SEBO LITERÁRIO

 

 

Raymundo Salles Brasil

 

 
 
Poesias

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A LUZ DOS MEUS OPÚSCULOS
Raymundo Salles Brasil


Nós dois unimos para sempre as nossas vidas
Num dezembro de luz, de sol, farto de festas.
Imprimimos o amor, aparamos arestas
E nos tornamos um com formas definidas.

Eu sei que fui seu rei, você foi minha vesta,
Tivemos muitas lutas agras e aguerridas;
Caminhamos juntos, nós, por íngremes subidas,
E implantamos a paz no pouco que nos resta.

Se os seus dotes, amor, não são como os de outrora,
Não têm a mesma claridade de uma aurora,
No entanto têm a suavidade dos crepúsculos.

Do nascente ao poente você foi só minha,
Você foi o meu sol, e é a musa rainha,
A bela inspiração e a luz dos meus opúsculos.

Raymundo Salles Brasil

 
 

SANTAS DIFERENÇAS
Raymundo Salles Brasil


De um velho anel de bronze azinhavrado,
ao diamante incrustado..

São tantas e as conheço tanto e tanto...
As nossas diferenças – sei de cor;
Que não foram capazes, entretanto,
De arrefecer das chamas o esplendor.

A mesmice sugere o desencanto;
Diferenças aquecem – dão calor...
Pode a primeira nos levar ao pranto
Deve a segunda revelar o amor.

Então, perfeita a nossa convivência
De – juntos – quatro décadas de essências
Que foram misturadas e se trocam.

São desiguais as notas que se harpejam,
São diferentes os lábios que se beijam
E nós somos extremos que se tocam.

Raymundo Salles Brasil

 
 

AO NOSSO AMOR
Raymundo Salles Brasil


– Falávamos nós dois, de quê, há instantes?
– Falávamos do amor, da eternidade
Do verdadeiro amor de dois amantes;
Falávamos de nós, não é verdade?

– É, sim, verdade, amor, que, mais do que antes,
Vai-se firmando, agora, esta amizade,
Na mais gigante Rocha, entre as gigantes...
Destruí-la! – que força ou tempestade?

Se a morte um dia separar nós dois,
Não vos inquieteis, irei também,
Assim que anoitecer, logo depois,

Para comemorarmos co’um falerno
Nos jardins celestiais, bem lá no além,
O nosso amor, o nosso amor eterno.

Raymundo Salles Brasil

 

 

A IDEIA
Raymundo Salles Brasil


De quando em quando pisca em nossa mente,
Aquela ideia – pisca e não clareia,
Não abre como um sol, brilhantemente,
Nem suave e branda como a lua cheia.

Mas fica ali... e renitentemente
Nem apaga, nem brilha, bruxuleia,
Hesitante em se abrir, pisca somente,
Como o sangue a pulsar dentro da veia.

Mas só partindo a bolsa que a contém
Pode mostrar a luz que lhe convém
Aos contornos sutis de sua arte.

Contorce-se na mente – serpenteia!
E vai evoluindo – é luz que anseia!
E pisca e pulsa e força e tenta e parte.

24/10/2012
Raymundo Salles Brasil

 

INCOMPARÁVEL
Raymundo Salles Brasil


A vida se assemelha a quê? – Cogito.
Muitas comparações já foram feitas,
Deus a fez com virtudes (e perfeitas!),
Portanto, incomparável, tenho dito.

Entretanto as mazelas e as maleitas,
Foi pondo, o homem, nela – pôs conflito,
Os frutos do pecado vil, maldito,
Mentirosas verdades, muitas treitas.

Mesmo assim não consigo compará-la,
Falta-me sempre essa imaginação,
Falta-me a verve, o dom, falta-me a fala.

Acho-a ainda incomparável, bela!
E esse lado da vida é minha opção.
Eu vou morrer, mas com saudade dela.

09/09/2012
Raymundo Salles Brasil