Sebo - Gilberto Centeio Lima

SEBO LITERÁRIO

autor

Gilberto Centeio Lima

 

 

 

Lume

 

Sou a brasa!
brasa que queima
e que de lume veio

Uma brasa que queima que o lume pariu
pariu o lume uma brasa
uma brasa que queima
e que lume não queima!

A brasa tem o poder de queimar
O que o lume não queima e nem queimou

A gente má é como o lume
brilha…
faz brasa e torna-se em cinza
depois de cinza
não queima!

Não importes com o lume
que brilha e não queima
com a brasa que queima
e nem com a cinza nos seus olhos

O lume é lume
a brasa é brasa
a cinza é cinza
quem criou a brasa e a cinza é o lume
Maldita seja o lume
que finge não ser mau!

Gilberto Lima

 


O Existir

 

Vejo no meu redor
as coisas do mundo
coisas boas e menos boas
vejo o vento e a sua brisa
o sol e a lua
brilhando,
o mar com os seus encantos a cantar
os céus com os seus mistérios
vejo pessoas
deambulando ali e acolá
vejo animais, arvores, plantas e flores
vejo casas, prédios e sobrados de gentes finas e abastadas
vejo guerra entre nações
guerra entre vizinhos
guerra entre famílias
guerra entre pais e filhos
enfim,
guerra por ganancia e poder
guerra sem sentido e sem razão
vejo tudo debaixo dos céus

Nada existe do que já existe no mundo…
De quem é dono
do vento-do sol-da lua-dos céus-dos mares e dos homens!
Debaixo dos céus, vejo tudo!...

Gilberto Lima

 

Democrático Revoltado

 

Ele é, sempre foi
Desde do tempo dos tugas
Desde a escravatura
e continua um ser revoltoso democrático
Ele não sabe e nem percebe
Se ele é de esquerda
Se de direita
Do centro
Da central esquerda
Ou do centro direito
Só sabe ele que é um revoltoso democrático
Por tudo aquilo que acontece
No seu sítio, no seu bairro no seu trabalho
Na sociedade onde vive e, se calhar…,
Na era da democracia!
A democracia acaba por ser culpada…ao mais alto nível,
Aqui, acolá
E em toda a parte do mundo!

Nada nasce por acaso!
Tudo é feito
Feito, planeado e bem pensado…doe a quem doer
Mesmo que ele é de esquerda ou de outro
Da mesma COR P… ou não
Não poupam ninguém
São coitados,
Os outros que, eles só lembram
Em tempo de campanha, de as águas,
De boas aguas, de pedir esmola, campanhas eleitorais, sei lá o que é…
Lembram sempre dos jovens coitados
Sem recursos
Sem amparos
Para pedir ajuda
Pedir os votos
Ganhar o poder…è o que importa, o resto é promessa e é só brincadeira!
A democracia é assim!...
Tudo vale na democracia!
Por isso
Ele é um democrático revoltado
Com tudo que os políticos criam e querem para o seu P…
Quando é que haverá
Uma democracia REAL!...

Gilberto Lima

 

O meu choro

 

Hoje tenho que chorar
Tenho que chorar
E deixar sair águas e lagrimas dos meus olhos

E os meus olhos
Jamais deixarão de sair as lagrimas
Lagrimas de um ser
Com coração
Com amor
Com pesar
Dos que sofrem e peçam auxilio

Auxílio e amparos
Das criaturas que merecem ser felizes
Merecem amor e felicidade
Merecem tudo

No jogo da vida tudo acontece
Não aquilo que queremos
Mas sim aquilo que nos é reservado
È preciso ajudar
É preciso amor em ajudar
Ajudar os que mais precisam
Esta é a razão do meu choro
A razão das minhas lágrimas!...

Gilberto Lima

 

Meu brio

 

O meu brio é quente
É afável
É tenro

O meu brio
Não tem comparação

O meu brio
É ter você no meu lado
É ter você sempre no meu lado esquerdo
O meu brio é mais do que o amor
É maior do que o temperamento

O meu brio é uma brasa escandecente
Que queima no meu ser
No meu eu…

Meu brio é mais do que a paixão
É maior que a ternura
E maior que o coração
O meu brio
É quente
É lume
Que queima
Sem deixar macuas
O meu brio
É ter o folego no peito de uma mulher amada!...

