CASA de FANTASMAS

 

Comédia Teatral de Carlos Leite Ribeiro

texto original

 

 

Pág. 11 de 11  Pág.s

A porta do salão abre-se abruptamente e entra um homem e depois outro, ambos encapuzados, cambaleando, antes de caírem inimados no chão…

1º Encapuzado - Ai, ai... ai o meu rico estômago... Ai, que eu vou morrer... Mataram-me… Socorro… socor…
2º Encapuzado - Ai, ai, ai a minha barriguinha... Ai que vou rebentar... Socorro! Assassinos… assas…

Esta entrada e a posterior morte dos embuçados, deixou todos estupefactos. Valentes como eles eram, depressa reagiram…

Coronel: Mas ... Mas quem são estes homens que invadiram a minha casa e estão mortos (pelo menos aparentemente)?
Alferes: Oh, caro Coronel, não me diga que não sabe quem são?
Sargento: O Sr. Coronel nem calcula quem são?!
Coronel: Não sei se me vou enganar, mas serão os Fantasmas?
Capitão: Fantasmas ou não, este aqui tem as minhas riquinhas calças novas. Vá, meu "menino" dá-me cá as calças; meu malandro, pois um Capitão como eu, nunca poderá andar p'ra aqui em cuecas. Dá cá as minhas calcinhas... upa... upa…upa... Custaram a sair, mas já cá estão nas minhas mãos! Estão muito sujas e amarrotadas, mas já são minhas novamente!
Augusta: Olha lá, Carmo, o que é que estás aí a procurar nesse sítio?
Carmo: Não se aflija, minha senhora, pois eu só estou a procurar o que é meu, ou seja, o dinheiro e o ouro. Para mais, eles já estão tão geladinhos…
Augusta: Ó Carmo, mas aí, nesse sítio?
Carmo: Sim, sim, minha senhora! Neste sítio é onde se encontram as minhas coisas. Olhe, está a ver, minha senhora? Neste saquinho de plástico estão os setecentos euros e naquele Fantasma ali ao lado já encontrei o meu fio e a minha pulseira. Como vê, Dona Augusta, eu fui logo ao sítio certo, enquanto a senhora só olhou…
Augusta: Carmo, como estás com a mão na massa, aproveita e vê se eles têm mais alguma coisa?
Carmo: Lá ter, têm, minha senhora, mas...
Augusta: Então, diz-me cá o que é que encontraste mais!
Carmo: O que os homens têm, ou melhor, deviam ter, mas estes já nem com uma lupa se pode ver qualquer coisa!
Augusta: Oh, oh, oh, que disparates estás para aí a dizer?
Carmo: Olhe, minha senhora, este aqui até tem umas fotografias, digamos, muito indecentes. A D. Augusta está interessada em vê-las?
Augusta: Estou sim, Carmo. Dá-mas cá, porque eu sempre gostei muito de ficar com velhas “recordações”.
Coronel: E onde está o baralho de cartas que também estava em cima da mesa?
Alferes - E também aonde estão a minha carteira, chaves do carro e o meu porta-moedas?
Sargento: E o meu bloco de notas, por acaso, também está por aí?
Carmo: Sim, sim, está tudo aqui. Os senhores também querem ver? Estejam à vontade.
Coronel: Não, não merece a pena, pois todos nós acreditamos em ti!
Alferes: A Carmo pode trazer tudo o que encontrou, para cima desta mesa.
Carmo: Tudo?! Ó companheiros de armas, o melhor é vocês virem cá buscar o que vos mais interessa, porque eu, mesmo sem querer, posso exagerar!
Coronel: Companheiros de armas! A nossa querida colega do "Psico", que conseguiu resolver, e muito bem, este caso que derrotou completamente o inimigo comum, ou seja os Fantasmas, pelo facto e pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade, bem merece que lhe prestemos uma guarda de honra!
Alferes: Muito bem, muito bem. Como estamos todos completamente de acordo, vamos a isso: Pelotão!... Formar... Sentido!... Essas barriguinhas para dentro e peito para fora. Meu comandante, estamos às suas ordens!
Coronel: É p'ra já. Companheira de armas, queira fazer o favor de passar revista ao nosso glorioso pelotão!
Carmo: Muito bem... Muito bem... Muito... Olhe lá, senhor Capitão, pode dizer-me o que faz na formatura, com as calças na mão esquerda e a catana na mão direita?
Capitão: Perdão, perdão... É que perdi as calças e ainda não tive tempo de as voltar a vestir... Além disso, estão muito sujas...
Carmo - Ah, é isso? Então, saia imediatamente da formatura... Imediatamente, não ouviu? Depois de bem lavado e bem ataviado, apresente-se na cozinha. E p'ra já, conte com algumas guardas de castigo à porta deste salão. Senhor Comandante Ramalho, já passei revista ao nosso glorioso pelotão. Agora, vou para a cozinha  fazer o jantar: para os homens, vou fazer uma feijoada e para a sobremesa, um pudim de pinhões. Para mim e para a D. Augusta, vou fazer uma dobrada com uma sobremesa de torta de maçã!
Coronel: Carmo, nossa companheira de armas, antes de ir para a cozinha, queira fazer o favor de nos dizer o que é que vamos fazer aos corpos dos inimigos?
Carmo: O que é habitual fazer nestas situações: pô-los em vala comum, com a indicação “Desaparecido em combate”.
Coronel: Muito bem! As suas ordens serão rigorosamente cumpridas. Pelotão, em frente  marche... um... dois... esquerdo... direito... esquerdo... direito... opp... opp... opp ...
Carmo: Pare, pare aí com essa marcha. Ordeno e mando publicar, na Ordem de Serviço do Dia, que de ora avante, não serei mais a Carmo.
Passarei a CARMINHO!!!
Siga a marcha…

Nota: Trabalho de ficção: qualquer situação ou personagem é pura invenção.

Texto de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal



F I M


 

Registre sua opinião no

Livro de Visitas: