MÔNICA SERRA SILVEIRA
Mônica Serra
Silveira nasceu em Fortaleza, no Ceará, em 10 de julho de 1960.
Formada em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Já publicou 11 livros,
sendo 3 de contos (Eu Conto, Eu Conto 2 e O Prêmio); 3 de poesia
(Janela, Quatro Estações e Versos de Amor) e a Antologia do Papo
Literário. Participou também das antologias Do Amor, Música e
Poesia; Cadernos de Poesia; Valores Literários do Brasil; Premio
Ideal Clube de Literatura; Estações da Palavra; Contos
Fantásticos - O Cravo Roxo do Diabo e Segundo Pensamento.
É membro da Academia Feminina de Letras e da Academia Cearense
de Literatura e Jornalismo. Atualmente, é editora e repórter do
Programa Papo Literário da TVC, atuando também na edição do
Jornal da TVC e programa Crônicas do Ceará, da mesma emissora.

CONTOS
TEM UMA MADONA NA MINHA CAMA
- Alô!
Silêncio. Expectativa. Após alguns segundos de suspense a voz
reponde por trás do aparelho telefônico.
- Alô!
- Sim, pode falar!
- Sou eu, o Pietro.
- E aí, cara?Você não vem trabalhar hoje?
Um novo silêncio se fez.
- Aconteceu algo inesperado...
O telefone cessou de emitir som abruptamente.
- Alô!Alô!Alô!
Ao mesmo tempo, todos no escritório se voltaram para Joel.
- Acho que aconteceu alguma coisa com o Pietro...
Olhos arregalados aguardavam uma explicação.
- Estava agora com ele no telefone e de repente a ligação foi
interrompida, sem explicação.
- Minha nossa! Você acha...
- Joel estava gostando de ser pela primeira vez o centro das
atenções no escritório.
- Bem, eu...
- Foi seqüestro?
- Já sei, ganhou na mega sena!
- Viu um E.T?
Joel tonto com as insinuações. Isso, aquilo,isso aquilo! Joel
não queria decepcionar a expectativa dos colegas. Algo incrível
teria que ter acontecido.
- Vai fala logo, Joel!
- Ele não sabe de nada...nem deve ter conseguido falar com o
Pietro.
Joel viu as atenções fugirem da direção dele. Decididamente não
queria perder esse momento de celebridade.
- Quem disse que eu não falei com Pietro...
Novamente os olhares procuram por Joel.
- Você falou mesmo com Pietro? Então conta o que aconteceu.
- Joel baixa a cabeça. Dá um suspiro e faz silêncio.
- E aí, desembucha!
- Não posso.
Um coro de lamentações ecoa pela sala.
- Prometi ao Pietro que não falaria pra ninguém.
Rebuliço geral. Os funcionário correm em direção a Joel com
veemência.
- Ah, não Joel! Você começou agora vai ter que falar...
- Não posso, eu prometi.
O suspense é interrompido com a chegada de Antero, o diretor da
empresa, acompanhado de uma equipe de reportagem. O fato mais
inusitado ainda, rouba a atenção dos funcionários.
- Mas o que é isso? Que folga é essa? Então eu chego aqui no
escritório e encontro essa bagunça!
O diretor se volta para a equipe de reportagem aflito.
- Por favor, desculpem! A gente não pode deixar a empresa um
minuto só e acontece dessas coisas...
Aos poucos os funcionários foram ocupando seus lugares nas
mesas.
- Muito bonito! Chego aqui com uma equipe de reportagem para
mostrar o bom desempenho da nossa empresa para uma série
empresarial de TV e encontro tudo no maior abandono!
- Não, chefia! Não é nada disso que está parecendo.
Indiferente as broncas e desculpas, a equipe de reportagem vai
se arrumando para a gravação.
- Ah, não é o que parece? E o que é então?
- Aconteceu algo extraordinário com o Joel.
- Repórter e cinegrafista se entreolham no mais legítimo faro
jornalístico.
- Pois é, o Joel ia contar agora pra gente. Uma coisa
bombástica. Conta Joel.
Joel fica pálido como uma folha de papel A4. A coisa mudara de
figura. Agora a responsabilidade era muito maior. O que iria a
inventar?
- Então, Joel, o que aconteceu com o Pietro?
- Vai, Gerson, Liga a câmera. Não vamos perder esse furo.
- Já tá na mão, Roberto. Tô gravando tudo.
Sem saber o que fazer, Joel desmaia. Foi a única forma que
encontrou para fugir as explicações que não podia dar. Em
polvorosa todos correram para acudir.
- Tragam um copo d'água.
- Olha, ele tem uma revista na mão.
- É a foto da Madona!
- É isso!
- A Madona está no apartamento do Pietro.
Em poucos minutos a turma toda estava na portaria do prédio onde
mora Pietro.
- Queremos ir ao apartamento do Pietro.
- Sinto muito, mas tenho ordens para não deixar ninguém subir. O
apartamento está de quarentena.
- Ouviram isso? Tem gato nessa tuba.
Mais e mais pessoas foram se juntando em frente ao prédio. A
equipe de reportagem registrava tudo sem parar. O repórter faz
um flash para um informativo extra.
- É neste prédio que possivelmente se encontra neste momento a
pop star Madona. Ela estaria hospedada clandestinamente no
apartamento do senhor Pietro Siena. Voltamos logo mais com
outras informações.
A notícia se espalha rápido como uma bala. Uma multidão se forma
no local. Pietro abre a janela para o saber o que está
acontecendo e engole seco. Nunca vira tanta gente junta em
frente a casa dele.
- Madona mia!
Na calçada, um surdo-mudo contratado para ler os lábios de quem
aparecer na janela, observa de binóculo.
- Ele está falando Madona mia.
A multidão se agita.
- Madona!Madona!Madona!Eu vim aqui só pra te
ver!Madona!Madona!Madona!
A gritaria era ouvida à distância. Assustado, Pietro chama a
equipe de reportagem até o apartamento dele. De termômetro na
boca, uma caixa de lenço de papel na mão, semblante abatido,
Pietro abre a porta.
- E aí, aonde ela está?
- Quem?
- Madona!
- Madona aqui só se for nome de virose, meu amigo. Vocês podem
dizer lá em baixo que estou na cama com Madona, a virose mais
forte desse mundo.

