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SEBO LITERÁRIO
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Isabel Cristina Silva Vargas |
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Tesouros
compartilhados
Isabel
C.S.Vargas
Há
quem
pense
que
acumular
bens
materiais
seja
o
mais
importante
na
vida.
Dedicam-se
por
anos
a
trabalhar
incessantemente
para
poder
conquistar
certos
prazeres,certos
bens,
sem
se
importar
se
para
conquistar
isso
estão
sacrificando
coisas
mais
importantes.Ao
dizer
isto,
não
significa
que
não
é
correto,
saudável
e
necessário
trabalhar
com
dedicação
,
conquistar
segurança,
poder
proporcionar
à
família
e a
si
mesmo
certo
conforto.
Refiro-me
àquelas
pessoas
que
se
dedicam
exaustivamente
a
uma
coisa,
descuidando-se
do
restante
à
sua
volta
e
até
de
si
mesma,
de
sua
qualidade
de
vida,
da
qualidade
de
suas
relações,
esquecendo-se
de
cultivar
o
jardim
da
casa
e do
coração.
Assim
como
as
plantas
para
crescerem
fortes
e
saudáveis
precisam
de
cuidados,
as
pessoas
e os
sentimentos
também
precisam
de
cuidados,
de
atenção,
de
doação.
É
preciso
dividir
o
tempo
para
o
trabalho,
para
a
família,
para
o
lazer,
para
os
afetos,
para
cuidar
do
espírito.
Se
nosso
tempo
é
preenchido
demais
por
uma
coisa,
não
sobra
espaço
nem
tempo
para
as
demais.
É
preciso
ver
os
filhos
crescerem
(e
eles
crescem
rápido)
acompanhar
cada
etapa,
estar
perto
para
ver
os
primeiros
passos,
as
primeiras
palavras,
o
primeiro
dente
que
cresce
e
depois
o
primeiro
a
cair,
o
primeiro
tombo,
as
primeiras
artes,
a
entrada
na
escola,
as
festas
de
aniversário,
a
apresentação
do
balé,
o
jogo
de
futebol
do
filho,
a
festa
no
colégio,
porque
ao
nos
darmos
conta
já
está
na
festa
de
15
anos,
na
formatura,
cada
um
alçando
vôo
rumo
ao
horizonte.
Se
cada
etapa
não
for
acompanhada,
vivenciada
e
orientada
para
um
futuro
mais
seguro
e
confiante
não
haverá
chance
de
voltar
atrás.São
tempos
que
não
voltam,etapas
que
ficam
perdidas
no
passado.
A
presença,
o
apoio,
a
dedicação,
a
cobrança
de
atitudes,
a
colocação
de
limites
são
coisas
fundamentais
para
um
desenvolvimento
seguro
e
sadio,
são
suportes
para
a
segurança
emocional
futura.
São
bagagens
que
acompanham
o
indivíduo
por
toda
a
vida.
Por
isso,
mais
importante
que
encher
as
pessoas
de
bens
materiais
é
preencher
o
seu
coração,
sua
memória
de
bons
sentimentos,
de
confiança,
de
valores,
pois
estes
sim
não
se
desatualizam
não
se
desvalorizam,
não
saem
da
moda,
ao
contrário
são
tesouros
compartilhados
que
acompanham
as
pessoas
pelo
resto
de
suas
vidas. |
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Todos no mesmo
barco
Isabel C. S.
Vargas
Não navegue mais
sozinho. Não
seja
auto-suficiente.
Treine dividir o
barco de sua
vida
com seus
íntimos. Às
vezes,
carregamos os
outros, outras
vezes eles nos
carregam.
A. Cury
Sabemos que a
felicidade é
feita de
momentos. Ela
acontece ou a
encontramos
quando somos
capazes de
apreciar as
pequenas coisas
do dia a dia, de
encontrar
significado nas
entrelinhas da
rotina.
Há poucos dias,
comentávamos
sobre um
conceituado
profissional que
se afastou do
trabalho após
quarenta anos
para curtir os
netos, já que
aos filhos não
foi possível em
virtude do
intenso
trabalho. Pois o
vimos no
restaurante que
almoçamos,
justamente com a
esposa e os
netos.
Creio que neste
“curtir” os
netos que nos
identificamos
,além de
acompanhar as
etapas que não
voltam, está
embutido,
também, o nosso
desejo, ou nossa
ânsia de
imortalidade. A
impressão que
neles deixarmos,
é garantia de
que seremos
lembrados por
pelos menos duas
gerações
adiante. Que
sejam boas
lembranças,
então, pois como
diz uma frase
muito conhecida,
permanecemos
vivos no coração
daqueles que nos
amam.
