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Suporta, saudade!
Os passos que precedem, sem cortejos,
Fronteiras do perfil que a face esconde,
Pegadas são meus berços de desejos
De ver-te e encontrar-te, sabe onde!
Saudade, me suporta, mesmo assim!
Que ancoro neste porto de ansiedade.
A falta - tu a deixaste presa a mim -
Do olhar que são correntes de verdade.
Mal sabes, sufoquei as esperanças.
Mal sabes, desta vida, um só pedaço;
Se sabes, e não sei, faze-o em tranças
E traze-o a mim neste teu laço. Eliane Triska
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Tardes
de
jasmins
Nas
tardes
deste
verão,
Me
tens
e és
causa
em
mim.
São
belas...
Ah!
tardes
que
são
Exalos...
Odor
de
jasmim.
Me
enfeito...
Se
chegas
cansado,
Te
deitas
no
chão
que
improviso,
São
falas...
Duas
gotas,
suado,
Meus
olhos
que
em
ti
suavizo.
Espero-te...
São
horas
incertas,
Não
bates
à
porta
que
chegas.
Minhas
mãos,
que
em
ti
fazem
festas,
São
mãos
que
em
teu
corpo
desejas.
Nas
tardes
que
a
rama
umedece,
Ao
som
que
o
fado
convida,
Nas
pautas
que
o
amor
enaltece,
Tu
dizes:
Te
quero,
querida!
À
tarde
dos
mansos
cansaços,
Com
a
noite
em
total
ascensão,
Jazes
em
mim,
perfumando
meus
braços
Com
beijos
que
beijo
em
minhas
mãos.
Eliane Triska |
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Texto concebido à poesia...
“Sonhos, prisioneiros dos altares,
Fujam ao encontro dos destinos!
Salve-se quem puder! Badalem os sinos!
Singrem, como os hinos, os sete mares"!
Escritas sem mesuras, as euforias
Riem, com as mãos, risos de afronta,
Galhofam, debochadas. Dizem: Tonta!
À quadra que se perdeu em fantasias...
Texto concebido, o que querias?
Além de uma simples poesia,
Ser mais uma utopia desgarrada?
Tolo! Encontraste foi um resto,
Legado de um velho manifesto
Que mendiga esquecido na calçada. Eliane Triska
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Toque
Eu sou aquela que, em sonhos, os amanhãs
Fazem moradas, espreguiçados no beirado.
Sou tuas mãos, como o encontro de irmãs,
Junto aos teus pés, onde caminho lado a lado.
Sou teu abrigo, o luar; sou regalia,
Como gravetos protegendo o ser no ninho.
Oh! Meu amor! Eu sou aquela que viria
Beijar, em sonhos, teus anseios de menino.
E as miríades de crepúsculos, em devaneio,
Acordam os dias que, da noite, o detrito,
Jogado ao vento, com meus olhos, o centeio.
No céu, estrelas são teus olhos que eu fito.
E é no teu corpo que o meu toque se modela,
Que veste a cor que esse amor se faz pintar.
Toco na cor, e o meu toque é essa tela
Tingindo a noite com seus raios de luar. Eliane Triska
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Veleiro da minha vida
Já tanto navegamos nesses mares,
Aconteceram traumas, incertezas.
Encostas adernaram correntezas,
Nas vagas, a ilusão teceu altares.
E, do vento nevoento, ouvi o grito
De um sonho macerado e sem futuro;
Ao sol, a garimpar, do mar escuro,
O róseo céu de um triste amor proscrito!
Veleiro! Vê meu pé sujo de barro!
Serve-te da água, lava-o, deita o jarro
E ancora no pincel da desenhista
Que pinta seu desejo em outro porto,
E dize, ao Pai Maior: Volto em agosto.
Nos ecos da escotilha: Terra à vista! Eliane Triska
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Velha árvore
Velha árvore, rapariga religiosa,
Estranha, essa tua sombra que, vadia,
Sedenta de qualquer um em qualquer dia,
Se deita no teu gozo - A milagrosa!
Pode reclamar-te a juventude?
Por que, se, na secularidade
De vida, em sacrifício à saúde,
A morte só conhece a metade?
Frondosa, ainda exibes a grinalda
Copada para a noite resolvê-la
Num noivo com um anel de esmeralda.
E a noite, que transforma tudo em igual,
Aniquila tua sombra, ao recolhê-la
Às letras, numa folha de jornal. Eliane Triska
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Voluntário à eternidade
Ser que surge das entranhas do universo,
Na lentidão do conhecer, em movimento livre,
Desprotegido, em apelos de sangrado afeto,
Infixa consciência, esperneia, chora e vive!
Sem lugar, repousa teu semblante,
Extensão inerte a percorrer cajado.
Voluntário à eternidade - nobre viajante!
Ungido de futuro - és bem-aventurado!
Parirás em terras secas e desfalecidas,
Amalgamado, sonharás outro horizonte,
E, no barro à mostra, as mãos já divididas
Serão tuas lutas, ó pássaro rastejante!
Sôfrego por amor, divides o pão,
Semeado no suor que escorre dos poros,
E as guerras que te cegam - sacra visão,
São joelhos rogados... unidos e em coros.
À noite, menino de porquês, ainda interrogas,
Com o olhar na esteira do incógnito firmamento...
Crescido de ciência, a cultura te concede a toga,
És um homem, um diploma e um sentimento.
Torturado na inquietação da pseudofinitude,
Perseguido por um deus criado em teu favor,
Nas góticas catedrais, em ritos de solicitude,
Serás dor, sucumbirás. É o amor! Eliane Triska
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Livro de Visitas

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