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SEBO LITERÁRIO
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Isabel Cristina Silva Vargas |
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CONTOS
Pág. 2 de 7
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A
vida
e as
estações
O
sol
aparece
e
levanta
meu
ânimo.
Aquece
minha
alma
e
clareia
as
manhãs
de
minha
vida,
tão
gélidas
durante
o
inverno.
Gosto
do
sol
como
gosto
da
primavera.
Tudo
parece
mais
proporcional,
sem
exageros,
dando
a
dimensão
exata
para
as
coisas.
Temo
os
exageros.
Podem
causar
grandes
alegrias
como
também
grandes
dores.
E
estas
são
mais
intensas.
Não
conseguimos
arrancar
do
peito.
Posso
dizer
que
o
outono
também
é
belo.
Bom
de
viver,
porém
não
tem
o
encanto
e o
desabrochar
da
primavera.
Esta
é
mais
esperançosa.
Prenuncia
coisas
novas.
Induz
à
renovação.
Já o
outono
nos
dá
um
sabor
meio
amargo.
É
mais
nostálgico.
É
como
me
sinto
agora,
no
outono
de
minha
vida.
As
folhas
são
como
meus
cabelos.
Não
tem
mais
o
vigor
de
antigamente.
A
sensação
que
tenho
no
outono
é
que
coisas
piores
acontecerão.
Não
gosto
do
frio.
Assemelha-se
ao
meu
espírito
nos
piores
dias,
quando
não
consigo
antever
nada
de
bom.
Tenho
a
sensação
de
perda.
O
inverno
e o
verão,
embora
opostos
me
dão
a
idéia
de
juventude.
Ambos
são
plenos,
intensos.
Vejo
neles
os
exageros
da
juventude.
Inconseqüentes,
irresponsáveis.
Denotam
coisas
que
podem
ser
avassaladoras,
que
podem
explodir
inesperadamente.
Ao
pensar
neles
revivi
meus
anos
de
juventude.
Povoados
de
sonhos,
de
encantamento
e
também
de
incertezas.
No
verão
rememorei
a
época
em
que
não
tinha
medo
de
desnudar
o
corpo
e a
alma.
No
inverno
recordei
os
momentos
em
que
temerosa
dos
atos
praticados
ou
na
incerteza
do
futuro,
me
encolhi
com
medo
de
enfrentar
as
agruras
da
vida.
Acharei
um
momento
em
que
conseguirei
equilibrar
isto
tudo
dentro
de
mim,
sem
exageros
e
sem
medo
e
que
me
permita
apenas
viver
e
ser
feliz?
Isabel
Vargas
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Anel de pérola
Ela tinha 16
anos quando
conheceu aquele
rapaz.
Conheceu-o de
uma maneira não
convencional.
Não fazia parte
de seu círculo
de amizade- nem
da rua onde
morava nem da
escola.
Como gostava de
ler revistas,
aquelas que
denominavam
foto-novela e
estas,
geralmente,
apresentavam uma
seção de
correspondência
ela resolveu
escrever,
enviando seus
dados pessoais.
Não mencionou o
nome verdadeiro,
mas um
pseudônimo. Um
nome que
parecesse
verdadeiro.
Seria uma
brincadeira. Uma
forma de passar
o tempo, se
divertir.
Foram muitas as
cartas
recebidas.
Selecionou
algumas e passou
a responder.
No começo foi
novidade, mas
depois, passou a
ocupar demais
seu tempo que
precisava
dividir entre o
colégio, os
estudos, as
aulas de inglês,
o curso de
decoração, as
vivências em
família.
Ficou se
correspondendo
com uma única
pessoa.
Um dia, passados
alguns meses,
para surpresa
sua e da família
ele aparece para
conhecê-la.
Tinha parentes
em sua cidade.
As visitas
começaram a ser
mais frequentes.
Ele queria
compromisso
sério, namorar,
casar. Ela só
queria viver.
Sequer havia
pensado nisso.
Aliás, tinha
sim, mas a
imagem que lhe
vinha à mente de
se imaginar
casada e com
filhos tão nova,
chegava a ser
aterrorizante.
Embora o pai
fosse contra, o
namoro
continuou, as
intenções dele
sendo reiteradas
a cada encontro,
em cada
insinuação mais
intensa, nos
beijos, nas
carícias mais
ousadas. E ela,
pensando em como
sair desta
situação que
parecia cada vez
mais atrapalhada
nas ocasiões que
ele vinha em sua
cidade. Por
carta era mais
fácil mostrar
suas razões,
porque não tinha
a réplica
imediata.
