NASCER DO SOL

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Quando nasce o sol
vou sorrateira com meus passos
afiando os dedos de minhas mãos
rasgando as cisternas do céu
inundando de azul minhas dores
tentando abortar pudores
esvaziando do peito meus temores
Lá chegando
em ti mar, me entrego
às vezes suspensa no espaço
ou com a alma ajoelhada
inundando-me no teu regaço
entrego-me nas tuas águas
que só  renova e alivia
meus próprios estilhaços

Salvador, mais um amanhecer...

 


NATUREZA

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Natureza,
paraíso dos pássaros
dos filósofos
dos pintores
e dos poetas
Como gosto
de sentar-me num galho
solto, esgalhado
seja de árvore
ou de pele em vida
e apenas
sentindo-me  assim
nua, escancarada
pra vida
sonhar e sonhar
 com os pensamentos arregalados
sentindo o dia esmaecer
cheinho de magia
e poder através
do vento
mandar-te dizer
Eu te amo, eu te amo, eu te amo
e tu sabes desde quando

Salvador, no tempo...


 


VÊS

*Aurea Abensur*
(Orinho)

 Vês...ele estava assim
com seu temperamento tranquilo
A brisa quieta passeava
e de leve sacudia
meu cabelo, a água e sua areia
O sol, branco como o sal
 dele me aproximava mais ainda
Havia no ar e...
dentro de mim
uma consciência paradoxal
e uma forte transparência
das coisas desencarnadas
Ali naquele paraíso sem fim
eu poderia até minh'alma machucar
com um mergulho infindo
desalmado, invisível,
contra-nome, contratempo
DESCULPA-ME!
Mas vês...
felizmente meu eu ao teu está atado
independente da linguística
posso dizer sem me atropelar
és amor na língua da minha boca

Salvador, sábado...


 


VIDA
 
*Aurea Abensur*
(Orinho)
 
O palco da vida
Está sempre pronto
para se iluminar
Iniciam-se as primeiras cenas
pros que resolvem arriscar
Cordões de prata
estão um a um
para mim visíveis
com o lá a nos interligar
Dedilhados por anjos
na transparência da vida
para que não esqueçamos
do nosso real lar
Com os olhos ainda nevados
iniciamos o caminhar
Encontros
Afagos
Urdimentos
Sorrisos
Uma história pra contar
De repente
cai o pano
Apenas mais uma
transcendental passagem
Assim é a vida
 
Salvador, pela passagem de uma amiga

 


LILÁS
 
*Aurea Abensur*
(Orinho)
 
Na cor do meu sentir
percebo o lilás do meu coração
que vela acima de tudo em consentir
pelo amor em movimento
Ele que entre tantos sinais amarelos
pela vida afora me fez parar
para aprender por ásperas pedras atravessar
Ele, este mesmo velho coração
que me deixa permanecer
envolta ainda
em sonhos e cálidas ilusões
continua vivo!
Não tenho a beleza nem
mais a pureza principal
das estrelas do céu
Mas como já disse uma vez, repito;
Sou uma simples mortal
feita de areia, mar, matas e suspiros
que só quer cada vez mais
aprender a amar
 
Salvador, indo no tempo...


 

 


CANTIGA DA LUA

*Aurea Abensur*
(Orinho)

A cantiga da lua
sonora em suspiros
namora as nuvens
Pedaços da lida
rolando afogados pelo ar
Turvas lágrimas
meus olhos a cegar
Dores se esparramam em ais
entre sol, luar e mar
Do tempo que se vai
ficam lindos abraços
antigos retratos
silêncios trocados
cheiro de afogamento
sonhos derramados
nas areias desenhados
Preludiar novos dias
movimentar a vida
como a água e sua corredeira
Na cantiga da lua
adormece os fantasmas
encantando as novas chegadas

Salvador, indo...


 


ADORMECIDA
(desabafo antigo, uns 2 anos atrás quando acabou minha relação com Heli)

*Aurea Abensur*
(Orinho)

À muito adormecida nas águas das ilusões
acordei e bailei a procura de mim mesma
Vi-me afogada em espelhos imaginários
Nada mais será como antes
Querendo segurar um desencanto encantado
senti medo de ser gente
Há quem procure flores em pedras
Há mesmo quem se entrelace
com plebeus desencantados
em busca das pequenas realizações
de seus pecados ou de suas simples qualidades
Uma realidade que não inspira nem seduz
Assim foi comigo...
Uma procura por grãos
em areia movediça
Acordada, debruço-me agora em mim mesma
e frágil permaneço
mas ... regada pelas águas da verdade
Quero continuar a doar minhas mãos
mas por favor...
não as decepem de novo irmãos

Salvador, indo...

