SEBO LITERÁRIO

autor
|
|
RELÓGIO MARCA A HORA
| Minha consciência tem noção Do dever e das prioridades. Quando no mar há tempestades Aporto e faço amarração... Olho o céu e com esperança Vou vendo as horas passarem. Quando as ondas acalmarem Logo aparece a bonança... O relógio marca a hora E a cadência da vida... Na chegada e na partida O tempo sempre aflora... É no permeio das duas Que o tempo se atravessa. Ao sentir saudades tuas... Eu zarpo, bem mais depressa Joaquim_Marques |
![]()
ROSA PRENDADA
| Esse
jardim gigante com que sonhas... Plantar no céu, eu pretendi; Para que em êxtase pudesses contemplar, Não só... As mais belas e odoríferas flores... Mas, em eternas... Primaveras, Poderes ter-me sempre junto a ti. Ao pedido a Deus, feito por mim, Não tardou a resposta, Que dizia assim: Meu filho: no céu, Te darei tudo aquilo Que mereceres Mas tu, vives no éden. Paraíso... Onde poderás cultivar quantos Jardins quiseres... Precisas só acreditar, e teres fé Para venceres! Acreditei, sem vacilar, no que Deus me Transmitiu. Os jardins do meu passado Onde já só flores murchas existiam... Tudo abandonei. Porque num lugar paradisíaco... Encontrei O sítio certo, para construir meu canteiro... Onde, hoje, cultivo as mais variegadas flores. Mas... apenas por uma, sinto predilecção. É uma rosa vermelha, aveludada... Tão querida... Que, no amanhecer de cada Primavera, Aparece coberta de rocio... Resquício duma noite fria. À medida que o sol vai aquecendo a Terra, De cada pétala dessa rosa Vão escorrendo, suavemente, As gotas desse rocio... Que, mais parecem lágrimas De alguém... Carente de amor. Esse amor... Sempre o terás Minha rosa aveludada!... Não careças de amor! Porque eu sou teu jardineiro... Por mim serás cuidada... Como A rosa mais prendada! Joaquim_Marques |
SAIA DO TOM
| Sempre é bom mudar de tom Mas nem sempre se consegue Porque os acordes da vida... Numa harmonia exigida... Nos deixam de bolsa leve! Sempre afino com carinho Meu violão já cansado... Mas se quebra alguma corda Lá se vai o tom da moda... E volto ao tom do passado! Em pé de dança não entro Pro tom não desafinar... Sento e escrevo um poema Que exponho em teorema Pra quem o quiser dançar! Joaquim_Marques |
![]()
SEGREDOS DE PRIMAVERAS
| Quando em noite de luar Sentados à beira mar Em meu ouvido sussurravas; Segredos de Primaveras Que apenas eram quimeras De sonhos que tu sonhavas! O cheiro da maresia Que a brisa até nós trazia Como perfume ficava; Impregnado em teu rosto Do sal, eu sentia o gosto Quando teus lábios beijava! Lá do alto a lua cheia Com seu clarão permeia A evolução das águas; E as ondas pratedas Felizes por ser beijadas Levavam as tuas mágoas! Olhei os teus olhos negros Escuros como rochedos Que banhados p'lo luar; Refletiam belos sonhos De certo modo bisonhos Na sua forma de amar! Nessa longa madrugada Amaste e foste amada E ao partir me disseras; Pra esquecer o que contaste As quimeras que sonhaste Em passadas Primaveras! Joaquim_Marques |
![]()
SEMPRE ESTAREI CONTIGO
| Nunca estarás só, meu filho, porque eu Pai extremoso, estarei sempre contigo Meu coração está sempre junto ao teu E, quando eu partir, o teu, levo comigo! És o cravo mais distinto em meu jardim Enquanto eu viver, serei teu jardineiro Com lágrimas te regarei até ao fim… Depois… Outros cuidarão do teu canteiro! Tenho fé que serás tratado com carinho Por anjos, a quem Deus confiou nobre missão Que, creio, jamais cairá em omissão… Enquanto viver, meus carinhos serão teus Mas quando chegar a hora da partida… Onde me encontrar - pedirei por ti - a Deus! Joaquim_Marques |
![]()
SER PAI