O PRÍNCIPE
- Emília, onde é
que você andava, menina? Um membro da família real
Leconiana acabou de chegar à cidade e você tem que ir
com urgência para o consulado e fazer uma matéria. Ele veio
com intuito de aproximar o país dele com o nosso estado,
um intercâmbio econômico e cultural. Você é a única que
fala Leconiano aqui no jornal. Corra para lá.
- Mas...
- Mas o quê ?
- Eu não lembro mais nada desse idioma, faz anos que não
pratico.
- Se vira!
Na verdade, Emília nunca falou leconiano, só colocou essa
habilidade na ficha para ter uma vantagem na hora de
conseguir a vaga no emprego. Agora, estava numa boa
enrascada. Por sorte, nessas ocasiões sempre há um
tradutor. Era um amigo dela, que não poupou gozações ao
saber do drama da repórter.
- Isso é o que dá mentir para o chefe... Não se
aflija, seu amigo está aqui para lhe salvar. O que
deseja saber?
- O que o príncipe veio realmente fazer aqui na cidade?
- Oficialmente intercâmbio. Ele vai oferecer algumas bolsas de
estudo, em diferentes áreas na universidade da Lecônia. Vai
conhecer algumas fábricas locais, visitar uma feira de
produtos regionais. E se divertir um pouco, é claro.
- Dudu, você poderia me apresentar ao príncipe?
- Claro que sim, venha comigo. Quando disser o seu nome
faça uma reverência com a cabeça.
O príncipe era um sessentão bonito, de olhos azuis e
gelados. Expressão severa. Mas não se esquivou de passar
todas as informações solicitadas por Emília.
- Dudu, pergunte a ele qual a principal riqueza da
Lecônia.
O príncipe respondeu a Dudu, que a Lecônia tem vários
minérios e produz o melhor caviar do mundo, mas a maior
riqueza do país era seu povo.
- Eu pensei que a Rússia produzisse o melhor caviar do
mundo, Dudu.
- Bem, eu estou apenas traduzindo o que o príncipe
disse.
Emília também perguntou sobre os costumes da Lecônia. O
visitante real respondeu que lá as pessoas casam tarde,
porque antes de escolher a noiva, o rapaz precisa
conhecer todas as pretendentes disponíveis na região.
Freqüenta a casa de cada uma delas por uma semana.
Leva presentes e dorme uma noite com cada uma das
moças, na mesma cama.
- Dorme? Quer dizer mantêm relações íntimas antes de casar? E
como fica o controle de natalidade?
- O príncipe explicou que o rapaz dorme com a jovem
sem manter relações sexuais. Estas, ele só as tem com
aquela mulher, que escolher para esposa. Com as
pretendentes, o rapaz passa uma noite para conhecer a
intimidade da convivência e não se surpreender, caso
venham a viver com ela pelo resto da vida.
Enquanto falava sobre os costumes de seu país, o príncipe não
deixava transparecer qualquer emoção ou sentimento mais
forte. Tudo era comunicado com muita seriedade, como se
tratasse de um assunto decisivo para a Pátria.
Emília saiu da entrevista com a sensação de missão cumprida.
A matéria foi divulgada, com a foto do príncipe numa
pose elegante, distinta, em seu traje oficial.
Quando pensou ter se despedido definitivamente do mundo
leconiano, dez dias depois, Emília foi surpreendida com
um telefone da parte daquela Monarquia.
