O
VÉRTICE LUMINOSO DA PIRÂMIDE
(Romance)
por
Carmo
Vasconcelos
II PARTE
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5 DE
17 PÁG.

Capítulo
V
Agora, e como cenário de fundo onde se desenhava a tela
surrealista da vida de Carmen, à época, alguns factos marcantes
dos anos sessenta: A URSS põe em órbita uma astronauta, Valentina Teresshkova, a
fim de estudar os efeitos da imponderabilidade da mulher;
investigações espaciais fornecem inúmeros dados sobre os
planetas Marte e Vénus. Desencadeia-se a corrida ao Espaço. A
nave americana Ranger 7 faz fotografias muito próximas da
superfície lunar; os EUA e a URSS lançam naves equipadas para
fotografar Marte. O cosmonauta soviético Alexei Leonov deixa a
nave Vokshod II e flutua no espaço por vinte minutos; o
cosmonauta americano Edward White faz igual proeza, a partir da
nave Gemini IV. Na China dá-se início à Revolução Cultural; surgem as primeiras
comunidades “Hippies” na Califórnia. É anunciada a anulação do Índice dos Livros Proibidos, criado
pela Igreja Católica em 1515; e é convocado pelo Papa João XXIII
o Concílio Vaticano II. Dois mil bispos e teólogos de todo o
mundo debruçam-se sobre a doutrina da Igreja para a aprofundar,
enriquecer e reformular à luz dos novos sinais do tempo. Só a Portugal, politicamente falando, os novos sinais do tempo
demoravam a chegar. A mesma repressão, a mesma ditadura. Maior a
riqueza de alguns, maior a miséria de outros. A emigração
aumentava de dia para dia, atingindo no ano de 1966 – entre
emigrantes legais e clandestinos – a cifra recorde de cento e
vinte mil indivíduos. Apesar disso, no mesmo ano, é inaugurada em Lisboa a Ponte sobre
o Tejo, com 2278 metros de comprimento. Mas o Teatro Nacional
Dona Maria II, que um fatídico incêndio destruíra em 1964,
continuava em ruínas. Em ruínas estavam igualmente os sonhos de Carmen. Mas, fazendo justiça ao “pensamento” de Pascal, ela tentava
ignorar o presente – refugiava-se no passado, nas alegrias da
juventude, e albergava esperanças num futuro melhor. Os conflitos com seu marido sucediam-se. Até ele também não
chegavam os novos sinais do tempo. Era como se Jorge vivesse
amarrado a uma época retrógrada, talvez ao século XVIII, quando
a par da supremacia dos homens corria o vácuo total dos cérebros
femininos; quando as mulheres não pretendiam ser seduzidas mas
sim subjugadas; quando o amante se queria célebre e se desejava
que fosse um déspota. Jorge ignorava que já em fins do século XIX, a máquina, ao
exigir do ser humano menos esforço, levou a Mulher até à
fábrica, onde ela começou a tomar parte no movimento social até
então reservado aos homens; que a Mulher, até aí entregue apenas
aos trabalhos femininos, em 1900 já participava activamente na
economia geral, e que dez anos mais tarde, graças à Primeira
Guerra Mundial, ocupava nessa mesma economia uma posição
importante, porque, uma vez os homens mobilizados, as mulheres
começaram a substituí-los em quase todas as profissões,
inclusivamente nas mais duras. O problema era que Carmen sabia tudo isso. Carmen lia. Daí, que
as frases machistas de seu marido, tais como: “se fosses coser
meias em vez de estares agarrada aos livros”, mais do que
irritá-la, alertavam-na para a distância cultural que os
separava. A verdade é que também cosia meias e outras peças, quando
necessário. Aliás, fazia – e bem – toda a lida doméstica. Isso
devia-o a sua mãe que, embora contra sua vontade, como sabemos,
tão perfeitamente a instruíra. Devia-o, igualmente, à
configuração astral presente na hora do seu nascimento, que a
dotara com um leque de aptidões diversificadas. Não raro, percebia a felicidade, um tanto sádica, estampada no
rosto do marido quando a via entregue a trabalhos domésticos,
atenuados, no entanto, pela ajuda de Zefa, uma serviçal que
trouxera da terra natal dos sogros, depois do nascimento de
Pedro. A principal tarefa da sua ajudante era cuidar do menino, ficar
com ele enquanto a mãe se ausentava para o emprego, dar-lhe as
refeições que Carmen já deixava preparadas, mudar-lhe as
fraldas, brincar com ele. Zefa era muito jovem, uma “menina”, não fora ter nascido na
rudeza das terras beirãs. Oriunda de uma família de muitos
filhos, a sua escola tinha sido a dureza dos trabalhos do campo.
