A porta do salão
abre-se abruptamente
e entra um homem e
depois outro, ambos
encapuzados,
cambaleando, antes
de caírem inimados
no chão…
1º Encapuzado - Ai,
ai... ai o meu rico
estômago... Ai, que
eu vou morrer...
Mataram-me… Socorro…
socor…
2º Encapuzado - Ai,
ai, ai a minha
barriguinha... Ai
que vou rebentar...
Socorro! Assassinos…
assas…
Esta entrada e a
posterior morte dos
embuçados, deixou
todos estupefactos.
Valentes como eles
eram, depressa
reagiram…
Coronel: Mas ... Mas
quem são estes
homens que invadiram
a minha casa e estão
mortos (pelo menos
aparentemente)?
Alferes: Oh, caro
Coronel, não me diga
que não sabe quem
são?
Sargento: O Sr.
Coronel nem calcula
quem são?!
Coronel: Não sei se
me vou enganar, mas
serão os Fantasmas?
Capitão: Fantasmas
ou não, este aqui
tem as minhas
riquinhas calças
novas. Vá, meu
"menino" dá-me cá as
calças; meu
malandro, pois um
Capitão como eu,
nunca poderá andar
p'ra aqui em cuecas.
Dá cá as minhas
calcinhas... upa...
upa…upa... Custaram
a sair, mas já cá
estão nas minhas
mãos! Estão muito
sujas e amarrotadas,
mas já são minhas
novamente!
Augusta: Olha lá,
Carmo, o que é que
estás aí a procurar
nesse sítio?
Carmo: Não se
aflija, minha
senhora, pois eu só
estou a procurar o
que é meu, ou seja,
o dinheiro e o ouro.
Para mais, eles já
estão tão
geladinhos…
Augusta: Ó Carmo,
mas aí, nesse sítio?
Carmo: Sim, sim,
minha senhora! Neste
sítio é onde se
encontram as minhas
coisas. Olhe, está a
ver, minha senhora?
Neste saquinho de
plástico estão os
setecentos euros e
naquele Fantasma ali
ao lado já encontrei
o meu fio e a minha
pulseira. Como vê,
Dona Augusta, eu fui
logo ao sítio certo,
enquanto a senhora
só olhou…
Augusta: Carmo, como
estás com a mão na
massa, aproveita e
vê se eles têm mais
alguma coisa?
Carmo: Lá ter, têm,
minha senhora,
mas...
Augusta: Então,
diz-me cá o que é
que encontraste
mais!
Carmo: O que os
homens têm, ou
melhor, deviam ter,
mas estes já nem com
uma lupa se pode ver
qualquer coisa!
Augusta: Oh, oh,
oh, que disparates
estás para aí a
dizer?
Carmo: Olhe, minha
senhora, este aqui
até tem umas
fotografias,
digamos, muito
indecentes. A
D. Augusta está
interessada em
vê-las?
Augusta: Estou sim,
Carmo. Dá-mas cá,
porque eu sempre
gostei muito de
ficar com velhas
“recordações”.
Coronel: E onde está
o baralho de cartas
que também estava em
cima da mesa?
Alferes - E também
aonde estão a minha
carteira, chaves do
carro e o meu
porta-moedas?
Sargento: E o meu
bloco de notas, por
acaso, também está
por aí?
Carmo: Sim, sim,
está tudo aqui. Os
senhores também
querem ver? Estejam
à vontade.
Coronel: Não, não
merece a pena, pois
todos nós
acreditamos em ti!
Alferes: A Carmo
pode trazer tudo o
que encontrou, para
cima desta mesa.
Carmo: Tudo?! Ó
companheiros de
armas, o melhor é
vocês virem cá
buscar o que vos
mais interessa,
porque eu, mesmo sem
querer, posso
exagerar!
Coronel: Companheiros
de armas! A nossa
querida colega do "Psico",
que conseguiu
resolver, e muito
bem, este caso que
derrotou
completamente o
inimigo comum, ou
seja os Fantasmas,
pelo facto e pelos
relevantes serviços
prestados à nossa
comunidade, bem
merece que lhe
prestemos uma guarda
de honra!
Alferes: Muito bem,
muito bem. Como
estamos todos
completamente de
acordo, vamos a
isso: Pelotão!...
Formar...
Sentido!... Essas
barriguinhas para
dentro e peito para
fora. Meu
comandante, estamos
às suas ordens!
Coronel: É p'ra já.
Companheira de
armas, queira fazer
o favor de passar
revista ao nosso
glorioso pelotão!
Carmo: Muito bem...
Muito bem...
Muito... Olhe lá,
senhor Capitão, pode
dizer-me o que faz
na formatura, com as
calças na mão
esquerda e a catana
na mão direita?
Capitão: Perdão,
perdão... É que
perdi as calças e
ainda não tive tempo
de as voltar a
vestir... Além
disso, estão muito
sujas...
Carmo - Ah, é isso?
Então, saia
imediatamente da
formatura...
Imediatamente, não
ouviu? Depois de bem
lavado e bem
ataviado,
apresente-se na
cozinha. E p'ra já,
conte com algumas
guardas de castigo à
porta deste salão.
Senhor Comandante
Ramalho, já passei
revista ao nosso
glorioso pelotão.
Agora, vou para a
cozinha fazer o
jantar: para os
homens, vou fazer
uma feijoada e para
a sobremesa, um
pudim de pinhões.
Para mim e para a D.
Augusta, vou fazer
uma dobrada com uma
sobremesa de torta
de maçã!
Coronel: Carmo,
nossa companheira de
armas, antes de ir
para a cozinha,
queira fazer o favor
de nos dizer o que é
que vamos fazer aos
corpos dos inimigos?
Carmo: O que é
habitual fazer
nestas situações:
pô-los em vala
comum, com a
indicação
“Desaparecido em
combate”.
Coronel: Muito bem!
As suas ordens serão
rigorosamente
cumpridas. Pelotão,
em frente marche...
um... dois...
esquerdo...
direito...
esquerdo...
direito... opp...
opp... opp ...
Carmo: Pare, pare aí
com essa marcha.
Ordeno e mando
publicar, na Ordem
de Serviço do Dia,
que de ora avante,
não serei mais a
Carmo.
Passarei a CARMINHO!!!
Siga a marcha…
Nota: Trabalho de
ficção: qualquer
situação ou
personagem é pura
invenção.
Texto de Carlos
Leite Ribeiro –
Marinha Grande -
Portugal
F I M
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