 

 


EM TEMPO

*Aurea Abensur*
 (Orinho)

do meu corpo já tens o mistério
meu coração por ti, só amor comunga
minha alma incansável, dança à tua espera
se juntos, te prometeria
que totalmente envolvidos estaríamos
nossas vidas vibrariam
na mais iluminada esfera
traçadas com sons e cores
e com certeza!
o céu eternizaria este nosso amar
sinfonias de anjos nos embalariam
a terra simplesmente pararia
para sempre...
pararia, para nos ver
juntos lado a lado na nossa parceria!

Salvador, em tempo...


 


ESPERA

*Aurea Abensur*
(Orinho)


Ontem a noite estrelas povoavam todo o céu
Uma delas mais que as outras brilhava diferente
E me mostrava teus olhos como um açoite
E...
Ontem a noite, no vazio do meu ser
Eu precisava como nunca te ter
Beijar tua boca
Apertar teu corpo num abraço
E ficar contida
Perdida neste laço
Olhando as estrelas parada eu esperava
Pela demora da aurora do amanhecer
Com a esperança de te ver
E talvez quem sabe de novo
Amar você.

Salvador, no tempo...


 


KALEIDOSCÓPIO

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Continuo por ai sem permitir
que o mau tempo apague dentro de mim
os sonhos coloridos
que teimam em resistir
neste trajeto inacabado
Vou seguindo
tentando conseguir
poder guardar dos dias
não apenas as nódoas
mas principalmente as cores
que resistiram ao meu passado
Sigo tentando absorver da vida
a beleza do seixo, do diamante e do cristal
extraindo de cada um sua mais formosa luz
sem julgar o que se há ido
e sem imaginar que estarei só e no escuro
tendo que usar um circo astral

Salvador, sem tempo...


 


SOU

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Sou como terra fértil
a espera de sementes
Como a chuva
a alimentar fontes
Colina
sentindo a vibração do vento
Uma pedra
que não consegue ferir
Um redemoinho com a alma eternamente em movimento
Sou como o amanhecer sorrateiro
querendo sempre alegrar as flores
Talvez uma escada suspensa
pra te levar até as nuvens
O crepúsculo da tarde
anunciando as estrelas da noite
Sou simplesmente uma alma
comum, poeta, semeando amores

Salvador, no tempo...


 



COMO SABER?

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Como saber o que é certo ou errado
sem ver da medalha
o verso e o reverso?
O que parece perfeito
pode não ser o ideal
Sem as circunstâncias perceber
todo e qualquer julgamento é precipitado
Ver os frutos
não significa as raízes conhecer
Neste mundo físico
não há sabedoria perfeita
Só conhecendo nossas limitações
descobriremos o caminho
Portanto, quando a ventania passar
quero estar firme
O transitório não há de me abalar
O vento não irá me consumir
O tempo este, não vai me afetar
E...quando tudo passar
todas as perguntas
e todas as respostas
só no meu coração
haverei de encontrar

Salvador, no tempo...


 


AH... MAR!

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Ah... meu mar amado
olho o tempo e penso...
o tempo rege tudo
até os passos que quero dar

O tempo que me recordo
é ao mesmo tempo
como o tempo de aguardar
tudo aquilo que não se guarda

Quero no tempo me agarrar
e aprender um tempo de esperar
que o próprio tempo me traga
tudo que o tempo tem pra me dar

Salvador, no tempo...


 


NAVEGAR

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Preciso navegar...
pelo silêncio das intenções
entrando no mistério das emoções.
Pelo solfejo das canções
que arde dentro do afogar de um coração.
Pela luz que brilha na prata dos cordões
como a brancura dos teus cabelos de algodão.

Preciso navegar...
por mares bem transparentes
sem sentimentos pungentes
por caminhos não reticentes
com portos seguros
sem partidas doentes
por um amor por ti ainda tão latente

Salvador, no tempo...


 


AO SABOR DO VENTO

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Quem dera,
me deixar levar ao vento...
como quando a velejar
num barco em alto mar.
Quem dera,
poder viver sentindo ao sabor do vento
como é bom não medrar ao sentir
que o passado enfim está partindo.
Quem sabe,
agora voltar a sorrir,
cantar com o som do vento,
como ao ouvir uma canção e...
dançar sem porvir.

Salvador, no tempo...