Vir para a cidade, para casa de “senhores” da terra, quase
exclusivamente para tratar de um bebé, era o sonho de muitas
camponesas como ela. Mas era sensível e dedicada. Além de uma
pequena mensalidade, Carmen vesti-a e calçava-a, cuidava de que
se alimentasse bem, acarinhava-a. Em suma, tratava-a como
família, tentando colmatar a falta que ela decerto sentia dos
pais e dos irmãos. Contudo, até esse procedimento era motivo de
discórdia entre Carmen e Jorge. Para ele, Zefa era apenas uma
criada. Não sabia pedir por favor, dizer um obrigado. Ordenava,
asperamente, e queria ser obedecido de imediato. E não tolerava
a delicadeza com que a mulher tratava a sua preciosa auxiliar. A pequena dedicou-se ao menino e à sua senhora. Quando o patrão
estava ausente, era conversadora e alegre. Ria e brincava com
Pedro como uma irmã mais velha. Mas logo que o patrão chegava,
encerrava-se no seu mutismo, escondia-se pelos cantos, e só
aparecia quando a chamavam. Devido às cenas que presenciava,
ganhou medo do patrão e, por esse motivo, pouco mais de dois
anos ficou na casa. Alegando saudades da família, foi com
lágrimas nos olhos que se despediu do seu “Pedrinho” e da sua
“querida senhora”, preferindo voltar para o árduo labor da
terra. Uma das cenas que mais aterrorizou Zefa, descreve-a Carmen num
pequeno texto seu, relativamente recente, intitulado “A outra
face dos comboios”, do qual me autorizou a transcrever o
seguinte excerto: “Eis-me hoje a descobrir a outra face dos comboios. Os comboios
já conhecia, mas duma forma bem diferente! Eles foram para mim,
durante alguns anos, o veículo que me transportava de casa para
o emprego e vice-versa, ou seja, de uma prisão para outra.
Viagens curtas, mas tão longas nos meus pensamentos
conturbados... Nessas viagens, eu ruminava a minha vida, os meus
sonhos frustrados. Como ansiava o seu término, tal era a
necessidade de dar vazão às lágrimas longe dos olhares dos
outros passageiros. Reporto-me a 1965, ano em que diariamente
fazia o trajecto de parte da linha de Sintra. Casada há dois
anos, a minha lua não era de mel. Meu filho Pedro era, porém, o
tesouro a que me agarrava com todas as minhas forças. E como
sofria naquele comboio, por ter de o deixar um dia inteiro
entregue a uma empregada que era quase uma criança. Recordo-me
dela, a Zefa, com muita ternura. Tão jovem nos seus quinze anos,
mas tão dedicada, tão responsável. Nessa altura, a linha de Sintra era famosa pelos atrasos dos
seus comboios. De manhã, filas intermináveis de passageiros,
entre os quais eu, aglomeravam-se junto aos escritórios da
Estação do Rossio, a fim de obterem um comprovante dos referidos
atrasos para apresentarem aos chefes dos respectivos empregos
que, sem esse documento, duvidavam da pontualidade dos
empregados e descontavam as horas em falta nos seus já parcos
salários. À noite, pior ainda, especialmente para as mulheres.