- Sua Alteza, o príncipe Bertold deseja agendar um
encontro com a senhora. Pede que marque a hora e o
local.
Emília ficou sem palavras por alguns segundos. Não sabia
o que dizer. Nem sabia falar leconiano...
- O príncipe adiantou o assunto?
- Não, senhora. Mas me ordenou que levasse a resposta
ainda hoje.
Emília ficou a imaginar que assunto seria tratado no
encontro. Teria sido ofensiva na reportagem? E se o
príncipe quisesse puní-la de alguma forma? Será que o
emprego dela corria perigo? Não, se quisesse mesmo uma
represália, o príncipe não precisaria se encontrar com
ela. Decidiu deixar o pessimismo de lado e tentou ser
otimista. Quem sabe, ele teria gostado da matéria e
quisesse simplesmente de agradecer pessoalmente?
- Está certo. Amanhã estarei no Museu Municipal fazendo
uma matéria. Terei prazer em encontrá-lo na entrada
principal, às dez da manhã.
No horário pontualmente marcado, o príncipe Bertold
chegou ao local com uma caixinha dourada nas mãos.
Emília, mantendo o costume da terra, chegou atrasada,
pedindo desculpas.
- Tudo bem.
- Tudo bem? O senhor aprendeu a falar o meu idioma?
- Um pouca.
O assistente ao lado do príncipe se apressou em
explicar que sua alteza fez um curso intensivo de
português. Queria falar diretamente com a jornalista.
- Eu desejar conhecer Emília um semana, como é costume
na Lecônia.
Emília percebeu que o príncipe a cortejava. Mais uma
vez não sabia o que dizer. Afinal, que mulher nesse
mundo recusaria a corte de um príncipe de verdade? Além
disso, uma semana passaria rápido.
E assim foi. O príncipe vinha de avião da Lecônia para
jantar com Emília. Era uma missão extra-oficial. Bertold
viajava incógnito, sem avisar a ninguém. Emília tinha que
manter sigilo. A cada novo encontro, o príncipe trazia um
presente. Às vezes, rosas para a mãe ou um vinho para
o pai de Emília, que estavam empolgadíssimos com o
relacionamento real.
O príncipe era atraente, com suas maneiras finas,
galanteios. Mas não havia o mesmo entusiasmo por parte de
Emília. Numa dessas noites, os dois foram passear na praia.
Os pés de Emília ficaram sujos de areia e o príncipe
fez questão de comprar ali mesmo um sapato novo para
a dama. Parecia conto de fadas. Bertold, no entanto, era
bem mais velho. A barreia do idioma, a falta de
afinidades, pesaram muito naquelas circunstâncias.
Chegara por fim o dia em que, segundo o costume
leconiano, Emília e Bertold teriam que passar a noite
juntos. A jornalista não sabia como explicaria isso em
casa. Mas aquela seria uma experiência excitante e
irresistível. Por trás de tudo, havia a curiosidade
jornalística. O príncipe reservou uma suíte presidencial,
onde tinha até lareira. Jantaram ao som de violinos.
Comeram caviar da Lecônia.
Em certo momento, Bertold fez sinal para que todos
saíssem e ficou a sós com Emília.
- Não tema. Só dormiremos um ao lado do outro, nada mais.
- Sinto muito, não posso continuar. Não me sinto à vontade...
O príncipe entendeu, que a tradição da intimidade não se
concretizaria naquela noite. Emília, certamente, não seria
a tão esperada princesa da Lecônia.