Gilberto Lima

 


O meu Silêncio

 

Um desses dias
Vou escrever uma poesia
Vou quebrar o silêncio que existe em mim…
Sim!
Vou quebrar um silêncio que existe dentro de mim!
Vou escrever uma poesia nova e sentida
Para quebrar o silêncio que existe em mim

Tenho que escrever
Sou obrigado a escrever e quebrar este silêncio

Ao escrever
Lembrarei de todas e de todos
Farei um pato com o meu silêncio
Espalharei ao mundo os meus sentimentos
Que guardei em silêncio

Serei o primeiro de entre outros
A mostrar ao mundo
o meu silêncio, através de poesia
Espero que o silêncio
Não me venha cobrar por quebrar o silêncio
Que existe em mim

Quebrarei o silêncio
Arrumarei os meus sentimentos
Espalharei a todos os cantos da minha terra
Uma poesia nova
Para todas e todos…

Gilberto Lima

 


A Promessa

 

Prometi a alguém que ia escrever
Escrever um poema só para ela

Eis aqui o meu poema:

O meu poema é uma promessa
é para valer um tesouro seu
Um tesouro que guardes no seu peito
E que ninguém viu e experimentou ver

No seu peito guardes
Aquilo que me dá a gana de viver

No seu regaço escondes
Aquilo que me dá temperamento, que me dá gosto, que me dá prazer

Quem te disse que és igual às outras
Enganam-se…

Tu és e serás sempre o meu amor, o meu farol!
A minha memória e a minha história de adolescente…
Tu és a minha preciosa!

Gilberto Lima

 


O Apaziguar da dor

Num mundo de turbulência desigual
Uma turbulência sem par

Em que tudo é igual e desigual
e nada desigual!...
Mas tudo é igual, senão desigual

Restou do nada o igual e do desigual
Ser igual ou desigual é igual a nada…

Ao perceber o igual do desigual
A turbulência é um nabo sem caracter
Desmedida senão maldita
No mundo igual e desigual
Deixou a semente das igualdades das desigualdades
E das impunidades do mundo em turbulência

Enterre as desigualdades e as impunidades
Entregue as armas e cultiva a paz
Combate a fome no mundo e dá por fim a turbulência
E assim
Apaziguar a dor!...

Gilberto Lima

 

Gente de outrora

 

De albercas ou pés descalços
de calças rasgadas e arregaçadas
conheci meus antepassados
minhas gentes de outrora

De lenços brancos alvos na cabeça
E uma caixa de tabaco na algibeira (Cancan)
Que de vez em quando iam apetitar o nariz

Ao passar
Saia sempre aquela mantenha
Entre vizinhos, conhecidos e não conhecidos
O mês de agosto era tempo de chuvas
o tempo de às águas
todos iam preparando a sementeira
e as enxadas

Todos eram convidados
num juntar de mãos (Djunta món)
ora numa,
ora noutra propriedade

Era bonito ver as plantas crescer
as plantas a desafiar e a crescer na terra

A terra que dá riqueza e toda a riqueza aos homens

chegava a altura das colheitas
colheitas do que se semeou

Era tempo de balanço das- ás aguas
Aquele ano não foi bom
Quem sabe
no próximo ano será melhor!

Gilberto Lima

 


Vida Boa

 

Deslumbrante era a vida que levava
filho de gente rica
filho de gente que podia
tinha tudo
o que ninguém ousava ter

Os outros não podiam
Eles não tinham o poder de compra

Gozava de todos e de todos
com os seus poderes

Esqueceu que um dia
a vida podia mudar!
Para ele, os pobres
eram uns miseráveis
e não mereciam sequer a sua existência

Tudo lhe parecia um mar de rosas
pois conseguia tudo o que queria
Mas esqueceu que um dia
a vida podia mudar

Um tenaz dia
por azar…
um incendio levou todas as suas riquezas

As chamas e o fumo consumiram tudo o que possuía
ficou pobre, pobrezinho…

Foi então que voltou atrás e percebeu
para quê ser rico!...Ser arrogante!...
Ter tudo hoje
E não ter nada amanhã…

Gilberto Lima

 

 

 

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