Pressionadas entre o ir buscar os filhos à escola, as compras de
caminho, o jantar a fazer fora de horas, viam o seu tempo
encurtado metidas num comboio imóvel, não raro uma ou duas
horas. E quantas delas não teriam passado pelo que eu passei
naquele fim de tarde de má memória? Naquela tarde que se
transformou em noite, após horas à espera que aquele malfadado
comboio se pusesse em marcha! Finalmente, perante o aviso de
que, completamente avariado, ele jamais se moveria, vimo-nos
obrigados a abandoná-lo e a fazer o resto do percurso a pé pelas
bermas dos carris, bermas de pedras soltas. Talvez 1 km. ou
mais, não me recordo. O que nunca esqueci foi o que se passou a
seguir. Exausta, ansiando por abraçar o meu filho e dar repouso às
minhas forças e aos meus nervos, tudo isso me foi negado. Pior,
vi-me impedida de entrar na minha própria casa, cuja porta não
me foi aberta e que servia de anteparo aos gritos alienados de
um marido que berrava: “Sua puta, vá para onde andou até agora,
que na “minha” casa não entra mais!” Tudo isto de porta fechada,
sem eu ter sequer oportunidade de me explicar. Nem o choro do
meu bebé, nem as súplicas da minha dedicada Zefa, ambos dentro
de casa, foram capazes de alterar tão desumana atitude. Valeu-me
a minha prima Lurdes que, felizmente, morava perto e me deu
abrigo e consolo...” E o que se passou a seguir? – Perguntarão os leitores, tal como
eu própria perguntei. Carmen, arrasada, desfeita em lágrimas, ferida profundamente na
sua dignidade, jurava a sua prima não mais voltar para casa. Era
demais para perdoar! Mas seu filho estava lá, sob o jugo do
tirano... Iria buscá-lo! – Jorge não deixará que o faças... – advertia Lurdes. – Melhor
será conversarem, chegarem a um entendimento. – Entendimento!? Não sabes como é impossível ter uma conversa
civilizada com ele? Lurdes sabia. Era como uma irmã para Carmen, a única que
acompanhava de perto a sua vida. – Bem sabes que podes contar connosco. Podes ficar aqui o tempo
que quiseres, mas ele não permitirá. E há o teu filho, como
trazê-lo? E as tuas coisas? – Só o meu filho me importa! Ficará comigo! Entre estas e outras conjecturas se desenrolou a noite e o
desespero de Carmen. Na manhã seguinte, pasmem! Jorge já não era o tirano, o déspota.
Dirigiu-se a casa de Lurdes, onde adivinhou que a mulher
estaria, como um pecador arrependido. Acercou-se de Carmen,
balbuciando desculpas, lamentando o seu ciúme infundado,
atribuindo a sua atitude ao grande amor que lhe tinha, ao medo
de a perder. Desfeito, chorou no seu colo, suplicou-lhe que
regressasse a casa. Não voltaria a acontecer! – Prometeu. Carmen não queria ceder. No seu íntimo sabia que tudo voltaria
ao mesmo. Era mais forte do que ele. Tão complexas as suas
atitudes! Era como um cordeiro que não se lembrava de ter
vestido a pele do lobo e que sofria depois por a ter vestido... Esquecida das suas próprias dores, aquela mulher tomava sobre si
as dores de seu marido. Chegava a sentir-se culpada de ser a
causa de tanta infelicidade... E voltou. Como um condenado que caminha para o cadafalso. Mas
quando sentiu de novo o filho nos braços, protegido, a salvo de
qualquer chantagem, sentiu-se compensada, quase feliz. Com o tempo, Carmen foi percebendo que a infelicidade de Jorge
não passava só por ela, era muito mais profunda. Até que
profundezas não sabia... era um ser descontente consigo próprio
e com todo o mundo. Não suportava a mediocridade – falando de
bens materiais, bem entendido – porque a mediocridade de
espírito não o afectava. – “É preciso é ter dinheiro no bolso, o
resto são fantasias líricas” – costumava dizer. Sofria por não
ter o bastante para se impor a todo o mundo. Sofria por não ter
um carro de luxo, por ser um subalterno nos empregos, por não
ter acabado o curso de engenheiro, enfim, por não ser um homem
de prestígio que pudesse olhar do alto e subjugar com o seu
