E Carmen não ganhou a guerra!
Luanda não era tão longe assim... Viveu mais vinte e três anos
com seu marido – ao todo, trinta e dois Invernos. E somente a
“morte”, com o seu poder único e indestrutível, conseguiu
separar Jorge de Carmen.
Após a época a que se reporta o final deste romance (1972),
Carmen travou ainda muitas mais batalhas, dignas, a meu ver, de
preencherem as páginas de um novo livro. Saboreou algumas
alegrias, é certo: o nascimento de seu filho Telmo em 1979, e do
neto Diogo em 1999. O lançamento de seu primeiro livro em 2000.
Entretanto, enfrentou doenças e provações dos entes mais
queridos; a maior, a doença de seu filho Pedro (já abordada
resumidamente)
hoje, felizmente, sanada. E levou-lhe, inexoravelmente, a mãe, o
pai, as velhas e queridas tias. Mais recentemente, em 1995, seu
marido, depois, a sogra Rosalina, e por último, a prima Lurdes e
o seu irmão Vitor Manuel, já em 2010.
Mas Carmen, não é uma mulher triste e solitária. A escrita, que
finalmente perfilhou, é para ela uma fonte de alegria. Como
alegria imensa são os amigos que granjeou através dela.
A “nossa” Carmen é agora uma mulher serena e tranquila. Aprendeu
que a “morte” (palavra que ela faz questão de escrever entre
aspas) não existe, não obstante o desaparecimento do corpo
físico, pois não é mais do que a transição para um plano de
consciência diferente, do qual havemos de retornar inúmeras
vezes, para prosseguirmos a Lei Cósmica da Evolução da Alma.
Acredita também que cada Vida é apenas uma etapa da pirâmide que
escalamos, enfrentando obstáculos e dificuldades, dos quais
descansamos de quando em vez, em patamares de alegrias breves. E
não perfilha a concepção de “destino ou fatalismo”, antes está
ciente de que atravessamos cada vivência, senhores e donos do
livre arbítrio de que dispomos, sujeitos, porém, à justa e
harmónica Lei da Compensação (ou Karma) que, simplesmente, nos
faz colher o que semeamos.
E é assim que Carmen e Eu – VERSO E ANVERSO DA MESMA MEDALHA –
continuamos a subida, apaixonadas pela Dádiva Divina que é a
Vida, até que a última jornada nos mostre “O VÉRTICE LUMINOSO DA
PIRÂMIDE ”.

Nota: Este epílogo foi actualizado em Janeiro/2012
Lisboa/Portugal
CarmoVasconcelos