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SEBO LITERÁRIO



POESIA
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QUANTAS VEZES
© Joaquim Marques
Quantas vezes procuro e não te encontro
naquele banco de jardim, que foi nosso
e hoje é só meu...
Ao passar a mão no teu lugar vazio
sinto um certo calafrio
E fico a pensar, se quem errou...
Terias sido tu, ou eu!...
Meu olhar mofino vagueia no espaço
contemplando uma árvore
que por perto, se encontra
em seu período outonal,
despida de toda a sua folhagem
que, durante o estio, lhe dava
maravilhosa aragem!
Também ela, num aspecto lúgubre,
veio compartilhar
na minha angústia
deixando projectar
através da ténue luz de um sol
no seu ocaso,
a sombra de seu tronco nu...
Que, mal se vê...
Mas que, mesmo débil,
ocupou o lugar
vazio...
Deixado por você!
© Joaquim Marques
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RECADO DE NATAL
©Joaquim Marques
Neste mundo tão perturbado
quero deixar aqui meu desejo em forma
de recado...
Assim:
Queria que fosse Natal para todos e não só
para mim...
Queria também que, dos lados de Belém,
viesse uma luz resplandecente
que entrasse na minha casa e na de
toda a gente.
Que essa luz dissipasse brumas de tristezas
e levasse a todos alegrias
e pão a suas mesas.
Queria que almas amordaçadas pelo algozes
da escravidão
pudessem gritar ao mundo em alto tom
o sofrimento a fome a nudez
de que são vítimas.
Que acabassem de uma vez
com tanto aviltamento....
Creio que se esse grito
fosse ouvido por todos os
que têm bom coração...
Afinal...
todos os dias poderia
ser Natal...
E haver Paz Amor e Pão.
Para que isso aconteça,
como bons cristãos,
unamos todos as mãos
e, estou certo
que, Jesus nos olhará
e sorrirá lá do céu
como sorriu...
No dia em que nasceu.
© Joaquim Marques
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RECORDANDO BOCAGE
© Joaquim Marques
Tiveste infância dura e mesmo assim
Como marinheiro, serviste Portugal
Mas tua rebeldia te levou a um fim...
Sendo punido por Lei inquisitorial!
Além de poeta astuto, eras audaz
Com sagacidade, sátiras escrevias
E nas entrelinhas, de maneira mordaz
Deixavas transparecer tuas ironias...
Te consideraram, pela Lei vigente
"Desordenado nos costumes" de então
Preso em calabouço qual delinquente
Acabaste entregue à inquisição!
Enclausurado viveste num convento.
Sereno, foste cumprindo teu suplício
Entre monges, mudaste teu comportamento
E foste redactor no Real Hospício!
Já em liberdade, foste tradutor.
Trabalhaste para um frade brasileiro
Que, solidáriamente e com fervor
Expandiu teus trabalhos p'lo mundo inteiro
Se na vida, a poesia foi carisma...
Nem sempre a vida foi tua consorte.
Deu-te como galardão um aneurisma
Que bem cedo, te conduziu à morte!...
© Joaquim Marques
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RIO POLUÍDO
© Joaquim Marques
Que água barrenta, corre neste rio
É terra dos montes, que a chuva arrastou
E as flores dos campos, consigo levou;
Nos vales, agora, é só neve e frio.
O Estio se foi e, o calor ardente
O acompanhou! Mudaram os tempos
E para o povo, os contratempos…
Tão logo apareceram, num repente.
A ordem no tempo já é conhecida
Mas as pessoas, o mundo postergam
E o céu, parece, tudo ignorar…
As opiniões são tão esbatidas…
Que nossos olhos apenas enxergam
Nas águas do rio, cinzas a boiar…
© Joaquim Marques
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Livro de Visitas

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