SEBO LITERÁRIO

autor

Gilberto Centeio Lima
Eis a minha terra
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Eis a minha terra Ai minha terra cabo verde Terra que me viu nascer No meu do oceano erguestes E paristes homens e mulheres Mulheres mais do que homens Terra de crioulas lindas Desaforadas e corajosas Numa terra de recursos escassos Ai minha terra De sol escaldantes De um vasto mar salgada Carregado de riquezas naturais De rochas vulcânicas deslumbrantes De paisagens linda e encantadoras Ai minha terra Terra de encantos e de morabeza Tens como capital humano o homem Como a minha terra cresceu Ai minha terra Terra dos meus sonhos e dos meus amores Eis a minha terra Cabo Verde! Gilberto Lima |
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Destino
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Filho de gente pobre De camponês da ilha do vulcão Educado e respeitado Naqueles tempos idos Que nunca mais volta atrás De pequenino, menino manso Estudou Na escalada do êxodo Seu pai rumou para Praia Maria O menino continuou a estudar Naqueles tempos idos Estudar nos liceus era quem podia mais Quem tinha os bolsos Imaginem quem não tinha os bolsos! O menino pequenino ia crescendo Tornou-se rapaz Estudante aplicado em S. Vicente Estudou com a ajuda de alguém é certo E hoje É um homem, sábio e inteligente O menino do camponês, que já não é deste mundo… Fez do mundo o seu filho Aquilo que o mundo Gosta de ter Homens sábios e inteligentes. Estrela perdida Por: Gilberto Lima Numa viagem longe e sem fim Lá por detrás do horizonte Um horizonte perto dos céus dos anjos E ao lado do mar da mulher encantada Procurei a minha estrela perdida Que um dia deixei fugir Para nunca mais voltar Algures está a minha estrela perdida Longe, muito longe Longe e atrás do horizonte Tenho vontade do seu regresso Um regresso sem dia e sem tempo Para reverá minha estrela perdida estrela perdida sai do horizonte venha volte ao paraíso dos meus sonhos Um dia, a minha estrela perdida, Apareceu em meus sonhos, falou comigo assim: Amor, voltei para nunca mais de deixar A alegria tomou conta de mim Invadiu o meu coração Por ter de volta a minha estrela perdida, O meu passado Quando acordei, voltou tudo de novo, Estrela minha Estrela sem par Estrela morena De olhos pretos como a cereja Volte para mim e traga-me a felicidade! Gilberto Lima |
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Mulher
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Mulher que ama Mulher bendita Mulher mãe Mulher incansável Mulher trabalhadeira Mulher frágil como ovo Tu que sofres e sem amparos nenhuns Carregando consigo toda a casta de sacrifícios Trabalhando dia e noite sem parar Sem remuneração e por vezes humilhada Com coração de água e beleza interior Mulher tu que servistes o homem Paristes um homem e encheu a terra És a mais fina cristalina Mulher não chore Não lamentas, Andas, porque para a frente é o caminho Na esperança de poder um dia ser realmente uma mulher!... Gilberto Lima |
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Mirar
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Olhar desviado e vagabundo… De lés a lés um olhar analítico; De norte a sul, só rebuliço… De ribeira a ribeira A fome da paz! De bairro a bairro a inquietação… Nos olhares dos outros, a tristeza e só a tristeza! Violência, violência e só violência, meu Deus! Oh que tanta barbaridade… Num mundo em que não é igual para todos… Um mundo de certezas e de incertezas Um mundo imundo, Um mundo de recursos á violência, Um mundo cego e sem luz… Um mundo deles que não é de todos! Paz… Que paz! Se de paz nada tem… Gilberto Lima |
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Sofrer
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Criatura apertadinha de fino tratamento… O que escondes no seu peito que ninguém nunca viu! O que guardes no seu interior, na sua beleza natural! Destes de tudo o que possuía e destes de tudo a alguém Alguém gozou da sua imagem e desprezou-a como limária… Almejastes ser homem e mais mulher tornou Sonhastes demais, Sofrestes demais, Gemestes demais, Porque, carregastes no peito uma grande paixão… Hoje és a vitima das vítimas, Acreditou nele, em tudo E de tudo, sem resultado algum Chorou por alguém Que não merece o pranto seu! Chocastes numa rocha e entrastes num beco sem saída, De sorte Conseguistes sobreviver e viver até o dia de hoje… Criatura a vida, muitas vezes lhe foi ingrata! Resta-lhe, pois, um amparo, o consolo e uma reza, a paciência, por seres apertadinha demais… Gilberto Lima |