Trouxe familiar
para tornar o
compromisso mais
efetivo, embora
a contragosto
dela e como o
dito cujo tinha
um sobrenome
influente,
outros parentes
dela não se
fizeram de
rogados e
retribuíram a
visita. E a teia
se formando. Ele
a cercava com
sua presença,
suas carícias
cada vez mais
insinuantes e os
demais mostrando
a vantagem de
casar com alguém
com nome e
dinheiro.
Sabia que se
dissesse não,
poderia
encontrar
resistência. Já
estava cansada
da insistência
dele em ter um
relacionamento
mais intenso.
Apesar de não
haver nada que
desabonasse a
criatura, a não
ser o fato dele
também ter
mentido o nome,
tudo o
credenciava. Já
estava na
faculdade, era
carinhoso- até
demais para quem
não estava a fim
de intimidades.
Nas férias que
ele veio trouxe
um anel de
pérola, com a
intenção
explícita, pela
simbologia nele
contida de
mostrar o quanto
estava disposto
a dar pela
companhia, pelo
compromisso ou o
que mais
desejasse, a
ponto de afirmar
todo orgulhoso
que tinha tão
boas intenções
que quando
casasse, ela nem
precisaria
trabalhar.
Faculdade para
que? Ele lhe
daria tudo que
desejasse. Não
havia
necessidade.
Mulher dele não
trabalharia.
Ela aceitou
apenas o anel.
Nunca recebera
nenhum, nem nos
seus 15 anos.
Tinha medo de
recusar e ele
fazer um drama e
a família ficar
contra ela.
Tudo que ele lhe
oferecia velada
ou claramente
ela recusava.
Embora não
revelasse já
tinha tomado uma
decisão.
Quando as férias
terminaram ele
foi embora.
Como começou,
ela rompeu a
relação.
Uma carta clara
e definitiva.
Seus sonhos e
sua liberdade
não tinham
preço.
Isabel
Vargas
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As primas
Solange e
Betina eram
primas. Pelo
lado paterno.
Isso significa,
pelo menos neste
caso, que ambas
se encontravam
só na casa dos
avós,
esporadicamente,
em dias de
aniversário.
Solange vivia
com a mãe que
trabalhava em um
hospital e a avó
materna. Não
tinha irmãos. Os
pais eram
separados.
Betina vivia com
os pais e
irmãos. A mãe
não trabalhava
fora e estava
sempre cuidando
dos três. Por
ser a mais velha
tinha a tarefa
de cuidar dos
irmãos menores.
O pai era muito
rígido. Essa era
a imagem que a
mãe passava.
Nada podia
desagradá-lo.
Solange era uma
morena linda com
pele em tom de
mel recém
colhido,
translúcido,
brilhoso. Os
olhos de um
verde mar capaz
de afogar quem
neles se
jogasse. Talvez
por não ter
consciência da
própria beleza
ela se tornasse
ainda mais
encantadora. Não
era daquelas
meninas bobas,
metidas que se
achavam a
maioral. Era
simples, alegre,
comunicativa. Às
vezes se
encontravam na
rua, em outras
Solange passava
na frente da
casa de Betina.
Sempre trocavam
algumas
palavras, por
mais rápidas que
fossem. A
simpatia era
mútua.. Mas não
andavam juntas.
Nem se
visitavam.
A diferença de
idade devia ser
de uns três anos
. Solange era
mais velha.
Talvez por
influência
materna, foi
trabalhar mais
cedo e estudar
de noite. Mal
sabia ela que
ali começaria
sua desgraça.
Faceira, agora
poderia além de
custear o estudo
,comprar algumas
coisas que toda
moça cobiçava
para se
enfeitar,
passear, ir ao
cinema, pois as
opções não eram
muitas não.
Não demorou para
Solange chamar a
atenção dos
rapazes. Se
fosse só de
rapazes
solteiros,
descompromissados
não teria
problema algum.
Estariam em pé
de igualdade,
jovens,
inexperientes,
sem manhas e sem
ardis.
O pior é que
Solange chamou a
atenção do
patrão. Mais
velho, casado,
com filhos, bem
estabelecido,
conhecido na
cidade. Mas se
só ele tivesse
ficado
enfeitiçado
seria menos
perigoso.
Ela também
provou da poção
mágica e ficou
enfeitiçada.
Tanto que ele
montou um
apartamento para
ela morar.
