SEBO LITERÁRIO

 

 

Eliana Ellinger

 

 

POESIA
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 MINHA PRECE
Eliana Shir Ellinger


Que não seja um sonho
por trás das brumas,
me alimentando esperanças
de estar contigo.
Que se afoguem lembranças,
mas que voltem,
quiçá algumas,
pois te apagar de minha alma
eu não consigo.

Que esse amor se abra ao sol
e dure a noite,
para em folhas cadentes
nos brindar em repentes.
Que não se torne saudade,
mas sim realidade,
pois o sentir não tem jeito,
me machuca e fere o peito.

Que não sequem as frondosas fontes,
nem se dilacerem as vinhas dos montes,
pois minha vida renasceu ali.
Que não se apague o fogo que sinto por ti
e o tempo não fuja do nosso amar aqui.

Que eu te sinta, amor, como sempre quero,
mas não fulmine o que tanto espero.
Que teu olhar, teu sorriso,
tuas mãos, o corpo teu,
me envolvam e se aconcheguem
ao corpo meu.

Eliana Shir Ellinger

 

PROPOSTA
Eliana Shir Ellinger


Eu te proponho um caminho...Vem !
Verás a beleza das flores em vivas e belas cores,
sentirás seus perfumes nessa terra dos amores...

Eu te proponho um encanto... Vem !
Verás os passarinhos pelos ares a voar,
ouvirás em seus cantos, um acalanto entoar...

Eu te proponho um frescor...Vem!
A plenitude do céu, a profundeza dos mares,
a brisa fresca silente, em todos os lugares...

Eu te proponho um sorriso... Vem !
Além do paraiso levar-te-ei também,
colando no teu meu corpo como nunca o fez ninguém !

Proponho cobrir-te em beijos... Vem !
Proponho um amor verdadeiro, puro como o cristal,
filtrando um arco-íris como nunca houve igual !

Eu te proponho um carinho... Vem !
Não sentirás um espinho que te possa machucar !
Mas, suaves minhas mãos por teu corpo a navegar...

Proponho a felicidade...Vem!
Já possuis meu coração, minha vida sem pecado,
minha alma junto a tua, com meu amor arrochado...

Em tudo que proponho, junto à ti meu belo sonho,
afora o céu, o sol, a natureza, terás do amor maior riqueza,
unindo nossas vidas numa estrada bem bonita... Vem !


Eliana Shir Ellinger
Rio de Janeiro, 22/04/2004

 

 

SOLIDÃO
Eliana Shir Ellinger


Navegando sozinha,
anos-luz do sistema solar,
buscava a terra minha
em um tão obscuro olhar...
E me via tão pequena,
partícula de uma poeira,
pousada pontícula na estrela,
sem nada a me segurar...
Era um espaço ilimitado
sem permitir lá chegar.
Em meio a pontos ocultos,
misturados tantos vultos,
sem saber em qual lugar...
Estava tudo tão longe,
vagava sem horizonte,
tudo escuro, sem futuro,
sem nada a me orientar...
Fragmentos de asteróides,
a bloquear-me o olhar,
pequenos, grandes astróides,
impedindo meu vagar...
Não havia mais o tempo,
nem ares, mares, luares,
tampouco haviam flores
nem perfume dos amores...
Silêncio na solidão.
Vazio em meu corração.
E continuo assim,
numa saudade sem fim...
Pequeno pó de poeira,
pousada em tua estrela,
sem conseguir te tocar...

Eliana Shir Ellinger
Rio, 24/02/2004

 

 

POR ONDE VOU ?
Eliana Shir Ellinger


Andando pela vida, parei na encruzilhada
que meu destino elaborou.
Por qual estrada eu vou ?
São ambas incertas , veredas floridas,
estórias sentidas, que falam de amor.
O tempo passando pela que eu vinha,
curvas de espera, retas benditas,
alamedas bonitas, a dar-me calor .

Um lado é do mundo que eu possuia
e meu sentir por lá vivia ...

Cantigas de amor deixavam pegadas,
às vezes silêncio nas pedras caladas.
Momentos felizes, de alegria
eu saltitava ... outros, de saudade chorava .
Hoje, tudo está tão diferente,
tão mudado, obscuro, desbotado ...
O que era perto, hoje é distante.
Um deserto abafante a encobrir-me
o futuro, sinto os pés já cansados,
num caminhar inseguro
a cada passo que dou.

Não sei mais nele o que sou,
nem se a vagar ainda estou .

De aventura é o outro lado .
Um sonhar de brincadeira, roteiro
sem eira nem beira, deixando o tempo passar .
Neste não há promessas que façam-me esperar .
Sem pensar no amanhã, viver apenas o agora,
manter na boca um sorriso sem tristeza no olhar.

Seguindo esta jornada que o destino semeou...
Por qual delas vou ?

Eliana (Shir) Ellinger
Hazorea.il, 14/10/2005

 

 

MEU LAGO
Eliana Shir Ellinger


Silêncio completo.
Em volta, escuridão imensa,
No ar pairando uma saudade densa
E eu, no meio do nada.

Outrora, alegre cancioneira,
Hoje uma sombra desfolhada.

Pura, sentida, era a água deste lago...
Formou-se com meu pranto,
Refletindo o desencanto,
Minha angústia, minha dor.

Foram gotas de saudade
Lágrimas vertidas na falta de um amor.

Nada eu via, tudo em vão buscava,
Meu corpo frio, as mãos geladas,
Lua, estrelas, suas luzes apagadas,
Apenas ecos do meu dissabor.

Então, sem que notasse, perante à mim vieste.
Seguravas minhas mãos e eu rogava teu calor.

Mas, quem sabe, sofrias tanto quanto eu ?
Por mais triste que estivesses,
Palavras de consolo me disseste,
Retribui outras tantas com ardor.

Continuamos trocando confidências,
Consolando um ao outro, se preciso for.

Eliana Shir Ellinger
24/04/2006

 

Livro de Visitas

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