Sebo - Juraci da Silva Martins

SEBO LITERÁRIO

autor

 
 
 
 
Juraci da Silva Martins
 
BIOGRAFIA
 

Juraci da Silva Martins nasceu em S. Sepé, RS, em 7 de agosto de.1938.
Técnica em enfermagem, radialista,  poetisa, artista plástica.
Filha de Abílio da Costa e Silva e Julieta P. da Silva.
Casada com Volmir Neves Martins, pecuarista aposentado (São Sepé, RS. .
Cursou Radialismo, depois Teologia e Espanhol. Locutora e apresentadora de programas paroquiais em sua terra, onde fundou Casa Comunitária; Fundadora de uma Panificadora para os pobres, organizou grupos de oração e trabalho; ministra da Comunhão, Exéquias e da Palavra. Pertence a várias Academias e Associações Literárias, nacionais e internacionais
Recebeu Medalha Honra ao Mérito/2008 por serviços prestados à cultura e à sociedade de S. Sepé.

 

 

Apresentação

 

        CARO LEITOR (A)

 

Nas páginas deste livro, você vai, com certeza, ter a oportunidade de refletir sobre anseios muito profundos, os quais pautam a caminhada daqueles que se inquietam ante a  realidade que os cerca e se questionam emudecidos  perante a verdade que se apresenta desafiadora ante os olhos e os ouvidos de seus espectadores. Tais anseios podem funcionar como um despertador das consciências para os verdadeiros valores  e a inversão que lhes é atribuída. A ligação da fé com a vida nos faz ver, julgar e agir de forma prática e construtiva com o objetivo de, a começar pelas pequenas atitudes,, transformar as realidades injustas em um  mundo mais humano. A todos os leitores destas páginas, com o mesmo ardor com que foram escritas, evoco o Espírito Santo de Deus a iluminá-los para encontrarem aqui uma resposta para suas indagações e colocarem na prática os seus Dons e Carismas em benefício da fraternidade universal para serem os verdadeiros protagonistas de uma nova realidade, através de ações que venham a promover concretamente o Dom maior que é a VIDA.

 

Prefácio


 
Expressando, há tempos, sua sensibilidade com particular desenvoltura e técnica, através de traços, figuras e cores, em murais e painéis, quadros e gravuras, recheados de religiosidade, a sepeense Juraci Martins se vale agora também do vocabulário para testemunhar vida, fé, amor e compromisso. Apresentar Juraci, irmã de caminhada de Igreja, terna e perspicaz, neste “Clamores Silentes” não é só uma distinção, como uma grande alegria, pois a cada página se descortina uma agradável surpresa. Entremeando poesia e outros textos, ora em tom de memórias, ora como ensaios e crônicas, a autora revela sutilmente, com singeleza e profundidade, no estilo e na estrutura textual, a medida do tempo e o seu crescimento interior.
  Sua espiritualidade, alimentada nos talentos, passagens bíblicas e ministérios, e exercitada na vivência das questões sociais dos mais humildes e carentes, transcende as palavras, poemas, versos e parágrafos, induzindo a reflexões e questionamentos, degustados em retomadas da leitura. Ou seja, Juraci Martins, uma cristã comprometida com a evangelização, externa com naturalidade e talento suas lembranças, emoções e sentimentos, como se pintando estivesse, transformando em prazer para o leitor a arte de “pensar” a vida.
Getúlio de Souza Picada
Arquiteto e professor da UFSM 

 

 

Agradecimento

 

 

 Agradeço ao Espírito Santo pelo dom da vida, pela inspiração que me proporcionou a alegria de poder transmitir aos outros as experiências que obtive no decorrer da minha vida até então. Agradeço a Deus pelos momentos de reflexão que me fizeram chegar mais perto do sublime e sondar seus encantos, em especial a divina criação, manifestando-se constantemente nas suas criaturas humanas, independente de culturas, religiosidades ou posição social. Agradeço a meu pai, Abílio da Costa e Silva (in memoriam), à minha mãe, Julieta Pereira da Silva, a meus irmãos: Jurema, Ibanês, Zaira, José, Paulo, Maria Jovelina, Luiz Carlos,  Eugênia Diana e aos irmãos adotivos Olmiro e Maria Marlém e aqui incluo a Edite Vidal que foram para mim motivo de alegria e reflexões que também contribuíram para que pudesse tornar concreta esta obra. Agradeço de modo especial a Irmã Elisabeth Leufcke,  aos amigo Ila Lara Simões e  Getúlio Picada,  por todo o incentivo recebido! Que o Espírito Santo ilumine a todos!