 


AMANHECEU

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Nos primeiros acordes da manhã,
reconheci,
quando a íris se abriu,
"NO MEU MAR"
as janelas da alma.
Guardo meus olhos,
na busca do que mais
meu coração procura.
guardo meus olhos
nos olhos de quem amo
e não vejo...
Mas...
para consolar-me, olho o céu,
acompanho as nuvens em movimento,
o vento, acariciando as folhas das arvores,
os pássaros voando,em rota que só eles sabem,
O por do sol, a lua e as estrelas,
e com passos lentos,
como quem não quer chegar,
aceito o destino de Prometeu...
Peço apenas à brisa que feche meus olhos,
para que eu não veja,
o meu peito dilacerado...

Salvador, indo...


..



MEU MUNDO INTERIOR

*Aurea Abensur*
(Orinho)

São tantos os meus poemas
amarrados com fitinhas
em pastas, caixas, gavetas
todos parte de mim
que até já perdi a conta

Escritos alegres
alguns franzidos de dor
e há os que hoje me espantam
por serem nuvens cálidas de perfumes
refletindo da vida tanto frescor

Vendo-os assim
tão diversos e multiplicados
por ai voando como eu, indefesos
penso... serão eles que um dia
não calarão e sim falarão por mim

Salvador, indo...


 


AMANHECEU

*Aurea Abensur*
(Orinho)

O dia amanheceu...
Aceso como a chama
do fogo da vela
das minhas orações
lá ao longe vi o sol
rasgando pedaços do céu
abrindo passagem
entrando sorrateiro
na minha emoção
Inundando de esperança
o meu velho coração
No chão ajoelhei
agradeci
esvaziei as dores
branqueei
minha alma
e pra ti
e pra vida
de novo voltei

Salvador, de volta...

 


MEU SER

"Aurea 0bensur"
(Orinho)


Meu ser
reza numa ausência
num choro
de uma urgência
com vontade de alcançar
um carinho
que a insensatez
de mim
fez questão de afastar.
Sufoco-me na poesia
com a esperança
de conseguir chegar
aos céus dos sonhos
que minh'alma almeja
por ser a única maneira
de novamente ainda me fazer
nesta TERRA
a consciência recobrar.

Salvador, indo...

 


AGRADEÇO

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Instante mágico
após segundos que não passavam
a desaperceber
mesmo estando o mundo no seu giro
que nada mais é do que o viver

Entrei em mim mesma
cobri-me então de céu
e agradeci ajoelhada
com o despontar de um novo sorriso
misturando-o às lágrimas com sabor de mel

Agradeço sim
os dias escuros de chuva
que sombrearam o azul do meu mar
e pelos antigos frios de muitos invernos
que me ensinaram por toda vida
a tudo e a todos saber amar

Salvador, eu agradecida




A CHUVA

*Aurea Abensur*
(Orinho)

A chuva quando cai
me deixa a pensar...
Carrega-me para um tempo embaçado,
cinza, opaco, triste.
A chuva como a vida,
é passageira.
Momentaneamente nubla o céu,
fecha o tempo,
tapa a luz.
Assim como em etapas da vida...
Ela escurece o céu...
Mas...
molha a terra,
lava a poeira das folhas,
renova tudo com suas lágrimas
devolvendo a vontade de viver,
às plantas, às serras, a mim.
Algumas lágrimas de chuva no solo,
a terra verdeja outra vez.
No céu,o arco-íris aparece para iluminar.
Escuras nuvens começam a branquear.
A vida a se alegrar.
Quando ela passa,
envia num pedaço de vento,
a volta do azul,
novos caminhos e,
o sopro de felicidade começa de novo
a pairar no ar

Salvador, em tempo...


 


COMO FOLHA

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Solta como folha
na curva das matas
assim estou a esperar
Vim correndo
furando as imensas portas
das escuras madrugadas
fugindo do frio
sem chorar,
vim leve
louca pra te encontrar

Salvador, em tempo...




MUITAS SAUDADES

*Aurea Abensur*
(Orinho)

momentos bordados
num acervo de retalhos
uma história contada
em pequenos papeis escritos
mãos trêmulas
hoje contando os pontos
em mais uma laçada da agulha
uma trilha sonora
uma cor escolhida
amores tramados
sorrisos nevados
casa cheia e vazia
transcendental vida

Salvador, saudades...




ALMA

*Aurea Abensur*
(Orinho)

Minha alma,
compreende o mistério da vida.
Meu corpo sente,
a música da lida.
Meus braços dobram-se
em abraços fortes,
afogando porções sentidas.
A minha voz se solta nos ares
tentando entoar, canções em mim embutidas.
Sou um labirinto de emoções partidas.
Tento ainda no mundo
espalhar meu afeto,
mesmo precisando de proteção.
Transcendental mundo!
Ah a alma humana!
Tão misteriosa!
No inconsciente, puro sentimento
No consciente no entanto,
nada mais do que,
um conjunto de imagens e poesias.

Salvador, hoje...


  

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