Noite estrelada
Noite estrelada,
acompanhada de Lua.
Minha vida morta nua
sem ti, Senhor dos meus sonhos.
Povoação do meu vazio.
Minha vida, meu rio.
Amor impar que me aconteceu,
que de repente nasceu...
e, vive...
apesar dos dissabores, vive!
Essa distância que nos separa,
não reparte o sentimento,
que é grande!
Não acalma o que sinto.
Mesmo que estivesses noutro universo,
noutra estrela,
ou noutro planeta,
meu eu por certo buscaria o teu eu e,
novamente por certo,
formaríamos um nós.
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Saudades 1
De
repente comecei a sentir doer algo em meu peito.
Era a saudade...
do que já passou?
do que já vivi?
mergulhei profundamente nas minhas lembranças tão cheias de romantismo.
Ah!
tive tantos ideais...
tive tantos anseios...
tive tantas esperanças...
em minha alma criança...
com o coração aberto...
e um sorriso farto...
numa busca incessante pela tão almejada felicidade.
Porque justo hoje resolvi revolver lembranças?
Não sei!
Só sei que por sorte ou por herança a poesia me acompanha a largos passos pela
vida afora.
Devo a ela saber o que é resguardar
os aromas mais perfumados dos momentos,
as lágrimas mais doces das vivências,
os milagres das emoções vividas,
a doce saudade de um grande amor,
o sabor de horas milagrosamente sentidas,
pela atuação da primavera
sobre mim,
que continua a embalar as minhas saudades como milagres do tempo.
Saudade tem mãos, cheiro, pele, gosto...
E quando chega...é sentir...
... Em um resquício de vida,em sensações, no amor, na continuidade.
Saudade...só carrega no peito quem se permitiu viver.
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SAUDADES 2
*Aurea Abensur*
(Orinho)
momentos bordados
relicário de retalhos
dia-a-dia contados
em pequenos papéis escritos
espalhados.
mãos trêmulas
hoje, contando os pontos
em mais uma laçada da agulha.
trilha sonora
cor escolhida
amores tramados
sorrisos talhados
casa cheia e vazia.
o escuro luzia
sobre o vidro, telhado.
entre ontem_amanhã
costurados dor e beleza
tantos nós nesta
(vida) toalha de mesa.
Salvador, no tempo...
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REDE(tempo)MOINHO
*Aurea Abensur*
(Orinho)
Mosaicos dias,
desbotam pastilhas.
Arquipélago tempo,
estações, ilhas.
Plantação de páginas,
dias grãos.
Meses decrescem
pelas linhas minhas mãos.
Um pêndulo os segundos
em sua oscilação,
me abana esperança,
ou responde: Não?
Olho espelhos dos relógios
meu rosto refletido.
Escrevo vida buscando
o redemoinho sentido?
Ventanias me trazem,
folhas de calendários.
Nas gavetas páginas,
segredos, aniversários.
No quadrado de cada dia,
no canto, um "X"
a obrigação secreta (lembra):
ser feliz?
Salvador, em tempo...
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FLASHES
*Aurea Abensur*
(Orinho)
meu coração
velho e bobo mosaico
...
lembranças
se lavam
com águas de lágrimas
cada um na sua viagem
ou naufrágio
...
viajando pelo mundo
de avenidas ilusões
...
já não vou ao clube
onde sugam sangue de ovelhas
ou amargam o mel de abelhas.
...
vontade danada
de entrar numa garrafa
e me atirar ao mar
à deriva
em redoma transparente e casta
entre conchas algas rochas
Salvador, no tempo...
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AINDA
*Aurea Abensur*
(Orinho)
Atravessei terra encharcada
areia movediça, pisei em cobra descalça
cruzei com a morte a ermo.
Pelejei por sonhos, aterrei dentro de mim
muito entulho e cascalho.
Esculpi meu corpo com cicatrizes.
Entupi veias ilusões
Respirei
nessa vida, mosaico repartido,
pedaços firmes, outros soltos
uns coloridos, muitos desbotados
Sem susto nem saber chegada
devo alcançar algum final de estrada.
Avisto daqui
outra encruzilhada.
Vou!
Salvador, em tempo...
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