 

Canoas, 22.11.90

 

 

Juraci Martins, a autora, tem um vocabulário rico, expressão profunda, idéias transluzentes e um coração que sente com os outros. Sua vida, seus versos e poemas questionam e esta é sempre a finalidade das pessoas que querem dar algo de si através da arte: expressar o Divino pelo humano, captar o Divino e apresentar como desafio à humanidade.

  

Ir. Elisabeth Leufcke

 

 

A Sabedoria, uma riqueza

 

Depois de vários anos de convivência, estudos, reflexões e ações entre os pobres das vilas, bairros e centro de nossa cidade, posso dizer, com toda a segurança e inequivocamente, que esse período de atividades foi para mim como uma faculdade por excelência, cujos professores, na sua maioria,  analfabetos, mas que sabem, com singular profundidade, transmitir lições de vida importantíssimas; coisa que a maioria dos considerados sábios  não souberam fazer. Nessa realidade vista, ouvida e vivenciada, foi se formando na minha mente um conjunto de convicções  acerca das duas dimensões que separam e diferenciam os seres racionais : o bem e o mal. Todo o belo e positivo  que aflora, anima e vivifica as maravilhas no concreto e no transcendental, retornando em raios que elevam e dão satisfação à fonte produtiva dessa energia, que se traduz por “bem”.Assim como o mal que oprime, obscurece e encarcera, faz de sua fonte geradora um sarcófago de ansiedades, repúdios e incoerências, buscando sempre mais as grotescas atitudes de apego ao material solúvel, de omissão diante das espoliações.  É quase impossível relatar, na sua mais pura essência, essa filosofia de vida, que entendi até então, através de ações e expressões de tantos seres, homens e mulheres pobres, vivendo, muitos deles, na mais odienda miséria.  Sei que um grande número de pessoas pouco sabe ou até desconhecem a terrível situação em que sobrevivem tantos seres humanos nesta bendita terra de na tureza privilegiada, cujo solo rico, de vegetação abundante, de águas cristalinas que destoam e contrasta com a figura humana, que vegeta num nível de vida abaixo dos seres irracionais. Indubitavelmente, vivendo e convivendo nesse meio, onde pobreza e miséria se confundem, é que tomo a liberdade de afirmar, ao comparar com o lado oposto, que ali está um mundo de natureza mais forte e corajosa, enfrentando os desafios em busca de mais vida, na procura constante de alternativas, num esforço supremo de sobrevivência. Ora resignada, ora revoltada, essa massa humana se faz ininteligível no seu espírito criativo. Perseverante para continuar respirando o pouco oxigênio que lhe resta e para enfrentar as intempéries de uma situação de abandono, onde parece que ressoa constantemente o grito de“Salva-te, se puderes!”   Rechaçada toda a tentativa de progresso que se antepõe aos seus mais elementares direitos, este ser desfav orecido vai lentamente ingressando no mundo dos sobreviventes,  ainda tentando um lugar ao sol, no seu pequeno mundo, surdo e mudo. Esse povo, apesar de tudo, é um povo em marcha para a terra prometida.  Há constância no caminhar vago entre os amaranhados das desilusões; passos inseguros diante de um futuro nada promissor no biorritmo da vida; ora em decadência, acalentando nas entranhas o mesmo clamor descrito no livro de Jó; ora no apogeu erguendo-se como o povo de Israel na marcha para a libertação. É notória a ação do Espírito no meio desse povo, principalmente quando o escutamos e aí são reveladas aquelas sabedorias que podemos conferir em Lc 10:21.  São gestos e palavras,  testemunhando que Deus, de fato, se coloca ao lado dos fracos e oprimidos, para ser-lhes força, coragem e esperança, me io de salvação para todos. É das profundezas desse submundo que se levanta, ainda hoje, a voz dos profetas, alertando os povos, as nações contra  a injustiça geradora de mundos opostos. É aí que a utopia profética se destitui da espoliação que se interpõe entre o trabalho e o esforço do homem simples e o uso dos frutos de seu suor. Aos poucos, o egocentrismo excêntrico dos eternos Faraós sufoca as mais elementares condições de vida dos irmãos, que vão se arrastando no seu mutismo infinito.

Revisão por: Profª Cleana Brum, Ir. Elisabet Leufcke, Prof. Getúlio Picada,  Profª Norma Brum e Marialva Cezar

 

 

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