O COMETA
Há décadas, um
cometa não se aproximava da terra, a ponto de se
tornar visível, a olho nu pelos habitantes do planeta.
É um fato extraordinário, especialmente para o meio
científico, que atribuía ao fato uma grande importância.
A imprensa, evidentemente, estava a postos para
registrar o fenômeno.
Na véspera da aparição do cometa, a grande interrogação
ainda era em relação à pronúncia correta do nome
daquele aguardado corpo celeste. Chamava-se Hale-Bopp. Pois
é, um nome nada comum. Só após a produção do jornal fazer uma
consulta a uma professora de inglês, veio a conclusão de que
a pronúncia correta era Rêil-Bóp. Alfredo ficou empolgado
em saber que iria fazer a reportagem sobre a passagem
do cometa. Quando criança, sempre fora apaixonado por
astronomia. Adorava conhecer coisas do espaço, as galáxias,
os planetas, as estrelas e todos os outros astros.
Ainda alcançou o tempo, em que era possível olhar para
o céu e ver as estrelas, como um manto luminoso. Hoje,
ninguém mais via as estrelas com tanta nitidez quanto
antes, a não ser com o auxílio de lunetas. Logo lhe
veio à cabeça o poema de Olavo Bilac: “Ora, direi ouvir
estrelas...” Concluiu que certamente, houve uma época, em
que se ouvia estrelas. Época em que a natureza falava
mais alto ao coração dos homens. Sim, o universo deve
continuar cantando para todos, contudo não é mais ouvido.
O que se escuta mesmo é o motor dos automóveis nas
ruas, os tiroteios nas favelas, o barulho das britadeiras
nas obras, o toque dos celulares, o som da programação
da tv, os alto-falantes a avisarem sobre alguma promoção
de loja. Já não se ouve mais as ondas do mar, o
canto dos pássaros, o chocalhar das folhas com o vento.
Foi por isso que a passagem do cometa emocionou Alfredo.
Era um momento único, mas nem todos se davam conta.
Dizem que repórter deve ser neutro e objetivo, afim de
transmitir os fatos como são, crua e friamente. E como
então, descrever a emoção sem sentir essa emoção? Neutro,
sim. Frio, não. Objetivo, sim. Sem graça, não. A
interpretação dos fatos, passa pelas emoções. Quem não
lembra da transmissão ao vivo do incêndio do Zepelin? O
repórter fez com que o público sentisse exatamente
toda a tragédia daquele instante. Não se tratava de
dramatizar tudo, colocar empolgação e terror onde não
existe. Mas sim, de ter o bom senso de retratar o que
se observa com fidelidade. E onde houver emoção, colocar
emoção. Passado o impacto inicial, o repórter deve tomar
as rédeas do que acontece e descrever com clareza, sem
se repetir demais as narrações ou sem fazer julgamentos
precipitados.
Passou pela cabeça de Alfredo a espetacular cobertura
do dia em que o homem pisou pela primeira vez na lua.
Era apenas um menino, quando assistiu pela tv, em preto
e branco, Armstrong, Andrews e Collins naquela missão
histórica. Chegaram a dizer que tudo não passava de
uma farsa, uma montagem bem feita dos norte-americanos.
Alfredo se recusava a acreditar nisso. Seus olhos
brilhavam diante daquelas cenas. O pai dele comprara até
uma edição especial de uma revista, que trazia um disco
com a gravação de toda a cobertura. Agora, Alfredo
estava diante de outra situação envolvendo o espaço.
Era 29 de abril de 1997. Emissoras do Rio de Janeiro e São
Paulo se interessaram pela reportagem. Era preciso
caprichar na produção. Uma entrevista foi marcada com
um astrônomo conhecido na cidade, o Dr. Pamplona, que se
dispôs a acompanhar a passagem do cometa com a equipe
da tv. A princípio, a cobertura seria ao vivo,
dependendo das condições de visibilidade. Mas depois,
ficou decidido que a matéria seria feita no início da
noite. E depois de editada, enviada para as emissoras
de rede. O Jornal iria ao ar por volta das vinte e
duas horas. Não havia tempo a perder. Alfredo correu
com a equipe para o observatório. Chegou cedo para
esperar o acontecimento. Antes, o Dr. Pamplona já havia
colhido algumas imagens em vídeo do Hale-Bopp em VHS, que
foram depois trans-codificadas para o sistema Betacam
da tv. Parecia que estava adivinhando, porque, enquanto
a equipe de reportagem aguardava, o cometa cismou em
se esconder por trás das nuvens. Por mais que eles
torcessem, o cometa não se deixava ver. Era como se
estivesse brincando de esconde-esconde. E a matéria,
como ficaria? O nervosismo começou a tomar conta da
equipe. O tempo passava e o cometa no máximo surgia
bem discretamente, quase imperceptível. O negócio foi
descrever o que acontecia naquele momento. A ansiedade
para ver o astro da noite. O mistério por trás das
nuvens. A decepção do astrônomo.
Reportagem nem sempre é o que acontece, mas também o
que não acontece.
Felizmente, puderam ser mostradas as imagens colhidas
antes, em VHS. Eram
imagens emocionantes. A cauda do cometa não era tão
grande como se pensava, mas de qualquer modo aquela era
sem dúvida uma visão única. Espetacular. Fantástica.
A equipe voltou para a tv. A reportagem foi Editada
e enviada para São Paulo e Rio. Acabou sendo manchete
e chamada de bloco nos telejornais do país.
Alfredo assistiu o que produziram , em rede nacional. E
se sentiu ainda mais feliz, depois de receber os
elogios daqueles que viram a reportagem no ar, se
dizendo surpresos em saber, que tudo havia sido
feito por uma equipe local.

