SEBO LITERÁRIO

 

 

Isabel Cristina Silva Vargas

 

 

 
TRABALHO DIDÁCTICO
ARTIGO MONOGRÁFICO
ANÁLISE DO DISCURSO
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Conclusão


  O nosso trabalho teve, em seu desenrolar, o propósito de mostrar de que forma ocorre a veiculação de saberes provenientes do interdiscurso e sua materialização no intradiscurso, através do cruzamento entre duas FDs antagônicas, bem como identificar de que forma se dá a persuasão no discurso publicitário através da análise.
  O caso em análise envolve especificamente saberes característicos da formação discursiva cristã cruzados com saberes de outra ordem, como desejo, sedução, luxúria, prazer, poder, beleza física, valorização do corpo da mulher como instrumento de realização, poder e felicidade, os quais, fazendo parte da FD da sensualidade e sedução, se contrapõem diretamente à formação discursiva cristã.
  Ao longo do trabalho, procuramos definir os conceitos da AD a serem trabalhados para melhor entendimento. Vimos que a propaganda, ao lidar com o complicado conjunto de valores, interpela o interlocutor para vender produtos, apelando para um jogo de representações e imagens, disfarçando-se com uma simulação de benfeitor, mostrando ao consumidor-beneficiário uma face positiva, escondendo assim o aspecto característico da sociedade capitalista-o consumo.
  O sujeito interpelado adere ao consumismo com a intenção de saciar o desejo, seduzido pelas argumentações habilmente feitas pelo sujeito discursivo, através do que se denomina formações imaginárias, as quais, como já foi mencionado, permitem que o sujeito discursivo se coloque no lugar do sujeito interpelado, ou interlocutor, prevendo as suas necessidades, o seu desejo e sua reação.
A propaganda atua na esfera do imaginário. É um elemento fundamental de persuasão e sedução. Como está lidando com o imaginário, ela vende não só o produto, mas aquilo que ele significa ou representa levando em conta o momento social, histórico e as vivências do sujeito. A propaganda se serve de valores que reforçam a ascensão social, o desejo, o prazer, o poder, a sexualidade.
  O homem, naturalmente um ser desejante conforme demonstramos no trabalho, é interpelado por toda uma gama de informações que se “encaixam” naquilo que ele acha que é capaz de satisfazer seu desejo latente interpretado pelo interlocutor como necessidade, desejo este amenizado pelo consumo, nunca saciado completamente e em definitivo.
A Duloren utiliza, desde 1994, traz em suas campanhas publicitárias, valores que se traduzem em imagens e textos de caráter polêmico, sustentadas no questionamento de valores religiosos na independência da mulher, na sedução, na roupa como elemento de fetiche. A Duloren, em nosso entendimento, busca atender ou satisfazer a procura pelo prazer buscada nas relações de consumo.
  A propaganda mostra desta forma algo novo, fora do consagrado e que por isso mesmo chama a atenção, pois sai do convencional, no momento em que apela para a negação de saberes religiosos que valorizam o sagrado, o imaculado, seres angelicais, ausência de sexo e de prazer a não ser aqueles vinculados ao cumprimento de preceitos sagrados, com o intuito de fazer valer os saberes da FD da sensualidade e sedução e vender roupas íntimas femininas como elemento capaz de proporcionar satisfação de necessidade, sexo, prazer, poder, luxúria, ou seja, tudo aquilo que é condenado pela formação discursiva religiosa e valorizado por aquela FD.
  Como já dissemos no trabalho, esta proposta teve o intuito de interpelar o interlocutor de forma marcante, ao utilizar os saberes religiosos cristãos, antevendo através das formações imaginárias o estranhamento, face à utilização de tais saberes tão antagônicos ao proposto pelo sujeito discursivo. Como há discursos mais valorizados do que outros, em função dos papéis sociais desempenhados, a utilização de saberes do discurso religioso que tem mais peso, ou maior relevância no contexto social, mesmo que negados, conferem àquele que a ele se contrapõe, a mesma ou maior importância.
  Gostaríamos de reafirmar o que foi dito no início do trabalho de que a AD não é um campo fechado e que está ligada à história, ao momento social e à ideologia. Assim tal procedimento por nós realizado não se esgota no que apresentamos. Diz Orlandi que a “relação com a linguagem não é jamais inocente, não é uma relação com evidências e poderá se situar face à articulação do simbólico com o político” (2007, p.95).
  Como sujeitos, estamos todos, portanto assujeitados ao simbólico e ao político, que serão determinantes na nossa maneira de ver, sentir, interpretar, nos posicionarmos e realizarmos a análise, decorrendo disso a produção de sentidos.
 

 

 

Livro de Visitas

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