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SEBO LITERÁRIO
autor

HUMBERTO VERÍSSIMO SOARES SANTA
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NOMES DE UM SÓ NOME
Humberto Soares Santa
Quem são esses guerreiros tão medonhos,
De barba hirsuta, feios, descarnados,
Com riso alarve e dentes cariados,
Senhores do mal, usurpadores de sonhos ?
A que demónios prestam vassalagem ?
Qual a força do mal que os domina,
Adoradores do sangue e da ruína,
Diabólica versão da humana imagem ?
Os deuses com tristeza abandonaram
A corja de danados que os afastam
E que o nome de Deus, em templos, gastam
Dos Livros que com ódio deturparam.
No azul, de asas abertas os açores
Pairam sobre aqueles quatro iniciados
Que clamam pelo povo, rejeitados
P'la nova ordem, por novos valores !
Em breve o Anti-Cristo cairá.
A Luz ressurgirá da escuridão
O homem chamará ao outro irmão
E o Deus de vários nomes voltará.
Será Cristo, Alá e Jeová,
Europeu, asiático, africano,
Será judeu, cristão e muçulmano.
É isto que Deus é... e assim será !...
Cotovia-Portugal |
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NOVA LINHAGEM
Humberto Soares Santa
Olhei o meu jardim !... Ai quem me dera
Vê-lo florir de novo em muitas cores,
Respirar o perfume de mil flores !...
Sentir que nasceu nele a primavera.
Ficar perto do lago à tua espera
Sonhando com a ilha dos amores,
Com uma rosa na mão, para tu pores
Junto ao teu coração que se acelera.
Voltar à juventude e como amantes,
Ter tua boca arfando, junto à minha,
Vivermos novamente o que era dantes
Criando na nobreza, nova linha :
Eu, como rei dos prados verdejantes
E tu, das minhas flores, sua rainha !...
Cotovia-Portugal
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O ARLEQUIM
Humberto Soares Santa
Lembras-te ?... Eu era o teu Arlequim.
Tu !... com gestos de amor e de menina,
Dançavas deslizante, ó Columbina,
Ao som do meu errante bandolim.
Saltavas estrela a estrela, só pra mim,
Sorrindo a um bandolim que desafina,
Fresca, etérea, meiga e ladina
E eu cantava, no meu traje carmim.
Muito ao longe, tangeu um alaúde.
Era a Vida que entrava na comédia.
Peguei em ti , fugindo quanto pude
No cavalo do Tempo... mas sem rédea.
Hoje a comédia é farsa... não me ilude.
A farsa, quando um for, será tragédia !
Cotovia-Portugal
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O BANDOLIM
Humberto Soares Santa
Nasci num dia triste... triste....
triste !...
Fim de Outubro, outono acizentado.
Dizia a voz do vento : - vá !... resiste
!...
Não entres neste mundo desgraçado !...
As árvores gemiam, desfolhadas.
A natureza punha-se de luto.
As sementes não estavam germinadas.
Na minha aldeia, fui único fruto.
A essa hora e à espera de mim,
Num dedilhar de cordas, magoado,
Ti Vicente, tocava um bandolim
Numa sala de espera ali ao lado.
Hoje, quando visito a minha aldeia
E olho o firmamento ao luar,
Uma estrela no além faz de candeia
E eu vejo alguém no céu a me acenar.
Essa luz ilumina-me os sentidos,
Chama por mim e eu fico inebriado
Quando sinto a vibrar nos meus ouvidos
O som dum bandolim desafinado !...
Cotovia-Portugal
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O CAMINHO...
Humberto Soares Santa
Eu sou o caminho, a
verdade e a vida…
João 14-6
Após o caminhar de toda a vida,
Chegou ao fim da estrada, o ancião.
O coração parou. Com emoção,
Hesitou, por não ver qual a saída.
E agora?! – exclamou com voz dorida
- Os anjos e os arcanjos, onde estão?!
Será que o meu percurso foi em vão
E a alma que em mim foi, está perdida?
Sentou-se a descansar da caminhada
E sentiu que não estava ali sozinho.
Olhou prò infinito, para o nada,
Quando uma mão se ergueu devagarinho
E uma placa de luz foi levantada :
“Fim da estrada, início do CAMINHO.”
Cotovia-Portugal
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O CANTO DO CISNE
Humberto Soares Santa
Quem é poeta canta em sofrimento,
Qual cisne que na hora pressagia
A morte e cantando, anuncia
O doloroso e fatal momento.
Que canto é esse se te falta alento
?!...
Poeta triste... cisne em agonia !...
Porquê esse exaltar, essa fobia
Que rege o teu cantar no teu tormento
?...
No meu jardim, eu sofro e no meu canto
Rabisco um papel que me sobrou
Molhado pelas lágrimas do pranto
Que um poeta em mim, só por mim chorou.
O sol vai-me fugindo e entretanto,
Um cisne, bateu asas e cantou !...
Cotovia-Portugal |
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