|
Poesias
|
|
Pág.
2 de 17 Pág. |
|
|
|
A
MINHA
CAMINHADA
Raymundo
Salles
Brasil
Á
minha
família
Meus
caminhos
não
foram
dos
piores,
Mas
tive
que
enfrentar
muitas
barreiras,
Pelas
beiradas
vi
nascerem
flores,
Das
minhas
caminhadas,
as
herdeiras.
Elas
foram
pintando
de
mil
cores,
As
ásperas
jornadas
nas
pedreiras
Fizeram-me
chegar,
esses
amores,
Aonde
cheguei
e
sem
deixar
esteiras.
Hoje
cantando
hosanas,
dando
glórias,
Devo-as
a
Deus
somente,
essas
vitórias,
E às
flores
que
nasceram
no
caminho.
As
vezes
que
chorei,
não
choraria
Se
eu
antevisse
a
paz
que
hoje
em
dia
Reina
em
meu
coração
–
ah,
se
adivinho!
Raymundo
Salles
Brasil |
|
|

|
SEMEANDO
Raymundo
Salles
Brasil
Feriram-se
os
seus
pés
naquela
estrada,
Que
tinham
flores
camuflando
espinhos,
Que
além
de
dores
não
lhe
deram
nada,
Apesar
de
diversos
os
caminhos.
Trilhando
atalhos
nessa
caminhada,
Tragaram-lhe
alguns
redemoinhos
Das
noites
mal
dormidas
na
calada,
Embriagado
de
amores
e de
vinhos.
Mas
um
anjo
pousou
ao
seu
redor
E
como
quem
quer
nada
se
instalou
E o
evangelho
santo
semeou,
Inoculando
nele
o
amor
maior,
Aquele
que
perdoa
e
que
redime,
Por
maior
que
seja
o
pecado
ou o
crime.
Raymundo
Salles
Brasil |
|
|

|
AO
RELER
MEU
SONETO
Raymundo
Salles
Brasil
Um
verso
eu
quis
fazer
melhor
elaborado,
Um
clássico
soneto
igual
aos
de
Bilac,
Soneto
à
moda
antiga,
bem
metrificado,
Como
o
fizera
Arthur,
que
foi
do
verso
um
craque.
Fiquei
ante
o
papel,
horas
a
fio,
parado,
Buscando
um
verso
puro,
um
verso
sem
sotaque,
Corri
atrás
da
rima
até
ficar
cansado,
Coloquei
a
cesura
em
lugar
de
destaque.
Achei
que
o
meu
soneto
já
estivesse
pronto,
Mas
quando
o
fui
reler,
verso
por
verso,
vi
Que
em
cada
um
faltava
ainda
um
contraponto
Que
lhes
pudesse
dar
riqueza
à
melodia;
E as
cordas
dedilhei
de
novo,
e
descobri:
Faltava-lhe
a
unção
– e
dá-la
eu
não
sabia.
Raymundo
Salles
Brasil |
|
|
|
AMOR
DESCOMUNAL
Raymundo
Salles
Brasil
Não
foi
porque
eu
quisesse,
magoei-te
tanto,
Feri-te,
muitas
vezes,
mas
não
foi
por
mal,
Certamente
não
fui,
nem
perfeito,
nem
santo,
Talvez,
com
os
meus
defeitos,
nem
tivesse
igual.
Mas
uma
coisa
é
certa,
e é
este
o
meu
encanto,
Que
já
desde
o
começo
ele
foi
eternal,
Nas
horas
de
alegria
ou
nas
horas
de
pranto,
Foi
meu
amor
por
ti
um
amor
descomunal.
Nasceu
de
um
quase
nada,
em
tempos
escolares,
De
mulher
e de
santa,
um
misto,
eram
teus
ares,
Lutei
pra
conquistar-te,
imaginei-te
minha.
E um
escravo
de
amor,
mas
de
coroa
e
cetro,
Na
tua
vida
santa,
como
um
rei,
penetro,
Para
tentar
ser
santo
e
fazer-te
rainha.
Raymundo
Salles
Brasil |
|
|

|
O
SONO
DO
SOL
Raymundo
Salles
Brasil
Tinge-se
de
lilás
a
tarde
mansa;
Quebra
o
silêncio,
apenas
o
cantar
Das
aves
e,
das
árvores,
a
dança
Dos
galhos
e
dos
ramos,
ao
ruflar.
E,
lentamente,
o
sol,
que
já
se
cansa,
Exausto,
já,
de
tanto
iluminar,
No
horizonte
debruça
e
luzes
lança,
Tingindo
de
fulgor
o
céu
e o
mar.
E
pouco
a
pouco
vai
adormecendo...
Entre
as
nuvens
de
sombra
se
envolvendo,
Até
pegar
num
sono
bem
profundo.
Nem
chega
a
ver
que
Deus
teve
o
cuidado
De
estender
um
lençol
todo
estrelado,
Para
cobrir
de
pérolas
o
mundo.
Raymundo
Salles
Brasil |
|
|

|
|
|