POEMAS
AS TUAS MÃOS
As tuas mãos de mansinho
Desenham em mim carinhos
Conhecem os meus caminhos
Me embriagam de puro vinho
As tuas mãos vigorosas
Em mim, são tão poderosas
Criam uma situação perigosa
E eu viro pétala de rosa
As tuas mãos fazem atalhos
Descobrem meus atos falhos
Entram nos meus armários
E vencida eu me atrapalho
Ai, essas tuas mãos ...
São mesmo uma infinda arte
Entrando nas minhas partes
Rápido meu coração bate
Estou condenada a amar-te

BORBOLETA
Me enchi de alegria
Ao ver aquele vôo trêmulo
Pintando o espaço azul
Com suas asas de arco-íris
Ah, quantas saudades de mim senti!
Como se fosse criança
Quis correr...
Perseguir as asinhas de seda
Mas controlei meu impulso
E só as segui com os olhos
O quanto pude...
Bailava livre
A borboleta inocente
Efêmera criatura
Sem pensar na morte
Sem ligar pra sorte
Plena de vida
Borboleta bonita
Um suave existir
Felicidade infinita

MENDIGA
Sou mendiga, de coração vazio
À espera de tuas migalhas
Só um leve roçar de pernas
Um toque de mãos distraído
Um choque de olhar desviado
Sou pobre, pobre de marré deci
Poderia ser rica de outros afetos
Acumular fartos e apertados abraços
Mas não quero a fortuna sem você
Um olharzinho, pelo amor de Deus!
Um sorrisinho, pelo amor Deus!
Um só carinho, pelo amor de Deus!