poder os comuns mortais. Depois daquela cena terrível, sucederam-se uns dias de tréguas,
de atitudes cautelosas, comedidas. Mas, em breve, à mais pequena
contrariedade, vinham as ameaças: “Desta vez perdoei-te, mas se
voltares a sair, não entras mais!” E com estes e outros absurdos se foram passando os anos... “Jorge é um bom marido” – diziam os que não viviam com ele –
“não tem outras mulheres, não sai sozinho, é poupado, não te
bate...” E, na verdade, assim era. Um bom marido – para outra
mulher, talvez... Quantas vezes Carmen desejou que ele se embeiçasse por outra
mulher, que saísse sozinho... Quanto a bater-lhe... ele já
tivera ocasião de perceber que naquela mulher, aparentemente
submissa, ninguém punha a mão sem levar o troco. Carmen era
calma, dócil e suave, detestava discussões, repudiava a
violência, mas não era o Cristo para dar a outra face... Os
outros, aqueles para quem as pancadas eram a maior ofensa,
ignoravam decerto que há palavras que ferem mais do que a mais
aguçada das armas. Quanto a ser poupado... sua mulher diria avarento, já que nesse
particular também o desentendimento se fazia ouvir. Sob esse
aspecto, o que mais a fazia sofrer não era o ele querer gerir
sozinho as finanças do casal, obrigando-a a pedir-lhe o mínimo
de que necessitava e que ele sempre achava demais. O que mais
lhe doía era a brutalidade com que ele corria com os mendigos
que lhes batiam à porta, antecipando-se a ela e proibindo-a de
dar fosse o que fosse. Habituada como fora a ver sua mãe encher
uma malga de sopa quente acompanhada de um pão e dá-la a quem
pedia à porta. E se eram crianças... um pão com doce, uma peça
de fruta. E se eram mães com filhos pela mão... também alguma
roupa que já não servia aos pequenos. Pior ainda, era quando iam às compras aos supermercados... No
parque de estacionamento havia sempre uma ou outra pobre mulher
com um filho ao colo, mendigando: “alguma coisinha, por amor de
Deus”. Carmen olhava a criança em farrapos, escarranchada na
proeminente barriga da mãe, suja, desgrenhada, o ranho
lambendo-lhe a boca, estendendo as mãozitas para quem passava,
enquanto via o seu filho entrando no carro, comendo um chocolate
e abraçando o brinquedo novo. Era demais para Carmen... – Vou dar-lhe qualquer coisa – dizia. – Nem penses! São todas umas impostoras! Pedindo, ganham mais do
que eu e tu juntos – contrapunha Jorge. Mas, para Carmen, aquela criança e as evidentes condições de
vida em que sobrevivia, não eram impostura! Certo dia, julgando Jorge distraído, pegou um pacote de bolachas
e apressava-se a dá-lo à criança – cujos olhos famintos já
sorriam para elas – quando ele, bruscamente, lho arrancou das
mãos fazendo-a entrar no carro, de rompante. Carmen ainda hoje se lembra de como chorou todo o caminho, presa
à imagem daqueles olhitos augados. E de como a indiferença de
seu marido, fingindo não entender a razão daquelas lágrimas,
mais não fez do que aumentar a sua revolta. Além de tudo isto, Jorge acusava-a frequentemente de todas as
suas frustrações: “Se não te tivesse conhecido... tu é que me
estragaste a vida! Devia ter adivinhado que dessa família de
malucos não podia vir boa coisa.” Estas e outras, as plataformas de que Jorge se servia para que
Carmen se sentisse culpada e, confusa, aguentasse todos os seus
desmandos. O ataque como defesa, era a sua estratégia. A maior parte das vezes, ela fingia não perceber. Se seu marido
fosse um homem de diálogo, Carmen teria conseguido encurtar a
distância que os separava. Mas sempre que encetava uma conversa
amena nesse sentido, ele logo cortava: “Deixa-te de filosofias
baratas, isso comigo não pega – não sou os teus irmãos!” Jorge também deixara de ser um homem de ternuras. Se a mulher
tentava fazer-lhe uma carícia, recuava como se tivesse apanhado
um choque, e dizia: “Deixa-te disso, falsidades, falsidades...”