A mãe que vivia
em situação
idêntica na pode
cobrar outra
atitude.
A família do
pai, logo passou
a falar que a
menina tinha se
perdido. Coisa
inconcebível.
Não falavam às
claras. Era tudo
em meio tom,
meias palavras,
à boca pequena
para não
espalhar o que
já era notório,
pois isso era
pela influência
materna. Só
podia ser. Coisa
ruim sempre é de
parte do outro.
Mas Solange
apesar de
apaixonada era
lúcida e sabia
que daquela
situação não
poderia esperar
um desfecho
satisfatório.
Ou, percebeu que
o amor não
passara de um
arrebatamento de
jovem e que não
era coisa para
vida toda,
afinal estava só
começando a
descobrir o
mundo, as
sensações.
Refletiu. Era só
explicar que
tudo estava
acabado, ele
continuaria sua
vida com sua
família e ela
seguiria a dela.
Iria estudar e
trabalhar em
outro local. Não
se veriam mais e
pronto. Tudo
ficaria
solucionado.
Iria dizer isso
para ele na
manhã seguinte.
Iria embora e
seria o fim de
tudo.
E foi o fim,
quando a
vizinhança
escutou os
sucessivos
estampidos dos
tiros.
Solange ficou
ali.
Betina jamais
esqueceu a
prima.
Isabel
Vargas |
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Baruc,
o
abençoado
Baruc
é um
cão
labrador
preto.
De
uma
ninhada
de
nove
filhotes
–
todos
encantadores-
e
com
nome
iniciados
pela
letra
B,
por
ser
uma
segunda
cria,
ele
foi
o
único
que
teve
problemas
após
o
nascimento.
Fez
uma
peraltice
que
lhe
rendeu
muitos
problemas.
E a
nós
também.
Dormiam
na
garagem,
onde
colocamos
um
obstáculo
para
que
não
passassem
daquela
área
para
a
churrasqueira.
Certa
ocasião,
ao
chegarmos
a
casa,
minha
filha
e a
minha
neta
já
nos
esperavam
porque
o
controle
não
abrira
o
portão.
No
fundo,
latidos
intensos.
Fomos
de
imediato
ver
o
que
ocorrera.
Baruc
conseguira,
com
02
meses
de
idade,
transpor
o
obstáculo,
passar
por
cima
de
um
engradado
de
bebidas,
que
tinha
mais
uma
caixa
em
cima
e
ficar
de
cabeça
para
baixo,
sem
cair
nem
poder
voltar,
debatendo-se
de
modo
a
machucar
a
pata
traseira.
Tentávamos
tirá-lo
dali,
mas
não
conseguíamos,
pois
ele
ficara
com
metade
do
corpo
para
trás
da
geladeira,
onde
finalmente
caiu
enquanto
tentávamos
desobstruir
o
caminho
para
chegar
até
ele.
Para
completar
a
travessura,
entrou
no
local
onde
fica
o
motor
da
geladeira.
Após
arredar
a
geladeira,
conseguimos
tirá-lo,
meio
assustado,
meio
sujo
e
sangrando.
O
veterinário,
de
imediato
orientou
sobre
os
procedimentos
que
foram
cumpridos
à
risca.
Passados
uns
03
dias,
percebeu-se
no
lombo
dele
duas
listras
brancas
paralelas,
como
se o
couro
estivesse
cortado,
enrugado
e
sem
pelo.
Fomos
direto
ao
consultório
do
veterinário.
Constatação:
havia
uma
queimadura
feita
pelo
calor
do
motor
da
geladeira.
Já
começava
a
aparecer
inflamação.
A
região
teve
de
ser
raspada
e a
pele
tirada.
Tratamento
prescrito
para
30
dias,
com
assepsia,
medicação
e
curativos
de
manhã,
à
tarde
e à
noite.
Entretanto,
não
ficou
só
na
queimadura
não.
Com
a
imunidade
baixa,
apareceu
uma
enfermidade
que
o
tomou
por
inteiro.
Surgiram
bolas
enormes
de
inflamação,
que
ao
estourarem
deixavam
buracos
enormes
à
vista,
por
todo
o
corpo.
Perdeu
pelo
no
focinho,
ficando
o
mesmo
cheio
de
cascas.
É de
difícil
cuidado.
O
tratamento
é
intenso.
Ele
se
destacava
por
três
motivos:
pelo
tamanho
-
era
o
maior
dos
pretos
-
pela
fragilidade
que
o
acometera
em
virtude
da
doença
e
pelo
nome
forte.
De
início
meu
filho
o
escolheu
e
para
ele
passou
a
ser
o
Barucão.
Durante
todo
o
tratamento
ele
recebeu
atenção
diferenciada.
Passou
a
dormir
em
uma
cama,
dentro
de
casa,
mais
precisamente,
dentro
do
quarto,
ora
do
nosso,
ora
de
meu
filho,
ao
lado
de
sua
cama.
Como
a
cama
adquirida
não
era
fofinha,
ele
passou
a
ter
por
cama
um
travesseiro
bem
confortável.
Minha
filha
mais
velha
que
escolhera
o
nome,
chorava
com
medo
que
ele
não
resistisse.
O
trato
prolongava-se.
Certa
ocasião,
entrei
no
quarto
e
encontrei
meu
filho
deitado
no
chão,
estendido
com
a
roupa
de
trabalho,
a
acariciá-lo
e a
conversar
com
ele.
Ao
levantar
os
olhos
perguntou
minha
opinião.
Disse-lhe
que
ele
ficaria
bem.
Após
a
sua
saída
para
o
trabalho,
fiquei
a
conversar
com
Baruc,
“ao
pé
do
ouvido”,
ou
da
orelha,
como
queiram.
Resiste!
Dizia-lhe.
Resiste
porque
nós
te
amamos,
queremos
te
ver
forte,
lindo,
nos
trazendo
muita
alegria,
e
diversão
para
as
crianças
que
ainda
virão.
Era
como
se
eu
implorasse
para
ele
não
me
deixar
mal.
Afinal,
meu
marido
e eu
dizíamos
sempre
que
ele
iria
ficar
bem.
Talvez
não
tão
bonito,
mas
iria
sobreviver.
Bem
o
tempo
passou,
ele
resistiu,
venceu
a
doença.
Está
forte,
chama
a
atenção
pelo
tamanho,
pelas
manchas
que
ficaram
no
focinho,
mas
meu
filho,
lindo,
forte,
sadio,
maravilhoso,
não
está
mais
aqui
fisicamente.
Não
o
viu
crescer.
Na
véspera
do
acidente,
meu
filho
veio
para
casa
mais
cedo
e
pegou-o
no
colo.
Não
conseguiu
ficar
com
ele.
Teve
que
soltá-lo
no
pátio,
pois
ele
não
queria
ficar
em
seu
colo
e
chorava
muito.
Ninguém
entendeu
seu
comportamento.
Hoje,
cada
vez
que
ele
percebe
que
estamos
reunidos
na
cozinha,
ele
grita
desesperadamente
para
entrar
porque
sabe
que
estamos
todos
juntos.
Em
outras
ocasiões,
os
outros,
estão
na
garagem
e
ele
está
sozinho
junto
ao
portão
nos
esperando.
Enquanto
os
outros
brincam
e
fazem
uma
algazarra
danada,
ele
se
afasta
e
fica
pelos
cantos,
encostado
na
parede,
quieto.
Nós
que
não
queríamos
nenhum
cão,
estamos
com
mais
cinco,
sem
saber
o
que
será
de
nossas
vidas
-
das
nossas
e
dos
cães
-
pois
em
um
momento
de
fragilidade
emocional
como
o
que
estamos
passando,
não
tê-los
aqui
representaria
mais
tempo
livre
para
pensar,
menos
ocupação,
menos
distração
e
mais
foco
na
dor.
Como
sequela
da
enfermidade,
os
olhos
que
ficam
avermelhados
e as
lágrimas
que
correm
frequentemente
–
assim
como
as
nossas.
E
além
de
tudo,
quem
se
animaria
a
doar
Baruc,
escolhido
por
meu
filho?
Brisa
– da
minha
neta
-
Bella
e
Bruma
que
minha
filha
vai
levar
para
sua
casa
quando
a
reforma
terminar
e
Bento,
que
por
eu
gostar
tanto
dele
ia
dar
para
a
namorada
de
meu
filho?
Isabel
Vargas |
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|

|
Cena
Há
anos
frequento
este
local.
É um
bar
simples,
como
simples
são
os
habitantes
no
entorno.
Bairro
operário,
de
gente
trabalhadora
e
ordeira.
Em
geral,
os
que
aqui
aparecem
são
pessoas
conhecidas.
Não
sou
dado
a
bares,
bebida,
algazarra.
Gosto
de
uma
bebidinha
em
casa,
com
familiares,
geralmente
no
final
de
semana
para
relaxar.
Acontece,
que
a
vida
muda.
A
casa
,
antes
cheia
foi
se
tornando
solitária.
Os
filhos
crescem
vão
fazer
a
vida
nos
locais
que
encontram
trabalho
e
guarida.
Minha
filha
mais
velha
está
em
outro
estado.
O
filho
do
meio
está
na
capital
, a
menor
sim,
está
mais
próxima,
mora
na
cidade,
mas
em
outro
bairro.
Geralmente
aparece
de
15
em
15
dias,
devido
à
escala
de
folga
no
hospital.
Vem
com
marido,
meus
dois
netos.
Eu
fiquei
só,
após
a
morte
de
minha
mulher.
Não
quis
saber
de
casar
de
novo.
Estou
bem
assim.
Consigo
dar
conta
das
minha
coisas.
Simplifiquei
tudo,
dispensei
ajudante
e eu
mesmo
faço
as
coisas
da
casa.
Muitas
vezes
faço
as
refeições
no
bar,
outras
faço
alguma
coisa
que
me
apraz.
O
café,
volta
e
meia
tomo
aqui
mesmo.
É a
oportunidade
para
uma
prosa
com
algum
conhecido.
Vejo
televisão
-
que
é
maior
que
a
minha
-
olho
a
vida
que
se
desenrola.
Às
vezes
se
enreda,
até
parece
que
dá
nó
cego
que
não
dá
para
desatar
. Aí
não
entendemos
mais
nada.
É
uma
confusão
só.
Pois
é
assim
que
vejo
o
que
se
descortina
à
minha
volta
nesse
momento.
Já
vi
coisas
engraçadas,
tristes,
compreensíveis
dada
a
natureza
do
ser
humano.
Observei
de
minha
cadeira
muita
cena
de
amor,
apertos,
brigas
de
ciúme,
traições,
crianças
que
cresceram
e se
perderam
outras
que
se
ganharam
e se
tornaram
pessoas
de
bem.
Vi
crianças
criadas
só
pela
mãe,
outras
pelo
pai
e
avós.
Achei
que
já
tinha
visto
de
tudo.
Pois
não
é
que
me
enganei?
Não
sou
preconceituoso.
Nunca
fui.
Mas
tem
coisas
que
não
aceito,
uma
delas
é a
droga.
Droga
e
desrespeito
com
os
mais
velhos.
Acho
que
respeito
e
gratidão
ainda
colocam
o
mundo
nos
trilhos.
Droga,
tira
o
homem
de
si
mesmo,
da
família,
da
vida.
Por
isso,
não
posso
me
calar
diante
da
cena
que
presenciei
no
mesmo
bar
de
sempre,
enquanto
esperava
para
tomar
meu
café
de
todo
dia,
vendo
as
cenas
da
vida
real
se
desenrolarem
paralelas
às
da
novela
-
que
já
não
espanta
tanto
como
antigamente-
pois
às
vezes
me
parece
que
é
tudo
uma
coisa
só,
a
vida
e a
novela.
Não
consigo
entender
uma
comemoração
sem
pai
e
mãe
juntos-
ou
será
que
ali
tinha
um
pai
e
mãe?
Onde
ficou
a
partilha
do
bolo
com
todos?
Ou
não
havia
dinheiro
para
isso?
Mas
havia
para
outras
coisas?
Que
foi
comemorado
ali
na
minha
frente
que
eu
não
entendi?
Ou
não
houve
comemoração
e
sim
iniciação?
Que
velas
foram
acesas?
As
que
guiam
para
caminhos
de
luz,
de
alegria,
de
gozo
ou
as
que
indicam
o
caminho
da
morte,
da
dor,
do
sofrimento?
Drogas
de
forma
escancarada?
Ou
uma
queima
para
fugir
dela?
Confesso
que
estou
perdido.
Não
sei
se
choro
pelo
garoto,
se
pela
minha
impotência
e da
sociedade
de
fazer
algo
definitivo
e
contundente
para
acabar
com
as
mazelas
que
detonam
famílias
como
bomba
em
uma
tragéda
por
demais
anunciada,
presenciada
e
não
evitada.
Alguém
me
explica,
por
favor?
Livro
de
Ouro
do
Conto
Brasileiro
Brasileiro
Contemporâneo
2011
http://www.camarabrasileira.com/ouroc11-036.htm
Isabel
Vargas
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Livro de Visitas

Para
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