SEBO LITERÁRIO

autor

Gilberto Centeio Lima
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Mãe
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Mamãe Quero sentar no seu regaço E encostar a cabeça no seu peito Mamãe deixa-me chorar no seu peito O peito que me deu de mamar que me fez crescer que me fez homem deixa-me viajar ao tempo de criança Lembrar o mimo e as carícias da minha mãe Minha mamãe amiga Tornaste-me homem E homem não sou para a minha mãe Minha mãe Pureza Linda de pureza encantadora Que um dia, me viu nascer e me criou Naquela ribeira Ribeira Isabel Onde os pássaros cantavam Hinos lindos Hinos mais lindos do mundo Que ninguém até hoje decifrou Mamãe, minha mãe amiga Quero dizer-lhe Se um dia eu partir Voltarei para receber abençoa… Gilberto Lima |
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Solitário
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Vou arregaçar as mangas E caminho andar À procura algures de alguma coisa que não tem nome Na minha companhia Levo a minha caneta e o meu bloco Quem sabe aparece uma inspiração Uma inspiração de escrever alguma coisa Se calhar escrever e descrever a minha vida A vida de meus amigos E de outros amigos da minha terra Vou caminhar por um caminho diferente Diferente do caminho dos outros Para encontrar uma coisa sem nome Ao encontra-lo ou encontra-la Repartirei com ele ou ela os meus Sentimentos, amargura, revolta e amor Darei a ele ou ela o prazer e a amizade A amizade de um poeta solitário Que escreve para os outros lerem… Ao ler as minhas escrituras, Aliviará a alma dele ou dela Mas continuarei a minha caminhada solitária Vou encontrar alguma coisa Tenho que encontrar alguma coisa E darei as boas novas da minha terra! Gilberto Lima |
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ESPERANÇA
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Vou vomitar tudo o que tenho Por dentro Vou sim… Depois vou mostrar o mundo A minha dor A esperança é realmente a minha desgraça! Longe de mim uma desgraça Maior que esta desgraça Uma desgraça partilhada Tão longe e de muito longe mesmo Vi, vivi e compreendi… Que A esperança é uma desgraça Naquele momento Me deu uma vontade enorme de sobrevoar os céus Dar a volta ao mundo Gritar a minha dor e das outras gentes Clamar para o mundo mais justo Chorar para que A esperança que é minha desgraça morra Que a esperança não Seja a desgraça para mais ninguém Que a esperança seja realmente Uma esperança! Gilberto Lima |
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PATRÃO
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Quanto mais tenho Mais quero ter! Não me importo Com quem me ajudou a ter Quem me ajudou a ter abastanças Tudo quanto tenho Alguém me ajudou a ter E nada tenho sem coadjuvação de alguma pessoa… Aumentos a laboriosos! Nem pensar... Não tenho nada a ver como o poder de compra dos outros… Isto diz respeito aos obreiros Se eu pudesse, nem ócio daria aos trabalhadores… Que se trame os trabalhadores Eu quero opulência só para mim e mais nada… De resto, para mim As vindícias não têm valor nenhuns Eu sou endinheirado Se tu és nu paciência Não quero que sejas abastado como eu Quero que continues a trabalhar para mim E traga-me mais e muito mais riqueza De uma coisa sei Sem você proletário Não sou ninguém Mas aumentos de salários não… Gilberto Lima |
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Sorriso enganador
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Hoje é o dia de rir enganador É o dia de sorrir enganador Sorrir de todas e de todos falaciosos Ganhou-se mais uma vez a eleição Os números dentro da urna são válidos… Sorrisos e alegria de quem ganhou a eleição Com falso prometimento Promessas enganadoras Com distribuição de dinheiro, mentiras, propagandas e fraudes… Para eles e elas A eleição foi justa Ainda que Com partição de dinheiro, Moedas e Notas, mentiras, propagandas e fraudes Distribuição de madeiras, ferros e cimento Enfim, compra de consciência! Depois vem os observadores com esta: A eleição foi justa, pese embora algumas… Se a eleição não foi justa é porque Não houve distribuição de madeira, de ferro e de cimento De moedas e notas Depois vem os observadores com esta: Houve algumas insuficiências em algumas salas de votos Houve distribuição de moedas e notas, ferros, cimentos e madeira Mas não influenciaram os resultados Portanto A eleição foi justa… Esta é regra geral das eleições Se houver exangue As eleições são justas Se não houve enxagues, não são justas Não compreendo! Ajudam-me a compreender Os povos estão a ser governados legitimamente e com os votos populares verídicas! Esta é a democracia que os povos agoniam! Compra de consciência por um voto Por falta de um emprego! Vota-se em Notas e Moedas Caramba! Podemos chamar isto de eleições justas! Gilberto Lima |