E Carmen engolia os beijos, fechava os abraços no vácuo. E o
diálogo – qual criança débil – foi morrendo entre eles. E o amor
– plantinha frágil – ia sucumbindo aos poucos no coração de
Carmen. Subsistia apenas uma união de corpos, enquanto as suas
mentes caminhavam em sentidos opostos, distanciando-se cada vez
mais e mais. E a união de corpos subsistia porque Carmen
participava dela sem recusas. À uma, porque só no leito conjugal
sentia da parte de seu marido algum calor humano; à outra, para
evitar que ele, obstinado como era, a obrigasse a tal contra sua
vontade. Então, participava de pronto, deixando falar o corpo,
que, como todos sabemos, pode ter uma linguagem independente,
distinta do idioma da alma. E o prazer de que usufruía, mais do
que uma atitude masoquista, tinha o sabor de uma vingança – era
o pouco e o tudo que conseguia extrair daquela (des)união. De
contrário, Carmen sentir-se-ia usada. Impensável! Isso agravaria
a sua angústia, faria desmoronar de vez o seu orgulho, seria a
degradação maior. Com o decorrer dos anos, foi percebendo o quanto seu marido era
um ser infeliz, como por detrás do déspota se escondia uma
personalidade fraca, insegura, vulnerável – talvez uma criança
que crescera sem amor. A mulher que escolhera teria de ser a
mãe, a irmã, a amante, a serva – todas numa, única e
exclusivamente sua. Qualquer ser humano a quem Carmen
dispensasse uma partícula de atenção representava para Jorge uma
ameaça. Até as personagens incorpóreas de qualquer romance... Recordo-me que por esta altura parei de escrever, para perguntar
à minha confidente: – Mas, Carmen, não estará a exagerar? É que me parece tudo tão
absurdo... – Eu avisei-a, minha amiga, de que se avizinhavam tempos
difíceis. E não menosprezando os seus dotes de escritora, creio
que só um dramaturgo notável conseguiria dar as cores reais à
minha história. – Perdoe-me, não me passou pela cabeça duvidar... – Que é isso, minha amiga? Se até eu própria duvido por vezes
que tenha vivido esses tempos. Retrocedo no tempo e penso se
aquela seria eu... E ao fazer-lhe as minhas confidências, tenho
de fazer um esforço para usar a imagem e a linguagem dessa
mulher que já não reside em mim. – Todavia, Carmen, julgo que ainda reside em si algo que perdura
dessa jovem, algo que nunca foi conseguido... – Não sei de que fala... – Do Amor, Carmen, “desse amor fugidio que não agarro e que mora
não sei em que lugar”, conforme diz num dos seus poemas. – Ah! Se eu soubesse onde está esse amor, ofertar-lhe-ia este
meu poema:
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NÃO RECORDES…
Não recordes quem eu era, que essa outra já se foi! Ama esta que te espera que sendo a mesma afinal, te parece desigual pelo quanto o tempo destrói. Beija os meus olhos pisados, sem brilho de tão lavados pelas lágrimas choradas… Abraça o meu corpo lasso, deformado pelo cansaço de tantas lutas travadas… E esquece essa que não volta!
Que o tempo, cavalo à solta, noutra época a deixou. Olha, amor, dentro de mim, vê como tanta desdita me fez muito mais bonita! Não recordes quem eu era, que o meu amor o que espera é que ames esta que eu sou!” |

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