Com os filhos,
porque somos nós
que temos a
obrigação de
educar, somos
rígidos, às
vezes
autoritários,
abusando até do
fator econômico
para induzi-los
a determinado
comportamento
que desejamos.
Isto acaba
pesando na
imagem que eles
formam de nós.
Às vezes esta
imagem é de
sermos
exigentes,
intransigentes
(e somos mesmo
em se tratando
de certos
valores),
parecendo
verdadeiros
carrascos
querendo educar
da forma que
achamos ser a
mais adequada
para que eles
tivessem
condições de
enfrentarem a
vida, no futuro,
e serem pessoas
íntegras,
honestas,
confiáveis,
justas e bem
sucedidas. Pois
me surpreendi em
uma conversa com
minha
neta,quando ela
disse que eu não
sou uma pessoa
braba, imagem
esta que não era
a mesma que
minha filha
fazia de mim.( e
ainda faz).
Fiquei em
dúvida, se isto
é em função do
diferente papel
com relação a
ela ou se é em
função de
mudança minha.
Na verdade, o
contato, a
troca, com
pessoas de outra
geração nos
proporciona uma
visão diferente,
olhar os
acontecimentos e
senti-los de
outra forma.
Podemos mudar e
mudar o que nos
cerca, modificar
as
circunstâncias,
propiciando
conviver de
forma saudável e
tranqüila com
gerações mais
velhas e mais
novas, com
respeito e
aceitação,
inclusive e
principalmente,
das diferentes
opiniões que
manifestam.
Na praia,
verifico,
novamente, como
podemos extrair
ensinamentos,
confirmando esta
possibilidade de
convivência
sadia entre
“diferentes”. O
mar não faz
distinção de
raça, credo,
preferência
sexual, situação
econômica, nível
intelectual,
idade, pois
crianças,
adultos e idosos
se divertem de
forma tranqüila,
alegre,
saudável,
renovando-se a
cada banho de
mar,
descarregando a
cada onda as
preocupações e
as angústias
naturais do dia
a dia,
acumuladas ao
longo do ano.
É possível,
ainda, perceber
o convívio com a
natureza de
forma simples e
generosa, dela
aproveitando o
lazer ou a
alimentação. Na
beira d’água,
sem excesso de
gente ou de
movimento, as
garças pegam seu
alimento,
despreocupadas
com as pessoas
que ali circulam
ao mesmo tempo e
que apreciam a
sua natural
elegância e
leveza.
O momento é de
paz,de
contemplação,
pelo que nos
sentimos gratos
e ...FELIZES.
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Vale
a
pena
cultivar
o
bom
humor
Isabel
C.S.Vargas
O
excesso
de
afazeres
diários,
a
competição
no
trabalho,
problemas
financeiros,
de
saúde,
próprio
ou
de
familiares,
desajustes
afetivos,
desemprego,
violência
urbana
são
alguns
motivos
causadores
de
estresse,
mau
humor
e
enfermidades
sérias,
em
decorrências
disto.
Como
enfrentar
estes
dissabores
e
ainda
ter
bom
humor?
Vale
ressaltar
que
ter
bom
humor
não
é
compor
um
tipo
sarcástico,
não
levar
nada
à
sério,
ficar
só
caçoando
das
pessoas
ou
contando
anedotas.
Estudos
na
área
médica
comprovam
ser
o
bom
humor
e o
riso
importantes
auxiliares
no
tratamento
de
enfermidades
bem
como
na
prevenção
delas.
Muito
riso
libera
hormônio
que
dá a
mesma
sensação
de
bem
estar
proporcionado
por
atividade
física.
Em
virtude
disto
já
surgiram
grupos
que
atuam
em
hospitais
trabalhando
com
a
terapia
do
riso,
como
auxiliar
no
tratamento
e
recuperação
de
crianças
enfermas.
Vale
a
pena
ressaltar
que
bom
humor
não
é
compor
um
tipo
sarcástico
ou
não
levar
nada
a
sério,
ficar
só
caçoando
dos
outros
ou
contando
anedotas.
Vai
além
disto.
Pessoas
tristes,
depressivas,
angustiadas,
aquelas
que
guardam
mágoas,
rancor,
podem
com
esta
atitude
baixar
a
imunidade
do
organismo
e
com
isto
ficarem
mais
vulneráveis
ao
desenvolvimento
de
doenças
graves.
Profissionais
altamente
competitivos,
com
acúmulo
de
cargos
e
funções,
incapazes
de
usufruir
de
folgas,
de
relaxar
também
são
sérios
candidatos
a
desenvolverem
certas
patologias.
Diversos
estudos
com
indivíduos
de
atividades
e
gostos
diferentes
comprovam
que
aqueles
que
possuem
mais
capacidade
de
desenvolver
o
bom
humor,
tendem
a
viver
mais
e
com
melhor
qualidade
de
vida.