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1º De Maio
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Coisa boa não era… Manhã fria e ventosa, para não dizer, parasita e flatulenta Naquele dia 1º de Maio Era vento e ventania a ofegar Levando consigo poeiras e poeiradas Açoitando plantas Fazendo cair as primeiras flores Aquelas flores que iriam dar frutos Uma manga, uma papaia, uma laranja, um limão, sabe lá… De facto coisa boa não era… Só faltava esta ao dia internacional dos trabalhadores Os trabalhadores Iam passando de vez em quando, um a um Com aquele ar de desassossego Por não ter reajustes salariais Enfim, Não poderiam festejar o seu dia! O custo de vida aumentou O poder de compra baixou Comemorar a festa sem dinheiro era nocivo… Nocivo não! Onde não há dinheiro, não pode haver festa! Dantes, As coisas não eram assim tão más Havia brilho no rosto dos operários Iam festejando cada um á sua maneira, ou em grupos Hoje, porém, as coisas mudaram Como mudaram as coisas… Como o tempo mudou! Assim vai-se apagar a história do 1º de Maio! E os trabalhadores vão esquecendo O verdadeiro sentido do 1º de Maio Não! Não deixem morrer o 1º de Maio! Por favor, não matem o nosso dia… E, ao passar pelo berço A cidade velha, O vento soprava Derrubava, Árvores gigantes da explanada Um, dois, três, quatro, cinco, e…até cocos caíram Mangas caídas no chão á maneira Desalento dos moradores e de agricultores Paciência 1º de Maio! Gilberto Lima |
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Tenho Sede
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Tenho uma secura Tenho uma secura sim… Tenho sede Não sei por quanto tempo vou sentir esta sede Mas sede tenho… Esquecestes de mim E fiquei com ânsia Escondes para não te ver Mas prometo procurar-te para entregar o meu coração Conheço-te como as palmas das minhas mãos Não importa quanto tempo vou procurar Mas vou Tenho sede do seu afago Das suas doces carícias Do seu amor… Não afastes de mim! Não tens de mudar para crer no meu amor Meu amor, Venha matar a minha sede! Gilberto Lima |
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O Grito da Miséria
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Que miséria Universal! Miséria daquilo que tenho e não tenho E nada tem Miséria material e não material… O meu grito de miséria É o trabalho, É a mensalidade que tenho e não tenho E nada tem Miséria de toda a casta… Eu grito a miséria Grito a miséria Da guerra e da fome Das armas e da paz no mundo… Tanta gente a passar fome! Enquanto se fabrica armas para a guerra! Que miséria… Miséria dos que trabalham e dos que não trabalham Miséria de identidade e de espiritualidade Miséria dos olhos que vê sem poder fazer nada! Oh que tanta miséria! Miséria política e sede do poder Miséria de abusos de poder Miséria das gentes que dão o poder! Oh que tanto sofrimento miserável! Gilberto Lima |
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As Más-línguas
| Algo mexe com
sentimento de outrem… Sentimento que deveria ser puro e intocável, Sentimento que se virou impuro e tocável, Por más-línguas, Más-Línguas Tal e qual, das cobras e de outros répteis Algo mexeu com aquele sentimento De um sentimento puro a um sentimento vazio e sem sentido Num circuito sem sentimento, Cruzado com inteligência contraproducente, Brigando por vezes, com sentimento e indulgência transviado Numa constante transformação da sociedade Sociedade que virou ruim, impróprio de se nela viver Um sentimento puro Um sentimento que clama o sentimento com sentido O sentimento reparado Numa sociedade de vida, de voz e de inteligência… Gilberto Lima |
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A Flor Minha Flor
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Hoje carreguei uma flor Uma flor branca de orquídea Uma rosa da roseira Uma rosa vermelha Rosa da roseira vermelha Cheirava o perfume aquelas rosas Da orquídea e da roseira As rosas eram dela Pertenciam a ela E ela sonhava com as rosas Gilberto Lima |
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