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Menino
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Menino Tu que abandonas os seus pais e o seu lar. Esqueceu de estudar, E abandonou os estudos, Esqueceu dos seus amigos e irmãos! Fostes viver na rua de amargura Fostes rolar bidões Tratar peixes, Lavar carros e de tudo um pouco. Trabalho feito Recebe alguns tostões Viver na rua Cruzando com os outros Na delinquência Na droga Na prostituição e toda a casta de males Menino deixa de ser de rua Não és de rua! Volte para a casa Para o seu aconchego Volte a estudar e dê alegria aos seus A Vida De delinquência Da droga Da prostituição De conflitos com a lei Não é vida! Menino volte para o seu abrigo Os seus pais te esperam!... Gilberto Lima |
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A Poesia
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Ninguém é dono de ninguém Mas eu tenho dono, sou da poesia! Sou refém da poesia E amo o meu dono O meu dono é poesia… A poesia é meu ser Meu aconchego e meu prazer Se ninguém é dono de ninguém Eu tenho dono O meu dono tem força Tem força motriz Tem alma e coração Coração de ouro Tem o meu dono, a poesia… A poesia é tempo cruzando o nevoeiro empoeirada A poesia é tudo O que rima com a vida A poesia é a vida, A poesia é o universo do dia e noite Do sol e da lua Dos céus, dos oceanos e de todos os cantos e recantos celestial A poesia É o meu dono È minha vida… Gilberto Lima |
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Camponês
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Camponês Tu que crescestes com a gente E como gente… Tu que conheces bem a enxada E utilizastes a como caneta! E servistes da terra como sua secretária E chuva como tinta da sua caneta Outrora! Tinhas a terra A semente A enxada E a chuva Naquele tempo, Semeastes e colhestes de tudo um pouco Hoje Cansastes Embranquecestes A enxada deixou de ser a sua caneta A terra deixou de ser a sua secretaria E a chuva deixou de ser a tinta para a sua caneta Camponês Hoje colhes aquilo que não semeou E nem plantou… Colhes o que alguém plantou! Camponês! Deite uma semente na terra! Gilberto Lima |
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Recordar
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Recordar, recordar e recordar Recordar os tempos idos O tempo da procriação Aquele tempo de menino De brincar, brincar e brincar Pápá ku mámá Policia ladrón Indoli indoli Cabra cega Corrida di ovo Corrida saku Jogo di futebol ku bóla di ratadju salta córda Tacada Um por um Canequinha Tchusquema 1º avião Que tempo! Aquele tempo não volta mais Recordar, recordar e recordar As ribeiras As águas límpidas a correr nas ribeiras Naquelas ribeiras! Havia tudo Cibrão Tamborina Manga Marmelo Figo Milho verde Fava, Abobora Cana di açucar Havia tudo Hoje Recordar È voltar ao passado È voltar ao tempo De menino De criança De homens De mulheres Do campo Das limárias De tudo! Gilberto Lima |
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A minha História
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Filho de gente pobre e fina De camponês da ilha do vulcão Educado, valente e respeitado Naqueles idos tempos Que nunca mais volta atrás! De pequenino Estudou Na escalada do êxodo Seu pai rumou para praia santa maria O menino! Continuou a estudar Naqueles tempos idos! Estudar nos liceus! Era quem podia mais Era quem tinha os bolsos E imagina quem não tinha os bolsos! O menino pequenino Estudou Cresceu Tornou-se rapaz Estudante aplicado Em S. Vicente Estudou com a ajuda Dos outros é verdade E hoje ´ É um homem Sábio e inteligente O menino do pai camponês Este, Já não é deste mundo Mas fez do mundo O seu filho Aquilo que o mundo Gosta de ter Homens sábios Honestos E inteligentes… Gilberto Lima |
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