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Conclusão
O nosso trabalho teve, em seu desenrolar, o propósito de mostrar de que
forma
ocorre
a
veiculação
de
saberes
provenientes
do
interdiscurso
e
sua
materialização
no
intradiscurso,
através
do
cruzamento
entre
duas
FDs
antagônicas,
bem
como
identificar
de
que
forma
se
dá a
persuasão
no
discurso
publicitário
através
da
análise.
O caso em análise envolve especificamente saberes característicos da formação
discursiva
cristã
cruzados
com
saberes
de
outra
ordem,
como
desejo,
sedução,
luxúria,
prazer,
poder,
beleza
física,
valorização
do
corpo
da
mulher
como
instrumento
de
realização,
poder
e
felicidade,
os
quais,
fazendo
parte
da
FD
da
sensualidade
e
sedução,
se
contrapõem
diretamente
à
formação
discursiva
cristã.
Ao longo do trabalho, procuramos definir os conceitos da AD a serem trabalhados
para
melhor
entendimento.
Vimos
que
a
propaganda,
ao
lidar
com
o
complicado
conjunto
de
valores,
interpela
o
interlocutor
para
vender
produtos,
apelando
para
um
jogo
de
representações
e
imagens,
disfarçando-se
com
uma
simulação
de
benfeitor,
mostrando
ao
consumidor-beneficiário
uma
face
positiva,
escondendo
assim
o
aspecto
característico
da
sociedade
capitalista-o
consumo.
O sujeito interpelado adere ao consumismo com a intenção de saciar o desejo,
seduzido
pelas
argumentações
habilmente
feitas
pelo
sujeito
discursivo,
através
do
que
se
denomina
formações
imaginárias,
as
quais,
como
já
foi
mencionado,
permitem
que
o
sujeito
discursivo
se
coloque
no
lugar
do
sujeito
interpelado,
ou
interlocutor,
prevendo
as
suas
necessidades,
o
seu
desejo
e
sua
reação.
A
propaganda
atua
na
esfera
do
imaginário.
É um
elemento
fundamental
de
persuasão
e
sedução.
Como
está
lidando
com
o
imaginário,
ela
vende
não
só o
produto,
mas
aquilo
que
ele
significa
ou
representa
levando
em
conta
o
momento
social,
histórico
e as
vivências
do
sujeito.
A
propaganda
se
serve
de
valores
que
reforçam
a
ascensão
social,
o
desejo,
o
prazer,
o
poder,
a
sexualidade.
O homem, naturalmente um ser desejante conforme demonstramos no trabalho,
é
interpelado
por
toda
uma
gama
de
informações
que
se
“encaixam”
naquilo
que
ele
acha
que
é
capaz
de
satisfazer
seu
desejo
latente
interpretado
pelo
interlocutor
como
necessidade,
desejo
este
amenizado
pelo
consumo,
nunca
saciado
completamente
e em
definitivo.
A
Duloren
utiliza,
desde
1994,
traz
em
suas
campanhas
publicitárias,
valores
que
se
traduzem
em
imagens
e
textos
de
caráter
polêmico,
sustentadas
no
questionamento
de
valores
religiosos
na
independência
da
mulher,
na
sedução,
na
roupa
como
elemento
de
fetiche.
A
Duloren,
em
nosso
entendimento,
busca
atender
ou
satisfazer
a
procura
pelo
prazer
buscada
nas
relações
de
consumo.
A propaganda mostra desta forma algo novo, fora do consagrado e que por
isso
mesmo
chama
a
atenção,
pois
sai
do
convencional,
no
momento
em
que
apela
para
a
negação
de
saberes
religiosos
que
valorizam
o
sagrado,
o
imaculado,
seres
angelicais,
ausência
de
sexo
e de
prazer
a
não
ser
aqueles
vinculados
ao
cumprimento
de
preceitos
sagrados,
com
o
intuito
de
fazer
valer
os
saberes
da
FD
da
sensualidade
e
sedução
e
vender
roupas
íntimas
femininas
como
elemento
capaz
de
proporcionar
satisfação
de
necessidade,
sexo,
prazer,
poder,
luxúria,
ou
seja,
tudo
aquilo
que
é
condenado
pela
formação
discursiva
religiosa
e
valorizado
por
aquela
FD.
Como já dissemos no trabalho, esta proposta teve o intuito de interpelar
o
interlocutor
de
forma
marcante,
ao
utilizar
os
saberes
religiosos
cristãos,
antevendo
através
das
formações
imaginárias
o
estranhamento,
face
à
utilização
de
tais
saberes
tão
antagônicos
ao
proposto
pelo
sujeito
discursivo.
Como
há
discursos
mais
valorizados
do
que
outros,
em
função
dos
papéis
sociais
desempenhados,
a
utilização
de
saberes
do
discurso
religioso
que
tem
mais
peso,
ou
maior
relevância
no
contexto
social,
mesmo
que
negados,
conferem
àquele
que
a
ele
se
contrapõe,
a
mesma
ou
maior
importância.
Gostaríamos de reafirmar o que foi dito no início do trabalho de que a AD
não
é um
campo
fechado
e
que
está
ligada
à
história,
ao
momento
social
e à
ideologia.
Assim
tal
procedimento
por
nós
realizado
não
se
esgota
no
que
apresentamos.
Diz
Orlandi
que
a
“relação
com
a
linguagem
não
é
jamais
inocente,
não
é
uma
relação
com
evidências
e
poderá
se
situar
face
à
articulação
do
simbólico
com
o
político”
(2007,
p.95).
Como sujeitos, estamos todos, portanto assujeitados ao simbólico e ao
político,
que
serão
determinantes
na
nossa
maneira
de
ver,
sentir,
interpretar,
nos
posicionarmos
e
realizarmos
a
análise,
decorrendo
disso
a
produção
de
sentidos.
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