O FIM DO MUNDO
Se o mundo acabasse amanhã
Levaria um céu anil do Brasil
Um amarelo brasa
Do pôr do sol
Um arco íris de flores
E uma sinfonia de pássaros
Se o mundo acabasse amanhã
Levaria árabes e israelitas
Barbáries e Fantasias
Miséria e tecnologia
Se o mundo acabasse amanhã
Muitas saudades eu sentiria
E pensando em ti
Com amor, eu partiria

EVOLUÇÃO
Comunicando, comunicando...
mega luzes, cambio
Sim, queremos aprender com vocês
Ainda somos muito atrasados
Aqui ainda existe dinheiro
Todos correm atrás dele
Fazem qualquer coisa por ele
O capital está acima do sentimento
Acima de qualquer sofrimento
O capital é o senhor dos escravos
A corrente dos bravos
Vale mais que a própria vida
Cambio final.

AMY
Ai que dó!
De quem partiu tão só
Cercada de tanta gente
De quem tem tanto talento
E só na droga vê alento
Ai que dó!
De quem canta a vida
Mas se encontra tão perdida
Troca a glória e o sucesso
Por cocaína e bebida
Ai que dó!
De ver ídolos partindo
Tantos já se foram
Tão jovens vão sumindo
Descanse em paz Amy!

BRASIL
Só você tem esse sorriso tropical
De quem se banha ao sol
E mira o azul do céu
Só você brinca de um jeito com a vida
Sem medo de suas feridas
Buscando um gosto de mel
Só você estende mãos generosas
Seus bosques cheiros de rosas
Aos visitantes que chegam
Só você acolhe todos os deuses
Todas as raças e saberes
Só você Brasil
Me faz independente
Filha dessa Pátria amada
com seus pesares e prazeres.

ESSÊNCIA
Obrigada, meu amor,
Corajoso amor
Delicado amor
Inexplicável amor
Obrigada por penetrar
Suavemente em minha pele
Arrepiando meu corpo
Assim sempre se revele
A sua essência sublime
Obrigada, meu amor,
Iluminado amor
Divino amor transcendental
Por me abrir o peito
Meu doce amor perfeito
Exorcizando o mal.

O QUANTO EU TE AMO
Se tu enxergasses o quanto eu te amo
Veria uma tempestade no meu peito
Sentiria o fogo ardendo na minha pele
E um arrepio escalando a minha espinha
Se tu enxergasses o quanto eu te amo
Saberia que eu buscaria as estrelas pra te dar
Que desmontaria toda com simples toque teu
E que me iluminaria com o teu doce olhar
Se tu enxergasses o quanto eu te amo
Riria do meu desespero em te ter
Da minha ânsia em respirar teu ar
Da minha obsessão em beijar tua boca

SER POETA
Ser poeta
É ser arrepio na pele
A cada rajada de vento
A cada bailado de corpo
A cada luz em movimento
Ser poeta
É ser torto
Estranho ser absorto
Que mergulha no outro
Que navega sem porto
Ser poeta
É ser vulcão explodindo
É ser energia fluindo
É ser sonho real
É ser amor sem igual

LIVROS PUBLICADOS
Eu Conto (contos) 1985 -;-
Rainha da Ambição (romance) 1986 -;- Janela (poesia) 1988 -;- Eu
Conto 2 (contos) 1992 -;- Quatro estações (poesia) 1995
-;-Versos de Amor (poesia) 1998 -;- Sombra do Passado (romance)
2003 -;- O Menino do Coração de Pedra (Literatura Infantil)
2004 -;- O Premio (conto) 2006 -;- As Aventuras de Tacim e do
rei Jeremias (Literatura Infantojuvenil) 2008 -;- Antologia do
Papo Literário (coletânia) 2009.
Podem ser adquiridos através do e-mail
monicawebsilveira@gmail.com
