SEBO LITERÁRIO

 

 

Eliana Ellinger

 

 

POESIA
 
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A FOLHINHA
Eliana Ellinger


Pelo mundo que eu seguia,
rastreando uma razão,
vento uivante me empurrava,
era lama, apenas lama,
o caminho que eu pisava...
A mata que era florida,
os passarinhos que cantavam
seus hinos, o suave sereno que
embalava as madrugadas,
a sombra das árvores
onde eu descansava,
o sol que iluminava o dia...
Nada, nada mais existia !
Caiam folhas dos galhos,
como cartas de baralhos
espalhadas pelo chão,
pareciam meus sonhos
sem nenhuma direção.
Estendi as mãos
procurando ajuda para
esquecer as mágoas e sepultá-las
junto a meus tolos versos,
dar-me os sentimentos inversos,
calar-me a voz e tornar-me muda
nas palavras de amor...
Mas trouxe o vento uma folhinha
que, voando igual andorinha,
pousou na minha mão.
Comecei a admirá-la...
Deixei meus dedos tocá-la...
Em suave som ouvia, palavras
que dizia querendo me ajudar...
Era assim como falasse no cantar
de um bem-te-vi ,
desfazendo a tristeza que
em saudades consumi,
pois nela vi tua imagem
como um desenho em croqui .


Eliana Shir Ellinger
Hazorea.il, 25/11/2005

À TI ...
Eliana Shir Ellinger


À ti devo esses versos que componho,
porque em ti vejo um poema...
À ti devo os meus dourados sonhos,
pois resume-se em ti a paixão extrema...

À ti devo os belos sons das fontes,
que na saudade ouço a murmurar...
Em ti, os meus felizes horizontes,
encontraram a luz que os fizeram despontar...

À ti devo as doces sensações,
de encontrar na saudade tão sentida,
a forma sem molduras de ilusões
o retornar e reviver a minha vida....

Eliana Shir Ellinger

*Escrito e dedicado a um certo alguém encontrado, sem espera de sonho nenhum, mas que me deu felicidade carinho e amor de verdade em 2001.

 

NOVA ESTRADA
Eliana (Shir) Ellinger


Numa tarde chuvosa,
escuras nuvens cobriamo céu,
pés descalços na terra molhada,
devagar eu caminhava.
Em cada poça que pisava,
era como que se fossem
as tristezas que sofri,
saudades se afogavam
abandonando o apego dos
que se afastaram de mim...
Era a chuva lavando-me as feridas,
silenciando meus cálidos sentimentos
em quietude profunda que avança no tempo...
A cada passo, a leveza me embalava,
nada mais me atormentava se do passado esqueci!
Tornei-me livre, vazia,
perdida na incerteza de qual atalho seguir,
retornar minha vida,
novos sonhos construir...
Não curvei-me vencida!
Deixei meu ego fluir,
de compasso em compasso esculpi-me
e dentre as brumas surgi,
requintada de amor para a nova estrada
sem as perdas que vivi...
Como é bom ter nos olhos a beleza da vida,
ouvir o canto dos pássaros,
entoar o som da natureza,
conduzir-me a vastos caminhos,
trilhas sem fim,
ter as mãos abertas para os que precisarem de mim.

Eliana Ellinger
Hazorea, 28/02/2010

 

ALMA DE POETA
Eliana (Shir) Ellinger


Eu queria saber por que dizes
que poetas só escrevem quando tristes.
Poesia é a vida!
Às vezes desbotada, outras colorida,
às vezes ilusão, outras tantas fantasia...
Poeta tem sentimentos que lança aos sete ventos,
tem amores, luzes, cores, as ondas verdes do mar,
a pureza das fontes, o esplendor do luar...
Seus versos tem sempre um dono!
Sejam eles a sombra do que sente o coração,
ou mesmo o som vibrante de uma doce canção,
as palavras vão fluindo para o verso engrandecer,
deixa o compasso das rimas por suas mãos escorrer...
Sempre encontra motivos para uma nova poesia !
Depois? Depois, torna-se dela o lutador prisioneiro,
onde a caneta é sua espada e ele um nobre guerreiro!
Diga-me então... Por que ?
Por que seria tristeza a inspirar toda beleza,
que ilimita um poeta simplesmente escrever ?

Eliana (Shir) Ellinger
Hazorea, 18/01/2007

 

AMOR, PERDOA-ME !
Eliana Shir Ellinger


Perdoa-me por escrever-te tantas vezes.
Perdoa-me por fazer-te a inspiração
de todos os meus versos...
Tornar o amor entre sonhos
tão dispersos, a causar-me inquietação.

Perdoa-me por sentir falta dos teus beijos.
Perdoa-me por fazer de ti minha saudade...
Sentimento consumindo meus desejos,
pois o tempo não tem de mim mais piedade.

Perdoa-me por não conseguir esquecer
o passado, em fantasia ao teu lado.
Perdoa-me por clamar-te aos sete ventos,
pelos ares, pelos mares
e sentir-te junto a mim...

Perdoa-me por fazer-te a personagem
dos meus sonhos em constantes devaneios...
Perdoa a distância que por ora nos separa,
ferindo nosso amor em todos os anseios.

Perdoa-me se estou sofrendo tanto assim.
( Sei o quanto sofres sem mim )
Mas estejas certo, juro por Deus!
Jamais dir-te-ei adeus !

Eliana Shir Ellinger
Rio, 12/10/2003

 

Livro de Visitas

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