SEBO LITERÁRIO

 

 

Ligia Scholze Borges Tomarchio

 

 
 
Poesias de Ligia Scholze Borges Tomarchio
 

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CRIAÇÃO

Ligi@Tomarchio®


Esquiva-se do céu
mostra o corpo
denota o espectro
de luz e dor.

Contém o sonho
dorme com gnomos
mostra aos deuses
parte do rito.

Zeus o espera
etéreo pensar
de pássaros errantes
num mar derrotado.

Escombros e sombras

escombros?

Assombro de réus
tragando peçonha fé

fé?

Ligi@Tomarchio®

 
 

ÉBANO LUNAR

Ligi@Tomarchio®


Ébano lunar
cadente estrela, cadência
ausência de tons, sons,
cristalizando sonhos
tristonhos lampêjos
poço, fundo, raso,
escasso, insensato
meu carrasco
minha prisão
reprimida frustração.

Cometas, asteróides
vídeo game cego
surdo criado, mudo
maldição, partida
sem volta, revolta
revolvendo mares
moluscos, algas
coloridos peixes, corais.

Coberta estou. Incrustada
de pontiagudas, severas
dilascerantes idéias.
Corpo inerte.
Caos.

Ligi@Tomarchio®

 
 

DOR

Ligi@Tomarchio®


E ESSA DOR QUE NÃO PASSA...
Torrente de águas a me sufocar
sobre mim, o oceano a desabar.

ESSA DOR QUE NÃO PASSA...
Amarga, fria, comprida!
É fel que se mistura com vida.

DOR QUE NÃO PASSA...
É o fim da alegria, da folia!
Nunca mais ouvirei aquela melodia.

QUE NÃO PASSA...

NÃO PASSA...

PASSA...

Ligi@Tomarchio®

 
 

DIA DE TRABALHO

Ligi@Tomarchio®


Vento cansa
vento balança...
Lua descansa
sol nos acaricia
com malícia, que delícia!

Manhã renasce
calor aquece
suor do trabalho
meu sonho foi no embalo!

Mais um dia iniciado
sofrimento e alegria
poesia e melodia
vento balança
vento cansa...

Ligi@Tomarchio®

 
 

EM NOME DE RODRIGO

Ligi@Tomarchio®


O asfalto vermelho
ainda quente
coberto de ódio
rompe a pressa.

A criança brincando
sob sol ardente
inocente racha
desgraça está feita.

Revoltado o asfalto
amigos o racham
vingadores
limpam o sangue.

UTI, necrópsia
cemitério, e daí
irresponsabilidade
Rodrigo vingado.

MORTO.

Ligi@Tomarchio®

 
 

FANTASIA

Ligi@Tomarchio®


Vaga silenciosa da memória
ressoar perfumada
vãos pensamentos remontam
transformar realidade.

Memória contrapõe
desaprova e prova
sabor doce
douradas paixões.

Corrompe emoções
derruba muralhas
céu azul encobre
florido trigal.

Madrigal encantado
enganado pelos deuses
recolhe horror e dor
sucumbe ao mel(ado).

Perto, próximo
sentindo o cheiro
o dia esperado
inaugural.

Ligi@Tomarchio®