| Pai, não é um qualquer! Tem que ser
diferente De todos os demais que não o sabem ser!... E, mesmo não o gerando em seu ventre Ele é semente que outra vida faz nascer! Ao ver desabrochar uma tão bela flor Enlevado, passa a ser o jardineiro... Regando dia a dia seu jardim d'amor A faz crescer no seu lindo canteiro! Essa vida que o pai tornou fecundo É a obra artesanal que dá ao Mundo Com o dedo de Deus no retoque final! Ser pai é dar pão, amor, saber sofrer. Na batalha da vida, ser herói General... Por a vida dum filho, se preciso morrer! Joaquim_Marques |
![]()
TAMBÉM FUI MENINO
| Eu lembro o tempo em que fui menino! Brinquei, corri, saltei, usei arteirices,,, Tive carrinhos, tambores e um violino; Muita vez tive, também, minhas perrices! Mas o tempo foi passando e eu cresci! O direito a meus brinquedos fui perdendo Os bibes que usava, não mais os vesti; Já não me serviam porque fui crescendo! Mas nem tudo na vida foi perdido! Algo ficou da minha mocidade... Que o tempo jamais poderá apagar! Numa singeleza, vivo a esperança... De com coisas novas poder inda brincar Como brincava nos meus tempos de criança! Joaquim_Marques |
![]()
URGE!...
| Não posso viver nesta ansiedade Que dia a dia corrói meu coração Preciso enfrentar a realidade Pra qu'ele palpite sem perturbação Sob emoção nem sempre o que se diz É axioma daquilo que se pensa Há muita gente que se arvora em juiz Antes que o juiz lavre a sentença É fácil destoar por meras fantasias Sinónimos míticos de imaginação Caprichos que jamais atendem a razão Urge curar leves cicatrizes d'alma Serenar paulatinamente meu coração Para que em mim volte a reinar a calma Joaquim_Marques |
![]()
V E N T O
(Sextilhas)
| Vento que fustigas montes Que fazes chorar as fontes Quando sopras suas águas; Elas se agitam com medo E te confiam em segredo O porquê de suas mágoas. Se surges do lado Norte O teu ventar é tão forte Que às vezes viras tufão; Numa fúria sem aprumos Desatinas e sem rumos És caos e devastação… Ao vires do quadrante Sul Nuvens brancas céu azul És sereno e bonançoso; Mas se o tom é cinzento Lágrimas de sentimento Vertes, em tom copioso... No teu bramir retumbante Em teu ecoar constante És supremo, majestoso; Porém deixas esperança De nos doar a bonança Do teu lado carinhoso. És o ar que alimenta A vida que nos sustenta Brisa que aproveitamos; Pra levar os nossos beijos Os carinhos, os desejos Aqueles a quem amamos. Joaquim_Marques |
![]()
VEREDAS QUE SE CRUZAM
| As veredas que piso Sempre me levam aos cruzamentos Certos!... Mesmo caminhando sobre Areias escaldantes Dos desertos Calcorreando caminhos Vacilantes Em noites tenebrosas sem estrelas Sem luar Onde a escuridão e o nevoeiro Formam sombras que mais parecem Paredes querendo barrar Todo e qualquer atalho Que me possa levar Ao cruzamento certo!... Não desisto! Persisto! Viandante das veredas que piso Lutando contra todas as intempéries Desfavoráveis... Nada me faz recuar! Porque sei, o cruzamento certo ir encontrar! É lá, o ponto... Do nosso encontro! Joaquim_Marques |
![]()
VIAGEM UTÓPICA
|
Calcorreou veredas que foram quimeras Atingiu desertos, vislumbrou miragens De oásis, onde sempre se espera Água e sombra em quaisquer viagens! Os oásis eram simples utopias Onde água era pura ilusão... As sombras eram meras fantasias Não dando sequer abrigo ao coração! Ao olhar pra trás viu que por ali não era O caminho certo que leva à salvação Aquele lugar, que sempre se espera... Era apenas quimera, simples ilusão! Pegou na bagagem e sem perder o prumo Entrou num atalho, seguiu novo rumo!... Joaquim_Marques |
![]()
![]()
Registre sua opinião no
Livro de Visitas: