SEBO LITERÁRIO

 

 

Ligia Scholze Borges Tomarchio

 

 
 
RETENDO IMAGENS

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SEMENTE DE DOR

Ligi@Tomarchio®


De mãos atadas
nada escrevo
de alto ou
baixo relevo.

Nas arestas e encostas
propostas surgem
urge entendê-las.

De todo não descarto
um momento que tardio
a se impor à vontade
de ser o imaginário.

Criador, criado, criatura
mistura de sonho e realidade
sem idade, eterno
moderno jeito de existir
sem persistir no objetivo
criativo, destrutivo.

Desfruta, a fruta madura,
de sementes viris
férteis pensamentos
antes descartados
agora encarte de revista.

Na vista do olho
vê-se a retina
que olha a mente,
esconde verdades.

Ligi@Tomarchio®

 
 

REFLEXO

Ligi@Tomarchio®


Embutido
nas entranhas
o envolver dos grãos
torna-se irresistível.

Argamassa
cristais
entulham o espelho
e o desespêro domina.

Registra atento
angústias diárias
momentos dolorosos
rituais sangrentos.

Jorra horror
incólume
invólucro sem nácar
ausente
de pérolas errantes.

Torrente malígna
estígma
denota a rota
do colibri.

Esvoaçando desejos
o tornado destrói

os cacos

devolvidos ao ventre.

Ligi@Tomarchio®

 
 

OLHA-ME

Ligi@Tomarchio®


Olha-me...
Ao vento, esvoaçando desejos
tesos, enevoar de pensamentos
escorrer de lamentos
lentos, encharcados de lágrimas
pálidas, emolduradas por um rosto
desgosto, esboço de amor.

Olha-me...
Nas águas, da felicidade eterna,
terna, insanidade dos apaixonados
turvas a escorrer de mágoa
imaculada perpétua tatuagem
miragem, no deserto de minh'alma.

Olha-me...
Ao léu, esquecida entre doentes
dementes, alquimia no céu do engano
humano, doce amar desalmado
alado, acorrentada no inconsciente
ciente, fantasiando liberdade.

Olha-me...
Na terra, semeando árvore e flores
horrores, colorindo o corpo desnudo
mudo, ardente chama queima
teima, mente e corpo clamam socorro
morro, ressuscito ao ver seu reflexo
espelho em que vejo seu rosto.

Ligi@Tomarchio®

O SER

Ligi@Tomarchio®


Pétalas, neurônios
oxigenação cerebral
catedral do ser.

Matéria efervescente
crescente incógnita
esperas o “eu” redimido?
Assuma. És o belo.

Repleto o vão
no desvão mental
catedral de sonhos

Outra vez e outra mais
oculta lucidez
compõe o íntimo prazer
de se poder realizar.

A imitação da rosa
perfeita na ausência de espinhos
camélia única
na transparência do vaso
espelha rosto cansado
exausto de sofrer e não se ver.

É preciso se ser, para se ver
refletida na cálida camélia branca.

Ligi@Tomarchio®

 
 

NOSTALGIA

Ligi@Tomarchio®


Confesso e afirmo
penso e relembro
não me arrependo
mas quero viver...

Viver sem temer
pensamentos vãos
que atormentam
massacram, traem...

Trair a mim mesma
ira repentina
serpentina caindo
colorindo minha culpa...

Culpa, mas qual
quem não a tem
ater-se por que
a tanta tortura?

Tortura conhecida
por todos que choram
moram em si mesmos
temem mudanças...

Mudança de padrão
social, cultural, qual?
Tudo igual à ontem
e amanhã, amanhã, amanhã...

Amanhã choverá
águas quentes verterão
pedras vão rolar...
Quem jogará a primeira pedra?

Pedra, feito meu coração
rolando pra lá e pra cá
sem rumo certo
incorreto, melancólico...

Melancólico é meu pensamento
traidor, indolor, sofredor...
Quisera saber morrer...
É preciso correr o risco?

Ligi@Tomarchio®

 
 

MEU JARDIM

Ligi@Tomarchio®


Sob a sombra das jabuticabeiras do meu jardim
sonho cores, perfumes de jasmim
exalando amores sem fim...
Quero viver nesse tempo irreal e surdo
a me envolver de luz e paz.
Beija-flores bebem o elixir da vida nas fontes sem fim do jardim do Éden...
Crio o mundo ao meu redor sem dor maior nem menor, apenas calor, odores, água, terra e ar.
O fogo vem do coração ardente de paixão pela existência latente, pulsante...
Natureza sábia e onipotente.
Deus fala comigo através dela...
Sinto seu amor, como jamais senti...
Nunca deixarei que destruam minhas esperanças de voltar ao jardim...
Meu paraíso, minha casa, meu lar!
Que Deus abençoe a todos que amam a si mesmos...
Só assim Deus estará presente em suas vidas, em seus corações, em seu jardim secreto!

Ligi@Tomarchio®

 
 

LIMITANDO O CORAÇÃO

Ligi@Tomarchio®


Farnel arrastado
sofreguidão
dores...
Deserto percorrido
na lentidão do tempo...
Pesadas são lembranças
sons, odores
corredores sem fim
paredes translúcidas
lucidez...
Alegria única
saudade...

Ligi@Tomarchio®