SEBO LITERÁRIO

   

Marcos Milhazes***
 

 
 
Poesias
 
Pág. 3 de 13Pág.
 

 

Mulher

Marcos Milhazes***


Seus sentimentos são coisas e causas especiais.
Quando penso!
Seria tão mais simples seu amor sem rodeios.
Mas não!

Ela procede sempre do simples para o composto
Dos elementos para um todo
Das meras causas simples para efeitos especiais
Dos simples princípios do amor
Para grandes conseqüências.

Complica delicadamente sua forma de gostar
Exige sentimentos verdadeiros
Cria exatas proporções do coração
Sempre emotiva, desliza na pele suas gotas de paixão,
transformando-se numa escultora do amor, então.

Dessa forma, eu diria e rogaria aos céus.
O tempo de você nesse mundo de Deus
Desejaria apenas menos uma fração de segundos.
E teria apenas uma certeza!
Como um verdadeiro e sincero amor requer
De nunca ficar sem você.

Uma verdadeira síntese de mulher...

Marcos Milhazes***

 

 

O Repentista

Marcos Milhazes***


Como o sol ele é insistente,
astuto em sua fobia.
Às vezes impertinente.
Não se cala nem dormindo.
Dorme acordado
e sempre acorda dormindo e falando.
E assim que pode, já diz.
Vou indo falar outra vez.
Nem se importa com o som.
Sempre fala no mesmo tom.
Às vezes desafina,
quando te vê.
É sempre a mesma ladainha,
fala batendo por você
como um repentista,
que sempre rima amor e paixão.
Esse meu coração...

Marcos Milhazes***

 

Papiro

Marcos Milhazes***


Tão antigo meus escritos
Semblantes de margens alagadiças
De rios d’água transparentes
Descrevia-te

Das tintas à pureza da arte
Da sombra da pena em riste
Sacudindo letras no ar
E os versos sangravam sem parar

Sábios provérbios rudimentares e reais
Transcritos nas mãos da alegria à nostalgia
Pelas veredas do escrevedor
Que doar é mestre do universo
E até ama em versos
Ou só, no inverso ante o adverso.

Registro da própria vida
Num banquete a um coração demente
Mas sincero que não gosta da tal dor
E a mente o presenteia com amor

É como a aranha, rainha da teia
Ou
Da forma mais rasa e profunda dos anseios
De um sabiá que na dúvida rejeita o antigo ninho
De um lobo que só ama uma vez em seu caminho
Posto tais sonhos o transcrevo

Em meu eterno pergaminho...

Marcos Milhazes***

 

Amitié Amoureuse

Marcos Milhazes***


Quando renhido venci as distâncias
Caminhei em busca de ti longínqüas estâncias
E o escrevedor dizia para a poeisa
Quando a distância separa a alma repara

Simplório, sim se o legado não fixasse
a tal da amizade de família
Complicado?
Quiçá !
Com a presença de Amitié Amoureuse

Lamentável, com certeza
Quando a lucidez vira insensatez
E busca a efeitos de filos do bom viver
Produz alegorias de puro
egoísmo e desatenção

Tentar aguardar por vingança uma dissensão
Ousar atirar o ex-amor na lama
Construindo seus alicérces em areias
com seus dúbios vestígios de uma falsa fama

E hoje olhando sua foto amarelada
Aquela que me enfeitiçava!
Engraçado!
Não consegui sentir nada

E o que restou de ti em mim na forma
de amizade
ou mera semelhança.
Hoje convicto e com tristeza te afirmo
que não deisxastes em mim nenhuma
herança

Posto tal,
apago hoje de ti
seus vagos registros
em minhas já pequenas lembranças...

Marcos Milhazes***

 

Com Jeito de Saudade

Marcos Milhazes***


Em minha ânsia e vaidade
de suprir toda a falta que
sinto por você
Doi-me a alma e falta-me o ar.
Daí, ponho-me a sonhar e soluçar

Torno-me pranto.
Torno-me um soluço.
Torno-me soluços ou uma vertente.
Torno-me um choro entrecortado de suspiros.
Torno-me um fragor d´alma.
Tento virar um solvente da tristeza
E meu pranto virá como uma correnteza

Em rios de lágrimas, sou a água
Em céus de nuvens
sou uma estrela de constelação
Das nuvens, te ilumino para vê-la por frestas
Sempre tão delicada e singela!

Diga-me, pois querida!
Qual a próxima melodia
ou poema com jeito de canção
que irás com harmonia tocar
e matar essa saudade do meu coração...

Marcos Milhazes***

 

Com uma leve sensação

 Marcos Milhazes***


Quiseram minhas palavras se revelar.
Num jeito oculto tal a magia de versar
e as letras bailavam no ar.

Escrevia uma carta para ela
Coisa simples, num bloco de recado.
Falava de como o tempo tinha passado
Num tom até apressado e com a cara de pecado

Da forma como a via
Do jeito de como a conhecia
Da sua linda mania de bulir nos cabelos
Do meu jeito bobinho de te olhar
De como seus olhos brilhavam ao luar

Coisas faladas nas cartas
Aquelas de amor e amizade
Que o tempo não determina a idade
Ou a hora de sentir saudade

Falar do meu gênio forte e declarar-me
arrependido do males que criei
Mas também das coisas boa que plantei

Postei minha carta com emoção
Dias depois, lá estava eu no portão
De uma aproximação,
ainda guardo na lembrança e no coração
Era o carteiro com uma carta na mão

Que discretamente me entregava
Um carimbo azul nela brilhava
e se lia claramente como num terço.

O destinatário não mais existe nesse endereço...

Marcos Milhazes***

 

Livro de Visitas

        

Para pág. 4