Clamores Silentes

X PARTE (ÚLTIMA)




Ser

Da minha árvore

Não quero ser apenas

O ramo a balançar.

Eu quero ser a flor,

A flor que gera o fruto,

O fruto à alimentar

E dar nova semente

Que em outros frutos

Irão se transformar.

Continuidade....

Para a eternidade,

Espécie fundamental,

Transcendental,

Gente!




Ter para ser



Toda a vida humana em que vivemos

Se acha imersa no afã de possuir

Do ser, do ter e do poder.

Nesta febre hidromania insaciável

Quase pode se dizer que imutável,

De tornarmo-nos ricos ou burgueses

Podendo se afirmar que muitas vezes

Aí se dá origem a competência

No ter como meio de poder


Quando, na verdade se põe a reticência

Nos males que abafam as consciências

E carcomem as entranhas de seu ser.

Cristo revelou ao mundo então

Algo assim como irreal e inaudito

Algo concreto, lúcido e profundo

Que pode-se ser, sem nada ter,

Quando desnudo, na cruz domina o mundo

Com uma nova maneira de poder!

Para nós, homens, que pensamos muito aquém

Do pensamento do Cristo onipotente,

Parece inviável e ininteligível

Esta nova maneira indescritível

De se ser grande, quando nada se tem!



Utopia realizável



Nesta visão profunda de mundos que se chocam, um apelo se faz ecoar e neste associo-me ao que diz o Irmão Dealmo Lunkes: “Que cada pessoa não tenha um horizonte limitado à sua realidade pessoal, familiar ou só de sua comunidade. Mas que seja alguém inserido nas realidades do mundo presente e do futuro, com um horizonte sempre aberto à comunidade maior, a sociedade global, sobretudo aberto à eternidade...” Assim sendo, reafirma o pesquisador e professor em educação inclusiva, Rodrigo Smolareck: Ecoamos por uma prática pedagógica e catequética que universalize o conhecimento, permitindo ao sujeito tornar-se protagonista de sua própria história, proporcionando momentos reflexivos que contribuam crítica e democraticamente para a transformação social, para a queda de um poder opressor que desmantela a dignidade humana. Deve isso ser a grande utopia possível e acrescenta: “Somos todos, os pedagogos, forças vitais em busca de complementação, realização plena. E este sonho só será realidade quando nos integrarmos em uma ação conjunta, idealizada por muitos...” Porém, se o cansaço e a descrença permearem no seu íntimo, procure lembrar um famoso dito de Paulo Freire: “A educação não é neutra; ou estamos do lado do oprimido ou contra ele”. É o desafio. Façamos a nossa escolha! “A cada um pedirei conta de seu irmão” (Gên 9:5): veneração e amor pela vida dos outros. A Encíclica Papal Evangelium Vitae diz: A vida humana é sagrada e inviolável. O escritor Felipe Aquino escreveu muito sobre o reconhecimento da grande obra de Deus Pai e os verdadeiros valores para a nossa vida agora, aqui na terra e na eternidade. E nos fez lembrar que o tempo que Deus nos concede neste plano é preciosíssimo; cada minuto da nossa vida terrena terá o seu correspondente na eternidade, isto é, na construção da vida definitiva. Nossa vida na eternidade será um desabrochar pleno em Deus que é o Deus da vida, aqui e lá. Nossos dias atuais são como a semeadura dos dias eternos. De fato, temos consciência de que a maior dádiva de Deus para conosco é a própria vida presente. A cada dia estamos fazendo o filme da nossa existência, do qual seremos espectadores na hora de nosso próprio julgamento, quando nós mesmos saberemos quais são os nossos merecimentos para a vida eterna.





"Quando a dor dos oprimidos nos toca a consciência e vai parar no coração, logo se manifesta pelas obras e isto expressa o sentido de nossa fé na palavra de Deus que nos diz: a fé sem obras é morta" (Tg. 2:14) Por isso a mensagem deste livro é luz para que saibamos tomar como lema para a caminhada o "Ver-Julgar-Agir-Celebrar sempre à luz do evangelho".

( isto está escrito na contra-capa do livro)





Eis aí o meu primeiro livro!



Obrigada, amigo Carlos!

Juraci Martins


  

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