O
bom
humor
é
uma
característica
das
pessoas
que
vivem
de
maneira
mais
leve,
cultivam
atitudes
de
cortesia,
gentileza,
são
hábeis
em
desenvolver
emoções
positivas,
recordam
com
mais
freqüência
os
momentos
bons
que
vivenciaram,
procuram
transmitir
serenidade
e
esperança
para
aqueles
com
quem
convivem.
São
pessoas
que
tem
atitude
positiva
diante
dos
pequenos
– à
vezes
nem
tão
pequenos-dissabores
do
dia
a
dia,
que
procuram
cercar-se
de
pessoas
que
apresentem
tipos
de
comportamentos
positivos,
que
não
ficam
só
falando
de
problemas,
tragédias,
medos,
e
que
conseguem
perceber
o
lado
mais
claro,
mais
positivo
ou
mais
divertido
das
situações
vivenciadas.
Não
é
por
acaso
que
a
paródia
mostra
o
outro
lado
do
drama.
Há
dados
que
apontam
para
o
desenvolvimento
de
câncer
por
pessoas
altamente
negativas,
fechadas
em
si
mesmo,
taciturnas
e
deprimidas.
Em
contrapartida
outros
indicam
que
o
riso,
a
exteriorização
de
alegria,
felicidade,
manifestações
positivas
diante
de
acontecimentos
vivenciados
reduzem
o
estresse,
aumentam
a
criatividade,
reduzem
a
dor,
a
pressão
sangüínea
e
aumentam
a
imunidade.
Assim,
vale
mais
apostar
no
sorriso,
na
leveza,
na
tolerância
e na
alegria
para
viver
mais
e
melhor. |
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Vendo
a
vida
diferente
Isabel
C.
S.
Vargas
“Lamentar
uma
dor
passada,
no
presente,
é
criar
nova
dor
e
sofrer
novamente”.
W.Shakespere
Há
dois
textos
que
me
chamam
a
atenção.
Um é
o
poema
de
Jorge
Luiz
Borges
denominado
Voltar
a
Viver
e o
outro
da
música
Epitáfio
dos
Titãs.
Ambos
falam
de
coisas
que
deveriam
ter
sido
feitas
e
que
teriam
trazido
mais
satisfação
para
as
pessoas,
tornando-as
mais
felizes.
O
poema
fala
com
muita
sensibilidade
das
coisas
que
fazemos,
como
ter
preocupações
e
cuidados
em
excesso,
querendo
tudo
de
modo
certinho,
sem
imprevistos,
dentro
de
um
cronograma
ou
plano
por
nós
montado,
sem
nos
darmos
conta
que
os
imprevistos
podem
servir
para
desenvolver
a
criatividade.
Fala
dos
medos
de
enfrentar
o
inesperado,
de
cometer
erros.
Ambos,
entretanto,
são
instrumentos
de
aprendizado
e
crescimento.
Com
esta
maneira
diferente
de
encarar
a
vida,
fazendo
de
tudo
algo
positivo,
os
momentos
felizes
seriam
multiplicados
e a
vida
mais
plena.
Tanto
o
poema
quanto
a
música
falam
da
importância
do
contato
com
as
coisas
simples,
do
contato
com
a
natureza,
da
vida
sem
máscaras,
sem
aparatos,
sem
supérfluos,
do
equilíbrio
entre
trabalho
e
lazer,
da
aceitação
do
outro,
sem
querer
modificá-lo,
do
aprendizado
tanto
com
o
que
é
bom
quanto
com
os
dissabores,do
valor
de
ver
e
sentir
a
vida
como
uma
criança,
ou
seja
de
forma
desarmada,pura,sem
maldades,tramas
ou
qualquer
outro
sentimento
mesquinho.
Ambos
servem
para
uma
parada
para
refletir,
bem
como
são
úteis
para
abrir
os
olhos
de
todos
que
tem
medo
de
se
desacomodar
e
inovar.
Não
tratam
o
assunto
em
tom
de
lamentação,
mas
de
constatação.
Lamentações,
arrependimentos
são
atitudes
ruins,
visto
que
não
vão
modificar
o
que
já
passou,
pois
trazem
para
o
presente
mágoas
e
ressentimentos.
O
enfrentamento
com
o
que
passou
só
tem
sentido
quando
é
para
conscientizar
que
é
preciso
superar
o
que
passou,
perdoar-se,
perdoar
os
outros,aceitar
e
procurar
corrigir
as
falhas
ou
erros
cometidos,
agir
no
presente
de
maneira
a
canalizar
as
energias
positivas
para
o
instante
presente,
para
edificar
um
futuro
mais
promissor,
baseado
em
atitudes
saudáveis
no
aqui
e
agora.
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