se
unir
para
sempre.
São
Pedro de
Moel
estava
em
festa, e
toda a
gente
feliz
com o
evento.
Luís -
Olha,
minha
querida
Sandra
Cristina,
temos de
ir
fazendo
as
nossas
despedidas,
antes de
partirmos
para a
nossa
lua-de-mel...
Sandra -
Vamos
então.
Podemos
começar
aqui
pelo Sr.
António
das
Ondas...
Ora
diga-me:
como é
que você
sabia
que eu
ia
chegar
naquele
dia e
àquela
hora?...
O bom
velhote
levantou-se
e,
calmamente,
encarou
os dois
jovens
que
estavam
ali à
sua
frente,
e com um
sorriso
nos
lábios,
respondeu-lhe:
António
- Olha
lá,
Sandra,
tu por
acaso
não
recebeste
o meu
telegrama?
Sandra -
Telegrama?!
... Ah,
pois,
claro
que
recebi.
Ahahahahah!
António
- Então,
minha
boa e
querida
amiga,
por
vossa
causa,
menti
pela
primeira
vez na
vida.
Vão lá à
vossa
vida e
sejam
muito
felizes!
F I M
Carlos
Leite
Ribeiro
–
Marinha
Grande –
Portugal